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Capítulo 3 — A Vinda da Semente Prometida

John Norton Loughborough

GMA 41.1“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, […] nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gálatas 4:4, 5).

GMA 41.2“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos” (Romanos 16:25-27).

GMA 41.3“Pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco […] o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito. […] A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas” (Efésios 3:3-9).

GMA 41.4Tem-se afirmado que no Antigo Testamento o evangelho está escondido, e no Novo Testamento ele é revelado. Conforme expresso por outro autor:

GMA 41.5À medida que se afastaram de Deus, os judeus, em grande medida, perderam de vista os ensinamentos do serviço do santuário. Esse serviço tinha sido instituído pelo próprio Cristo. Era cheio de vitalidade e beleza espiritual, e em cada detalhe simbolizava a Ele. Mas os judeus perderam a vida espiritual de suas cerimônias, e agarraram-se a formas mortas. Confiavam nos próprios sacrifícios e ordenanças, em vez de descansar nAquele a quem eles apontavam. […]

GMA 42Buscavam um governador temporal

GMA 42.1Embora os judeus desejassem a vinda do Messias, não tinham qualquer noção de Sua missão. Não buscavam redenção do pecado, mas libertação dos romanos. Esperavam que o Messias viesse como um conquistador, para quebrar o poder do opressor, e exaltar Israel ao domínio universal. Assim, estava preparado o caminho para rejeitarem o Salvador. […]
GMA 42.2O povo, em trevas e opressão, e os governantes, sedentos de poder, ansiavam pela vinda de alguém que vencesse seus inimigos e restaurasse o reino de Israel. Haviam estudado as profecias, mas sem discernimento espiritual. Desse modo, negligenciaram as escrituras que apontavam para a humilhação do primeiro advento de Cristo, e aplicaram erroneamente as que falavam da glória de Sua segunda vinda. O orgulho obscureceu-lhes a visão; interpretaram a profecia de acordo com seus desejos egoístas (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 16-17).
GMA 42.3Por mais de mil anos, o povo judeu tinha esperado a vinda do Salvador. Depositaram suas mais ardentes esperanças nesse evento. Na música e na profecia, no ritual do templo e nas orações domésticas, tinham entesourado Seu nome. Mesmo assim, não O conheceram na Sua vinda. O amado do Céu era para eles “como raiz de uma terra seca”; Ele não tinha “aparência nem formosura; olhamo-Lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse” (Isaías 53:2). “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam” (João 1:11) (Ibid., p. 15).

GMA 42Da linhagem de Davi

GMA 42.4À medida que o tempo previsto por Daniel se aproximava, quando o “Messias, o Príncipe” — o Ungido — apareceria, o povo judeu poderia ter argumentado — e de fato o fez — da seguinte maneira: O Messias, segundo a carne, é para vir da casa e da linhagem de Davi. Portanto, seu nascimento deve ser dessa linhagem, e, de acordo com os regulamentos e costumes da lei judaica, ele deve ser ungido para o serviço público com a idade de trinta anos. Se ele deve surgir como o ungido nessa idade, então o seu nascimento deve acontecer trinta anos antes do término das 69 semanas de anos, que se estenderiam até à vinda do Messias.

GMA 42Predições de Simeão e Ana

GMA 42.5Nessa época, todo o Israel estava em expectativa. Os sinceros e dedicados estudantes das Escrituras estavam procurando pelo nascimento daquele que seria seu Soberano e Governador. Ao idoso e piedoso Simeão, “revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor”.

GMA 43.1Quando o bebê Salvador foi levado ao templo, Simeão soube que essa criança era Aquele cujo nome seria “o Cristo”.

GMA 43.2Simeão O tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra; porque os meus olhos já viram a Tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do Teu povo de Israel (Lucas 2:28-32).
GMA 43.3Simeão os abençoou [José e Maria] e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações (Lucas 2:34-35).
GMA 43.4Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. […] E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém (Lucas 2:36-38).

GMA 43Anjos visitam os pastores

GMA 43.5Antes disso, anjos haviam anunciado as boas novas do nascimento do Salvador aos pastores nas planícies de Belém. Aos ouvidos atentos dos pastores, os anjos cantaram esses acordes melodiosos:

GMA 43.6Glória a Deus nas maiores alturas, e Paz na terra entre os homens, a quem Ele quer bem (Lucas 2:14).

GMA 43Os sábios do oriente visitam Belém

GMA 43.7Depois disso, vieram os sábios do Oriente, que viram o “surgir da estrela”, como previsto por Balaão. Seguindo-a em seu curso, chegaram a Jerusalém, e ali indagaram a respeito do recém-nascido monarca. Sendo instruídos de que Belém seria a cidade natal do Desejado, puseram-se a caminho. Guiados então pela estrela que havia reaparecido, foram levados ao berço do humilde Salvador. Lá adoraram esse divino bebê, presenteando-O com ouro, incenso e mirra. Em seguida, retomaram a longa viagem de retorno.

GMA 43O Salvador, aos doze anos de idade

GMA 43.8Até os doze anos de idade, pouco é relatado sobre Cristo, o Salvador, exceto Seu crescimento em sabedoria, estatura e Sua respeitosa submissão aos pais. Mas com a idade de doze anos, tendo acompanhado José e Maria a Jerusalém para assistir à festa anual, surpreendeu os sacerdotes com o conhecimento revelado por suas perguntas, bem como pelas respostas aos complicados problemas que eles Lhe apresentavam. Desde então, até o início de seu ministério público, honrou a humilde ocupação de carpinteiro, e a exerceu junto a José, marido de Maria.

GMA 44A missão de João Batista

GMA 44.1Seis meses antes de seu ministério público, a missão de Cristo foi anunciada por João Batista. Grandes multidões vinham ouvir João, sendo por ele batizadas.

GMA 44.2Estando o povo na expectativa [esperando a vinda do Messias], e discorrendo [racionalizando, ou debatendo] todos no seu íntimo a respeito de João, se não seria ele, porventura, o próprio Cristo; João respondeu a todos eles dizendo: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-Lhe as correias das sandálias; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. A Sua pá, Ele a tem na mão, para limpar completamente a Sua eira e recolher o trigo no Seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível (Lucas 3:15-17).

GMA 44Jesus é batizado

GMA 44.3Enquanto batizava, João assim se expressou ao ver Jesus vindo para ser batizado:

GMA 44.4Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. […] E João testemunhou, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre Ele. Eu não O conhecia; Aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, Esse é o que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que Ele é o Filho de Deus (João 1:29-34).

GMA 44A voz vinda do Céu

GMA 44.5A divindade de Cristo foi confirmada, não apenas pela descida visível do Espírito Santo em forma de pomba, mas também por uma voz vinda do céu. No evangelho de Mateus, lemos assim:

GMA 44.6Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se Lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre Ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem Me comprazo (Mateus 3:16, 17).

GMA 45.1Apesar de João não ter realizado “nenhum sinal”, o povo, quando viu o enorme poder que caracterizava o ministério de Cristo, foi constrangido a dizer: “tudo quanto [João] disse a respeito deste era verdade” (João 10:41).

GMA 45Cristo foi ungido de acordo com a Lei

GMA 45.2Ligado ao relato de Lucas quanto ao batismo e à unção do Espírito Santo sob a forma de pomba, lemos: “Tinha Jesus cerca de trinta anos” (Lucas 3:23).

GMA 45.3Lemos o seguinte a respeito de Cristo após o longo jejum de 40 dias a que Se submeteu, e após as terríveis tentações do demônio no deserto após Seu batismo:

GMA 45.4Indo [Jesus] para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o Seu costume, e levantou-Se para ler. […] O Espírito do Senhor está sobre Mim, pelo que Me ungiu para evangelizar os pobres. […] Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir (Lucas 4:16-21).

GMA 45O tempo está cumprido

GMA 45.5Marcos, ao registrar o mesmo evento, disse: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15). O tempo previsto para o aparecimento do Ungido havia chegado. Ele havia recebido a unção do Espírito Santo em Seu batismo, iniciando Seu ministério exatamente no tempo e da forma predita pelos santos profetas de outrora.

GMA 45Prova visível do ministério de Cristo como Messias

GMA 45.6O ministério de Cristo foi acompanhado de uma constante realização de milagres. Para o povo, apesar de falharem em compreender completamente Suas parábolas e palavras, esse fato era prova visível de que Ele era Emanuel, e que “Deus estava com Ele” (Atos 10:38; João 3:2). Através desses milagres, Cristo demonstrava possuir o poder de Deus, e revelava Sua bondade e Seu caráter. Após Filipe passar três anos com Cristo e testemunhar Seus poderosos milagres, pediu: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. Jesus lhe respondeu então:

GMA 45.7Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não Me tendes conhecido? Quem Me vê a Mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? […] Crede-Me que estou no Pai, e o Pai, em Mim; crede-Me ao menos por causa das mesmas obras (João 14:8-11).

GMA 46João fica perplexo

GMA 46.1João testemunhou a descida visível do Espírito Santo sobre Cristo e ouviu a voz do céu que O declarava Filho de Deus. Ele mesmo declarou que Cristo era “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. No entanto, os eventos foram se desenrolando de forma tão oposta às suas expectativas que, em sua prisão sombria, ficou conturbado e confuso. Assim escreve uma autora:

GMA 46.2Como os discípulos do Salvador, João Batista não compreendia a natureza do reino de Cristo. Esperava que Jesus tomasse o trono de Davi; e, ao passar o tempo, e o Salvador não reclamar nenhuma autoridade real, João ficou perplexo e turbado (O Desejado de Todas as Nações, p. 144).
GMA 46.3E João, chamando dois [de seus discípulos], enviou-os ao Senhor para perguntar: És Tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? […] Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes (Lucas 7:19-22; Mateus 11:4).

GMA 46.4Foi com dificuldade que o povo judeu, ou mesmo os discípulos, conseguiram entender claramente muitas das verdades que o Salvador anunciava, pois todos estavam firmemente estabelecidos na crença de que, quando o Messias viesse, Este quebraria o jugo romano que tanto os incomodava e restauraria imediatamente o reino de Davi, governando como rei temporal.

GMA 46.5Jesus começou sua pregação dizendo: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus” (Mateus 4:17). Quando Seus apóstolos foram enviados, levaram a mesma mensagem: “Está próximo o reino dos Céus” (Mateus 10:7). Mais tarde em Seu ministério, ao enviar Ele os setenta, instruiu-os a dizer as mesmas palavras: “A vós outros está próximo o reino de Deus” (Lucas 10:9).

GMA 46O povo se maravilhou com a obra de Cristo

GMA 46.6As maravilhosas palavras e ensinamentos de Cristo levaram o povo a exclamar: “Jamais alguém falou como este homem” (João 7:46). Quando Ele curou um homem cego e mudo, “Toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?” (Mateus 12:23). Em outras palavras: Não é esta a semente de Davi, o Salvador prometido?

GMA 46.7E, chegando à Sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: Donde Lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e Seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? (Mateus 13:54, 55).

GMA 47.1Aproximadamente no terceiro ano do ministério de Cristo, indo Ele ao templo para a festa da dedicação, vieram a Ele os judeus e Lhe perguntaram: “Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se Tu és o Cristo, dize-o francamente” (João 10:24). No ano anterior, quando fez o maravilhoso milagre de alimentar 5 mil pessoas com “cinco pães de cevada e dois peixinhos”, “sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-Lo para O proclamarem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte” (João 6:15).

GMA 47Cristo conta aos discípulos acerca de Sua morte

GMA 47.2No ensino a Seus discípulos, Cristo dissipou a ideia do estabelecimento de um reino temporal de começo imediato, e mostrou-lhes que deveria morrer e ressuscitar, partir e, então, voltar outra vez. Portanto, perguntou-lhes: “Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?” (João 6:62). Após adverti-los “de que a ninguém dissessem ser Ele o Cristo”, lemos:

GMA 47.3Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a Seus discípulos que Lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-O à parte, começou a reprová-Lo, dizendo: Tem compaixão de Ti, Senhor; isso de modo algum Te acontecerá (Mateus 16:20-22).

GMA 47.4Na mesma ocasião, Ele lhes disse que alguns deles não morreriam até ver o Filho do homem vindo em Seu reino (Mateus 16:28, Lucas 9:27). Cerca de oito dias depois, essa profecia se cumpriu. O apóstolo Pedro se refere à “visão” de Cristo vindo em Seu reino como prova da segunda vinda de Cristo, ainda futura (2 Pedro 1:16-19).

GMA 47.5Certa vez, quando Cristo e Seus discípulos estavam na Galileia, Ele lhes declarou:

GMA 47.6O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens; e estes O matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. Então os discípulos se entristeceram grandemente (Mateus 17:22, 23).

GMA 47.7No entanto, eles ainda não haviam entendido ou captado o que Ele queria dizer. Pois, enquanto Cristo tentava impressionar a mente dos discípulos com a verdade solene sobre Sua morte e ressurreição, eles discutiam sobre quem deveria ser o maior no reino dos Céus (Mateus 18:1; Marcos 9:33, 34).

GMA 48.1Em outra ocasião, Pedro disse a Jesus:

GMA 48.2Eis que nós tudo deixamos e Te seguimos; que será, pois, de nós? Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que Me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem Se assentar no trono da Sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (Mateus 19:27, 28; Lucas 22:28-30).

GMA 48.3Mesmo assim, a ideia de que um reino seria estabelecido imediatamente predominou na mente deles; e como seres humanos, começaram a ambicionar as posições mais altas no reino.

GMA 48.4Em seguida, surge a ambiciosa mãe de Tiago e João, filhos de Zebedeu, pedindo que Cristo favorecesse seus filhos com altos cargos — um à direita e outro à esquerda do Seu trono; ou talvez, que um fosse o Primeiro Ministro e o outro o Secretário de Estado. Mas Cristo disse claramente: “Não sabeis o que pedis” (Mateus 20:20-24).

GMA 48A entrada triunfal em Jerusalém

GMA 48.5Não muito depois desses acontecimentos, Lázaro, morto havia quatro dias, foi ressuscitado. Esse poderoso milagre assombrou o povo a tal ponto que os fariseus ficaram alarmados, convocando de pronto, juntamente com os sacerdotes, um concílio. Em suas deliberações, perguntaram:

GMA 48.6Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se O deixarmos assim, todos crerão nEle; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação (João 11:47, 48).

GMA 48.7Ao mesmo tempo em que um poder satânico tomava conta dos que tentavam destruir Cristo, um poder do alto movia as massas para glorificá-Lo e cumprir o que havia sido predito a Seu respeito.

GMA 48.8Nessa ocasião, o povo saiu em massa, não só para ver Jesus, mas também a Lázaro, a quem Ele ressuscitara dos mortos. Agora, parecia-lhes seguro que Jesus era o tão esperado rei. Ao encontrá-Lo a caminho de Jerusalém, montado num jumentinho, as seguintes palavras das Escrituras vieram com força à mente deles: “Não temas, filha de Sião; eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta” (João 12:15). Um forte clamor de triunfo se ergueu daquela vasta multidão, o que deixou os astutos e insensíveis fariseus perturbados. Disseram entre si: “Vedes que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após Ele” (João 12:19). Então, pediram que Cristo fizesse calar tais aclamações, ao que Ele respondeu: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas 19:40). Sobre essa ocasião, a ordem do Mestre era: “Clamai!”. Se o povo não obedecesse, Ele daria voz às pedras do caminho, e elas clamariam, porque Sua palavra iria se cumprir.

GMA 49Cristo deve partir e retornar

GMA 49.1O Salvador não procurou apenas mostrar aos discípulos que Ele estava para morrer e ressuscitar em seguida. Buscou também ensinar-lhes que Seu reino não viria enquanto Ele não partisse e retornasse. Referindo-se a Sua crucificação, disse:

GMA 49.2E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. Replicou-lhe, pois, a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre; e como dizes Tu ser necessário que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem? (João 12:32-34).

GMA 49.3Cristo disse o seguinte para impressionar ainda mais as mentes dos discípulos com o fato de que precisava partir e retornar antes do estabelecimento do Seu reino na Terra:

GMA 49.4Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco; buscar-Me-eis, e o que Eu disse aos judeus também agora vos digo a vós outros: para onde Eu vou, vós não podeis ir; […] Perguntou-Lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Respondeu Jesus: Para onde vou, não me podes seguir agora; mais tarde, porém, Me seguirás (João 13:33-36).

GMA 49.5Então, Ele lhes encorajou o coração aflito e preocupado com as seguintes palavras:

GMA 49.6Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também (João 14:1-3).

GMA 49A parábola do homem nobre

GMA 49.7Ainda com o intuito de corrigir a falsa ideia de que Seu reino seria estabelecido imediatamente, o Salvador contou-lhes outra parábola enquanto subia para Jerusalém com Seus discípulos:

GMA 49.8Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar. Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu volte. […] Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido (Lucas 19:11-15).

GMA 50.1Nessa parábola, Cristo é representado pelo homem nobre. Ele estava de saída para um país distante — para seu Pai — onde receberia o reino, antes de voltar para reinar.

GMA 50.2Em resposta à pergunta dos discípulos: “que sinal haverá da Tua vinda e do fim do mundo?” (Mateus 24:3, ARC), o Salvador delineou os eventos que sobreviriam à igreja até a grande tribulação, e os claros sinais que ocorreriam. Quando tais eventos ocorressem, os discípulos saberiam que Sua vinda estava próxima, mesmo às portas, e que a geração que presenciara esses sinais não deixaria o palco de ação até que Ele viesse (Mateus 24; Lucas 21; Marcos 13).

GMA 50Abandonado por todos os discípulos

GMA 50.3Apesar de todas as instruções que Cristo dera aos discípulos acerca de Sua morte e humilhação, eles fracassaram completamente em compreender a verdade que Ele lhes havia revelado sobre Seu julgamento e crucificação. Tinham uma concepção tão fraca da verdade que, em vindo a provação, morreu-lhes a esperança, e “deixando-O, todos fugiram” (Marcos 14:50). Até mesmo Pedro, discípulo sempre fervoroso, que havia prometido que nunca O abandonaria, mesmo se todos o fizessem, poucas horas depois negava seu Senhor, jurando que não O conhecia. Quando o Senhor afirmava que, no terceiro dia após a crucificação, Ele ressuscitaria dentre os mortos, os discípulos questionavam e discorriam entre si sobre o “que seria o ressuscitar dentre os mortos” (Marcos 9:10). Tão faltos de fé eram eles que, depois de Sua morte, quando Seu corpo foi colocado no túmulo novo de José, fizeram os preparativos para o embalsamarem. Tendo perdido a esperança — como se sepultada com Cristo no túmulo — podemos imaginar que terrível sábado foi aquele para os discípulos! Com o coração carregado de tristeza e decepção, e sem ter por perto seu piedoso e compassivo Salvador — cuja vida havia sido repleta de atos de ternura e misericórdia — para os confortar e fortalecer, quão desoladora era sua condição!

GMA 50Comoventes eventos na manhã da ressurreição

GMA 50.4Amanhece o primeiro dia da semana! Há grande movimentação no Céu e na Terra! Um poderoso anjo desce do reino da glória até o túmulo de José, ordenando que o Filho de Deus ressuscite.

GMA 50.5E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do Céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos (Mateus 28:2-4).
GMA 51.1Abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos (Mateus 27:52, 53).

GMA 51.2Imagine testemunhas como essas entrando em Jerusalém, aparecendo às portas de seus amigos com a mensagem de que o Cristo crucificado ressuscitara dentre os mortos, e que, por Seu poder, Ele as havia trazido de volta à vida, a fim darem testemunho a respeito de Sua ressurreição. Que agitação deve ter havido entre os discípulos e as santas mulheres, correndo aqui e ali para contar as alegres novas: “Ele ressurgiu dentre os mortos, pois nós O vimos e falamos com Ele!”

GMA 51Jesus caminhando pela região

GMA 51.3Outro evento que merece destaque é o encontro de Jesus com dois discípulos na estrada para Emaús. Assim diz o relato bíblico:

GMA 51.4Naquele mesmo dia, dois deles estavam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém cerca de sessenta estádios [doze quilômetros]. Iam conversando a respeito de tudo aquilo que se havia sucedido. E aconteceu que, enquanto conversavam e arrazoavam juntos, o próprio Jesus se aproximou e se uniu a eles na jornada. Os olhos, porém, estavam-lhes como que impedidos de O reconhecer. Então, Jesus lhes perguntou: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades O entregaram para ser condenado à morte e O crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que Ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na Sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras (Lucas 24:13-27).

GMA 52.1Quando Ele estava com eles à mesa, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu.

GMA 52.2Então, se lhes abriram os olhos, e O reconheceram; mas Ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando Ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? (Lucas 24:31, 32).

GMA 52.3Os discípulos finalmente compreenderam, após ouvirem uma completa explicação do grande mistério que os inquietava, que tinha de haver uma morte e uma ressurreição relacionadas à missão do Salvador. Mas como deveriam considerar a questão sobre Seu reino?

GMA 52.4A estes, também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias (Atos 1:3-5).

GMA 52“Será este o tempo em que restaures o reino?”

GMA 52.5Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? [Como se dissessem: nós aprendemos que era necessário que o Senhor fosse crucificado, e ressuscitasse dentre os mortos, segundo as Escrituras; mas não vai restaurar o reino agora?] Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem O encobriu dos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como O vistes subir (Atos 1:6-11).

GMA 52Jesus deveria permanecer no Céu até a restauração

GMA 52.6Agora que o Salvador havia partido, e os discípulos O haviam visto “subir para onde estava antes”, tinham a certeza de que o Espírito Santo lhes revelaria o momento em que o reino viria. Então, Pedro, em suas instruções ao povo após receberem o Espírito Santo, disse: E que envie Ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o Céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade (Atos 3:20, 21).

GMA 53.1O Espírito Santo também revelou a Pedro os fatos referentes aos três mundos: primeiro, o mundo antes do dilúvio, destruído pela água; segundo, o mundo atual reservado para o fogo — fogo com o qual a terra é armazenada, como diz a Versão Revisada — aquele fogo que será a perdição, ruína e destruição dos ímpios; terceiro, a Nova Terra “[na qual] habita a justiça”, ou, como alguns traduzem “onde os justos habitarão” (2 Pedro 3:5-13).

GMA 53.2O apóstolo Paulo fala da ressurreição do povo de Deus e da transformação de todos os Seus santos, de mortais em imortais, “num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta” (1 Coríntios 15:52). Disse aos Coríntios que Cristo está, atualmente, no trono do Pai, e lá Ele permanecerá até que todos os seus inimigos sejam submetidos a Ele. Ou seja, até que o reino — Seu reino — seja entregue em Suas mãos pelo Pai, como profetizado em Daniel 7:13, 14 e Salmo 2:8, 9. Para os Tessalonicenses, ele apresentou a vinda e a ressurreição de Cristo como sua única esperança, o verdadeiro consolo frente à morte de seus entes queridos.

GMA 53O retorno do Mestre não estava totalmente claro

GMA 53.3No entanto, a igreja não sabia o tempo exato em que o Mestre iria voltar. Quando o apóstolo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses, disse: “Depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados” (1 Tessalonicenses 4:17), os irmãos entenderam erroneamente que Cristo viria enquanto alguns deles ainda estivessem vivos. Em sua segunda epístola, ele corrigiu a compreensão errônea deles com base na carta anterior, dizendo:

GMA 53.4Porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto (2 Tessalonicenses 2:3, 4).

GMA 53A apostasia

GMA 53.5A igreja, porém, foi deixada a tatear no escuro, quanto ao tempo da segunda vinda de Cristo. Os irmãos entenderam que haveria uma apostasia, mas não sabiam qual seria sua duração. Essa questão foi respondida na visão dada a João na ilha de Patmos, mediante os símbolos encontrados nos capítulos 12 e 13 do Apocalipse — “um tempo, tempos e metade de um tempo”, os “quarenta e dois meses” e os “mil duzentos e sessenta dias” (anos); o evento, porém, que dá início a esse longo período ainda não havia ocorrido. Assim, a igreja aguardava a vinda de Cristo, sem saber o momento exato em que ela ocorreria, pois quando o tempo da tribulação tivesse passado, haveria ainda um período de conflito e triunfo para a “igreja remanescente”.

GMA 54.1Nos registros finais do Novo Testamento, o tema da segunda vinda de Cristo nos é claramente apresentado. Cerca de um em cada 30 versos menciona, de alguma forma, a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

GMA 54O milênio temporal

GMA 54.2Acerca da posição da igreja com respeito a essa esperança que se estende até os tempos modernos, Robert Patterson, D.D., assim se expressa num periódico chamado O Interior, sob o título “A Bendita Esperança”:

GMA 54.3Quando nosso Senhor deixou Sua igreja na terra para ir para o Pai, estava ela em uma condição lamentável. Seus quinhentos discípulos foram cercados por seus inimigos, organizados em religiões e governos anticristãos por uma das maiores inteligências, liderados por uma malícia extremamente venenosa, e educados por séculos na prática dos mais eficientes métodos de destruição. O Senhor sabia do perigo que corríamos, e não o amenizou em Seus últimos discursos, nem mesmo prometeu qualquer alívio da inimizade do mundo e das tribulações da igreja. Mas prometeu que voltaria para derrotar seus inimigos, e que nos sustentaria até esse bem-aventurado dia. “O mundo vos odeia” (João 15:19). “No mundo, passais por aflições” (João 16:33). “Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. […] Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar” (João 16:20-22). “E, quando eu for […] voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também” (João 14:3).
GMA 54.4Com a bem-aventurada esperança de Seu retorno pessoal, confortou Ele sua igreja ao partir. Disse que, em sua ausência, sofreríamos tribulações; e assim tem sido. Se desfrutarmos de um período de paz exterior durante Sua ausência, se Sua igreja for liberta dos ataques do mundo, se houver um tempo de pureza em que o joio não crescerá no meio do trigo, ou se, na Sua vinda, Ele for bem recebido pelos habitantes de uma terra cheia da glória do Senhor, ou até mesmo encontrar fé na terra, será para Ele a mais inesperada surpresa. Jesus não sabia de um milênio assim. Declaramos que Ele não tinha conhecimento disso, porque nunca disse nada a esse respeito. Ele diz: “Tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho dado a conhecer” (João 15:15). Mas em nenhum de seus discursos e parábolas há indicação de que devemos aguardar um período de paz ou de glória antes de Sua vinda. Os apóstolos também não sabem de nenhum milênio sem Cristo. Ao longo dos trezentos anos que se seguiram à partida de nosso Senhor, a bendita esperança da Igreja foi a esperança de Seu retorno.
GMA 55.1Mas a partir do momento em que a noiva de Cristo, no decorrer da sua predita apostasia, começou a consolar-se na Sua ausência, obtendo a amizade dos reis da terra, ela automaticamente desviou seu olhar do céu oriental e do retorno de seu Senhor, que poria fim a sua grandeza mundana. Quando os reformadores fizeram soar a trombeta do evangelho […] os sonhos de um milênio sem Cristo foram imediatamente varridos, […] e a igreja voltou a aguardar a vinda do Senhor para destruir o anticristo. […] Em suas cartas, sermões e profissões de fé, os reformadores proclamaram suas esperanças pré-milenialistas.
GMA 55.2A Assembleia de Westminster conclui seu juramento com uma declaração de fé na segunda vinda do Senhor, em palavras que expressam de maneira plena a fé dos pré-milenialistas. Eles a proclamam de forma momentosa: “Do mesmo modo que Cristo queria que fôssemos plenamente persuadidos de que haverá um dia de juízo, tanto para dissuadir os homens do pecado, quanto para uma maior consolação dos justos nas suas adversidades, do mesmo modo decidiu Ele não revelar esse dia aos homens, a fim de que abandonem toda a segurança carnal e estejam sempre atentos, pois não sabem a que hora o Senhor virá. Precisam estar sempre preparados para dizer: Vem, Senhor Jesus, e vem depressa!”
GMA 55.3Nossos antepassados reformadores fortaleceram seus corações aguardando a vinda do Senhor, e encorajaram uns aos outros dizendo: “Aguentem firmes! Pois Ele vem com legiões de socorro” — um sentimento incorporado recentemente a um hino popular de reavivamento, mas familiar aos antigos escoceses guardadores da aliança.
GMA 55.4Mas não demorou muito para que uma segunda apostasia se estabelecesse entre as igrejas reformadas. Era conhecida na Escócia como moderatismo; na Inglaterra, como o arianismo; e, mais recentemente, como amplo igrejismo; na América, chamava-se unitarianismo; e na Alemanha, racionalismo. Estabelecendo a razão humana como juiz, tendo nossa tão limitada observação moderna como evidência, e afirmando que nenhum evento poderia ocorrer se não estivesse de acordo com as leis observadas na natureza, essa filosofia reduziu Jesus à posição de um rabino, um pouco à frente de Sua época, mas totalmente ignorante quanto à ciência moderna. Consequentemente, a crença de que alguém assim voltaria do mundo invisível para reinar sobre a terra foi remetida à mitologia hebraica.

GMA 56Daniel Whitby fala sobre o milênio

GMA 56.1Um autor assim se expressa sobre a concepção de Daniel Whitby sobre o milênio:

GMA 56.2As promessas de Sua segunda vinda e de Seu reino sobre a Terra foram interpretadas como significando apenas a propagação de Seu evangelho e a sujeição de grande parte do mundo ao cristianismo por um período de 1000, ou, como alguns pensavam, 360.000 anos; durante esse período, a humanidade deveria avançar nas artes da civilização e desfrutar de paz e prosperidade sem precedentes. No final desse período tão longo, demasiadamente vasto para ser compreendido por mentes comuns, uma grande comoção da natureza poderia ocorrer, e seria dito que o Senhor iria vir e destruir o mundo, convocando a raça humana para juízo. Esta teoria foi elaborada e disseminada por um comentarista Inglês chamado Whitby [Daniel Whitby morreu em 1726], que, por suas cartas publicadas, provou ser um ariano, mas cujos comentários eram populares entre seu próprio grupo, e cujo milênio mitológico foi recebido com favor por muitos dos pensionistas ortodoxos e amigos das igrejas Estatais da Europa, às quais ele prometia um longo arrendamento de dízimos e homenagens. Por sua influência, essa filosofia foi importada para a América, onde foi imediatamente utilizada como matéria para embasar chavões e discursos bombásticos.

GMA 56.3Essas eram as teorias nas variadas partes do mundo ao nos aproximarmos do momento em que o Senhor enviou o solene aviso de que Sua vinda estava “às portas” (Mateus 24:33).

Nota

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