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Capítulo 13 — Sinais da Direção de Deus

John Norton Loughborough

GMA 161.1“Ou se um deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo, com provas, e com sinais, e com milagres, e com peleja, e com mão poderosa, e com braço estendido, e com grandes espantos, segundo tudo quanto o Senhor, vosso Deus, vos fez no Egito, aos vossos olhos. A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há, senão Ele” (Deuteronômio 4:34-35).

GMA 161.2Foi assim que o Senhor operou ao tomar um povo dentre uma nação pagã a fim de levá-los aonde pudesse lhes declarar Sua lei, entregando-a a eles esculpida em tábuas de pedra. Essas maravilhas não foram realizadas com o fim de lhes satisfazer a curiosidade, mas para que ficassem certos de que Aquele que “no Egito, fizera coisas portentosas; maravilhas na terra de Cam, tremendos feitos no Mar Vermelho” [Salmo 106:21-22], e do cimo do Monte Sinai falara com eles em meio a chamas e fumaça, não era outro senão o Deus vivo e verdadeiro, o Criador de todas as coisas.

GMA 161A sarça ardente e o chamado de Moisés

GMA 161.3O próprio Moisés não poderia fazer com que os israelitas abandonassem o Egito simplesmente por dizer: “Enquanto eu cuidava do rebanho no deserto, senti pena de vocês por estarem cativos e, agora, desci para libertá-los do Egito, assim como planejei fazer quando matei o egípcio, pouco antes de fugir para a terra de Midiã”.

GMA 161.4Foi necessária uma sarça ardente que não se consumia e uma voz audível dentre as chamas para convencer o próprio Moisés de que ele era a pessoa que deveria “tirar seu povo do Egito”. Foi dessa surpreendente maneira que ele recebeu seu chamado, sua alta e santa vocação. A revelação dada a Moisés prontamente chamaria a atenção de seus irmãos, prepararia a mente deles para o que deveria seguir-se, e os levaria, assim, a aceitar Moisés, escolhido por Deus como seu líder.

GMA 162.1Se já houve um tempo, após a ressurreição de Cristo, em que Seus seguidores, contritos e desapontados, tiveram a necessidade de serem consolados por Sua presença e palavras de ânimo, foi quando alguns quebrantados e perseguidos crentes mantiveram-se firmes, por meio de inabalável fé, logo após o “clamor da meia-noite” de 1844. Se alguma vez Deus, em Sua misericórdia, Se comunicou diretamente com os aflitos, certamente foi nessa época e com tal povo.

GMA 162É prometida a presença do Senhor

GMA 162.2Aquele que não tem limitações em Sua forma ou modo de agir, e que concedeu os dons do Espírito à Sua igreja “quando Ele subiu às alturas” [Efésios 4:8-15], prometeu estar com Seus seguidores na pregação do evangelho “até a consumação dos séculos”.

GMA 162.3Em todas as épocas, o Senhor tem estado pronto para demonstrar Seu poder e dons por meio daqueles que O buscam diligentemente. Disse Ele, ao dar a comissão evangélica:

GMA 162.4Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em Meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados (Marcos 16:17, 18).

GMA 162Dons do Espírito durante a Reforma protestante

GMA 162.5Houve maravilhosas demonstrações do poder de Deus e do dom de profecia durante a Reforma do século 16 e em épocas posteriores. D’Aubigné fala das profecias de João Huss. Charles Buck, em suas Anedotas Religiosas, conta das profecias de George Wishart, em 1546. João Wesley, em seus escritos, menciona as profecias de Jonathan Pyrah e seu cumprimento. O pastor J. B. Finley fala em sua autobiografia de uma notável visão e cura que se deu nele mesmo no verão de 1842. O Christian Advocate (periódico metodista) publicou um interessante relato de uma notável visão dada ao Doutor Bond, e de seus resultados durante o seu ministério na igreja metodista. Para os que buscavam humildemente o Senhor, todos esses sinais davam evidência de que Ele não havia mudado, e de que ainda falaria a Seu povo mediante o dom profético.

GMA 163A igreja remanescente precisava ter o Espírito de Profecia

GMA 163.1Há claras e específicas indicações nas Escrituras de que Deus irá manifestar os dons do Espírito, e de modo especial o dom de profecia, entre os que se acharem aguardando a Sua vinda. O primeiro texto ao qual chamamos a atenção se encontra na primeira carta aos Coríntios. Ele diz:

GMA 163.2Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da Sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus; porque, em tudo, fostes enriquecidos nEle, em toda a palavra e em todo o conhecimento; assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Coríntios 1:4-8).

GMA 163.3Em Apocalipse lemos sobre o “remanescente”, isto é, a última igreja do evangelho: “E o dragão irou-se contra a mulher [a igreja], e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17, ACF). O que é o “testemunho de Jesus”, perguntamos, que a última igreja precisa possuir, e que, ao ser confirmado, prepara o caminho para a manifestação de todos os dons do Espírito? Encontramos uma resposta para essa questão no testemunho do anjo a João, na ilha de Patmos:

GMA 163.4Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito de profecia (Apocalipse 19:10).

GMA 163.5Essa definição, dada pelo anjo, revela que o “espírito de profecia”, manifesto numa igreja que aguarda Cristo, prepara o caminho para todos os outros dons, e que a guerra feita contra a igreja “remanescente” ocorre por ela possuir esse dom em seu meio.

GMA 163O testemunho de Paulo acerca dos dons

GMA 163.6A primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses revela que o dia do Senhor — o dia final do juízo executivo — virá sobre as multidões “como um ladrão à noite”, porém não irá pegar desprevenidos os fiéis filhos de Deus pelo fato de eles serem “filhos da luz e filhos do dia”. Entre as suas admoestações ao povo que está vigiando, Paulo declara: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, retende o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:5, 19-21).

GMA 164.1A palavra grega propheteias, traduzida aqui como profecias, é definida da seguinte forma por Greenfield em seu Léxico Grego: “O exercer do dom de profecia; nesse sentido, ver 1 Tessalonicenses 5:20”. Os léxicos de Parkhurst, Robinson, e Liddell e Scott também concordam com esse pensamento. Temos aqui, portanto, um claro testemunho de que o verdadeiro dom de profecia estará presente na igreja que aguarda a segunda vinda de Cristo. A admoestação não é para desprezar o dom, mas para prová-lo; e ao encontrar sua genuína manifestação, “retê-lo” (1 Tessalonicenses 5:21).1

GMA 164O cumprimento da promessa

GMA 164.2Até aqui vimos como o Senhor começou a manifestar o dom de profecia durante a proclamação da mensagem do primeiro e segundo anjos. Esse dom foi mais plenamente desdobrado a partir do término dos 2.300 dias. Deus escolheu Seu próprio instrumento para esse fim, elegendo como Seu agente alguém que não só havia entregado tudo a Ele, mas cuja vida ficou por um fio, “o mais fraco dos fracos” (como mostrado a Hazen Foss. Ver página 146). Dois meses após a passagem do tempo, Ellen G. Harmon, de Portland, Maine, começou a receber revelações de Deus com a idade de apenas 17 anos.

GMA 164.3Pela oportunidade que tive de conversar com pessoas que viviam em Portland por ocasião da primeira visão de Ellen Harmon, e por conhecer também a Sra. Haines, em cuja casa Ellen teve sua primeira visão, vou relatar os fatos conforme essas pessoas me transmitiram. Naquela época, Ellen se encontrava numa condição de saúde muito crítica. Por várias semanas, mal tinha sido capaz de falar mais alto que um sussurro. Um médico decidiu que seu problema era consumo hidrópico [um tipo de tuberculose]. Declarou que o pulmão direito estava deteriorado, e o esquerdo, consideravelmente doente; e que o coração havia sido afetado. Disse crer que ela não teria senão um curto tempo de vida, e que podia cair morta a qualquer momento. Respirava com grande dificuldade quando estava deitada. À noite, só conseguia descansar quando era escorada na cama numa posição quase sentada. Frequentes ataques de tosse e hemorragias dos pulmões haviam reduzido grandemente sua força física.

GMA 165A primeira visão de Ellen

GMA 165.1Por ocasião de sua primeira visão, Ellen estava hospedada na casa da Sra. Haines. Era cedo de manhã, e estavam realizando o culto familiar. Havia cinco pessoas presentes, todas irmãs na fé. As outras já haviam orado e Ellen estava orando em voz baixa, quando o poder de Deus desceu de maneira maravilhosa e influenciou poderosamente todos os presentes. Por um momento ela perdeu a noção de tudo o que se passava ao seu redor — estava em visão.

GMA 165.2Na reunião seguinte, Ellen relatou aos crentes em Portland o que lhe havia sido mostrado. Os irmãos tiveram plena confiança de que isso procedia de Deus. Na ocasião, havia cerca de 60 pessoas em Portland que confirmaram a obra como sendo do Senhor. O poder que acompanhava a visão, bem como seu relato, só poderia vir de Deus. Um sentimento solene de interesses eternos estava continuamente sobre ela, e parecia estar cheia de profunda reverência pelo fato de alguém tão jovem e frágil como ela ter sido escolhida como instrumento de Deus para comunicar luz a Seu povo. Ela declarou que, durante a visão, parecia estar cercada por anjos radiantes nas gloriosas cortes celestiais, onde tudo é alegria e paz, e que foi uma mudança triste despertar para a realidade insatisfatória desta vida mortal.

GMA 165Resumo da primeira visão

GMA 165.3O seguinte sumário de sua primeira visão, conforme ela mesma relatou aos crentes em Portland, nos fornece algumas ideias quanto à natureza de suas visões como um todo:

GMA 165.4Enquanto orava, o poder de Deus se apoderou de mim como nunca havia sentido antes. Fui cercada de luz e subia cada vez mais alto, afastando-me da Terra. Virei-me para ver o povo do Advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: “Olhe novamente, e olhe um pouco mais para cima”. Então eu ergui meus olhos, e vi um caminho estreito e apertado, que se estendia acima do mundo. Nesse caminho, o povo do Advento estava viajando para a cidade, que se encontrava em sua extremidade oposta. Tinham uma brilhante luz colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o “clamor da meia-noite”. Ela brilhava em toda extensão do caminho, proporcionando-lhes claridade para seus pés, para que assim não tropeçassem. Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, estavam seguros. Mas logo alguns ficaram cansados, e disseram que a cidade estava muito longe e esperavam nela ter entrado antes. Então Jesus os animava, levantando Seu glorioso braço direito, e de Seu braço saía uma luz que incidia sobre o povo do Advento, e eles clamavam: Aleluia! Outros temerariamente negavam a existência da luz atrás deles e diziam que não fora Deus quem os guiara até ali. A luz atrás deles desaparecia, deixando-lhes os pés em densas trevas; de modo que tropeçavam, tirando os olhos do alvo, perdendo de vista a Jesus, e caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio. Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nos anunciou o dia e a hora da vinda de Jesus. Os santos vivos reconheceram e entenderam a voz, ao passo que os ímpios julgaram ser ela um trovão ou terremoto. Ao declarar Deus a hora, derramou sobre nós o Espírito Santo, e nosso rosto começou a resplandecer e a brilhar com a glória de Deus, como aconteceu com o de Moisés, ao descer do monte Sinai (Primeiros Escritos, p. 14, 15).

GMA 166A condição de Ellen White durante as visões

GMA 166.1Antes de continuarmos o emocionante relato dessa maravilhosa manifestação do Espírito de Deus, vou expor alguns fatos relativos às visões. A primeira vez que vi Ellen White (que se chamava Ellen Harmon antes de se casar) foi em outubro de 1852. Naquele dia eu a vi numa visão que durou mais de uma hora. Desde então, tive o privilégio de vê-la em visão cerca de 50 vezes. Tenho estado presente enquanto médicos a examinaram durante as visões, e considero um prazer testemunhar do que vi e conheci. Creio que, quanto a isto, uma narração de fatos não pode ser descuidadamente deixada de lado a fim de se apegar a suposições aleatórias de pessoas que nunca a viram nessa condição.

GMA 166.2Quando ela entra em visão, dá três arrebatadores gritos de “Glória!” que ecoam e ressoam, sendo o segundo, e especialmente o terceiro, mais fracos, porém mais emocionantes que o primeiro, e pronunciados com uma voz semelhante à de alguém bem distante, cuja voz quase já não pode ser ouvida. Por cerca de quatro ou cinco segundos, parece cair como uma pessoa num desmaio, ou alguém que perdeu a força. Então, parece ser instantaneamente preenchida de força sobre-humana, às vezes levantando-se de uma só vez sobre seus pés e andando pela sala. Há frequentes movimentos das mãos e dos braços, apontando à direita ou à esquerda, conforme sua cabeça se volta. Todos esses movimentos são feitos de forma muito graciosa. Em qualquer posição que sua mão ou braço são colocados, é impossível que alguém possa movê-los. Seus olhos estão sempre abertos, mas ela não pisca; a cabeça fica levantada, e ela olha para cima, não com um olhar vago, mas com uma expressão agradável, apenas diferindo de sua expressão normal por parecer estar olhando atentamente para algum objeto distante. Ela não respira, mas seu pulso continua batendo regularmente. Sua fisionomia é agradável, e a cor de seu rosto, corado, como em seu estado natural.

GMA 167Comparada com a condição de Daniel

GMA 167.1Sua condição quanto à respiração, perda de força, e o fortalecimento recebido quando o anjo de Deus a toca, está em perfeito acordo com a descrição feita pelo profeta Daniel sobre sua própria experiência em visão. Ele relata:

GMA 167.2Fiquei, pois, eu só e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma. […] Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta já força alguma, nem fôlego ficou em mim. Então, me tornou a tocar aquele semelhante a um homem e me fortaleceu; e disse: Não temas, homem mui amado! Paz seja contigo! Sê forte, sê forte. Ao falar ele comigo, fiquei fortalecido e disse: fala, meu senhor, pois me fortaleceste (Daniel 10:8, 17-19).

GMA 167DEPOIMENTOS DE TESTEMUNHAS OCULARES

GMA 167M. G. Kellogg (médico)

GMA 167.3Quanto à condição de Ellen White no momento em que está em visão, algumas declarações de testemunhas oculares podem ser de grande valor. A primeira é de M. G. Kellogg, M.D, em referência à primeira visão recebida em Michigan, em 29 de maio de 1853, numa reunião realizada em Tyrone, Condado de Livingston. Ele diz: A irmã White permaneceu em visão por cerca de 20 minutos ou meia hora. Ao entrar em visão, todos os presentes pareciam sentir o poder e a presença de Deus, e alguns de nós realmente sentimos o Espírito de Deus repousando sobre nós com poder. Estávamos ocupados em oração e em rever os irmãos no sábado de manhã, por volta das nove horas. O irmão White, meu pai e a irmã White haviam orado, e eu estava orando no momento. Não tinha havido agitação, nem manifestações. No entanto, havíamos rogado fervorosamente a Deus para que abençoasse a reunião com Sua presença, e que abençoasse a obra em Michigan. Quando a irmã White deu aquele triunfante brado de “Glória! Glória! Glória!”, que vocês já ouviram tantas vezes ao ela entrar em visão, o irmão White se levantou e informou à plateia que sua esposa estava em visão. Após explicar como suas visões aconteciam, e que ela não respirava durante as mesmas, ele convidou qualquer um que desejasse para a vir à frente e examiná-la. O Dr. Drummond, médico e pregador adventista do primeiro dia, havia declarado, antes de vê-la em visão, que suas visões tinham origem no mesmerismo, e que ele mesmo poderia dar-lhe uma visão. Esse médico foi à frente, e, após cuidadoso exame, ficou muito pálido e declarou: “Ela não respira!”

GMA 168.1Tenho certeza de que ela não estava respirando durante a visão daquela ocasião, nem em nenhuma das várias outras que teve, estando eu presente. O momento em que ela sai da visão é tão marcante quanto o momento em que entra em visão. A primeira indicação que tínhamos de que a visão havia terminado era quando ela começava a respirar novamente. Sua primeira inspiração era profunda, longa e plena, o que demonstrava que seus pulmões estavam totalmente vazios. Após a primeira respiração, vários minutos se passavam antes que respirasse pela segunda vez, enchendo os pulmões exatamente como da primeira. Havia uma pausa de dois minutos, seguida de uma terceira respiração. Depois disso, a respiração voltava ao normal. Assinado, M. G. Kellogg, M.D, Battle Creek, Michigan, 28 de dezembro de 1890.

GMA 168F. C. Castle

GMA 168.2A seguinte declaração é de alguém que testemunhou Ellen White sendo examinada por um médico no momento em que ela estava em visão em Stowe, Vermont, no verão de 1853. Ele diz:

GMA 168.3Um médico estava presente, e examinou-a segundo lhe ditavam sua sabedoria e conhecimento, com o fim de encontrar a causa da manifestação. Colocou uma vela acesa próximo aos olhos dela, que estavam abertos. Nem um músculo sequer do olho se moveu. Em seguida, examinou o pulso dela, e também seu fôlego, e não havia respiração. O resultado foi que ele se convenceu de que o fenômeno não poderia ser explicado mediante princípios naturais ou científicos. Assinado, F. C. Castle.

GMA 169D. H. Lamson

GMA 169.1Os depoimentos a seguir referem-se a um exame feito enquanto Ellen White estava em visão numa reunião realizada na casa do irmão Tiago White, em Monroe Street, Rochester, Nova Iorque, em 26 de junho de 1854:

GMA 169.2Na época eu tinha 17 anos. Parece que quase posso ainda ouvir os vibrantes brados de “Glória!” que ela deu. Ela começou então a se abaixar até o chão, não como se estivesse caindo, mas como que afundando suavemente. Foi em seguida apoiada pelos braços de um dos presentes. Dois médicos se aproximaram, um idoso e um jovem. O irmão White estava ansioso de que eles examinassem a irmã White minuciosamente, e eles o fizeram. Um espelho foi trazido, e um dos médicos segurou-o bem em frente à boca dela enquanto ela falava; mas logo desistiram da tentativa, e disseram: “Ela não respira”. Eles examinaram então cuidadosamente os lados dela enquanto ela falava, com o objetivo de descobrir alguma evidência de respiração profunda, mas não a encontraram. Quando encerraram essa parte do exame, ela pôs-se de pé, ainda em visão, segurando uma Bíblia ao alto, passando de verso a verso, citando-os corretamente, embora olhasse para cima em direção contrária ao livro.
GMA 169.3Ela teve uma visão acerca das sete últimas pragas. Viu, então, a vitória dos santos, e pareço poder ouvir os brados de triunfo que ela deu. De bom grado testifico sobre estes fatos. Assinado: Irmão D. H. Lamson, Hillsdale, Michigan, 8 de fevereiro de 1893.

GMA 169Sra. Drusilla Lamson

GMA 169.4Acerca desse mesmo exame feito pelos médicos, um depoimento adicional nos é dado pela Sra. Drusilla Lamson, viúva do primo do pastor Lamson e enfermeira-chefe do Sanatório de Clifton Springs, Nova Iorque. Falando da reunião de 26 de junho de 1854, ela diz:

GMA 169.5Lembro-me da reunião onde o exame foi feito; onde testaram o que o irmão White tinha declarado por tantas vezes: que a irmã White não respirava enquanto em visão. Não consigo, porém, me lembrar do nome do médico que estava presente. […] Deve ter sido o Dr. Fleming, pois às vezes ele era o médico que chamavam para consultas. Agora, porém, ele já é falecido. Posso afirmar isto: que o teste foi feito, e nenhum sinal de respiração pôde ser visto no espelho. Assinado, Drusilla Lamson, Clifton Springs, Nova Iorque, 9 de março de 1893.

GMA 170.1Há ainda outro testemunho de alguém que estava presente na reunião mencionada acima:

GMA 170David Seeley

GMA 170.2Isto é para certificar que eu li os depoimentos de David Lamson e da Sra. Drusilla Lamson, citados acima, relativos ao relatório do médico que examinou Ellen White, estando ela em visão em 26 de junho de 1854. Eu estive presente naquela reunião e testemunhei o exame. Concordo com o que é declarado pelo irmão e irmã Lamson, e diria ainda que foi o Dr. Fleming e outro médico mais jovem que fizeram o exame. Depois que Ellen White se levantou, conforme afirmaram, citando textos das Escrituras, o Dr. Fleming pediu que lhe trouxessem uma vela acesa. Ele colocou essa vela tão próxima dos lábios de Ellen White quanto era possível sem queimá-la, diretamente em frente à posição onde haveria movimento de ar, caso ela respirasse. Não houve a menor oscilação da chama. Então, o médico afirmou enfaticamente: “Isso resolve de uma vez por todas essa questão: no corpo dela não há fôlego”. Assinado, David Seeley, Fayette, Iowa, 20 de agosto de 1897.

GMA 170O Sr. e Sra. A. F. Fowler

GMA 170.3As seguintes afirmações referem-se a um exame feito enquanto Ellen White estava em visão no Salão Waldron, Hillsdale, Michigan, em fevereiro de 1857. Um médico de Hillsdale, com 50 anos de prática, chamado Dr. Lord, fez um exame muito minucioso, sobre o qual apresento os seguintes depoimentos:

GMA 170.4Estávamos presentes quando (em fevereiro de 1857) a irmã E. G. White teve uma visão no Salão Waldron, em Hillsdale. O Dr. Lord a examinou e disse: “O coração está batendo, mas não há fôlego. Ela está viva, mas não há movimentação dos pulmões; não sou capaz de explicar essa condição”. Assinado, A. F. Fowler, Sra. A. F. Fowler, Hillsdale, Michigan, 1 de janeiro de 1891.

GMA 170C. S. Glover

GMA 170.5Apresentamos aqui um segundo testemunho acerca da mesma visão:

GMA 170.6Estive presente quando a irmã White teve a visão, referida acima, no Salão Waldron, em Hillsdale. Além da declaração mencionada acima, ouvi o médico dizer que o estado da irmã White, enquanto em visão, estava “além de seu conhecimento”. Ele disse também: “Nisso há algo sobrenatural”. Assinado, C. S. Glover, Battle Creek, Michigan, 19 de janeiro de 1891.

GMA 171O Sr. e Sra. Carpenter

GMA 171.1Aqui há um terceiro testemunho sobre o mesmo caso:

GMA 171.2O seguinte é para certificar de que estávamos presentes no Salão Waldron, em Hillsdale, Michigan, em fevereiro de 1857, quando Ellen White teve uma visão. Nessa condição, ela foi examinada pelo Dr. Lord, e ouvimos a declaração pública que ele fez do caso, conforme mencionada acima pelo irmão e irmã Fowler. Assinado, W. R. Carpenter, Eliza Carpenter, Noblesville, Indiana, 30 de agosto de 1891.

GMA 171D. T. Bourdeau

GMA 171.3Gostaríamos de chamar agora a atenção do leitor para um teste que foi aplicado a Ellen White enquanto estava em visão em Buck’s Bridge, Condado de St. Lawrence, Nova Iorque:

GMA 171.4Em 28 de junho de 1857, vi pela primeira vez a irmã Ellen G. White tendo uma visão. Eu não acreditava nas visões; mas um incidente, entre outros que poderia mencionar, convenceu-me de que suas visões eram de Deus. Para que eu pudesse ficar satisfeito quanto ao fato de ela respirar ou não, coloquei, primeiro, minha mão sobre seu tórax, por tempo suficientemente longo para perceber que seus pulmões não inflavam mais do que os de um cadáver. A seguir, coloquei minha mão sobre a boca dela e tapei suas narinas com meu polegar e o indicador, de modo que era impossível que ela inalasse e exalasse o ar, mesmo que quisesse. Eu a mantive assim por cerca de dez minutos — tempo suficiente para provocar sufocamento em circunstâncias normais. Esse teste não a afetou em nada. Desde que testemunhei esse fenômeno maravilhoso, nunca mais me senti inclinado a duvidar da origem divina de suas visões. Assinado, D. T. Bourdeau, Battle Creek, Michigan, 4 de fevereiro de 1891.

GMA 171Um médico espírita médium testa a visão

GMA 171.5Vou mencionar outro exame médico que testemunhei em Parkville, Condado de St. Joseph, Michigan, em 12 de janeiro de 1861.

GMA 171.6Ao fim de um sermão proferido por Ellen White a uma grande congregação reunida numa igreja adventista, a bênção de Deus repousou sobre ela de forma notável, e ela foi tomada em visão enquanto estava em seu assento. Estava presente ali o Dr. Brown, homem forte e robusto, um médium espírita. Ele havia afirmado que as visões de Ellen White eram o mesmo que mediunidade espírita, e que se ela recebesse uma visão num local onde ele estivesse presente, ele poderia trazê-la de volta em um minuto. Foi feito um convite para que quem quisesse poderia ir até à frente e examiná-la, a fim de se certificar a respeito da condição dela em visão. O médico veio à frente, mas antes que chegasse à metade de sua análise, ficou mortalmente pálido, tremendo como uma vara verde. O irmão Tiago White disse: “O doutor pode nos informar quanto à condição dela?” Ele respondeu: “Ela não respira”, e rapidamente se dirigiu à porta. Os que estavam perto da porta sabiam de sua vanglória. Disseram então: “Volte, e faça como você declarou que faria. Faça com que a mulher saia da visão”. Muito agitado, ele agarrou a maçaneta da porta, mas não lhe permitiram abri-la antes de responder à seguinte pergunta que lhe foi dirigida pelos que estavam próximos da porta: “Doutor, qual é a condição dela?” Ele respondeu: “Só Deus sabe; deixem-me sair desta casa”, e então saiu.

GMA 172.1Era evidente que, em presença do poder que controlava Ellen White em visão, o espírito que influenciava esse doutor como médium experimentou o mesmo desconforto que foi sentido pelos endemoninhados nos dias do Salvador, ao perguntarem: “Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” (Mateus 8:29).

GMA 172.2Existe uma semelhança entre esse acontecimento e o que está registrado na experiência do profeta Daniel. Quando o Espírito do Senhor tomou Daniel em visão, os caldeus presentes, pagãos sem qualquer conhecimento do Espírito de Deus, ficaram muito apavorados e “fugiram e se esconderam” (Daniel 10:7).

GMA 172Ellen Harmon é convidada a relatar suas visões

GMA 172.3Numa reunião realizada na casa de seu pai, cerca de uma semana após sua primeira visão, Ellen Harmon teve uma segunda visão. Nessa visão, ela foi instruída a relatar a outros o que lhe havia sido revelado. Ela ficou muito perplexa para saber como poderia atender a essa ordem dada pelo Senhor. Sua saúde era tão fraca que sentia muitas dores no corpo, e, aparentemente, lhe restava pouco tempo de vida. Tinha apenas 17 anos de idade. Era pequena e frágil, não acostumada a relacionamentos sociais, e por natureza tão tímida e reservada que lhe era doloroso conhecer estranhos. Orou fervorosamente por vários dias, até tarde da noite, para que essa responsabilidade fosse removida e colocada sobre alguém mais capaz de suportá-la. Mas a luz do dever não se alterou, e as palavras do anjo soavam continuamente: “Conte a outros o que eu revelei a você”.

GMA 172.4Neste estado mental de perplexidade, Ellen Harmon assistiu a outra reunião realizada na casa de seu pai. Nessa reunião, o grupo inteiro se uniu em fervorosa oração em favor dela, e mais uma vez ela se consagrou ao Senhor, e sentiu-se disposta a ser usada para a glória dEle. Enquanto orava, dissipou-se a densa escuridão que a envolvia; e, como ela declarou posteriormente, uma luz brilhante veio em sua direção como bola de fogo, e, quando caiu sobre ela, foi-lhe tirada a força, e ela pareceu estar na presença de Jesus e dos anjos. Novamente foi repetido: “Conte a outros o que Eu revelei a você”. Ela pediu encarecidamente que, se fosse seu dever ir e declarar o que o Senhor lhe havia mostrado, então que ela fosse preservada de exaltação. Assim, um anjo disse que sua oração fora atendida, e que se ela estivesse em perigo de exaltar-se, seria afligida com enfermidade. O anjo lhe disse: “Se você transmitir a mensagem com fidelidade, e perseverar até o fim, você vai comer do fruto da árvore da vida e beber do rio da água da vida”.

GMA 173A visita de Ellen Harmon a Poland, Maine

GMA 173.1Havia sido mostrado a Ellen Harmon que ela deveria ir a Poland, Maine, e contar sua visão. No dia seguinte a essa terceira visão, seu cunhado dirigiu inesperadamente até à porta da casa do pai dela e se ofereceu para levá-la a Poland. Ela conduziu ali uma reunião em que relatou a visão. Hazen Foss (ver p. 145), em desespero, não pôde ser convencido a comparecer ao culto, mas ouviu-a contar sua visão pelo lado de fora, com o ouvido encostado na porta. Ele disse: “A visão que ela está relatando é tão parecida com o que me foi mostrado, como se duas pessoas descrevessem a mesma coisa”. Na manhã seguinte, ele inesperadamente encontrou Ellen Harmon e a aconselhou a ser “fiel em suportar a responsabilidade e em relatar os testemunhos que o Senhor lhe desse, e que não seria abandonada por Deus”. Para outros, ele declarou: “Esse é o instrumento sobre quem o Senhor colocou esta responsabilidade”. Ele certamente deveria saber o que falava, pois havia visto tal pessoa na visão em que lhe foi dito que a responsabilidade fora “retirada” dele.

GMA 173.2Na época, a obra de Ellen Harmon era ir de um lugar para outro nos Estados da Nova Inglaterra, relatando o que lhe havia sido mostrado. Em alguns casos, era-lhe dito, em visão, para onde devia ir, e também quais dificuldades iria encontrar. Suas mensagens correspondiam principalmente a repreensões àqueles que estavam aderindo à doutrina do advento espiritual de Cristo, e encorajamentos para que todos se apegassem à experiência do passado.

GMA 173.3Ela diz acerca de sua experiência:

GMA 173.4Alguns se abstiveram totalmente de trabalho, e excluíram todos que não recebessem a opinião deles sobre esse ponto. […] Deus revelou-me esses erros em visão, e enviou-me aos Seus filhos errantes para lhos declarar; mas muitos deles rejeitavam a mensagem totalmente, e me acusavam de conformidade com o mundo. Por outro lado, os adventistas nominais me acusavam de fanatismo, e eu fui falsamente representada, e, por alguns, até perversamente representada, como sendo líder do fanatismo, ao qual, em realidade, eu estava trabalhando para extinguir (Primeiros Escritos, p. 72).

GMA 174.1Veremos mais a esse respeito no próximo capítulo.

Notes

  1. Para uma compreensão completa do testemunho da Bíblia acerca da perpetuidade dos dons espirituais e de sua manifestação na igreja remanescente, ver Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor: o ministério profético de Ellen White (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2001). ↩

Nota

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