Capítulo 8 — A Ceia das Bodas do Cordeiro
GMA 105.1“Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos. À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado” (Lucas 14:16, 17).
GMA 105.2“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” (Apocalipse 19:9).
GMA 105.3A ceia é a última refeição do dia. Nesta parábola, há três convites para a ceia. Porém, não se deve confundi-la com o chamado para o “banquete” de Mateus 22:1-7. O “banquete” refere-se à refeição do meio dia. Os que levaram o convite foram “ultrajados” e mortos, e até o filho do rei foi morto. O rei que enviara o convite “destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade” (Mateus 22:7).
GMA 105.4Esta parábola, do chamado para o “banquete”, mostra o destino dos primeiros que rejeitaram o chamado, representando, de forma precisa, o que realmente aconteceu com os que rejeitaram o evangelho de Cristo e O mataram bem como a Seus apóstolos. O Senhor enviou exércitos contra essa nação, “destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade” — Jerusalém.
GMA 105O convite para a Ceia
GMA 105.5Já o convite para a ceia, sem dúvida, nos remete à “ceia das bodas do Cordeiro”. Uma bênção é pronunciada sobre os que a ela são convidados. Uma ceia de bodas ocorre após um casamento. O casamento do Cordeiro ocorre antes que Ele venha, pois, como já vimos, quando Cristo finalmente vier, irá “voltar do casamento” (Lucas 12:36, trad. lit. KJV).
GMA 105.6Assim, este convite para a festa de casamento parece ser a mesma coisa que a mensagem do primeiro anjo de Apocalipse 14 e a proclamação de tempo do capítulo 10, segundo já mencionamos. Lucas registra que este primeiro convite é feito aos “convidados” (Lucas 14:17). Quem são esses “convidados”? Os que ouviram e aceitaram o evangelho de Cristo. Esses professam amar a Cristo e a Sua segunda vinda de tal forma que esta é vista como a realização de suas esperanças. Por que então não estender o convite primeiramente a eles? Da mesma forma que era necessário que o evangelho fosse primeiramente pregado aos judeus, que possuíam as Escrituras e afirmavam estar esperando a vinda do Messias (Atos 13:45), assim a mensagem da segunda vinda de Cristo foi primeiramente apresentada a Seus professos seguidores, que afirmavam amar Sua vinda.
GMA 106O chamado aos que haviam sido convidados
GMA 106.1O primeiro chamado à ceia, destinado aos que haviam sido “convidados”, precisava ser dado às igrejas. De fato, a proclamação da iminente vinda de Cristo, desde 1833 até a primavera de 1844, aconteceu dentro das igrejas, e, em grande parte, apoiada pelos ministros. A primeira publicação feita por Guilherme Miller sobre sua compreensão a respeito da iminente vinda de Cristo surgiu num jornal Batista de Brandon, Vermont. Até abril de 1844, sua obra, bem como a de seus associados, foi realizada principalmente em igrejas ou em salões que elas alugavam.
GMA 106.2O irmão Himes descreve a obra de Miller até a primavera de 1844 da seguinte forma:
GMA 106.3Ele trabalhou em meio a todos os grupos e seitas, sem interferir em suas organizações ou disciplina, julgando que os membros das diferentes igrejas poderiam manter sua membresia, e, ao mesmo tempo, preparar-se para a vinda de seu Rei.
GMA 106.4Falando de seu próprio trabalho, em união com o de Miller, ele afirmou: “A maioria dos pastores e igrejas que abriram as portas para nós e nossos irmãos, e que estavam proclamando a doutrina do advento, colaboraram conosco até o ano passado”, isto é, 1844.
GMA 106Portas abertas para a Mensagem
GMA 106.5Acerca de seu trabalho, Miller declarou:
GMA 106.6As portas me têm sido abertas para proclamar a doutrina da segunda vinda de Cristo em quase todas as denominações, de modo que só pude atender a uma pequena fração dos chamados. […] Em todos os lugares onde estive, os que mais prontamente recebem as verdades apresentadas são os mais piedosos, dedicados e ativos membros das igrejas, enquanto professores mundanos, fariseus, fanáticos, orgulhosos, arrogantes e egoístas zombam e ridicularizam a doutrina da segunda vinda de Cristo.
GMA 107.1Quanto à essência da mensagem do advento, pode-se afirmar o mesmo que D’Aubigné afirmou a respeito da Reforma:
GMA 107.2foi realizada em nome de um princípio espiritual. Declarava ter por professor a Palavra de Deus; por salvação, a fé; por braços, o Espírito Santo; e por esses mesmos meios, rejeitava todos os princípios mundanos.
GMA 107Uma poderosa onda de reavivamentos
GMA 107.3O caráter dos reavivamentos que sucederam à proclamação da mensagem do advento é assim descrito por L. D. Fleming, pastor da Igreja Cristã da rua Casco, de Portland, Maine:
GMA 107.4O interesse despertado por suas palestras [referindo-se a Guilherme Miller] é do tipo mais ponderado e imparcial. Embora seja o maior reavivamento que já vi, não há quase nada de entusiasmo agitado. Parece assegurar a maior atenção da parte masculina da comunidade. O que produz este efeito é o seguinte: o irmão Miller simplesmente toma a espada do Espírito, desembainhada e nua, encosta seu lado afiado sobre o coração desprotegido, e o corta! Isso é tudo. Diante desta poderosa arma, a infidelidade é derrubada, e o universalismo se murcha. Falsos fundamentos desaparecem, e os comerciantes de Babel se espantam. Parece-me que isso é o mais próximo a que se chegou dos reavivamentos apostólicos dentre tudo o que tempos modernos já testemunharam.
GMA 107Uma experiência em Richmond
GMA 107.5Como ilustração da obra de reavivamento que acompanhou a pregação da doutrina do advento, citaremos o relato de alguém que participou ativamente desse movimento. Ao falar de uma reunião trimestral realizada em Richmond (Maine), representando 30 igrejas Batistas Livres, essa pessoa relata:
GMA 107.6Quando entrei no lugar de adoração, o pastor Rollins, que estava sentado ao lado do púlpito, na extremidade do salão, levantou-se e disse: “Irmão White, sente-se aqui, ao meu lado”. Após o sermão, deu-se oportunidade para observações, e eu falei livremente sobre a vida cristã e os triunfos dos justos por ocasião da segunda vinda de Cristo. Muitas vozes clamavam: “Amém! Amém!” e a maior parte daquela grande congregação estava em lágrimas. […] Próximo ao fim da reunião, depois de obter meu consentimento, o pastor Rollins se levantou e disse: “O irmão White, assentado à minha direita, vai pregar na igreja Reed hoje à noite sobre a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Venham irmãos, e ouçam por si mesmos! Temos espaço suficiente para todos. Venham, irmãos, ouvir sobre o assunto; não vai fazer mal a nenhum de vocês”. […] Ele bem sabia que a maioria de seus irmãos sairia de sua reunião na vila, e se deslocaria cinco quilômetros para me ouvir, e que sua reunião de comissão seria interrompida. E assim aconteceu. Três quartos dos ministros e quase todos os delegados partiram, e a reunião na igreja Reed estava lotada desde o início. Meu assunto era Mateus 24. O Espírito de Deus concedeu-me grande liberdade. O interesse foi maravilhoso.
GMA 108.1Ao concluir com um apelo aos cristãos em favor de total consagração e preparo, e aos pecadores para que buscassem a Cristo e se preparassem para a vinda do Filho do homem, o poder de Deus veio sobre mim a ponto de eu precisar me segurar no púlpito com ambas as mãos. Foi uma hora solene. Ao contemplar a condição dos pecadores, perdidos sem Cristo, convidei-os com lágrimas, repetindo várias vezes: “Venha, ó pecador, e seja salvo quando Ele aparecer em Sua glória. Venha, pobre pecador, antes que seja tarde demais. Venha, ó pecador, ó pobre pecador, venha”.
GMA 108.2O ambiente estava terrivelmente solene. Ministros e povo choravam, alguns em voz alta. Ao fim de cada apelo ao pecador, ouvia-se um gemido geral por toda a congregação. Eu havia estado em pé, explicando o capítulo e exortando por mais de duas horas, e estava ficando rouco. Parei de falar, e chorei em voz alta por aquelas pessoas queridas com um sentimento muito profundo, conhecido apenas por aqueles a quem Deus chamou para pregar sua verdade aos pecadores. Eram nove horas, e dar liberdade a que outros falassem seria continuar a reunião até a meia-noite. Foi melhor encerrar com o profundo senso do presente, porém não antes que todos tivessem uma oportunidade de decidir ao lado do Senhor. Convidei, então, a que ficassem em pé todos na congregação que quisessem se unir a mim em oração, bem como os que desejavam ser apresentados perante o trono de misericórdia para que pudessem estar prontos para encontrar o Salvador com alegria em Sua segunda vinda. Cada pessoa ali presente se levantou, segundo fui informado posteriormente por indivíduos que estavam em diversas partes do recinto. Após um breve período de oração, a reunião terminou.
GMA 108.3Na manhã seguinte, voltei à vila, acompanhado por, no mínimo, sete oitavos dos componentes da reunião trimestral Batista Livre. Todos contavam da maravilhosa reunião a que tinham assistido na noite anterior.
GMA 108Pedidos para levar a mensagem a outros lugares
GMA 108.4No intervalo, os delegados e os ministros me convidaram para planejar com eles quanto às datas em que eu poderia pregar para as congregações, representadas naquela reunião trimestral, que possuíssem casas de culto espaçosas. Estávamos em meados de fevereiro. Concluiu-se que não restavam mais que seis semanas em que a neve estivesse firme para viajar de trenó, de modo que as pessoas tivessem uma boa chance de ir às reuniões. Foram escolhidas, para o meu trabalho em seis semanas, doze das mais importantes localidades. Eu faria dez palestras e, portanto, precisaria pregar 20 vezes por semana. Restou-me apenas metade de um dia por semana, que descobri ser frequentemente muito necessário para poder viajar de 25 a 30 quilômetros até o próximo local de reuniões (Life Sketches of James and Ellen G. White, p. 61-64).
GMA 109Centenas de conversões
GMA 109.1A pregação da doutrina do advento foi seguida de reavivamentos e centenas de conversões por toda parte, especialmente ao se aproximar o fim do ano judaico de 1843 (21 de março de 1844). Foi durante esse inverno que eu, em minha vila natal, Victor (Nova Iorque), ouvi pela primeira vez sobre o assunto, e, com apenas 12 anos de idade, aceitei, até onde entendia, a fé no segundo advento. Foi muito solene a impressão causada sobre o povo, não só em reuniões, mas em toda parte. Victor era naquele tempo apenas uma vila com cerca de 200 habitantes, mas a região ao redor era densamente povoada. Como resultado dessa série de reuniões neste pequeno vilarejo, 500 conversões foram relatadas.
GMA 109Testemunho do anuário metodista
GMA 109.2Quanto à poderosa onda de reavivamentos que se seguiram à proclamação do advento, lemos no Anuário Metodista que “durante esses quatro anos (1840-1844), 256 mil conversões ocorreram na América”. O que ocorreu na América ocorreu também em outros países onde o chamado foi feito. “Um grande poder acompanhava a pregação, e pessoas se convertiam por toda parte”. Como o primeiro convite para a ceia do casamento foi direcionado às igrejas — “os que foram convidados” — este se estendeu, por intermédio delas, a todos os que quisessem vir e tomar parte na salvação preparada para o povo de Deus. Onde quer que a mensagem fosse pregada, mencionada em oração ou cantada em “melodias do advento”, a poderosa atuação do Espírito de Deus acompanhava o trabalho.
GMA 109Crianças pregando na Suécia
GMA 109.3A essa altura, vamos notar o modo pelo qual o Senhor operou a fim de que a mensagem fosse proclamada em países onde se proibia pregar qualquer coisa contrária à “igreja estabelecida”. A Suécia era um deles. O Senhor usou ali crianças para iniciar a obra. A primeira dessas manifestações foi no verão de 1843, em Eksjö, no sul da Suécia. Certo dia, uma menina de apenas cinco anos de idade, que nunca havia aprendido a ler ou cantar, começou a cantar, de maneira solene e correta, um longo hino luterano. Em seguida proclamou com grande poder: “É chegada a hora do Seu juízo”, e exortou a família a se preparar para o encontro com o Senhor, pois Ele logo viria. Os que não eram convertidos daquela família clamaram a Deus por misericórdia e encontraram perdão. Esse movimento se espalhou de cidade em cidade mediante a proclamação da mensagem por outras crianças. Esse mesmo movimento entre crianças se manifestou, até certo ponto, na Noruega e na Alemanha.
GMA 110“Sim! Eu tinha que pregar”
GMA 110.1Em 1896, enquanto realizava reuniões em 17 diferentes partes da Suécia, passei por vários locais onde as crianças haviam pregado em 1843. Tive então a oportunidade de conversar com aqueles que haviam ouvido a pregação e com adultos que haviam pregado quando eram crianças. Perguntei a um deles: “Você pregou a mensagem do advento quando era menino?” Ele respondeu: “Preguei! Sim, eu tinha que pregar. Não tive qualquer planejamento sobre o assunto. Um poder veio sobre mim, e falei o que esse poder me compeliu a dizer”.
GMA 110Boquist e Walbom em Orebro, Suécia
GMA 110.2No condado de Orebro Laen, essa obra se espalhou até que pessoas mais velhas foram movidas para proclamar a mensagem. As autoridades civis, instigadas pelos sacerdotes da “igreja estabelecida”, prenderam dois meninos: Walbom, de 18 anos de idade, e Ole Boquist, de 15 anos, dizendo que fariam deles um exemplo público. Bateram em suas costas nuas com varas de vidoeiro, e os levaram sangrando à prisão de Orebo. Quando as feridas sararam, foram retirados da prisão, e lhes foi exigido: “Vocês vão parar de pregar essa doutrina?” Porém, embora os espancassem com varas uma segunda vez, reabrindo-lhes as feridas, a única resposta que lhes podiam arrancar era: “Vamos pregar o que o Senhor nos ordena pregar”. Pela intercessão de uma destacada senhora paroquiana em Orebro, o rei Oscar I ordenou às autoridades que libertassem àqueles meninos e não mais incomodassem tais pessoas. Assim foi ganha, na Suécia, a vitória para a verdade.
GMA 110Testemunho de Boquist
GMA 110.3Na Review and Herald de 7 de outubro de 1890, há um interessante relato sobre a pregação das crianças escrito pelo próprio O. Boquist. Ele diz o seguinte:
GMA 110.4No ano de 1843, ocorreu um movimento religioso entre o povo de Karlskoga Parish, em Orebro Laen. Os líderes desse movimento foram crianças e jovens, chamados de “rapare”. Estes pregaram com poder divino, e, proclamaram com grande firmeza perante o povo que a hora do juízo de Deus havia chegado.
GMA 111.1No outono do mesmo ano, eu, O. Boquist, então com 15 anos de idade, juntamente com outro jovem, Erik Walbom, de 18 anos, ficamos tão fortemente influenciados por esse poder invisível que não podíamos de modo algum resistir-lhe. Tão logo fomos tomados por esse poder celestial, começamos a falar ao povo e a proclamar, em alta voz, que a hora do juízo havia chegado, indicando-lhes Joel 2:28-32 e Apocalipse 14:6, 7.
GMA 111Crianças em visão
GMA 111.2O povo me informou que as crianças que foram assim influenciadas por esse poder divino ficavam alheias a tudo ao seu redor. Estavam realmente em visão de Deus, e falavam com um poder que exercia poderosa influência de convicção. Disseram que, sob tal influência, elas falavam com a força e a dignidade de homens e mulheres adultos. Assim, todos os que as viam eram levados a concluir que o Senhor estava usando essas crianças profeticamente para proferir essas verdades solenes. O escritor continua:
GMA 111.3O povo se reuniu em grande número para nos ouvir, e nossos encontros continuaram dia e noite, tendo como resultado um grande despertamento religioso. Jovens e velhos foram tocados pelo Espírito de Deus e clamaram ao Senhor por misericórdia, confessando seus pecados diante de Deus e dos homens.
GMA 111.4Mas quando o padre da igreja foi informado sobre a situação, muitos esforços foram feitos para nos fazer silenciar e, assim, interromper o entusiasmo religioso predominante. Contudo, todos os esforços foram em vão. O delegado foi então chamado para nos prender, e, durante seis semanas, fomos caçados, sem sucesso, na floresta para onde tínhamos fugido em busca de refúgio.
GMA 111.5Finalmente, porém, fomos convocados a comparecer perante o pastor da igreja. Nosso número tinha aumentado tanto que 40 rapazes e moças se apresentaram à residência paroquial, e ali foram submetidos a um longo julgamento. Com exceção de Walbom e eu, todos os outros foram autorizados a voltar para casa; nós, porém, fomos detidos e levados no dia seguinte para a prisão de Orebro, onde ficamos em companhia de ladrões na cela 14, como se tivéssemos cometido um grande crime.
GMA 111Testemunho da irmã de Boquist
GMA 111.6Em 22 de setembro de 1896, a irmã de Boquist, com 72 anos de idade, participou de nossa reunião em Orebro, e nos contou sobre a experiência de seu irmão, pois foi testemunha de seu açoitamento, prisão e libertação. Ela cantou perante nós o hino que Boquist e Walbom cantaram ao caminharem para fora da prisão em direção à ponte sobre o fosso que cercava aquele castelo do século 16, utilizado como prisão em 1843. A força do movimento de 1843 acompanhou o testemunho e o cântico desse hino. Este é o hino, traduzido para o português:
GMA 112Hino cantado por Boquist e Walbom
GMA 112.1Ninguém pode alcançar o descanso eterno,
Sem ter avançado com forte vigor;
Ninguém pode alcançar esse radiante alvo,
Sem ter avançado com o coração e a alma.
Sua luta insistente deve durar até o fim;
Somente disto devem todas as nossas esperanças depender.
Estreita é chamada a porta, e Apertado o caminho
Mas a graça e a escolha são gratuitas a um e a todos;
Mas tudo depende de avançar, avançar;
Apenas assim se pode alcançar o porto.
GMA 112.2Resiste, sim, resiste fortemente, ó minha alma!
A tudo o que se interponha entre ti e teu alvo.
Contra todo obstáculo, luta. Fica firme! Fica estável!
Para aqueles que avançam, a coroa está preparada.
Se queres provar as alegrias do Céu,
Continua avançando por cada obstáculo. Apressa-te;
Deixa, deixa, ó deixa as artimanhas do mundo todo,
E deixa aberta a tua bandeira de resistência!
GMA 112.3Quando o mundo te chama: “Vem conosco”,
Não obedece, esse caminho leva à desgraça.
O que o mundo pedir, recusa a qualquer custo,
Se consentires, ó alma querida, perder-te-ás.
Por amor de Cristo ofereço este conselho:
Esforça-te na força de Deus, esse é o preço da coroa.
A cada obstáculo, faze forte resistência;
A coroa vale a luta, mesmo que longa.
GMA 112.4O Céu de glória vale toda a tua vida,
Vale todas as tuas orações, saudades e toda a tua luta.
Nenhum desapontamento pode existir naquele reino,
A coroa vale todo o anseio que possas proporcionar.
Portanto, desperta, olha em volta cuidadosamente,
Prepara-te para o soar da trombeta do juízo;
Pois vestes nupciais, puras, brancas e completas,
Serão requeridas de cada alma suplicante
Que busca entrada naquela linda cidade;
Portanto, desperta e prepara-te. Não podes ancorar naquele porto celeste,
Nem entrar naquela terra “já antes preparada”
A menos que tenhas a ofertada vida de fé; Pois isso a Escritura diz claramente. Somente a fé pode o pecador salvar,
E da cruel sepultura te resgatar.
GMA 113.1Então escuta, amado, e levanta-te de teu triste tombo;
A graça de Deus é abundante e gratuita para todos.
Acredita, arrepende-te e ouve o Salvador dizer,
Em belas palavras: “Este, este é o caminho”.
O mundo inteiro é convidado, venham todos,
E apoderem-se de uma coroa neste lar.
GMA 113.2O Senhor está disposto, ansioso para conceder
Este presente a todos os que em Seu caminho vão.
Não fujas da luta, mas avança,
E em breve, muito breve, a vitória será ganha.
A mão de Deus busca a tua alma; Ele te dará descanso;
Jesus está batendo, buscando o teu melhor.
Desperta! É o Espírito de Deus que perturba teu sono;
Só serão salvos os que guardarem vigília.
GMA 113O menino pregador em Karlskoga
GMA 113.3Ainda em Orebro, um senhor me contou algo que aconteceu em Karlskoga, local onde ele vivia em 1843. Este foi seu relato:
GMA 113.4Um menino de oito anos, que nunca tinha aprendido a ler, começou a pregar a mensagem, citando vários textos das Escrituras. O povo declarou: “Esse menino está transbordando de Bíblia”. Como isso aconteceu depois que o rei Oscar havia falado em favor dos perseguidos, o sacerdote daquele lugar não pôde levar o menino ao tribunal para lhe deter o trabalho. Pediu, porém, ao povo que lhe trouxessem o menino a fim de que o pudesse desmascarar e expor publicamente sua ignorância quanto à Bíblia.
GMA 113.5Diante de uma multidão de pessoas, o sacerdote abriu seu hinário e pediu ao menino que o lesse. O menino respondeu: “Não sei ler”, mas, virando as costas para o padre, cantou corretamente o hino inteiro, enquanto o sacerdote contemplava o livro com espanto. O sacerdote disse ao rapaz: “Você parece saber tudo”. O menino respondeu: “Não. Nem sempre nos é permitido dizer tudo que sabemos”.
GMA 113.6O sacerdote abriu o Novo Testamento e disse ao menino: “Leia aqui para mim”. O menino respondeu: “Não sei ler”. O padre perguntou: “Então o que você sabe da Bíblia?” Sua resposta foi: “Eu sei onde há um texto em que a palavra e aparece 14 vezes”. O padre disse: “Não! Não há um texto assim na Bíblia”. O garoto disse: “Você pode ler para mim Apocalipse 18:13?” “Sim”, disse o padre. Enquanto lia, o povo contava, e, de fato, a palavra e estava lá 14 vezes exatas, entre as quais se mencionava a “escravidão de almas humanas”. O povo exclamou: “Vejam! Vejam! O menino sabe mais de Bíblia que o padre!” Muito contrariado, o sacerdote deixou o assunto de lado e não mais incomodou o povo.
GMA 114.1Assim, da boca de crianças, o Senhor confirmou Sua palavra, e, por meio desse maravilhoso método, fez chegar sua verdade aos ouvidos de um povo cujas leis proibiam a pregação de qualquer doutrina, salvo a da “religião estabelecida”.
GMA 114Dons do Espírito associados à mensagem
GMA 114.2Não foi somente na Suécia que o Senhor falou ao Seu povo por meio dos dons de Seu Espírito em conexão com o movimento do advento. Na Escócia, na Inglaterra, e também na América, o Senhor tem instruído seu povo mediante revelações especiais.
GMA 114Visões de William Foy
GMA 114.3No ano de 1842, vivia em Boston, Massachusetts, um homem bem educado e eloquente orador chamado William Foy. Era batista, mas estava se preparando para ser ordenado como ministro episcopal. O Senhor graciosamente lhe deu duas visões no ano de 1842 — uma em 18 de janeiro e outra em 4 de fevereiro. Essas visões apresentaram claras evidências de serem genuínas manifestações do Espírito de Deus. Era convidado de um lugar a outro a fim de pregar nas igrejas, e não somente por episcopais, mas também por batistas e por outras denominações. Ao pregar, sempre usava as vestimentas de clérigo, tais como as usadas pelos ministros daquela igreja em suas cerimônias religiosas.
GMA 114.4As visões do senhor Foy eram relacionadas com a iminente vinda de Cristo, as viagens do povo de Deus à cidade celeste, a nova terra e a gloriosa condição dos remidos. Possuidor de um bom domínio da linguagem e aguçado poder descritivo, criava uma sensação aonde fosse. Viajava, a convite, de cidade em cidade, contando as maravilhas que havia visto. Para acomodar as multidões que se reuniam para ouvi-lo, reservavam-se grandes salões, onde anunciava a milhares o que lhe havia sido mostrado sobre o mundo celestial, o encanto da Nova Jerusalém e das hostes angélicas. Ao falar acerca do terno e compassivo amor de Cristo para com os pobres pecadores, exortava os não convertidos a buscarem a Deus, e muitos respondiam a seus gentis convites.
GMA 115A visão dos três degraus
GMA 115.1A obra do senhor Foy continuou até 1844, próximo ao fim dos 2.300 dias. Foi favorecido com mais uma manifestação do Espírito Santo — uma terceira visão, que não compreendeu. Foi-lhe mostrado o trajeto do povo de Deus rumo à cidade celeste. Viu uma grande plataforma, ou degrau, onde multidões estavam reunidas. De vez em quando, alguém caía dessa plataforma e desaparecia, e era dito a seu respeito: “Apostatado”. Viu, então, o povo subir a um segundo degrau, ou plataforma, e alguns também dali caíram e desapareceram. Por último, apareceu uma terceira plataforma, que se estendia até as portas da cidade santa. Um grande grupo se uniu com os que haviam avançado para essa plataforma. Uma vez que ele esperava que o Senhor Jesus viesse muito brevemente, não conseguiu reconhecer o fato de que uma terceira mensagem se seguiria à primeira e segunda mensagem de Apocalipse 14. Por conseguinte, a visão era para ele inexplicável, e ele parou de pregar publicamente. Em 1845, após o encerramento do período profético, ouviu outra pessoa relatar a mesma visão, com a explicação de que “a primeira e a segunda mensagens haviam sido dadas, e de que uma terceira se seguiria”. Logo depois, o senhor Foy ficou doente e morreu.
GMA 115.2Com tais manifestações do poder de Deus, em conexão com a proclamação da breve volta de Cristo, e também o júbilo de milhares de pessoas que se voltavam do pecado para servir ao Senhor e esperar por Sua vinda, as pessoas ficaram duplamente certas de que esta era realmente a mensagem de Deus ao mundo.
GMA 115.3Contudo, o dia 21 de março de 1844 chegou e passou, e o Senhor não veio. Os fiéis e consagrados, porém, tinham convicção de que haviam movido em harmonia com a mente do Senhor e de que, no devido tempo, tudo seria esclarecido.