Capítulo 11 — A Mensagem do Segundo Anjo
GMA 137.1“E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu! Caiu Babilônia, aquela grande cidade que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição!” (Apocalipse 14:8, ARC).
GMA 137.2“Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos” (Lucas 14:21).
GMA 137.3O Senhor, por intermédio de Seus ministros, sacudiu o mundo com a mensagem: “É chegada a hora do Seu juízo”. Nessa mensagem, todo o Seu professo povo poderia ter se unido, se assim desejassem. Constituiu o primeiro chamado para a “ceia” do casamento feito “aos convidados” (Lucas 14:17). Como foi recusado, mediante várias desculpas, um segundo chamado foi feito, que correspondeu à mensagem do segundo anjo (Lucas 14:21, Apocalipse 14:8). Mediante esse apelo, o Senhor separou um povo para avançar até o fim dos tempos com a crescente luz da verdade.
GMA 137O segundo chamado para a ceia das bodas
GMA 137.4A segunda mensagem — que se seguiu à proclamação acerca da hora do juízo — diz: “Caiu! Caiu Babilônia, aquela grande cidade que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição”. E o segundo chamado para a ceia, diz: “Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos”. Em cada uma dessas passagens, o professo povo do Senhor é chamado de “cidade”. Por suas crenças conflitantes e confusas, são chamados de “Babilônia”. Em outra passagem, referente aos últimos dias, vemos que, pouco antes da vinda do Senhor, Seu povo é chamado a sair de “Babilônia”:
GMA 137.5Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível. […] Sai dela, povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas (Apocalipse 18:2-4, ARC).
GMA 138“Lembra-te do que tens ouvido”
GMA 138.1Na carta à igreja de Sardes, lemos:
GMA 138.2Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti (Apocalipse 3:3; para uma exposição completa das sete igrejas, consulte Thoughts on Daniel and the Revelation [Considerações sobre Daniel e Apocalipse], de Uriah Smith).
GMA 138.3A igreja de Sardes parece ter surgido em decorrência da Reforma protestante, após a Era Escura da obra de “Jezabel”, a igreja apóstata. Foi dito à igreja de Sardes que ela havia sido uma igreja viva; porém, depois de ter ouvido e rejeitado a doutrina da vinda do Senhor, colocou-se sob o risco de ser surpreendida por esse evento como por um “ladrão à noite”. O apóstolo Paulo, em 1 Tessalonicenses 5:1-5, declara que essa será a condição daqueles que clamam “Paz e segurança” ao se aproximar a vinda do Senhor. Os que seguem a luz da verdade são chamados “filhos do dia”; para eles, o Senhor não virá como um ladrão.
GMA 138.4Na descrição profética das sete igrejas, vemos que a queda da igreja de Sardes é imediatamente seguida por Filadélfia — como indicado em seu nome, a igreja do amor fraterno. Tais eram, de fato, os 50 mil fiéis que, pela mensagem do segundo anjo, foram congregados das várias igrejas e unidos, num vínculo de amor fraterno, sobre a grandiosa verdade da iminente vinda de Cristo.
GMA 138Como a segunda mensagem foi proclamada
GMA 138.5O Midnight Cry de 12 de setembro de 1844 contém uma afirmação feita pelo irmão J. V. Himes a respeito da mensagem do segundo anjo e das circunstâncias que levaram à sua proclamação. A carta, escrita em McConnellsville, Ohio, é datada de 29 de agosto de 1844. Ele diz:
GMA 138.6Quando iniciamos a obra com o irmão Miller, em 1840, já fazia nove anos que ele estava pregando, tendo permanecido quase sozinho. No entanto, esforçara-se contínua e eficazmente a fim de despertar os professos cristãos para a verdadeira esperança do povo de Deus e para a preparação necessária para a vinda do Senhor. Seu alvo era também despertar todas as classes de não conversos para que pudessem perceber sua condição perdida e a necessidade imediata de arrependimento e conversão a Deus como preparo para encontrar o Noivo em paz na Sua vinda. Tais foram os grandiosos objetivos de sua obra. Seus esforços não se concentraram, de forma alguma, em converter pessoas para se unirem a determinada denominação ou grupo religioso.
GMA 139.1Quando fomos convencidos da verdade quanto à proximidade do advento, e, publicamente, abraçamos a doutrina, tínhamos uma mesma crença e procedemos de uma só maneira em meio às variadas denominações onde, na providência de Deus, fomos chamados a trabalhar. Informamos os ministros e igrejas de que não era nosso dever separá-las, dividi-las ou confundi-las. Tínhamos um claro objetivo: “clamar” e anunciar que o juízo estava “às portas”, e convencer as pessoas a se preparar para esse evento. […] Os ministros e membros que se beneficiaram de nossa obra, sem, contudo, terem abraçado a doutrina com sinceridade, perceberam que, ou avançavam com a doutrina, pregando-a e sustentando-a, ou teriam problemas com os membros decididos e determinados na crise que se aproximava. Portanto, tomaram a decisão de opor-se à doutrina, tomando a resolução de abafar o assunto de um modo ou de outro. Como resultado, nossos irmãos e irmãs, que entre eles estavam, foram postos numa posição muito probante. A maioria deles amava sua igreja e mal podia pensar em deixá-la. Contudo, após sofrerem o ridículo, a opressão e a privação de seus antigos privilégios e alegrias, e confortados com o sustento a seu tempo que lhes era dado semanalmente, conseguiram rapidamente romper com suas preferências eclesiásticas, e levantaram-se na majestade de sua força, sacudiram o jugo e soaram o clamor: “Sai dela, povo Meu”.
GMA 139Uma probante posição
GMA 139.2Essa situação nos colocou numa probante posição. As razões são as seguintes: (1) estávamos bem no fim do tempo profético, em que supúnhamos que o Senhor reuniria todo o Seu povo em um só corpo; e (2) sempre havíamos pregado uma doutrina diferente. E agora que as circunstâncias haviam mudado, seria considerado desonestidade de nossa parte se nos uníssemos no clamor de separação e ruptura de igrejas que haviam recebido tanto a nós como a nossa mensagem. Assim, hesitamos e permanecemos agindo segundo nosso primeiro proceder, até que a igreja e os ministros levaram o assunto tão longe que fomos obrigados, no temor de Deus, a tomar uma posição de defesa da verdade e dos filhos de Deus que estavam sendo pisoteados.
GMA 139Procedemos segundo o exemplo dos apóstolos
GMA 139.3“Durante três meses, Paulo frequentou a sinagoga, onde falava ousadamente, dissertando e persuadindo com respeito ao reino de Deus. Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano” (Atos 19:8, 9). Unicamente depois que “alguns deles se mostraram empedernidos”, “falando mal do Caminho [a vinda do Senhor] perante a multidão” é que nossos irmãos foram persuadidos a sair e separar-se das igrejas. Não podiam tolerar esse “falar mal” praticado pelos “servos maus”; e as igrejas que se atreviam a fazer uso de opressão e “maledicência” para com os que buscavam a “bendita esperança” eram consideradas por eles nada menos do que as filhas da mística Babilônia. Declararam-nas assim e, então, entraram na liberdade do evangelho. Embora não tenhamos, talvez, entre nós um consenso geral sobre o que constitui Babilônia, estamos de acordo quanto à necessidade de separar-nos imediata e definitivamente de todos que se opõem à doutrina da iminente vinda e reino de Deus. Julgamos ser este um caso de vida ou morte. Permanecermos conectados com entidades que falam de maneira negligente, ou que se opõem à vinda do Senhor, significaria morte. O fato de deixarmos todas as tradições humanas, colocarmos nosso apoio sobre a Palavra de Deus e esperarmos diariamente pelo aparecimento do Senhor significa vida. Portanto, nosso desejo agora é dizer a todos que estão de alguma forma enredados no jugo da escravidão: “Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor, e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei, e serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Coríntios 6:17, 18).
GMA 140Oposição inexplicável
GMA 140.1Guilherme Miller assim descreve o conflito que, na época, existia entre as igrejas e os adventistas:
GMA 140.2É antinatural e inexplicável que as igrejas cristãs excluam essa doutrina e seus membros devido a esta bendita esperança. Sei que algumas das igrejas batistas afirmam não tê-los excluído por sua fé, mas por terem se reunido com crentes adventistas. Portanto, se não foi pela fé deles num Salvador vindouro, por que então sou excluído de seus púlpitos, sem mesmo ter jamais feito parte de qualquer igreja, exceto a Batista? É um falso pretexto. Esse argumento, contudo, não pode ser usado pelos metodistas e presbiterianos, pois eles acreditam numa comunhão mista. Então por que nos excluem? Ouvi que alguns foram excluídos por “cantar” melodias sobre o segundo advento; outros por insanidade, quando toda a insanidade que se demonstrou neles era esperarem por Cristo. Oh Deus, “perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”.
GMA 140Storrs fala sobre a atitude das igrejas
GMA 140.3George Storrs fala da atitude das igrejas para com os adventistas da seguinte maneira:
GMA 140.4Qual delas não está agora dizendo: “Estou assentada como rainha?” E qual delas não está satisfazendo-se com a ideia de que, algum dia, irá conquistar o mundo, e que este há de ser submetido a sua fé? Qual delas permitirá a pacífica permanência, entre elas, de alguém que ousa declarar e confessar sem temor sua fé na proximidade do advento? Por acaso não são essas as condições para permanecer nelas sem ser incomodado? Ou seja: você é obrigado a “se abster totalmente” de expressar publicamente sua fé na vinda do Senhor para este ano ainda, não importa quais sejam suas convicções sobre o assunto, nem o quanto você considere essencial clamar: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo?”
GMA 141O testemunho de Mansfield
GMA 141.1L. D. Mansfield, escrevendo de Oneida, Nova Iorque, em 21 de março de 1844, assim testifica:
GMA 141.2Deus está agindo na mente de Seus queridos filhos que aguardam o Senhor do Céu, guiando-os não somente a atender ao anjo que “tem o evangelho eterno para pregar, dizendo: É chegada a hora do Seu juízo”, mas também a obedecer à ordem subsequente: “Sai dela, povo meu!” Estou mais convencido que nunca de que as organizações religiosas atuais constituem uma grande parte dessa Babilônia que deve ser derrubada com violência, e que nunca será achada. […] Parece-me, contudo, que, em algumas das organizações, a semelhança com o chifre pequeno é mais marcante. Alguns exemplos ilustrarão o assunto.
GMA 141A manifestação do espírito de turba
GMA 141.3Um irmão que havia trabalhado com muito êxito nessa região, proclamando a vinda do Senhor, comprometeu-se a realizar uma palestra em determinado lugar num dado momento. O Senhor guiou as circunstâncias de tal forma que ele se encontrava a 25 quilômetros do local de encontro, pois havia ali um ministro liderando uma multidão com piche e penas com a finalidade de lançá-las sobre esse servo do Deus Altíssimo. Esse mesmo ministro iniciou uma prolongada reunião logo em seguida, mas a reação à mensagem foi tão fria e gélida como as geleiras do norte. Nenhuma alma se despertou ou se converteu. Finalmente o ministro afirmou crer que ele mesmo “deveria responder ao apelo”.
GMA 141.4Um líder de classe nesta aldeia declarou a seus alunos, após o início de nossas reuniões aqui, que, se alguém entrasse em sua casa dizendo crer que Cristo viria este ano, ele o expulsaria de lá.
GMA 141Um dever para com as igrejas
GMA 141.5Neste momento vamos apresentar um testemunho de um discurso à conferência de crentes adventistas reunidos em Boston, Massachussets, datado de 31 de maio de 1844 e assinado por Guilherme Miller, Elon Galusha, N. N. Whiting, Apollos Hale, e J. V. Himes. Eles dizem:
GMA 142.1Podemos também falar um pouco acerca de nosso dever para com as igrejas. O perigo aqui, como em muitos outros casos, parece-nos estar nos extremos. O primeiro tipo de perigo é permitir que a autoridade da igreja, com a qual nos associamos, nos faça calar em tal questão de dever. Não temos nenhuma dúvida de que milhares trouxeram condenação divina sobre si mesmos por cederem às reivindicações não bíblicas de suas igrejas nesse assunto. Se tais pessoas tivessem sido convictas e fiéis, estariam agora numa condição muito mais segura e útil, embora pudessem também ser chamadas a sofrer.
GMA 142.2O segundo tipo de perigo é o de dar lugar a um espírito de vingança contra as igrejas pela injustiça a nós feita, e de travar uma guerra indiscriminada contra todas essas organizações. Se alguém nos perguntasse qual deveria ser o dever dos adventistas com relação às igrejas com as quais possam estar associados, não poderíamos dar nenhuma regra de aplicação genérica. Devem agir no temor de Deus, segundo exigirem as circunstâncias de cada caso.
GMA 142.3Devíamos, porém, estar resolvidos a cumprir nosso dever, testemunhando da verdade em todas as ocasiões adequadas e convenientes. Se ofendermos as igrejas com nosso proceder, e elas ameaçarem nos expulsar, caso não permaneçamos em silêncio, cumpramos nosso dever. Por outro lado, se acharmos por bem nos desligarmos da igreja de forma amigável, talvez esse seja o melhor caminho. No entanto, se formos expulsos, sejamos pacientes em sofrer a injúria, dispostos, com nosso Mestre, a sair para fora da porta e levar Seu opróbrio.
GMA 142.4Nessas referências relacionadas à conduta das igrejas para com os que estavam proclamando a mensagem do segundo anjo, percebe-se facilmente que a primeira consequência de proclamarem este segundo chamado para a “ceia” foi o fato de serem chamados de “aleijados”, “coxos” e “cegos” todos os que foram reunidos num único rebanho espiritual. Vemos aqui uma forte sugestão dos maus tratos que receberam ao serem “castigados” por seus “conservos” de quem se haviam separado.
GMA 142A escolha de um povo distinto para receber novas verdades
GMA 142.5Podemos notar claramente o propósito do Senhor em congregar um povo distinto sob a proclamação da mensagem do segundo anjo — o segundo chamado para a “ceia” — e o “clamor da meia-noite”. Verdades preciosas para os últimos dias precisavam ser descobertas e proclamadas — uma obra tão impossível de ser feita por igrejas “presas a seus credos” como teria sido impossível para a igreja apostólica anunciar o evangelho enquanto estivesse associada com as facções judaicas. Deus fez um chamado para que se separassem naquela época [Atos 13:46] e fez também um chamado aos crentes do advento para se separarem dos que queriam mantê-los presos a seus credos.
GMA 143Os seis sermões de Storrs
GMA 143.1Logo após sair das igrejas, o rebanho adventista recebeu luz sobre o assunto da punição futura, conforme exposto num panfleto de George Storrs intitulado Seis Sermões. Neles, ele tomou a posição de que o homem, por natureza, é mortal, que os mortos permanecem inconscientes durante o intervalo entre a morte e a ressurreição, que a punição final dos ímpios será completa aniquilação, e que a imortalidade é um dom de Deus, a ser recebida unicamente pela fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
GMA 143.2Milhares de adventistas aceitaram essa doutrina da natureza do homem, mas nem todos a aceitaram. Essa rejeição, contudo, não introduziu entre eles qualquer desordem, pois esses pontos eram considerados simplesmente questão de opinião e não um teste de postura moral. Por conseguinte, os esforços conjuntos para alertar o mundo acerca da vinda de Cristo não sofreram ruptura. Entretanto, provocaram a ira das igrejas contra eles.
GMA 143Incapazes de refutar os seis sermões
GMA 143.3O pastor metodista da cidade onde eu vivia, que havia se unido na pregação da doutrina adventista em 1843, após receber e ler o livreto Seis Sermões, admitiu, diante de sua congregação ser incapaz de refutar essa doutrina. Contudo, ao constatar que muitos membros de sua igreja a estavam aceitando, advertiu os outros para não lerem o livro, pois “creriam na doutrina se o lessem”. No mês de setembro de 1844, após o retorno desse pastor da conferência anual, pôs-se diante do púlpito e renunciou publicamente à doutrina do advento, e humildemente pediu perdão à igreja até mesmo por ter convidado palestrantes para pregarem ali.
GMA 143Interrogados por heresia
GMA 143.4Essa ação do ministro foi logo seguida por um esforço em acusar, como hereges, os crentes no advento. Contudo, visto que tiveram a permissão de defenderem sua causa com base na Bíblia, aquela igreja não alcançou nenhuma vitória. Vários foram excluídos dela porque sua conduta não estava em harmonia com suas normas, e muitos outros se retiraram devido a esse caso de exclusão de membros cuja fé não se provou ser contrária às Escrituras. Assim, a doutrina do advento foi para sempre excluída daquela igreja onde centenas haviam encontrado o Salvador e alcançado a felicidade em Deus.
GMA 144.1O que aconteceu em minha cidade natal também foi decretado em centenas de outras igrejas por todo o país. Os que foram assim tratados por seus antigos irmãos encontraram grande consolo nas palavras do profeta Isaías:
GMA 144.2Ouvi a palavra do Senhor, os que tremeis da Sua palavra: Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por causa do Meu nome, disseram: Que o Senhor seja glorificado; mas Ele aparecerá para a vossa alegria, e eles serão envergonhados (Isaías 66:5, AR).
GMA 144Revelada a ira dos ímpios
GMA 144.3Ao se aproximar o dia em que os crentes esperavam o Senhor, eles se tornaram mais intensos em sua obra. Os ímpios se enfureceram e zombaram ainda mais, como se nota pela seguinte declaração feita pelo editor do Midnight Cry de 31 outubro de 1844:
GMA 144.4O efeito que esse movimento produziu sobre os ímpios contribuiu grandemente para nos firmar na ideia de que Deus estava nele. No momento em que os filhos de Deus se reuniam para prostrar-se e humilhar-se perante Ele e preparar-se para Sua vinda — algo bem conveniente para pecadores que somente poderiam ser salvos pela graça — os ímpios manifestaram grande maldade. Apesar de não termos anunciado nossas reuniões, a não ser em nossos próprios periódicos, nem termos estendido o convite ao público, os filhos de Belial se aglomeraram nelas, causando muita perturbação. Na noite de sábado, dia 12 [de outubro de 1844], não tivemos reunião na tenda, de modo que o zelador pudesse limpar o local para o domingo. Mas a turba invadiu o local e nos negou até mesmo esse direito. O prefeito, porém, sem qualquer solicitação de nossa parte, prontamente interferiu e os expulsou.
GMA 144.5Em nossas reuniões no domingo seguinte, depois que a tenda estava cheia, uma grande multidão ocupou a rua em frente ao local, muitos deles enfurecidos pelo fato de que alguém pudesse crer na vinda do Senhor. À noite, por conta da agitação da multidão, não tivemos reunião; mesmo assim, a turba lotou a rua antecipadamente, mas a interferência imediata do prefeito, com seus eficientes policiais, limpou a rua, após haver detido algumas pessoas. Só dá para comparar o comportamento dessa multidão com aquele demonstrado pela multidão que cercou a casa de Ló na véspera da destruição de Sodoma. […] Esse movimento, de parte deles, foi tão repentino, vasto e coordenado, que sua manifestação no primeiro dia do sétimo mês judaico fortaleceu-nos em nossa opinião de que este devesse ser o mês.
GMA 145Escarnecedores usam vestes de ascensão
GMA 145.1Em Paris, Maine, no dia 22 de outubro de 1844 — data em que se encerravam os 2.300 dias — uma turba de escarnecedores se ajuntou em torno da Casa de Culto em que os fiéis uniam-se em solenes súplicas a Deus, esperando que o Senhor viesse naquele dia. Essa turba cantava canções em forma de paródia, e dois desses arruaceiros colocaram longas túnicas brancas, subiram ao telhado, entoaram cânticos e zombaram daqueles que, reunidos no local, oravam aguardando a vinda do Senhor.
GMA 145.2É provável que a circulação dos falsos boatos sobre adventistas usando vestes de ascensão tenha se originado aí. No entanto, vale ressaltar que nenhum caso de vestes de ascensão foi jamais apresentado, apesar de as publicações adventistas terem oferecido recompensas de até 500 dólares por um caso autêntico do uso de tais vestes por algum adventista que esperava pela vinda do Senhor em 1844.
GMA 145Visão de Hazen Foss, 1844
GMA 145.3Nessa época, vivia em Poland, Maine, um jovem com o nome de Hazen Foss, que firmemente acreditava que o Senhor viria no décimo dia do sétimo mês. Era uma pessoa de boa aparência, maneiras agradáveis e muito estudo. Poucas semanas antes do término do “clamor da meia-noite”, o Senhor se aproximou e lhe deu uma visão em que lhe foi mostrada a jornada do povo adventista rumo à cidade de Deus, bem como os perigos que corriam. Foram-lhe dadas algumas mensagens de alerta que lhe cumpria transmitir; recebeu, também, um vislumbre das dificuldades e perseguições que se seguiriam como consequência de sua fidelidade em transmitir o que lhe havia sido mostrado. Ele, assim como o senhor Foy, viu três degraus que colocariam o povo de Deus completamente no caminho para a cidade santa. Pelo fato de crer firmemente na vinda do Senhor “em alguns poucos dias” (como no hino que cantavam), a parte da visão relacionada com os três degraus no caminho lhe pareceu inexplicável. Sendo naturalmente de espírito orgulhoso, evitou a cruz e recusou-se a transmitir a mensagem. A visão foi repetida pela segunda vez. Em acréscimo, foi-lhe dito que, se persistisse em sua recusa de transmiti-la, a responsabilidade seria retirada dele e posta sobre um dos mais fracos dos filhos do Senhor, um que fielmente transmitiria o que Deus revelasse. Ele recusou novamente. Então, foi-lhe dada uma terceira visão em que lhe foi dito que ele estava liberado de sua missão, e que a carga havia sido colocada sobre um dos mais fracos dentre os fracos, que cumpriria a ordem do Senhor.
GMA 146Foss fracassa em relatar sua visão
GMA 146.1O jovem se alarmou com isso e decidiu relatar o que havia visto, marcando uma ocasião para fazê-lo. O povo reuniu-se para ouvi-lo. Ele contou sua experiência de maneira bem detalhada, e discorreu sobre como havia se recusado a transmitir o que o Senhor lhe revelara e qual seria o resultado de sua recusa. “Agora”, disse ele, “vou relatar a visão”. Mas, oh!, era tarde demais! Ele ficou em pé, diante do povo, mudo como estátua, e finalmente disse na mais profunda agonia: “Não consigo lembrar uma palavra sequer da visão”. Apertando as mãos em angústia, disse: “Deus cumpriu Sua palavra. Ele retirou de mim a visão”, e disse em grande angústia de espírito: “Sou um homem perdido”. A partir desse momento, perdeu sua esperança em Cristo e entrou em estado de desespero. Nunca mais participou de uma reunião adventista e perdeu todo interesse pessoal em religião. Em muitos aspectos, seu comportamento correspondia, no mínimo, ao de alguém privado da suave influência do Espírito do Mestre, de alguém “entregue a seus próprios caminhos, a ser farto com seus próprios feitos”. Nesse estado de espírito, morreu em 1893.
GMA 146A visão de Foss é relatada por outra pessoa
GMA 146.2Cerca de três meses após Foss não ter conseguido relembrar sua visão, ouviu, de um aposento ao lado, uma visão sendo transmitida por outra pessoa. A reunião fora realizada numa residência onde se encontrava. Insistiram com ele para que participasse dela, mas recusou-se a ir. Chegou a declarar então que aquela visão era tão semelhante à que ele tivera, como se duas pessoas estivessem relatando a mesma coisa. Foi assim que se tornou conhecido o que ele havia visto e não conseguido relembrar quando tentou transmitir. Posteriormente, quando viu a pessoa que contara a visão, afirmou: “Esse é o instrumento sobre quem o Senhor colocou a responsabilidade”.
GMA 146Terrivelmente desapontados
GMA 146.3O décimo dia do sétimo mês do calendário judaico (22 de outubro de 1844) finalmente chegou. Milhares e milhares olhavam para esse momento como a concretização e realização de suas esperanças. Não haviam feito nenhuma provisão terrena para além dessa data. Nem mesmo haviam nutrido a ideia “e se não vier”. Organizaram seus negócios terrenos como o fariam se soubessem que naquele dia seria encerrado o ciclo natural de sua vida. Haviam alertado e aconselhado os ímpios a fugirem da ira vindoura. Muitos destes temiam que a mensagem pudesse revelar-se verdadeira. Os fiéis haviam conversado e orado com os familiares, e se despedido dos que não haviam entregado o coração a Deus. De fato, haviam dito adeus às coisas terrenas com a solenidade de alguém que se considera prestes a comparecer face a face perante o Juiz de toda a terra. Assim, com uma ansiedade de tirar o fôlego, reuniram-se em seus locais de culto, esperando, a qualquer momento, ouvir “a voz do arcanjo e a trombeta de Deus”, e ver o céu, em chamas, com a glória de seu Rei vindouro.
GMA 147.1As horas passaram lentamente e, quando finalmente o sol se pôs no horizonte ocidental, o décimo dia do sétimo mês judaico terminou. As sombras da noite, uma vez mais, espalharam seu negro manto sobre a Terra. Porém, juntamente com a escuridão, sobreveio ao coração dos crentes adventistas uma tristeza mortal de tamanha magnitude que só pode encontrar paralelo na tristeza dos discípulos de nosso Senhor, quando solenemente voltavam para casa na noite após a crucifixão e sepultamento dAquele que, pouco antes, haviam escoltado como Rei em Sua entrada triunfal em Jerusalém.