Pioneiros
O. R. L. Crosier
1820 -- 1913
Pregador milerita e autor da primeira exposição sistemática da doutrina do santuário
Resumo
Owen R. L. Crosier (posteriormente Crozier) foi um pregador e escritor millerita de Canandaigua, Nova York, cujo artigo de 1846 “A Lei de Moisés” — publicado como Day-Star Extra de 7 de fevereiro de 1846 — tornou-se a exposição fundamental da doutrina do santuário celestial que distinguiu o adventismo sabatista do movimento millerita pós-Decepção, de alcance mais amplo. O artigo, escrito a partir de um extenso estudo bíblico com Hiram Edson e o Dr. F. B. Hahn na casa dos Edson, no oeste de Nova York, durante o inverno de 1844–1845 — conhecido como o “ ” —, foi endossado por Ellen White em sua carta de 21 de abril de 1847 a Eli Curtis (publicada como parte de A Word to the Little Flock, p. 12). Por um tempo, Crosier também guardou o sábado do sétimo dia, mas em 1847 ele havia repudiado tanto o sábado quanto a visão do santuário celestial e, de 1847 a 1853, serviu na equipe do Advent Harbinger, de Joseph Marsh, em Rochester. Ele faleceu em 1912.
Primeiros anos de vida e conversão (1820–1843)
Steinweg, em Lest We Forget, registra o esboço básico da juventude de Crosier: “Owen R. L. Crosier nasceu em Canandaigua, Nova York, em 1820.” (Lest We Forget, cap. 97, p. 183, ¶ 5). Ela continua, no mesmo parágrafo: “Aos dezesseis anos, ele se converteu em um avivamento metodista. Em algum momento de sua juventude, o Dr. Franklin B. Hahn e Hiram Edson tornaram-se amigos do órfão. Eles lhe deram um lar e o incentivaram nos estudos” (Lest We Forget, cap. 97, p. 183, ¶ 5).
Steinweg registra sua educação e sua aceitação da doutrina millerita: “Depois de frequentar a Genesee Academy e o Wesleyan Seminary em Lima, Crosier lecionou em Gorham, Rochester, East Avon e Lima, Nova York. No outono de 1843, ele aceitou a doutrina millerita do retorno iminente de Cristo para purificar a Terra e foi batizado por E. R. Pinney.” (Lest We Forget, cap. 97, p. 183, § 6).
O dia seguinte à decepção (23 de outubro de 1844)
Steinweg registra a manhã de 23 de outubro de 1844, quando Hiram Edson e Crosier partiram de Port Gibson para consolar seus irmãos decepcionados. Os dois homens estavam estudando juntos quando, caminhando por um milharal, Edson teve a impressão de que o santuário a ser purificado não era a Terra, mas o templo no céu.
Loughborough, que conhecia Edson pessoalmente, relata o essencial daquela manhã: “Hiram Edson, de Port Gibson, Nova York, contou-me que, no dia seguinte ao término do prazo em 1844, enquanto orava atrás dos feixes de milho em um campo, o Espírito de Deus desceu sobre ele de maneira tão poderosa que ele quase foi derrubado ao chão” (The Great Second Advent Movement, p. 193, par. 1). O mesmo parágrafo continua: “Ele comunicou esse pensamento a O. R. L. Crosier, e juntos eles investigaram cuidadosamente o assunto. No início de 1846, uma exposição detalhada da questão do santuário do ponto de vista bíblico, escrita pelo Sr. Crosier, foi publicada no Day Star, um jornal então editado em Canandaigua, Nova York” (The Great Second Advent Movement, p. 193, par. 1).
O Estudo da Bíblia na Casa dos Edson (Inverno de 1844–1845)
A investigação que se seguiu à viagem de 23 de outubro consistiu em um estudo bíblico colaborativo e contínuo na casa dos Edson, em Port Gibson. Steinweg registra o resultado: “O. R. L. Crosier tinha vinte e quatro anos quando acompanhou Edson para levar a notícia sobre a purificação do Santuário.” (Lest We Forget, cap. 97, p. 184, ¶ 9). Steinweg, citando Froom, caracteriza Crosier no mesmo parágrafo como “um estudante da Bíblia perspicaz e um escritor promissor” (Lest We Forget, cap. 97, p. 184, ¶ 9).
A compilação de Arthur White, Christ in His Sanctuary, descreve o estudo e o papel de Crosier na redação de suas conclusões: “Seguiu-se uma investigação cuidadosa das escrituras que abordavam esse assunto — particularmente as de Hebreus — por Hiram Edson e dois colaboradores próximos, o Dr. F. B. Hahn, um médico, e O. R. L. Crosier, um professor. O resultado desse estudo conjunto foi redigido por Crosier e publicado, primeiro no The Day Dawn, um jornal de tiragem limitada, e depois, em forma reescrita e ampliada, em uma edição especial do Day-Star, em 7 de fevereiro de 1846. Este era um jornal adventista de maior circulação, publicado em Cincinnati, Ohio. Por meio desse veículo, o texto alcançou vários crentes adventistas desiludidos. A apresentação bastante extensa, bem fundamentada nas Escrituras, trouxe esperança e coragem aos seus corações, pois mostrava claramente que o santuário a ser purificado ao final dos 2.300 dias está no céu, e não na terra, como eles haviam acreditado anteriormente” (Christ in His Sanctuary, p. 8, par. 1).
A nota explicativa da seção “Cartas e Manuscritos” do Ellen G. White Estate registra o cerne teológico do artigo de Crosier: “O.R.L. Crosier, Emily Clemons e outros começaram a defender um período prolongado de expiação final no santuário celestial, enquanto Samuel Snow defendia agressivamente uma expiação de um único dia” (The Ellen G. White Letters and Manuscripts: Volume 1, p. 44, par. 2).
The Day-Star Extra de 7 de fevereiro de 1846 (“A Lei de Moisés”)
O artigo de Crosier — geralmente conhecido como “A Lei de Moisés” — foi publicado como uma edição especial do Day-Star, de Enoch Jacobs, em 7 de fevereiro de 1846. A introdução publicada por Crosier ao corpo do artigo era um lembrete da importância duradoura da lei, citando Malaquias 4:4: “Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, que eu lhe ordenei em Horebe para todo o Israel, com os estatutos e juízos.” (A Lei de Moisés, p. 37, par. 2).
O raciocínio de Crosier sobre os tipos mosaicos está resumido em suas próprias palavras: “Que alguns dos tipos legais encontraram seus antítipos está fora de controvérsia. Ao aprendermos a maneira de seu cumprimento e o princípio quanto ao tempo em que são cumpridos, podemos prosseguir com maior compreensão para a investigação dos outros tipos. Existem duas classes de tipos anuais — os primaveris e os outonais; Levítico 23. Os primeiros encontraram seus antítipos no primeiro Advento, mas os segundos devem ser cumpridos em conexão com e após o segundo Advento.” (A Lei de Moisés, p. 37, par. 12).
Ele explicou a consequência na mesma série de parágrafos: “Por analogia, devemos concluir que os antítipos outonais ocuparão um período de tempo relativo ao ocupado por seus tipos, em proporção semelhante à dos antítipos vernais. Em outras palavras, o período de seu cumprimento deve constituir uma dispensação de muitos anos.” (A Lei de Moisés, p. 37, par. 20).
O endosso de Ellen White (21 de abril de 1847)
Em sua carta de 21 de abril de 1847 a Eli Curtis — publicada no panfleto de James White Uma Palavra ao “Pequeno Rebanho” (30 de maio de 1847) — Ellen White endossou o artigo de Crosier. Suas palavras estão preservadas textualmente em Uma Palavra ao Pequeno Rebanho: “Acredito que o Santuário, a ser purificado no final dos 2.300 dias, é o Templo da Nova Jerusalém, do qual Cristo é ministro. O Senhor me mostrou em visão, há mais de um ano, que o irmão Crosier possuía a verdadeira luz sobre a purificação do Santuário, etc.; e que era Sua vontade que o irmão C. escrevesse a visão que nos deu no Day-Star, Extra, de 7 de fevereiro de 1846. Sinto-me plenamente autorizada pelo Senhor a recomendar esse Extra a todos os santos.” (A Word to the Little Flock, p. 12, par. 8).
O mesmo endosso está preservado nos manuscritos de Ellen White em WLF 12.8: “Acredito que o Santuário, a ser purificado no fim dos 2.300 dias, é o Templo da Nova Jerusalém, do qual Cristo é ministro. O Senhor me mostrou em visão, há mais de um ano, que o irmão Crosier possuía a verdadeira luz sobre a purificação do Santuário, etc.; e que era Sua vontade que o irmão C. escrevesse a visão que nos deu no Day-Star, Extra, de 7 de fevereiro de 1846. Sinto-me plenamente autorizada pelo Senhor a recomendar esse Extra a todos os santos.” (Palavra ao Pequeno Rebanho, p. 12, par. 8).
Arthur White registra a consequência histórica desse endosso: “Os pioneiros do movimento viam a verdade do Santuário como fundamental para toda a estrutura da doutrina adventista do sétimo dia. James White, em 1850, republicou as partes essenciais da primeira apresentação do assunto por O. R. L. Crosier e comentou” (Christ in His Sanctuary, p. 12, par. 3).
Separação dos sabatistas (1847)
Steinweg registra que Crosier, após um período de observância do sábado, separou-se dos adventistas sabatistas em 1847. O mesmo parágrafo observa que Joseph Bates havia visitado Port Gibson em 1845 para uma conferência sobre a questão do santuário e compartilhado sua convicção sobre o sábado com o grupo Edson-Crosier-Hahn: “Crosier chegou a defender a observância do sábado na edição de dezembro de 1846 do Day-Dawn. Mas, em 1847, ele havia repudiado o sábado e a visão inicial sobre o Santuário e se separado do grupo que acabaria se tornando a Igreja Adventista do Sétimo Dia” (Lest We Forget, cap. 97, p. 184, par. 12).
Steinweg registra a trajetória subsequente de Crosier: “De 1847 a 1853, Crosier integrou a equipe do Advent Harbinger and Advocate, de Joseph Marsh, em Rochester, Nova York” (Lest We Forget, cap. 97, p. 184, ¶ 13). Steinweg acrescenta, no mesmo parágrafo: “Ele também escreveu vários artigos muito sérios, incluindo seus ataques mais ferrenhos contra o sábado do sétimo dia, que buscavam estabelecer a posição de que a lei dos dez mandamentos havia sido abolida na cruz de Cristo” (Lest We Forget, cap. 97, p. 184, ¶ 13).
Vida Posterior e Morte (1858–1912)
Steinweg registra o ministério posterior de Crosier sob a bandeira da Igreja Cristã Adventista e seu testemunho no final da vida em Grand Rapids, Michigan: “Em 1858, Crosier serviu como evangelista para a conferência de Michigan da Igreja Cristã Adventista e continuou pregando que Cristo viria em breve. Ele era praticamente desconhecido pelos adventistas do sétimo dia até 1904, quando participou de uma reunião em Grand Rapids, Michigan.” (Lest We Forget, cap. 97, p. 185, ¶ 14).
Steinweg registra a avaliação final dos adventistas do sétimo dia. Embora Crosier “não tenha seguido adiante em outras verdades que vieram à luz nos primeiros tempos” — a elipse preservada na fonte impede a atribuição mais longa —, a própria frase conclusiva de Steinweg registra a avaliação de forma clara: “Os adventistas do sétimo dia lembram-se e reconhecem o papel que ele desempenhou no estabelecimento da doutrina do Santuário. O que ele escreveu sobre Cristo, o Sumo Sacerdote e o Santuário ajudou a explicar o erro temporal na interpretação de Miller da profecia dos 2.300 dias e lançou as bases para essa doutrina distintiva da Igreja Adventista do Sétimo Dia” (Lest We Forget, cap. 97, p. 185, parágrafo 15).
Crosier passou suas últimas décadas tranquilamente na comunidade cristã adventista do oeste de Nova York e do sul de Michigan. Ele faleceu em 1912, aos noventa e dois anos de idade.