Capítulo 14 — A Porta Fechada
GMA 175.1“E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta” (Mateus 25:10).
GMA 175.2A vinda do Esposo apresentada nesta parábola não é a vinda de Cristo à Terra, mas ao casamento. O casamento é um evento que ocorre antes da vinda do Senhor. No evangelho segundo Lucas, temos o seguinte registro:
GMA 175.3Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram (Lucas 12:35, 36).
GMA 175O recebimento do reino é chamado de casamento
GMA 175.4A vinda do esposo ao casamento é representada em Daniel 7:13-14, quando Cristo vem ao Pai para receber o Seu reino. Nos tempos antigos, a vinda de um rei à sua capital, para receber seu trono e seu reino, era chamada de casamento. Esse evento — o recebimento da capital como noiva — era celebrado com a pompa e a ostentação de um casamento real. Assim, quando Cristo recebe do Pai Seu reino no Céu, é dito que ele se casa com sua noiva, a Nova Jerusalém (Apocalipse 21:9). Na parábola, esse evento é chamado de “casamento”, ou “bodas”.
GMA 175.5Após o encerramento dos 2.300 dias, em 22 de outubro de 1844, o povo do Advento, que havia comparado os eventos pelos quais haviam passado com os fatos relacionados a um casamento oriental, declarou: “Cristo foi para o casamento”. Quando receberam luz mais clara acerca do tipo de evento que teve lugar no fim dos 2.300 dias, sua fé acompanhou Cristo na obra que Ele dera início. Assim, pela fé, “entraram com ele para as bodas”.
GMA 176“Eu voltarei”
GMA 176.1Numa visão dada a Ellen Harmon em 1845, na qual Cristo passava do primeiro para o segundo compartimento no santuário celestial, encontramos as seguintes palavras:
GMA 176.2“Esperem aqui; Eu vou a Meu Pai para receber o reino. Mantenham as suas vestes sem manchas e, daqui a pouco, voltarei das bodas e lhes receberei para Mim mesmo”. Em seguida, uma carruagem de nuvens chegou até onde Jesus estava, com rodas como labaredas de fogo e rodeada por anjos. Ele entrou na carruagem e foi levado para o santíssimo, onde o Pai Se assentava (Primeiros Escritos, p. 55).
GMA 176Misericórdia após o fechamento da porta
GMA 176.3A porta fechada, nessa parábola, parece referir-se a um evento que ocorre antes da vinda do Filho do homem sobre as nuvens do céu, pois, após o fechamento da porta, as outras virgens vêm e batem, e são exortadas a “vigiar”, porque não sabem o dia nem a hora da Sua vinda. Assim, essa porta é fechada depois que as virgens prudentes entram com o noivo para o casamento.
GMA 176.4Pela linguagem utilizada nesta parábola das virgens, parece que, mesmo após a entrada para o casamento, as virgens “tolas” ainda têm a oportunidade de realizarem uma preparação aceitável para o encontro com o noivo. Recebem a ordem de “vigiar”. Vigiar e aguardar são aspectos ligados à verdadeira preparação para o encontro com o Senhor. Temos a impressão, portanto, de que a misericórdia não é retirada quando a porta desta parábola é fechada.
GMA 176Esta não é a porta de Lucas 13:25-28
GMA 176.5No passado, erros foram cometidos ao confundir a porta de que fala esta parábola com a porta mencionada em Lucas 13:25-28, onde se lê: “Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. […] Apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniquidades. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora”. Pela linguagem aqui usada, é evidente que, quando esta porta for fechada, o destino dos que forem lançados fora estará decidido. O reino de Deus terá então chegado, pois eles estarão vendo os salvos no reino. Pelo contrário, na parábola das virgens, o Senhor ainda não havia chegado em Seu reino, mas tinha ido ao Pai a fim de receber Seu reino.1
GMA 177A porta fechada no serviço do santuário
GMA 177.1Aqueles que, após o encerramento dos 2.300 dias — em 22 de outubro de 1844 — acompanharam, pela fé, a Cristo em Sua obra, viram que, ao chegar o Dia da Expiação no serviço do santuário terrestre, o sumo sacerdote fechava a porta do compartimento externo e abria a porta que dava para o santíssimo, para ali realizar sua obra de apagar os pecados confessados no santuário. Compreenderam, pois, que, semelhantemente, Cristo, nosso Sumo Sacerdote, havia fechado a porta do compartimento externo do santuário celestial, e aberto o compartimento no qual foi vista “a arca do Seu testemunho” (Apocalipse 11:19).
GMA 177Quem estava errado?
GMA 177.2Nessa época, havia alguns entre os crentes adventistas que ainda não tinham recebido luz clara a respeito da ministração de Cristo no santuário celestial. Além disso, sua atenção ainda não havia sido dirigida à mensagem do terceiro anjo. Esses erraram ao confundirem a porta exterior do santuário com a porta fechada descrita em Lucas 13:25-28. No entanto, esses não eram adventistas do sétimo dia. Tentaremos esclarecer os seguintes pontos: quem eram eles, como se originou aquela doutrina, e quais circunstâncias levaram a tais conclusões.
GMA 177.3O testemunho na quinta e sexta igrejas do Apocalipse é dado em referência aos adventistas que haviam se separado das igrejas nominais, sob a proclamação da mensagem do advento, e também àqueles de quem eles haviam se separado. A advertência a Sardes, a quinta igreja, diz assim: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei sobre ti como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti” (Apocalipse 3:3). Essa linguagem deixa evidente que seus destinatários ouviram a proclamação da vinda do Senhor. Eles tinham professado recebê-la, mas estavam agora prestes a negá-la.
GMA 178A igreja de Filadélfia
GMA 178.1A igreja de Filadélfia, o sexto período da igreja cristã, é mencionada na sequência. Esta igreja representa o povo que havia sido reunido sob a proclamação da primeira e segunda mensagens de Apocalipse 14. A esta igreja o Senhor diz: “Eis que venho sem demora; conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Apocalipse 3:11). As seguintes palavras também são dirigidas a eles:
GMA 178.2Estas coisas diz o Santo, o Verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: Conheço as tuas obras; eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar; pois tu tens pouca força, entretanto, guardaste a Minha palavra e não negaste o Meu nome (Apocalipse 3:7, 8).
GMA 178Qual é o significado da porta fechada nesta parábola?
GMA 178.3O que significam as expressões porta aberta e porta fechada nos textos que acabamos de citar? A explicação que daremos agora parece nos fornecer uma resposta satisfatória para esta questão. Alguns dentre os adventistas haviam recebido luz avançada e estavam ensinando que o Salvador havia, em Sua ministração, passado do primeiro para o segundo compartimento do santuário celeste. Esses apresentavam corretamente a questão da porta aberta e fechada a quem quisesse ouvir. Ao mesmo tempo, outra classe se opunha a essa verdade e tentava estabelecer sua fé na doutrina de que a porta aberta estava fechada, e a porta fechada, aberta. Com tal postura, eles estavam fechando o caminho, ou dificultando o trabalho dos servos do Senhor aqui na Terra. As portas do santuário celeste são abertas e fechadas pelo poder de Cristo — “Aquele que abre, e ninguém fecha”. Na carta à igreja de Filadélfia, os que se mantêm firmes, que guardam a palavra e não negam o Seu nome, ganham uma vitória que abre uma porta que ninguém pode fechar. Esta, sem dúvida, diz respeito à porta de acesso às pessoas. Conforme veremos adiante, havia pessoas que aparentemente tinham fechado essa porta. O Senhor, porém, em reconhecimento da firmeza demonstrada pelos fiéis, coloca diante deles uma “porta aberta” que ninguém pode fechar.
GMA 178Uma porta de proclamação
GMA 178.4Há muitos exemplos nas Escrituras em que uma porta é usada nesse sentido. Paulo, escrevendo aos Coríntios, diz: “Porque uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu; e há muitos adversários” (1 Coríntios 16:9). Novamente, em sua segunda carta aos Coríntios, ele diz:
GMA 179.1Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor; não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito (2 Coríntios 2:12, 13).
GMA 179.2Ele também fez um pedido aos Colossenses:
GMA 179.3Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado (Colossenses 4:2, 3).
GMA 179.4Nesses textos, parece que as oportunidades para a proclamação da verdade são chamadas de portas abertas. Além disso, com base nas palavras dirigidas à igreja de Filadélfia, podemos concluir que havia homens que estavam fazendo grandes esforços para fechar a porta da proclamação que lhes era contrária, justamente no momento em que as pessoas estavam sendo chamadas para sair. Como a igreja de Filadélfia atravessou a provação, agarrando-se à “palavra” e ao “nome” de Deus, Sua palavra para eles era de que Ele colocaria diante deles uma porta aberta, a qual nenhum homem poderia fechar.
GMA 179Situação após 22 de outubro de 1844
GMA 179.5Tendo o caso diante de nós como declarado nas palavras proféticas, vamos analisar a situação de forma retrospectiva para entendermos como os eventos se desenrolaram. Já mencionamos que, até abril de 1844, as igrejas estavam abertas para a proclamação da mensagem do advento, e os pedidos por obreiros eram mais numerosos do que a disponibilidade de pregadores. Após o desapontamento, na primavera de 1844, os que não haviam abraçado a doutrina com sinceridade tornaram-se oponentes dela. No verão de 1844, quando a mensagem do segundo anjo de Apocalipse 14 e o “clamor da meia-noite” [de Mateus 25] foram proclamadas, levantou-se a mais amarga perseguição contra os que ainda ousavam depositar sua fé na breve vinda do Senhor. Esses oponentes procuraram suprimir o assunto de todas as formas possíveis, bem como dificultar o trabalho dos que ainda proclamavam que “é chegada a hora do Seu juízo”. Guilherme Miller declarou o seguinte sobre essa oposição: “[Ela] é a mais antinatural e inexplicável”. Perto do fim dos 2.300 dias, a oposição era tão acirrada que George Storrs fez a seguinte afirmação sobre ela: “Já fizemos tudo o que podíamos em favor das igrejas nominais e de todos os ímpios, exceto naquilo em que este clamor os possa afetar”.
GMA 180.1Após o término desse período profético, Guilherme Miller, vendo que a oposição e o escárnio dos ímpios estavam duplicados ou triplicados, declarou:
GMA 180.2Temos feito nossa obra de alertar pecadores e buscar despertar uma igreja formal. Deus, em Sua providência, fechou a porta (Advent Herald, 11 de dezembro de 1844).
GMA 180Endurecimento generalizado dos pecadores
GMA 180.3Essa atitude do mundo escarnecedor endureceu os pecadores contra a doutrina do advento. A situação chegou a tal ponto que levou os próprios que estavam nas igrejas nominais a dar o seguinte testemunho:
GMA 180.4Quando nos lembramos de quão “poucos e espaçados” casos de verdadeira conversão existem, e da insolência e obstinação dos pecadores, quase sem precedentes, exclamamos como que involuntariamente: “Esqueceu-Se Deus de ser misericordioso? Ou está fechada a porta da graça?” (Circleville, Religious Telescope, 1844).
GMA 180.5Um outro obreiro faz o seguinte comentário sobre a situação após o fim do período profético:
GMA 180.6Era praticamente impossível ter acesso aos descrentes; o desapontamento em 1844 havia de tal maneira confundido a mente de muitos que estes não queriam ouvir qualquer explicação sobre o assunto (Ellen G. White, Review and Herald, 20 de novembro de 1883).
GMA 180Todas as portas de acesso aos incrédulos foram fechadas
GMA 180.7Tal condição pareceu, por ora, fechar a porta de acesso a quem quer que fosse, exceto àqueles que ainda se apegavam a sua fé e esperança na breve vinda de Cristo. Como a porta da proclamação parecia totalmente fechada, e havia uma porta fechada na parábola que os adventistas aplicavam à sua experiência, pode-se facilmente ver por que eles chegaram à conclusão de que não havia mais misericórdia para os pecadores; ou, como alguns se expressaram, “a porta da graça foi fechada”. Essa conclusão era expressa especialmente pelos que supunham que a porta fechada nesta parábola e a porta fechada em Lucas 13 referiam-se à mesma porta. Se o povo terminantemente se recusasse a ouvir, endurecendo assim o coração, como poderiam ser convertidos?
GMA 181Por quem foi primeiro pregada a falsa porta fechada?
GMA 181.1Surge, então, a seguinte questão: Quem começou a ensinar a doutrina de que “não havia mais misericórdia para os pecadores”? Quem acreditou nela e quem a rejeitou? Em resposta à questão, chamamos a atenção para o relatório de uma visita feita por J. V. Himes ao Estado de Maine na primavera de 1845. Ele diz:
GMA 181.2O irmão José Turner e alguns outros tomaram a posição de que nos encontrávamos no grande sábado — que os seis mil anos haviam terminado — e, consequentemente, nenhum adventista deveria fazer qualquer trabalho manual. Trabalhar agora, segundo imaginavam, certamente resultaria em sua destruição final.
GMA 181.3Enquanto aguardavam nesta situação de ociosidade com relação ao trabalho manual terreno, uma nova luz, como imaginavam, brilhou na mente do irmão Turner. Ele cria que o noivo HAVIA VINDO — que ele viera no décimo dia do sétimo mês do último ano judaico, que o casamento havia ocorrido então, e que todas as virgens, em certo sentido, entraram com ele para o casamento, e a porta fora fechada! Nenhum dos que estavam dentro poderia se perder, e ninguém do lado de fora poderia ser salvo. Assim, todas as questões espirituais deste gigantesco mundo estavam encerradas (Relatório da obra do irmão Himes em Maine, noticiado no Morning Watch, Nova Iorque, 6 de junho de 1845).
GMA 181Quem se posicionou decisivamente contra essa falsa teoria?
GMA 181.4Foi em Paris, Maine, que o irmão Turner começou a ensinar a doutrina de que “não havia mais misericórdia”. Por um curto período de tempo, muitos o seguiram naquela região do país. O fato de haver um tão grande fechar das portas de acesso ao povo não adventista, quer de religiosos ou descrentes, levou muitos a aceitar naturalmente o ponto de vista de Turner nessa questão.
GMA 181.5Para evitar que o termo “adventistas” seja mal compreendido, vamos denominar esse grupo como “adventistas do primeiro dia”. Muitos dentre eles estavam aceitando as ideias do Sr. Turner, e ainda não haviam enxergado nem ouvido falar da verdade sobre o sábado, ou da mensagem do terceiro anjo. Ellen White faz referência a esse grupo em uma de suas publicações:
GMA 181.6Após a passagem do tempo de espera, em 1844, os adventistas ainda acreditavam que a vinda do Salvador estava muito próxima; criam que haviam chegado a uma crise importante, e que a obra de Cristo, como intercessor do homem perante Deus, havia cessado. Havendo dado a advertência acerca da proximidade do juízo, sentiram que sua obra em favor do mundo estava feita e perderam o senso de responsabilidade pela salvação dos pecadores, ao passo que o escárnio ousado e blasfemo dos ímpios lhes parecia evidência adicional de que o Espírito de Deus fora retirado dos que haviam rejeitado Sua misericórdia. Tudo isto os firmava na crença de que o tempo de graça havia terminado, ou, como diziam, “havia-se fechado a porta da graça”. Como já dissemos, os adventistas, por um curto espaço de tempo, se uniram na crença de que a porta da graça estava fechada (O Grande Conflito, p. 429).
GMA 182.1Nessa citação, Ellen White relatou a posição assumida pelos adventistas do primeiro dia. Ela não deu a mínima insinuação de que essa fosse sua crença pessoal. Como acabamos de ver, essa doutrina foi primeiro ensinada por José Turner, em Paris, Maine. Ali Ellen White (Ellen Harmon, na época) conheceu José Turner no início da primavera de 1845. Ao ouvi-lo declarar sua doutrina de que “não mais havia trabalho manual para os adventistas, e que não mais havia misericórdia para os pecadores”, ela lhe informou claramente que ele estava “ensinando uma falsa doutrina; ainda havia misericórdia para os pecadores, e para os que não haviam conscienciosamente rejeitado a verdade”.
GMA 182Opondo-se à teoria de que “findara a misericórdia”
GMA 182.2J. N. Andrews vivia em Paris, Maine, nos anos de 1844 e 1845. Ele estava totalmente familiarizado com o rumo tomado pelo povo daquele lugar, bem como por José Turner, que pregava não mais haver misericórdia para os pecadores. Nesse contexto, ele assim descreve a posição sobre o assunto tomada por Ellen Harmon na ocasião:
GMA 182.3Em vez de as visões os levarem a adotar este ponto de vista, elas corrigiram aqueles que ainda o mantinham (Carta de J. N. Andrews, setembro de 1874).
GMA 182.4Ellen Harmon fez uma segunda visita a Paris, Maine, no verão de 1845. Acerca dessa visita, citarei o que a Sra. Truesdail, que nessa época residia em Paris, escreveu:
GMA 182.5Durante a visita de Ellen Harmon a Paris, Maine, no verão de 1845, eu lhe contei alguns detalhes sobre uma querida amiga minha cujo pai a havia impedido de assistir às nossas reuniões; assim, ela não havia rejeitado a luz. Sorrindo, ela respondeu: “Deus nunca me mostrou que não haja salvação para essas pessoas. Trata-se apenas daqueles que receberam a luz da verdade que lhes foi apresentada e conscientemente a rejeitaram” (Carta da Sra. Truesdail, datada de 17 de agosto de 1875).
GMA 183.1Ela também conta de uma terceira visita de Ellen Harmon a Paris, em 1846, como segue:
GMA 183Outra reprovação da falsa teoria
GMA 183.2Outra ocasião digna de nota foi uma visão que ocorreu em 1846, em Paris, Maine. Foi revelado a Ellen Harmon que, quando Satanás não conseguia impedir que os sinceros de coração cumprissem todo o seu dever, ele exerceria sua habilidade a fim de empurrá-los para além do dever. Uma irmã bem intencionada estava declarando às igrejas que Deus as havia rejeitado por terem rejeitado a mensagem enviada do Céu para salvá-las. Foi mostrado a Ellen Harmon que não havia verdade na mensagem daquela irmã, pois muitos nas igrejas ainda abraçariam a verdade; que os anjos bons ainda trabalhariam pelas almas nessas igrejas e, quando isso acontecesse, eles [os anjos] deixariam essa irmã com sua mensagem [ou seja, a mensagem de que “findara a misericórdia”] do lado de fora das portas (Carta da Sra. Truesdail, datada de 27 de janeiro de 1891).
GMA 183Sem contradições
GMA 183.3Pelo fato de existirem alguns que, com muito zelo, tentam provar que Ellen White propagou no passado a teoria de que “não há mais misericórdia para os pecadores”, e que agora ensina o contrário, apresentarei os depoimentos de pessoas que estiveram familiarizados com sua obra em 1845, os quais revelam os esforços dela para a conversão dos pecadores. A seguinte declaração é de Ira Abbey, de Brookfield, Condado de Madison, Estado de Nova Iorque:
GMA 183.4Entre os anos de 1846 a 1850, o irmão e a irmã White vinham à nossa casa, empenhando-se com zelo em favor das crianças e dos que não haviam rejeitado a verdade. Eles trabalhavam em favor dos não convertidos, e jamais recordo de ter ouvido a irmã White dizer que não havia esperança para os apóstatas e para os que não tinham rejeitado a verdade (Carta de Ira Abbey, datada de março de 1885, citada na Review and Herald de 7 de abril de 1885).
GMA 183Testemunho dos adventistas do primeiro dia
GMA 183.5Deixemos que a seguinte carta testifique acerca do que os adventistas do primeiro dia da Nova Inglaterra sabem a respeito da doutrina extremista da porta fechada:
GMA 183.6Nos dias 5 a 9 de agosto de 1891, realizei um debate com o irmão Miles Grant, em Brookston, uma cidade com cerca de 30 mil habitantes. O debate aconteceu na grande tenda, e foi presidido pelo Sr. John Barbour, ex-presidente da Câmara Municipal. Essa cidade está localizada a cerca de 32 quilômetros de Boston. O debate foi sobre a questão do sábado, mas o Sr. Grant tentou introduzir no debate o envolvimento da irmã White nesta obra. Ele declarou que “havia sido mostrado [a ela] que o tempo de graça havia passado, e que não mais havia misericórdia para os pecadores”.
GMA 184.1Em resposta, informei-lhe que quase todos os adventistas do primeiro dia, em determinado momento, haviam tomado essa posição antes de termos nos separado deles, e que, em vez de Ellen White favorecer essa posição de alguma maneira, uma das primeiras coisas que lhe foram mostradas foi que essa posição era “falsa”, e que ainda há misericórdia para os pecadores. Eu disse: “Foi assim que aconteceu, e o irmão Grant sabe que foi assim”. Assim que falei dessa forma, vários dos adventistas do primeiro dia [grande parte dos que estavam presentes na tenda pertencia a esse grupo], que estavam diante de mim, balançaram a cabeça afirmativamente, concordando de modo enfático com essa declaração. Basta dizer que o irmão Grant não tocou mais naquele ponto durante o debate. Assinado: George E. Fifield, South Lancaster, Massachusetts, 6 de dezembro de 1895.
GMA 184Ellen White sempre buscou a salvação dos pecadores
GMA 184.2Os seguintes fatos fornecem provas adicionais de que Ellen White tem trabalhado pela conversão dos pecadores desde 1844 até o presente momento. Ela e o irmão White realizaram uma reunião na casa de Albert Belden, em Rocky Hill, Connecticut, começando em 20 de abril de 1848. Nessa reunião, trabalharam em favor de alguns que eram mundanos. O irmão White e sua esposa manifestaram um interesse especial por essas pessoas. Acerca disso, apresentaremos o testemunho de uma dessas pessoas que foi batizada pelo próprio irmão White. John Y. Wilcox, escrevendo de Kensington, Connecticut, em 22 de fevereiro de 1891, diz:
GMA 184.3Fui trazido para a verdade por ocasião das reuniões realizadas no aposento inacabado da casa do irmão A. Belden, em Rocky Hill, Connecticut. Recebi a luz da verdade presente pelo trabalho do irmão e irmã White. Logo depois, fui batizado pelo irmão White. Se não fosse pelo incentivo e pela força que deles recebi, não sei se eu jamais ousaria pensar ou sentir que era aceito pelo Senhor. Eles estavam profundamente interessados em mim, e empenharam-se por me ajudar.
GMA 184.4O irmão White descreveu aquela reunião numa carta a Stockbridge Howland, de Topsham, Maine:
GMA 184.5O irmão Bates apresentou os mandamentos de forma muito clara, e sua importância foi ressaltada mediante poderosos testemunhos. A palavra pregada resultou no estabelecimento dos que já se achavam na verdade, e no despertamento daqueles que ainda não estavam completamente decididos.
GMA 185A obra em favor dos pecadores de Oswego, Nova Iorque
GMA 185.1Em 1849, o irmão Tiago White e sua esposa trabalharam em Oswego, Nova Iorque. Nessas reuniões, Hiram Patch e uma moça chamada Benson, que estavam prestes a se casar, converteram-se a Deus e à verdade presente.
GMA 185.2Novamente, em março de 1850, foram realizadas reuniões em Oswego. Na revista The Present Truth [A Verdade Presente] de abril, o irmão White escreveu, referindo-se a essas reuniões:
GMA 185.3Uma obra muito interessante está acontecendo entre os filhos dos remanescentes na cidade. A salvação deles tem sido o tema principal em nossas reuniões nos últimos dois sábados, e Deus tem nos abençoado maravilhosamente. A verdade tem tido um bom efeito sobre nós, assim como sobre nossos filhos. Na noite do último primeiro dia da semana, tivemos uma reunião especialmente em benefício deles, e o Espírito do Senhor foi derramado em nosso meio. Todas as crianças se prostraram diante do Senhor, e pareceram sentir a importância de guardar os mandamentos, e principalmente o quinto, e de buscar a salvação por meio de Jesus Cristo. Essa foi uma das reuniões mais interessantes que já testemunhei.
GMA 185.4Na Present Truth de novembro de 1849, o irmão White publicou um relato de várias pessoas que foram convertidas e batizadas. No último volume dessa publicação, em 1850, há um relato de uma reunião realizada em Waitsfield, Vermont, e da presença de Heman Churchill, que havia acabado de ser convertido do mundo. No artigo, ele é chamado de “irmão”. Como isso aconteceria, se não houvesse mais misericórdia para os pecadores?
GMA 185Depoimento de 21 testemunhas
GMA 185.5Nesse contexto, podemos relatar um depoimento assinado em 1888 por 21 pessoas. Todas elas haviam tomado parte no movimento do advento em 1844, e estavam familiarizadas com o surgimento da mensagem do terceiro anjo. Elas já estavam na mensagem desde antes de 1851, e a maioria estivera ligada aos adventistas do sétimo dia quase desde a origem da mensagem: Nós, abaixo assinados, estando bem familiarizados com o movimento do advento por ocasião da passagem do tempo em 1844, e tendo também abraçado a verdade da mensagem do terceiro anjo já em 1850, decidimos alegremente assinar nossos nomes na seguinte declaração a respeito da doutrina da porta fechada defendida pelos crentes na mensagem do terceiro anjo desde seu surgimento até a última data mencionada, e daí por diante.
GMA 186.1Esses crentes acreditavam, em harmonia com Apocalipse 3:7, 8, e outras passagens, que ao final dos 2.300 dias de Daniel 8:14, Cristo encerrou Sua obra no primeiro compartimento do santuário celestial, e transferiu Seu ministério para o santíssimo, adentrando na obra do juízo, e assumindo, então, uma nova relação para com o plano de salvação. Assim, temos aqui uma porta aberta [do segundo compartimento] e uma porta fechada [do primeiro compartimento].
GMA 186.2Criam que aqueles que tiveram clara luz acerca da mensagem do primeiro anjo, e, contudo, se posicionaram contra ela, opondo-se a ela amargamente, foram rejeitados por Deus. Porém, não criam que aqueles que não receberam a luz, ou que não haviam atingido uma idade que lhes tornava responsáveis por suas próprias decisões, antes de 1844, seriam rejeitados se buscassem a Deus com sinceridade de coração.
GMA 186.3Embora cressem, juntamente com Guilherme Miller e a grande massa de adventistas, imediatamente após a passagem do tempo [em 1844] que sua obra em favor do mundo estava feita, e que o Senhor viria muito em breve, depois que a luz sobre o santuário e a terceira mensagem esclareceu a causa do desapontamento, não criam que a misericórdia estivesse esgotada, exceto para com os que haviam rejeitado a luz.
GMA 186.4Assinado: J. B. Sweet, South Saginaw, Michigan; Samuel Martin, Westrindge, New Hampshire; Ira Abbey, North Brookfield, Nova Iorque; Sra. R. B. Abbey, North Brookfield, Nova Iorque; Sra. Diana Abbey, North Brookfield, Nova Iorque; Sra. L. B. Abbey, North Brookfield, Nova Iorque; Heman S. Gurney, Memphis, Michigan; Ann E. Gurney, Memphis, Michigan; William Gifford, Memphis, Michigan; Sra. Maria S. Chase, Battle Creek, Michigan; S. M. Howland, Battle Creek, Michigan; Sra. F. H. Lunt, Battle Creek, Michigan; Sra. Melora A. Ashley, Battle Creek, Michigan; Sra. Caroline A. Dodge, Battle Creek, Michigan; Sra. Sarah B. Whipple, Battle Creek, Michigan; Sra. Uriah Smith, Battle Creek, Michigan; Sra. Paulina R. Heligass, Moline, Kansas; R. G. Lockwood, St. Helena, Califórnia; Sra. R. G. Lockwood, St. Helena, Califórnia; Reuben Loveland, North Hyde Park, Vermont; Sra. Belinda Loveland, North Hyde Park, Vermont.
GMA 186Uma visão erroneamente interpretada
GMA 186.5Esforços têm sido feitos para interpretar uma visão dada a Ellen White em Topsham, Maine, em 24 de março de 1849, como se tal visão ensinasse esta doutrina errada — a de que não mais havia misericórdia para os pecadores. Essa visão foi dada na época em que as “batidas de Rochester” (espiritismo) estavam sendo introduzidas. Ellen White viu que os misteriosos sinais e maravilhas, bem como as falsas reformas, aumentariam e se espalhariam. Essas reformas não eram reformas do erro para a verdade, mas do erro para algo pior. Nessa visão, Ela não afirmou que não haveria mais reformas do erro para a verdade, mas que o tipo de reforma que lhe fora mostrado, com base na influência humana, era de natureza falsa, pois os que professavam haver recebido uma mudança de coração, só haviam se revestido de uma roupagem religiosa que encobria a iniquidade de um coração perverso. Alguns pareciam estar verdadeiramente convertidos, e, em razão disso, estavam habilitados a enganar o povo de Deus; contudo, se seus corações pudessem ser vistos, pareceriam tão negros como antes.
GMA 187.1Ela disse então:
GMA 187.2Meu anjo assistente ordenou-me que olhasse as agonias de alma em favor dos pecadores como era costume haver. Olhei, mas nada vi, pois o tempo para a sua salvação havia passado (Primeiros Escritos, p. 45).
GMA 187.3Alguns defenderam a ideia de que essa visão ensinava o fim da misericórdia para os pecadores. Nós, porém, perguntamos: Como pode ser esse o caso, uma vez que Ellen White se opôs a essa doutrina desde que José Turner a pregou pela primeira vez na primavera de 1845, e tem trabalhado intensamente durante todo esse tempo pela conversão e salvação de pecadores?
GMA 187.4No Suplemento à Experiência e às Visões, publicado em 1853, Ellen White declara:
GMA 187.5As “falsas reformas” aqui referidas devem ser ainda mais plenamente vistas. A visão se relaciona mais particularmente com os que têm ouvido e rejeitado a luz da doutrina do advento. Eles são entregues a poderosos enganos. Não terão as “agonias de alma pelos pecadores” como anteriormente (Primeiros Escritos, p. 45; ver nota de rodapé).
GMA 187.6Os opositores afirmam saber mais acerca do que Ellen White viu nessa visão do que ela própria. Consideremos a visão, por um momento, segundo a versão apresentada pelos opositores, isto é, que ela estava vendo a condição dos pecadores, e não a condição dos pregadores de falsos reavivamentos. Se for assim, ela estava olhando para os pecadores, buscando encontrar “as agonias de alma em favor dos pecadores”, mas nada viu. Quem já encontrou as agonias de alma pelos pecadores simplesmente olhando para um pecador? Perguntamos, porém: o que dizer das pessoas, mencionadas no testemunho acima, que simplesmente usavam a influência humana e a hipnose para ganhar conversos, e, chamavam isso de obra do Espírito de Deus? Será que esses opositores, tão ávidos por demonstrar que Ellen White ensinou a teoria extremista da porta “fechada”, estão prontos para admitir que esses pregadores eram pessoas santas, ganhando genuínos conversos?
GMA 188.1É evidente, para qualquer pessoa sincera, que a classe de pessoas mencionada aqui era a que professava possuir essa agonia de alma, tendo, contudo, rejeitado a luz e a verdade, e passado a usar o hipnotismo para ganhar conversos. Esses, de fato, não podiam possuir genuína agonia de alma pelos pecadores, quando eles próprios estavam sujeitos à condenação, pois “o tempo para a sua salvação havia passado” [isto é, o tempo para a salvação deles próprios, ou seja, dos pregadores falsos que professavam ter a agonia de alma pelos pecadores].
GMA 188.2Baseados na visão de Ellen White de 24 de março de 1849, algumas pessoas tentaram forçar a conclusão de que ela teria ensinado o término da misericórdia para os pecadores. Já demonstramos, no entanto, que em 1845, em Paris, Maine, ela ensinou que havia misericórdia para todos os que não tivessem rejeitado consciente e intencionalmente a luz e a verdade. Numa visão dada na mesma localidade, em 1846, foi mostrado que o Senhor tinha “um povo nas igrejas que não havia rejeitado a verdade”. Para os indivíduos que pensavam de forma diferente, foi dada uma repreensão, declarando que os anjos de Deus ainda iriam trabalhar por tal povo, e que, quando o fizessem, aqueles que os estavam acusando seriam deixados fora.
GMA 188.3Novamente, em abril de 1848, o irmão White e sua esposa estavam trabalhando em Rocky Hill, Connecticut, pela conversão de pecadores. Tudo isso prova que a visão de 24 de março de 1849 está em harmonia com a que foi dada em Paris, Maine, em 1846, e com o curso de ação adotado por esses servos de Deus em abril de 1848.
GMA 188Um falso pregador é derrotado
GMA 188.4Esta visão foi publicada pela primeira vez em Connecticut, no ano de 1849. Um pastor estava trabalhando com bastante determinação para garantir conversos, até mesmo professando ter o dom de línguas. Ele estava se esforçando para ganhar influência sobre o pequeno grupo de observadores do sábado em Rocky Hill, a ponto de chamar uma senhora dentre eles de “uma querida santa do Senhor”. Estando presente esse pastor, Ellen White teve uma visão mostrando o caráter enganador do seu trabalho, e que essa “querida santa” estava tomando um curso em desarmonia com o sétimo mandamento. Essa “santa” senhora negou a acusação, e o ministro fez um forte apelo, buscando ganhar simpatia em favor da “pobre santa do Senhor”, como ele a chamava. Na noite seguinte, essa jovem mulher teve um ataque de cólera-morbo e pensou que fosse morrer. Ela pediu que chamassem Ellen White e confessou ser verdade o que havia sido revelado acerca dela; confessou ser culpada do pecado que Ellen White havia relatado. Dessa maneira, esse falso obreiro fracassou em enganar este grupo, e o caráter de sua obra foi desmascarado, rapidamente encerrando seus esforços naquele lugar.
GMA 189Outro falso pregador em Oswego, Nova Iorque
GMA 189.1A fim de fornecer mais um exemplo do princípio apresentado no testemunho acima, e para mostrar que o irmão White e sua esposa ainda trabalhavam, em 1849 e 1850, pela conversão dos pecadores, relatamos os seguintes fatos que me foram contados por Elias Goodwin e outros dos membros mais antigos da igreja em Oswego, Estado de Nova Iorque:
GMA 189.2Residia ali naquela época (1849) um jovem chamado Hiram Patch. Ele estava noivo de uma jovem com quem logo depois se casou. Eles não eram convertidos, mas estavam assistindo à reunião realizada pelo irmão White e sua esposa, e quase foram persuadidos a se tornarem cristãos. Nesse período, um reavivamento foi iniciado em uma das igrejas em Oswego, não pelo pastorado, mas por um notório membro leigo, tesoureiro das finanças do condado. Esse homem parecia muito zeloso e professava ter grande preocupação pelos pecadores. Ele contorcia as mãos enquanto orava pelos não conversos, aparentando grande angústia pela condição perdida em que se encontravam.
GMA 189.3O Sr. Patch e sua noiva foram a essas reuniões de reavivamento, e estavam em dúvida quanto a que decisão tomar. Estavam presentes numa ocasião em que Ellen White teve uma visão em que lhe foi apontado Oseias 5:6, 7. Está escrito ali: “Estes irão com os seus rebanhos e o seu gado à procura do Senhor, porém não O acharão; Ele Se retirou deles. Aleivosamente se houveram contra o Senhor, porque geraram filhos bastardos; agora, a Festa da Lua Nova os consumirá com as suas porções”. Foi mostrado a Ellen White que os que realizavam este reavivamento não eram retos para com Deus, e não tinham qualquer verdadeira preocupação de alma pelos pecadores.
GMA 190Prevendo o fracasso
GMA 190.1Então ela disse ao Sr. Patch:
GMA 190.2Foi-me dito que lhe dissesse que, neste caso, a declaração do texto será cumprida literalmente. Espere um mês, e você conhecerá por si mesmo o caráter das pessoas que estão envolvidas no reavivamento, e que professam ter uma preocupação tão grande pelos pecadores.
GMA 190.3O Sr. Patch disse: “Vou esperar”.
GMA 190.4Dentro de 15 dias após a visão, esse tesoureiro, que alegou tal angústia da alma pelos pecadores, em sua agonia fingida, estourou um vaso sanguíneo no estômago, e precisou ficar acamado devido à perda de sangue. As atividades de seu escritório foram assumidas pelo xerife do condado. Juntamente com um dos policiais, o xerife verificou o saldo registrado no livro de contas do tesoureiro. Em seguida, contou o dinheiro antes de assumir a direção do negócio, e percebeu que havia um déficit no valor de mil dólares.
GMA 190.5Para o xerife e o policial, parecia impossível que um homem tão zeloso naquele reavivamento pudesse ser culpado de haver roubado o dinheiro. Pensaram que ele tivesse feito algum pagamento nesse valor e se esquecido de marcá-lo corretamente no livro; ou, talvez, ele o tivesse depositado no banco, sem, porém, aparecer nos registros dentro do cofre. Em todo o caso, precisavam pedir dele uma explicação satisfatória, mas deviam fazê-lo com cautela, pois, se o dinheiro estivesse com ele, sem dúvida faria um esforço para ocultá-lo. Combinaram, então, que um deles chegaria primeiro e se esconderia no galpão nos fundos da casa a fim de vigiar a porta de trás, caso houvesse alguma manifestação. Enquanto isso, o xerife entraria pela porta da frente. Quando o xerife se aproximou da casa e entrou pela porta da frente, pôde ver o vestido de uma mulher que estava saindo pela porta de trás. O outro homem, que se havia escondido no barracão, viu a mulher ir rapidamente a um montinho de neve, cavar um buraco, depositar algo nele, cobrir com a neve e retornar à casa.
GMA 190.6O xerife se achegou ao leito do tesoureiro e, após indagar sobre sua saúde, deu uma indireta acerca das perplexidades que haviam surgido no escritório, sugerindo que ele provavelmente pudesse explicar o embaraço financeiro. O homem, bastante agitado, levantou as mãos ao céu e, invocando o nome de Deus como testemunha, declarou nada saber acerca do dinheiro. Imediatamente entrou a esposa, querendo saber qual era o problema, e porque seu marido estava tão agitado. O homem respondeu: “Eles acham que temos o dinheiro que lhes pertence”. A mulher, então, levantou as mãos da mesma maneira, invocando o nome de Deus como testemunha de que não estavam com o dinheiro, e de que, além disso, nada sabiam acerca dele. Assim que ela terminou a frase, o policial, que, após ela entrar em casa, saiu apressadamente de seu esconderijo e se dirigiu ao monte de neve, interferiu com as seguintes palavras:
GMA 191.1Senhora, o que é isto aqui? Eu pude vê-la sair correndo de casa e depositar isto no monte de neve. E aqui está ele, o saco de dinheiro que faltava, marcado com a seguinte inscrição: 1.000 dólares.
GMA 191.2Como seria de esperar, o reavivamento imediatamente desmoronou. O Sr. Patch e sua prometida, após se informarem sobre o caráter do pregador dirigindo aquele reavivamento, tomaram sua posição em favor da verdade e se uniram aos adventistas do sétimo dia como estimados membros até o dia de sua morte.
GMA 191.3É evidente que essa visão foi dada para o interesse e especial benefício dos inconversos, resultando na conversão dos pecadores, embora seu uso imediato fosse para com os que eram, eles próprios, pecadores e rejeitados pelo Senhor por sua hipocrisia. “Aleivosamente se houveram contra o Senhor”. Professando sentir grandes agonias de alma pelos pecadores, só geraram “filhos bastardos”.
GMA 191Uma obreira hipócrita em Camden, Nova Iorque
GMA 191.4Dentre os lugares visitados pelo irmão White e sua esposa, durante o inverno de 1849-1850, estava a cidade de Camden, Nova Iorque, cerca de 64 quilômetros de Oswego. Eles ainda residiam ali. Sobre uma reunião realizada nessa cidade, Ellen White declara:
GMA 191.5Antes de partirmos, foi-me mostrado o pequeno grupo que ali professava a verdade, e, dentre eles, vi uma mulher que professava muita piedade, mas era uma hipócrita e enganava o povo de Deus (Life Sketches, p. 129).
GMA 191.6Em janeiro de 1884, enquanto trabalhava no Estado de Nova Iorque, fiquei sabendo de alguns detalhes adicionais por meio do Sr. Preston, que morava em Camden por ocasião da reunião mencionada acima, e com quem o irmão White e sua esposa permaneceram durante a reunião:
GMA 191.7Essa mulher ensinava ideias extremistas no assunto de santificação, dizendo que havia um estado de perfeição a ser atingido que permitiria uma pessoa estar totalmente acima da lei de Deus. Ela alegava ter chegado a esse estado perfeito. Estava trazendo aflição à mente de alguns do nosso povo em Camden com esta doutrina acerca da santidade. Foi revelado à irmã White que, apesar de toda essa pretensão à santidade, o coração dessa mulher estava negro pelo pecado, e sua vida era corrupta.
GMA 192.1Enquanto nessa localidade, a irmã White recebeu outra visão em presença dessa mulher que aparentava sentir grande angústia de alma pelos inconversos. A irmã White, porém, lhe informou que essa angustia não se travava de genuína agonia de alma pelos pecadores, visto que o próprio modo de vida dela era tal que ela mesma não estava em retidão aos olhos de Deus. “Então”, disse Preston, “o que é denominado de visão de Camden aplica-se, especial e definitivamente, ao caso dessa mulher, e não à condição dos pecadores em geral, e essa foi nossa compreensão na época”.
GMA 192.2Após Ellen White relatar sua visão, a mulher se levantou e disse: “Deus conhece meu coração; e se você pudesse vê-lo, saberia que é puro e limpo”. Assim, a reunião foi encerrada. Entretanto, não muito tempo depois, a mulher ficou gravemente doente, e achou que iria morrer.
GMA 192.3Preciso ver a irmã White. Tenho uma confissão a lhe fazer. Eu lhe havia dito que eu era uma mulher boa e pura. É mentira. Sou uma mulher perversa. Este homem com quem vivo não é meu marido. Deixei um bom marido na Inglaterra e uma criança pequena, e fugi com esse homem. Nós nunca nos casamos. Tenho professado ser médica e vendido medicamentos que jurei no tribunal que me haviam custado 1 dólar por garrafa. No entanto, apenas me custaram 12 centavos por garrafa. Também jurei que a vaca que vendemos para um homem pobre nos custou 30 dólares, quando custou apenas 20 dólares (O relato feito pelo Sr. Preston a respeito da reunião de Camden confirma a afirmação encontrada em Life Sketches, p. 129-130, mas fornece detalhes adicionais).
GMA 192.4As palavras de Ellen White acerca das “agonias de alma pelos pecadores” não se aplicam aos pecadores em geral, mas a tais hipócritas fingidos como os mencionados nos casos acima. Considerando esses fatos apresentados, que revelam como a doutrina de “não mais haver misericórdia” para os pecadores foi totalmente condenada desde a primeira vez que foi pregada na primavera de 1845; e considerando também que Ellen White tem trabalhado intensamente pela conversão dos pecadores desde 1845, quem pode honestamente acreditar que, em 1850, quando sua obra intitulada Experiência e Visões foi publicada, ela buscava ensinar que “não mais havia salvação para os pecadores”?
GMA 193Um defensor da teoria de “não mais misericórdia”
GMA 193.1Até mesmo em 1848, restavam ainda, aqui e ali, indivíduos que declaravam não mais haver misericórdia para os pecadores. Não eram, porém, adventistas do sétimo dia. Um dos que defendiam essa ideia, chamado Sweet, morava na cidade de Rochester, Nova Iorque. Imediatamente após eu haver feito uma profissão pública de fé, e ter sido batizado entre os adventistas do primeiro dia, assisti a reuniões de tenda em Canandaigua, Nova Iorque, conduzida pelo irmão J. C. Bywater e George W. Burnham. O senhor Sweet estava presente, e expressou sérias dúvidas quanto à autenticidade de minha experiência religiosa, porque ele “pensava que não era mais possível, agora, que pecadores se convertessem”.
Notes
- Ellen G. White, no livro O Grande Conflito, apresenta uma explicação mais completa sobre esse assunto. Depois de descrever a obra do juízo investigativo como um evento “ocorrendo antes das bodas”, ela afirma: “Quando a obra de investigação se encerrar, examinados e decididos os casos dos que em todos os séculos professaram ser seguidores de Cristo, então, e somente então, se encerrará o tempo da graça, fechando-se a porta da misericórdia. Assim, esta breve sentença - ‘As que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta’ [Mateus 25:10] - nos conduz através do ministério final do Salvador, ao tempo em que se completará a grande obra para salvação do homem” (O Grande Conflito, p. 428). — Os editores. ↩