Capítulo 5 — A Mensagem do Segundo Advento
GMA 71.1“Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as Minhas palavras não passarão” (Mateus 24:32-35).
GMA 71.2Nesta passagem, nossa atenção é dirigida ao tempo em que nos é possível saber que a vinda de Cristo está “às portas” com a mesma segurança que sabemos estar próximo o verão ao vermos as primeiras tenras folhas nascendo nas árvores. Também podemos saber que é nascida a geração que não passará do palco de ação até que o próprio Cristo venha. Ao chegar o momento de aprender a parábola, podemos estar certos de que é chegado o tempo em que Deus vai levantar mestres para ensiná-la. A indagação do apóstolo, pronunciada em outra ocasião, é igualmente aplicável aqui: “E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10:14-15).
GMA 71O tempo dos sinais
GMA 71.3No capítulo anterior, vimos como foi descoberta a data para o término do período de 2.300 dias. Vimos também que esses dias se estenderiam até a “hora do Seu juízo”. No trecho bíblico aqui apresentado, somos transportados ao tempo determinado por Deus no qual essa parábola, bem como a mensagem do “juízo”, deveriam ser proclamadas ao mundo. Após falar da grande “tribulação” que viria sobre Seu povo — e que seria “abreviada” —, o Salvador declarou:
GMA 71.4Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem (Mateus 24:29-30).
GMA 72.1Devemos observar que não é dito aqui que o último sinal mencionado é um sinal de Sua vinda, mas um sinal de que o Filho do homem está ali, de que Ele é visto chegando. Os eventos que o texto menciona, sobre os quais devemos basear a fé de que Sua vinda está próxima, são os sinais no sol, na lua e nas estrelas. Os outros eventos que se seguem acontecem em conexão com Sua própria vinda nas nuvens do Céu. Imediatamente após o terceiro daqueles sinais — o das estrelas —, vem o tempo em que Deus suscitará mestres para ensinar que a vinda de Cristo está às portas.
GMA 72.2Mas quando esses sinais deveriam ocorrer? A Bíblia declara que o sol deveria escurecer imediatamente após a tribulação (Mateus 24:29). Como Marcos registra, seria “naqueles dias, após a referida tribulação” (Marcos 13:24). Nosso Salvador havia dito que os dias seriam abreviados. Mediante o decreto de Maria Teresa, e os Atos de Tolerância desde 1773 a 1776, a perseguição contra o povo de Deus foi encurtada. Embora o poder perseguidor tenha mantido o controle do braço civil até 1798, suas perseguições se encerraram por volta de 1773. Ao compararmos essas declarações do Salvador, verificamos que o cumprimento do primeiro desses sinais ocorreria entre 1773 e 1798.
GMA 72O dia e a noite escuros
GMA 72.3Em 19 de maio de 1780, o sol escureceu de maneira sobrenatural. Não houve eclipse, pois na noite anterior a lua estava cheia. Não obstante, houve escuridão por todo o nordeste dos Estados Unidos das 11 horas da manhã às 11 horas da noite. Na ocasião, não apenas o sol escureceu, mas a lua recusou-se a refletir a luz do sol. Foi uma escuridão que impediu o sol de brilhar sobre a lua. Como expressou Noah Webster muitos anos depois: “Nenhuma explicação satisfatória foi apresentada para essa escuridão”.
GMA 72.4 O astrônomo Herschel declarou o seguinte a respeito desse dia escuro:
GMA 72.5O Dia Escuro na América do Norte foi um desses maravilhosos fenômenos da natureza, sobre o qual sempre se lerá com interesse, mas que a filosofia não consegue explicar.
GMA 72.6Os que descreveram a escuridão da noite de 19 de maio de 1780 disseram que, apesar de haver lua cheia, “se todos os corpos luminosos do universo tivessem sido removidos, a escuridão não teria sido mais completa”.
GMA 73A queda das estrelas
GMA 73.1O terceiro desses sinais, a queda das estrelas, se cumpriu no dia 13 de novembro de 1833. Naquela noite, ou melhor, cinco horas antes do amanhecer, houve uma chuva de meteoros que alguns compararam a fluxos de fogo descendo do céu. Outros a compararam a centelhas saindo de grandes fogos de artifício. Esse fenômeno atingiu toda a América do Norte, desde o Golfo do México, ao sul, até a Baía de Hudson, ao norte; das ilhas Sanduíche, a oeste, até a algumas centenas de quilômetros de Liverpool, ao leste. De onde quer que se olhasse, era visto como um contínuo aguaceiro de estrelas que caíam tão densas quanto flocos de neve numa tempestade.
GMA 73.2Acerca da chuva de estrelas ocorrida em 1833, citamos também o seguinte, do Connecticut Observer de 25 de novembro de 1833:
GMA 73.3O editor do Old Countryman considera a questão das “estrelas cadentes” como algo muito sério. Ele assim afirma: “Declaramos que a chuva de fogo, que vimos na manhã da última quarta-feira, é um símbolo terrível, um fiel precursor, um sinal misericordioso do grande e terrível dia que os habitantes da Terra hão de presenciar, quando for aberto o sexto selo. O tempo é chegado, descrito não somente no Novo Testamento, mas também no Antigo Testamento; e seria impossível contemplar um quadro mais preciso de uma figueira lançando seus frutos, quando movida por um forte vento”.
GMA 73A predição de Thomas Burnett
GMA 73.4O povo havia sido ensinado por seus ancestrais a buscar um cumprimento literal desse sinal. Thomas Burnett, em sua “Teoria da Terra”, publicada em Londres no ano de 1697, fez o seguinte comentário a respeito de Mateus 24:29:
GMA 73.5Naquele dia, haverá, com absoluta certeza, toda sorte de meteoros fumegantes; e, entre outros, as chamadas estrelas cadentes que, embora insignificantes quando consideradas isoladamente, se caíssem em grande número, como diz o profeta, como as folhas da videira ou os frutos da figueira, produziriam uma visão assombrosa. […] Não devemos considerar essas coisas como tendências exageradas ou poéticas, mas como profecias sem disfarce, e coisas que realmente acontecerão.
GMA 73O testemunho do professor Olmstead
GMA 73.6O professor Olmstead, do Colégio Yale (Massachusetts), que foi chamado “O maior meteorologista da América”, fez a seguinte declaração a respeito da queda das estrelas de 13 de novembro de 1833: A extensão da chuva de 1833 foi tão grande que atingiu uma parte considerável da superfície da Terra, desde o meio do Atlântico, ao leste, até o Pacífico, ao oeste; e da costa norte da América do Sul até regiões indefinidas entre os territórios Britânicos, ao norte. A exibição das estrelas cadentes não foi apenas visível, mas apresentou a mesma aparência em todos os lugares.
GMA 74.1Esse professor declara o seguinte a respeito dessa exibição, que começou por volta das 11 horas da noite do dia 12 de novembro e continuou até cerca de 4 horas da manhã do dia 13:
GMA 74.2Os que tiveram a sorte de testemunhar a exibição das estrelas cadentes, na manhã de 13 de novembro de 1833, provavelmente viram a maior exibição de fogos celestes registrada desde a criação do mundo, ou pelo menos entre os anais cobertos pelas páginas da história.
GMA 74A chuva de estrelas também é vista na Europa
GMA 74.3Em um livro publicado em 1835 por Leonard Heinrich Kelber [Das Ende kommt], em Stuttgart, Alemanha, descobrimos que esse sinal foi repetido no lado europeu do Atlântico, no mesmo mês, porém alguns dias depois. Ele diz:
GMA 74.4Em 25 de Novembro de 1833, houve uma agradável exibição de estrelas cadentes no continente europeu. […] Em Minsterburg [na Silésia], as estrelas caíram como uma chuva de fogo. Elas foram acompanhadas de bolas de fogo, tornando a noite tão clara que as pessoas pensaram que suas casas vizinhas estivessem em chamas.
GMA 74.5Ao mesmo tempo, em Prin (Áustria), houve uma queda de estrelas que atingiu mais de 1300 quilômetros quadrados. Esse acontecimento foi descrito por alguns como torrentes de fogo descendo do céu. Alguns o chamaram de chuva de fogo. Os cavalos se assustaram com ela e caíram ao chão. Muitas pessoas adoeceram de medo.
GMA 74Aplicação da parábola
GMA 74.6Ao prosseguir na descrição profética, após o cumprimento do terceiro sinal (a queda das estrelas), nosso Salvador ordena: “Aprendei, pois a parábola da figueira”. Essa linguagem não se aplica à geração que vivia quando essas palavras foram pronunciadas, mas à geração que veria esses acontecimentos, não enquanto estivessem ainda se cumprindo, mas já cumpridos. Os eventos que anunciarão a proximidade da volta de Cristo não incluem o abalo dos céus, que ocorrerá quando Ele realmente for visto em Seu retorno. Os sinais de que Ele está próximo incluem este terceiro sinal, o das estrelas. O tempo determinado pelo Senhor para que o povo aprenda a lição da parábola da figueira se inicia, portanto, depois de 1833. Este é o tempo no qual o Senhor determinou que o mundo fosse desperto para a grande verdade de que Sua vinda está às portas. Este é também o tempo cuja geração, que ouviu essa parábola de Cristo, não passaria. Podemos perceber, portanto, como esta profecia demarca o momento em que a grande proclamação do advento deveria ser dada ao mundo.
GMA 75Uma proclamação mundial
GMA 75.1Em cumprimento dessa predição, percebemos que, naquele momento e naquele lugar (1833), o Senhor levantava Seus mensageiros e ministros em várias partes do mundo. Esses arautos proclamaram, de 1833 a 1834, que a vinda de Cristo estava próxima, “mesmo às portas”. Ensinaram a parábola da figueira, apontando para os sinais de Sua vinda, como Cristo os havia instruído a fazer. Essa mensagem, pelo ensino pessoal ou pela página impressa, chegou a todas as estações missionárias no mundo e a todos os portos da Terra.
GMA 75.2O alcance da mensagem foi descrito de forma precisa pelo editor da Voz da Verdade, de Rochester (Nova Iorque), em uma edição de Janeiro de 1845:
GMA 75.3O evangelho eterno, conforme descrito em Apocalipse 14:6-7, tem sido pregado a toda nação, tribo, língua e povo, dizendo em grande voz: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:7). Não há caso que possa ser mais comprovado com fatos do que este: de que esta mensagem foi levada a toda nação e língua debaixo do céu nos últimos poucos anos, por meio da pregação da vinda de Cristo para o ano de 1843 (1843 no calendário judaico; 1844 no nosso calendário), ou para um futuro muito breve. Através de palestras e publicações, o clamor foi ouvido por todo o mundo, e as palavras chegaram até aos confins da Terra.
GMA 75.4Algumas pessoas, desatualizadas quanto aos acontecimentos, consideram que o movimento do segundo advento ficou limitado a certa área geográfica, supondo que a obra fosse algo ligado a Guilherme Miller e a algumas centenas de ministros com ele associados na porção Norte dos Estados Unidos. Pode ser uma surpresa, para tais pessoas, descobrir que o movimento na América, onde Miller e Himes foram líderes proeminentes, representou apenas uma pequena porção de um grande movimento que, como mencionado acima, chegou “aos confins da Terra”.
GMA 76Início do movimento em vários países
GMA 76.1Chegou o tempo determinado pelo Senhor para que essa proclamação fosse levada ao mundo todo. Em mais de 12 diferentes partes da Terra, de forma quase simultânea, homens foram levantados, sem conhecimento da obra um do outro, e saíram para ecoar essa mensagem por todas as partes da Terra. As pessoas mencionadas no capítulo 4, que haviam recebido luz quanto ao término dos 2.300 dias, com exceção de A. Campbell, foram movidas a se empenhar na proclamação da mensagem do primeiro anjo de Apocalipse 14. Isso também se deu pela atuação direta do Espírito de Deus, e não por transmitirem a luz entre si.
GMA 76Comparado à Reforma
GMA 76.2Se aplicarmos a esse movimento a mesma regra que D’Aubigné aplicou à grande Reforma do século 16, ele certamente será classificado como a mensagem de Deus, no tempo de Deus. O historiador declara o seguinte sobre a Reforma como um todo:
GMA 76.3A Alemanha não comunicou a verdade à Suíça, ou a Suíça à França, ou a França à Inglaterra. Todos esses países a receberam de Deus, do mesmo modo que uma parte do mundo não transmite luz a outra parte; mas o mesmo sol é que a comunica, de forma direta, a toda a Terra. Cristo, o Sol nascente das alturas [Lucas 1:78], infinitamente exaltado acima de toda a humanidade, foi, no período da Reforma, assim como no estabelecimento do cristianismo, o divino fogo que deu vida ao mundo. No século 16, uma mesma doutrina foi logo estabelecida nos lares e igrejas as mais distantes e em diversas nações. A razão é que o mesmo Espírito estava trabalhando por toda parte, produzindo a mesma fé.
GMA 76.4A Reforma da Alemanha e da Suíça demonstram esta verdade. Zuínglio não teve qualquer comunicação com Lutero. Havia, sem dúvida, um elo entre esses dois homens, mas precisamos buscá-lo acima da Terra. Aquele que, do Céu, concedeu a verdade a Lutero, também a revelou a Zuínglio. Deus foi o meio de comunicação entre eles. “Comecei a pregar o evangelho”, diz Zuínglio, “no ano do Senhor de 1516; em outras palavras, num tempo em que o nome de Lutero jamais se havia ouvido em nosso país. Não aprendi a doutrina de Cristo por meio de Lutero, mas sim da Palavra de Deus. Se Lutero prega a Cristo, ele faz o que eu faço; isso é tudo” [History of the Reformation, Livro 8, cap. 1, par. 2, 3].
GMA 77.1Referindo-se ao trabalho de Farel e Lefèvre, na França, o historiador declara:
GMA 77.2A Reforma na França, portanto, não foi uma importação estrangeira. Teve seu nascimento em solo francês. Ela germinou em Paris. Suas primeiras raízes brotaram na própria universidade, que constituía o segundo poder na cristandade romana. Deus colocou os princípios dessa obra nos corações honestos de homens da região de Picardia e Delfinado antes que ela tivesse início em qualquer outro país.
GMA 77.3Vimos que a Reforma suíça foi independente da Reforma alemã. A Reforma francesa, por sua vez, foi independente de ambas. O trabalho começou de forma simultânea nesses diversos países, sem nenhuma comunicação entre si. Assim como, numa batalha, todas as diferentes tropas que compõem o exército se movem ao mesmo tempo sem que uma tenha de dizer à outra para marchar, pois uma mesma ordem, vinda do comandante-chefe, é ouvida por todos. O tempo estava cumprido, o povo estava preparado, e Deus iniciou a Reforma de Sua igreja em todos os países simultaneamente. Tais fatos demonstram que a grande Reforma do século 16 foi uma obra divina [Ibid., Livro 12, cap. 3, par. x].
GMA 77.4D’Aubigné faz ainda a seguinte declaração sobre a Reforma na Inglaterra, encabeçada por Thomas Bilney, Fryth, Tyndale e outros:
GMA 77.5A Reforma na Inglaterra começou, portanto, independentemente de Lutero e Zuínglio, dependendo unicamente de Deus. Em todos estes países da cristandade, houve uma ação simultânea da palavra divina. A origem da Reforma em Oxford, Cambridge e Londres foi o Novo Testamento Grego publicado por Erasmo [Tyndale e Thomas Bilney retiraram-se de Cambridge em 1519]. Houve um tempo em que a Inglaterra se orgulhava dessa elevada origem da Reforma [History of the Reformation, Livro 18, cap. 2, par. 12].
GMA 77.6A proclamação do advento iniciou-se de maneira semelhante à da Reforma, como descrita acima. Homens foram movidos simultaneamente, porém em número de localidades na Terra superior a quatro vezes os locais da Reforma. Tal fato ocorreu sem conhecimento ou qualquer comunicação de sentimentos entre si. Os reformadores começaram a proclamar as mesmas verdades das Escrituras, não apenas em quatro países do mundo, mas em todo o mundo civilizado.
GMA 77O trabalho de Joseph Wolff
GMA 77.7Nesse ponto, é interessante chamar a atenção do leitor aos fatos relativos à extensão da proclamação do advento: Em 1831, Joseph Wolff, D.D., foi enviado da Grã-Bretanha como missionário para trabalhar entre os judeus da Palestina. De acordo com seu diário, até o ano de 1845, proclamou a iminente vinda do Senhor nas regiões da Palestina, no Egito, nas praias do Mar Vermelho, na Mesopotâmia, na Criméia, na Pérsia, na Geórgia, por todo o Império Otomano, na Grécia, na Arábia, na Turquia, em Bucara, no Afeganistão, na Caxemira, no Hindustão, no Tibete, na Holanda, na Escócia, na Irlanda, em Constantinopla, em Jerusalém, em Santa Helena, a bordo de navio no Mediterrâneo, e na cidade de Nova Iorque, a todas as denominações. Declara haver pregado entre judeus, turcos, muçulmanos, persas, hindus, caldeus, sírios, sabeus, xeiques paxá, xás, aos reis de Organtsh [Khiva] e de Bucara [Uzbequistão], à rainha da Grécia, etc. [Voice of the Church, p. 343].
GMA 78.1No Iêmen, região habitada pelos descendentes de Hobabe, sogro de Moisés, Joseph Wolff viu um livro, a respeito do qual declara:
GMA 78.2Os árabes deste local têm um livro chamado Seera, que trata da “Segunda vinda de Cristo, e Seu reino em glória” [Wolff’s Mission to Bokhara].
GMA 78.3Nesse país, ele passou seis dias com os recabitas, dos quais afirma:
GMA 78.4Eles não bebem vinho, não plantam vinhas, não semeiam, vivem em tendas, e lembram das palavras de Jonadabe filho de Recabe. Com eles, estavam alguns dos filhos de Israel, da tribo de Dã, que residem perto de Terim em Hadramaute, que esperam, assim como os filhos de Recabe, a breve chegada do Messias nas nuvens do Céu.
GMA 78.5Na descrição acima podemos perceber que, nesses 14 anos, o próprio Wolff havia proclamado que a vinda de Cristo estava às portas em mais de 20 países diferentes. Durante o mesmo período, a doutrina era extensivamente agitada na Alemanha, especialmente no sul, entre os morávios.
GMA 78A mensagem na Alemanha e na Rússia
GMA 78.6Um escritor inglês, Mourant Brock, nos informa que “em Württemberg, havia um agrupamento de cristãos, contado em centenas, que esperava o breve advento de Cristo”. A doutrina foi proclamada em outras partes da Alemanha, por Hengstenberg, considerado naquela época como o mais talentoso teólogo na Alemanha.
GMA 78.7Na Review and Herald de 13 de Dezembro de 1892, o irmão L. R. Conradi, da Alemanha, afirma:
GMA 78.8Bengel, na Alemanha, acendeu em muitos corações o amor pelo aparecimento de nosso Senhor, o que levou milhares a estudar a palavra profética como nunca dantes. […] A luz brilhou na Alemanha, e lá circularam várias publicações explicando os 2.300 dias. Um despertamento religioso foi desencadeado, especialmente em Württemberg. Como se despertou a perseguição, centenas de famílias foram para o sul da Rússia, e lá espalharam essa luz entre seus próprios conterrâneos, que haviam mudado para lá havia muitos anos. À medida que os pastores fechavam suas igrejas, a grande maioria deles mantinha suas “stunden”, ou “hora” de reunião, em casas particulares, e centenas de pessoas eram convertidas. Mesmo naquela época o sábado era discutido entre eles, mas por ninguém tomar a dianteira, ele foi abafado. Um fazendeiro russo foi convertido no “stunden”, começando o mesmo trabalho entre os russos. Isso resultou, finalmente, no grande movimento atual “Stundist”, cuja influência alcança os lugares mais longínquos da Sibéria e do Trans-Cáucaso.
GMA 79.1Na Review and Herald de 31 de Julho de 1891, encontramos uma declaração do irmão Conradi sobre o irmão Schache, da Austrália, que, no momento ao qual se refere, morava na Silésia e trabalhava parte do tempo na missão doméstica do Padre Gosner, notável evangelista alemão. Ele faz a seguinte declaração a respeito do livro de Kelber:
GMA 79.2Depois de 1836, ou quando o cálculo de Bengel expirou, foi encontrada, no jornal do condado de Schweidnitz, uma observação referente a um livro de L. Heinrich Kelber, vinda da livraria do Sr. Sommerfeldt, sobre os grandiosos e alegres eventos que teriam lugar nos anos de 1843 e 1844. Eu não lembro o título exato do livro. Procuramos o dito livro, e o lemos com muitas pessoas interessadas, a portas trancadas, no ano de 1839-1840. O livro mostrava, com base em Daniel, no Apocalipse e em Mateus 24, que o fim estava bem próximo, e continha também uma tabela de cálculo, mostrando como se chegara à conclusão acima.
GMA 79A mensagem na Grã-Bretanha
GMA 79.3Em uma publicação inglesa intitulada O Milênio, declara-se que “700 ministros da Igreja da Inglaterra estavam proclamando o retorno do Redentor”. Entre os que proclamavam a doutrina do advento na Inglaterra, de 1840 a 1844, estavam alguns dos mais talentosos ministros daquele tempo. Desses, mencionamos os nomes de Bickersteth, Birks, Brooks, Brock, Habershon, Plyn, Fremantle, Nathan Lord, McNeil, Winters, Cummings, J. A. McCaul, D.D., Dr. Nisbett, Rev. A. Dallas, M.A. [em seu livro Olhe para Jerusalém, p. 114, ele aplica a parábola de Mateus 24 a esta geração), Burgess, Routon, Gunner, Barker, Bonham, Dealtry, etc.
GMA 80A mensagem na Holanda
GMA 80.1A doutrina do segundo advento foi proclamada na Holanda por Hentzepeter, considerado, naquele tempo, o mais talentoso ministro no país. Era zelador do Museu Real, no Hague, indicado pelo rei. Numa carta escrita ao editor do Midnight Cry, em Junho de 1844, ele declara que sua atenção foi chamada ao assunto por um sonho muito impressionante. Investigou as Escrituras, e, no ano de 1830, publicou um panfleto demonstrando a doutrina. Em 1841, Hentzepeter publicou outro panfleto sobre o fim do mundo. Na mesma carta, ele declara que foi em 1842, ao conversar com um senhor que viera da América para a Holanda, que recebeu a primeira informação sobre Guilherme Miller e outros que publicamente anunciavam a doutrina do breve retorno de Cristo.
GMA 80A mensagem na Tartária
GMA 80.2Desde 1821, a doutrina da vinda do Senhor já estava sendo crida e anunciada na Tartária. Nessa época, um missionário Irlandês foi enviado a esse país, e um sacerdote Tártaro perguntou-lhe o seguinte: “Quando Cristo virá pela segunda vez?” Ele respondeu que nada sabia a esse respeito. O sacerdote expressou grande surpresa ao ouvir tal resposta de um missionário que supostamente deveria lhes ensinar as doutrinas bíblicas. Mencionou que achava ser possível a “todos que tivessem uma Bíblia, conhecer o assunto”. Então o sacerdote apresentou seu ponto de vista, declarando crer que Cristo viria por volta de 1844. Esse fato é relatado na Revista Irlandesa de 1821.
GMA 80A mensagem na América, na Índia e no Continente Europeu
GMA 80.3No vol. 2, p. 135 do Advent Tracts de 1844, Mourant Brock, da Inglaterra, diz:
GMA 80.4Não é somente na Grã-Bretanha que a expectativa do breve retorno do Redentor tem sido acariciada, e a voz de advertência ouvida, mas também na América, na Índia e no continente Europeu. Na América, cerca de 300 ministros da palavra pregam “este evangelho do reino”, ao passo que, em nosso país, cerca de 700 pessoas da Igreja da Inglaterra fazem ecoar o mesmo clamor.
GMA 81A todos os portos marítimos da Terra
GMA 81.1E. R. Pinney, de Seneca Falls (Nova Iorque), consagrado ministro batista que dedicou sua vida à proclamação da doutrina do advento, em sua obra Exposição de Mateus 24, p. 8 e 9, afirma:
GMA 81.2Desde 1842, publicações sobre o segundo advento haviam sido enviadas a todas as estações missionárias na Europa, Ásia, África e América, a ambos os lados das Montanhas Rochosas. […] Os comandantes de nossas embarcações e os marinheiros relatam que não há porto em que cheguem onde esta proclamação não os tenha precedido, e frequentes inquéritos a esse respeito são feitos por eles.
GMA 81Três mil proclamam a mensagem
GMA 81.3O pastor G. W. Mitchel, de Zanesville, Ohio, outro ministro que pessoalmente anunciou essa doutrina, contou-me, em Newark, Ohio, no dia 8 de agosto de 1894, que, numa conversa em McConnellsville, Ohio, em setembro de 1844, Guilherme Miller lhe disse ter os
GMA 81.4nomes e endereços de 3 mil ministros, em várias partes do globo, que estavam proclamando: “Temei a Deus e dai-Lhe glória; pois é chegada a hora do Seu juízo” (Apoc.14:7), sendo que a maior parte deles encontra-se na América do Norte e na Grã-Bretanha.
GMA 81.5Guilherme Miller, ao descrever o vasto crescimento deste “clamor”, disse:
GMA 81.6Um ou dois, em cada canto do globo, têm proclamado as novas, e todos concordam quanto ao tempo — Wolf (Ásia), Irving (Inglaterra), Mason (Escócia); Davis (Carolina do Sul); e, em nossa região, um número considerável está, ou tem estado a proclamar a mensagem [William Miller’s Lectures, p. 238, 1843].
GMA 81A Voz de Elias, disseminada por Hutchinson
GMA 81.7O irmão R. Hutchinson, em 1837, foi enviado da Inglaterra ao Canadá como missionário Wesleyano, e se estabeleceu afinal em Montreal. Tinha vasto conhecimento sobre os países estrangeiros. Nos anos de 1843 e 1844, publicou um periódico chamado a Voz de Elias, no qual tratava da doutrina do advento. Com pronto acesso a navios que viajavam para outros países, tendo o privilégio de enviar grande quantidade de seus jornais sem o custo da postagem, distribuiu-os, em grande quantidade, por todas as partes da Terra. Relata que os enviava liberalmente à Nova Escócia, Nova Brunsvique, Terra Nova, Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, França, Alemanha, Constantinopla, Roma, e a todas as partes do reino Britânico e suas colônias.
GMA 82Nas Ilhas Sandwich
GMA 82.1No Midnight Cry de 12 de Outubro de 1843, havia uma carta da Sra. O. S. Burnham, de Kaloa, Ilha de Kaui, Ilhas Sandwich. Ela e seu esposo eram professores numa das escolas daquele local. Eles aceitaram a doutrina do advento, e passaram a proclamá-la na região, e, nas ilhas, um grupo de crentes estava adorando juntamente com eles.
GMA 82A mensagem é comparada à de João Batista
GMA 82.2Assim, vemos que a doutrina do advento foi proclamada com tal amplitude que veio a cumprir o que as Escrituras haviam predito.
GMA 82.3O profeta Isaías apresenta a mensagem que deveria anunciar o primeiro advento de Cristo:
GMA 82.4Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse (Isaías 40:3-5).
GMA 82.5Essa profecia foi cumprida na obra de “João Batista [que pregava] no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus” (Mateus 3:1-2).
GMA 82.6Esse homem, sozinho, em seis meses de trabalho no país da Judéia, cumpriu essa maravilhosa predição. Embora essa profecia limitasse o trabalho de João a um determinado tempo e lugar, não é este o caso com as profecias relacionadas à proclamação do segundo advento, pois o trabalho deveria ser feito com um “alto clamor”, abrangendo o mundo inteiro.
GMA 82.7Baseados nos fatos apresentados, podemos perceber que a profecia acerca da mensagem do advento foi cumprida de forma precisa. Havia chegado o tempo determinado por Deus para que a parábola da figueira fosse ensinada, e a mensagem do primeiro anjo anunciada pela primeira vez. Para esse propósito Ele levantou mensageiros para anunciar o clamor a todas as nações, povos, e línguas.