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Capítulo 4 — O Tempo do Fim

John Norton Loughborough

GMA 57.1“Então eu disse: meu senhor, qual será o fim destas coisas? Ele respondeu: Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim. […] Os perversos procederão perversamente, e nenhum deles entenderá, mas os sábios entenderão” (Daniel 12:8-10).

GMA 57.2“Ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim …” (Daniel 8:17).

GMA 57.3“Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim; muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará” (Daniel 12:4).

GMA 57.4Que significa a expressão “tempo do fim”? Não pode ser o fim de tudo, pois, nesse caso, a porção “selada” da profecia de Daniel não teria qualquer proveito para a humanidade. Uma vez que as coisas “reveladas nos pertencem a nós” (Deuteronômio 29:29), essa porção precisa ser aplicável a algum período de nossa história. Assim, a expressão “tempo do fim” parece referir-se a um período pouco antes do fim propriamente dito, no qual as coisas apresentadas a Daniel seriam compreendidas.

GMA 57O dia da Sua preparação

GMA 57.5Isso sem dúvida se refere ao tempo ao qual o profeta Naum chama de o “dia da Sua preparação” (Naum 2:3). Nesse trecho o profeta fala da destruição de Nínive: “Eis o estalo de açoites e o estrondo das rodas; o galope de cavalos e carros que vão saltando” (Naum 3:2). Mas a atenção do profeta é primeiro chamada para uma calamidade maior que viria sobre todo o mundo:

GMA 57.6Os montes tremem perante Ele, e os outeiros se derretem; e a terra se levanta diante dEle, sim, o mundo e todos os que nele habitam. Quem pode suportar a Sua indignação? E quem subsistirá diante do furor da Sua ira? A Sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por Ele demolidas. […] Ele mesmo vos consumirá de todo; não se levantará por duas vezes a angústia (Naum 1:5-9).

GMA 58Carros com tochas flamejantes

GMA 58.1Mais adiante, o profeta fala sobre esse dia de preparação:

GMA 58.2Os carros como tochas flamejantes no dia da sua preparação, e os ciprestes serão terrivelmente abalados. Os carros correrão furiosamente nas ruas, colidirão um contra o outro nos largos caminhos; o seu aspecto será como o de tochas, correrão como relâmpagos. Ele se lembrará dos seus valentes; eles, porém, tropeçarão na sua marcha; apressar-se-ão para chegar ao seu muro, quando o amparo for preparado (Naum 2:3-5, ACF).

GMA 58.3Que acurada descrição dos modernos trens correndo qual relâmpagos, com o condutor constantemente contando e recontando seus passageiros de uma estação a outra! E como andam tropeçando quando o trem está em movimento! Além disso, há um enorme consumo de árvores para construir ligações ferroviárias, cavaletes de trabalho, coberturas contra a neve, etc. Diz-se que uma estrada ao longo das Montanhas de Sierra Nevada possui 75 quilômetros de coberturas contra a neve feitas com árvores. E isso, o profeta disse que ocorreria no “dia da sua preparação”.

GMA 58.4O profeta Joel também fala do tempo do fim, quando é dada a seguinte ordem aos servos do Senhor:

GMA 58.5Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no Meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o Dia do Senhor vem, já está próximo (Joel 2:1).

GMA 58.6E o profeta Sofonias mais uma vez fala sobre esse mesmo tempo:

GMA 58.7Concentra-te e examina-te, ó nação que não tens pudor, antes que saia o decreto, pois o dia se vai como palha; antes que venha sobre ti o furor da ira do Senhor, antes que venha sobre ti o dia da ira do Senhor. Buscai o Senhor, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura lograreis esconder-vos no dia da ira do Senhor (Sofonias 2:1-3).

GMA 58.8Para entender mais claramente o que significa a expressão “tempo do fim”, bem como seu início, vamos citar outro caso em que o mesmo termo é usado. Em Daniel 11, lemos sobre um poder perseguidor que manteria seu domínio até o tempo do fim. O Senhor diz a respeito dele: Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao fim do tempo, porque se dará ainda no tempo determinado (Daniel 11:35).

GMA 59A obra do chifre pequeno

GMA 59.1A maioria dos comentaristas protestantes concordam em aplicar o poder do “chifre pequeno” de Daniel 7 à igreja romana, que tinha o poder civil em suas mãos durante o “tempo determinado”. Esse tempo determinado foi de “um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (Daniel 12:7). Esses foram os 1.260 dias proféticos — 1.260 anos — do governo civil do chifre pequeno, que se estenderam de 538 a 1798 d.C. Nessa última data [1798], o poder do chifre pequeno foi retirado — no “tempo determinado”. Nessa data, o povo cessou de “cair” pela mão desse poder, como tinha sido o caso até aquele momento [Daniel 11:35]. Portanto, o ano de 1798 marca o início desse período de tempo profético chamado “tempo do fim”.

GMA 59.2Em 1798 encerraram-se os “mil duzentos e sessenta dias” — 1.260 anos — durante os quais as “duas testemunhas” (Antigo e Novo Testamentos) do Senhor deviam “profetizar […] vestidas de saco” (Apocalipse 11:3). Durante a Idade das Trevas, marcada pela perseguição, as Escrituras foram mantidas nos idiomas grego e latim, desconhecidos para as pessoas comuns. Essa restrição quanto ao acesso à Bíblia se compara a estar ela “vestida de saco”.

GMA 59As duas testemunhas são assassinadas

GMA 59.3Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar [vestidas de saco], a besta que surge do abismo pelejará contra elas [Satanás incitando e usando homens mundanos], e as vencerá, e matará, e o seu cadáver ficará estirado na praça da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado [é crucificado, Versões Dinamarquesa e Revisada]. Então, muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações contemplam os cadáveres das duas testemunhas, por três dias e meio, e não permitem que esses cadáveres sejam sepultados (Apocalipse 11:7-9).

GMA 59O reino de terror

GMA 59.4O assassinato dessas testemunhas ocorreu no chamado “reino de terror”, na França, de 1792 a 1795 — ou seja, por três anos e meio. Apesar da Revolução Francesa continuar por cerca de seis ou sete anos, durante os primeiros três anos e meio, grandes esforços foram empregados na tentativa de destruir a Bíblia, a religião e todos os que se atrevessem a defendê-las. Declarando guerra à monarquia e ao sacerdócio, a Revolução Francesa transformou-se numa luta para exterminar tanto Deus quanto a Bíblia. A seguinte citação fala sobre o tempo imediatamente anterior à Revolução:

GMA 60.1Nunca se esqueçam de que, antes da Revolução de 1792, os promotores de infidelidade na França se uniram e gastaram cerca de 4,5 milhões de dólares em um ano, comprando, imprimindo e disseminando livros, com o fim de corromper as mentes do povo e prepará-las para tomar medidas desesperadas (Christopher Anderson, The Annals of the English Bible, p. 494).

GMA 60Escritores descrentes

GMA 60.2O caminho para essa revolução foi preparado pelos escritos de Voltaire, Mirabeau, Diderot, Helvetius, D’Alembert, Condorcet, Rousseau, e outros do mesmo gênero. Nesses livros, os autores se esforçaram por disseminar princípios subversivos, tanto da religião natural quanto da revelada. A revelação não foi apenas contestada, mas deixada completamente de lado. A Divindade foi banida do universo e substituída por um fantasma imaginário sob o nome de “deusa da razão” (Thomas Dick, On the Improvement of Society, p. 154).

GMA 60.3A situação tomou uma dimensão tal que, no ano de 1793, artistas teatrais eram ruidosamente aplaudidos por sua blasfema zombaria contra Deus e a Bíblia. Eis um exemplo:

GMA 60.4O comediante Monert, na Igreja de St. Roche [Paris], alcançou as alturas da impiedade. “Deus”, disse ele, “se existes, vingues o Teu nome ofendido! Dou-Te o desafio. Tu permaneces em silêncio. Não ousas lançar Teus trovões. Quem, depois disso, vai acreditar em Tua existência?” (Adolphe Thiers, The History of the French Revolution, vol. 2, p. 371).

GMA 60Obra blasfema em Lyon, França

GMA 60.5Vale ressaltar que esses que mataram as Testemunhas estavam “de novo, crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-O à ignomínia”. Esse fato pode ser visto nos procedimentos para uma festa realizada por Fouché, em Lyons, em honra de Chalier, o governador de Lyons que havia sido morto. Antes de sua chegada a Lyon, Fouché ordenou que

GMA 60.6todos os símbolos religiosos devessem ser destruídos, e fosse escrito nos portões dos cemitérios: a morte é um sono eterno. […] A estátua de Chalier foi conduzida pelas ruas, seguida por uma imensa multidão de assassinos e prostitutas. Depois deles, veio um jumento levando o evangelho, a cruz, e os vasos de comunhão, que logo foram entregues às chamas; e o jumento foi obrigado a beber, na taça da santa ceia, o vinho consagrado (Ibid., p. 338).

GMA 61.1A “Festa da Razão”, realizada em Paris, é descrita da seguinte forma:

GMA 61.2Dirigiram-se, como procissão, até a convenção, e a plebe […] caricaturava, da forma mais ridícula possível, as cerimônias da religião. […] Homens, usando sobrepeliz e veste sacerdotal, cantavam aleluias e dançavam a Carmanhola diante do bar da convenção. Lá depositaram a hóstia, as caixas em que esta era guardada, e as estátuas de ouro e prata. Proferiram discursos cômicos. […] “Ó vós”, exclamou uma comitiva de São Denis, “Ó vós, instrumentos de fanatismo, santos abençoados de todos os tipos, ao menos sede patriotas; levantai-vos em massa e servi ao país, indo para a Casa da Moeda para serem derretidos” (Ibid., p. 365).

GMA 61A Palavra de Deus emerge da obscuridade

GMA 61.3“Mas, depois dos três dias e meio, um espírito de vida, vindo da parte de Deus, neles penetrou” (nas Testemunhas), e “subiram ao céu numa nuvem; e os seus inimigos as contemplaram” (Apocalipse 11:11, 12). Chegara o momento de Deus trazer Sua palavra do anonimato e expô-la perante o mundo. Chegara o momento (1798) de realizar-se um trabalho missionário em todo o mundo. Em 1804, a Sociedade Bíblica Britânica foi organizada. A isso seguiu-se a organização de dezenas de outras Sociedades Bíblicas. A Bíblia agora está traduzida em todos os principais idiomas do mundo. Desse modo, o destaque das Escrituras (as duas Testemunhas), que ocupam agora um lugar acessível a todos, compara-se a sua ascensão ao céu numa nuvem.

GMA 61.4No tempo da Revolução Francesa, Voltaire afirmou que, em cem anos, a Bíblia seria totalmente obsoleta. Ao invés disso, no centésimo ano, mais Bíblias haviam sido distribuídas, só na França, do que todas existentes no momento de sua afirmação. E diz-se que a própria casa em que ele fez tal declaração é agora usada como uma casa da Bíblia.

GMA 61Descoberta a pedra Roseta

GMA 61.5Há dois pontos relacionados ao ano de 1798 e ao povo francês que devemos observar. Em primeiro lugar, naquele ano, o exército francês, sob o comando do general Bertier, derrubou o governo papal em Roma, cumprindo, sem saber, a profecia relativa a esse evento, registrada no livro contra o qual eles [o povo] guerreavam. Em segundo lugar, no mesmo ano, no Forte St. Julien, no braço do Nilo chamado Roseta, o exército francês fez uma escavação e descobriu a famosa pedra Roseta, que se encontra agora no Museu Britânico. Essa pedra possui uma inscrição em três formas: Hieróglifos, a escrita utilizada pelos sacerdotes [egípcios], o demótico, forma de escrita utilizada pelas pessoas comuns, e o grego. A comparação entre essas inscrições foi a chave que permitiu decifrar os escritos demóticos e hieróglifos até então enigmáticos. “Agora” disse alguém, “a pá e a picareta, desenterrando estes escritos em caracteres demóticos, fornece mais provas da exatidão dos antigos registros bíblicos do que qualquer outra fonte fora das Escrituras”. Dessa forma, as próprias pessoas que planejavam exterminar a Bíblia ajudaram, sem perceber, a cumprir a profecia de que o domínio do papado se encerraria ao final dos 1.260 anos, e a descobrir também a chave para os escritos que confirmavam a veracidade da Bíblia, que tão arduamente procuravam destruir.

GMA 62“Deves permanecer na tua herança”

GMA 62.1O que o anjo disse a Daniel que deveria ocorrer por ocasião do tempo do fim? Desde o momento em que ele ouviu o santo dizer: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (Daniel 8:14), ele se questionou quanto ao que seria “o fim destas coisas”, e quanto tempo elas deveriam durar (Daniel 12:6-8). Finalmente, é-lhe dado a entender que o conhecimento do tempo não era para seus dias. Foi-lhe dito: “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança [estarás na tua sorte, ARC; stand in thy lot, KJV]” (Daniel 12:13).

GMA 62.2Alguns supõem que essa passagem se refira ao fim do mundo, quando Daniel, em companhia do restante do povo do Senhor, receberá sua recompensa e permanecerá em sua herança. A palavra hebraica correspondente a “herança” (lote herdado, pedaço de terra, sorte, etc.), conforme os especialistas, é gheh-vel. No entanto, não é essa a palavra que, nessa passagem, se traduz por herança. A palavra aqui é go-rahl. Eruditos em hebraico nos dizem que go-rahl ocorre 76 vezes no Antigo Testamento, e é a mesma palavra usada para mencionar a purificação típica do santuário, momento em que eram lançadas sortes para determinar qual dos dois bodes seria morto. Enquanto o sumo sacerdote pegava o sangue do bode para o Senhor e entrava no santuário para realizar a purificação, todo o Israel afligia sua alma e confessava seus pecados a fim de serem purificados, e então receber a bênção do sumo sacerdote quando este saía do santuário. Assim, naquele dia, Israel permanecia ou estava em sua sorte.

GMA 63.1Quando viesse a purificação final do santuário, ao fim dos 2.300 dias, o caso de Daniel, juntamente com os de todos os justos mortos, seria revisado perante Deus. É assim que Daniel deveria permanecer ou estar em sua sorte.

GMA 63Palavras seladas até 1798

GMA 63.2Em resposta à pergunta de Daniel, “Meu Senhor, qual será o fim destas coisas?” (Daniel 12:8) é dito: “Estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim” (Daniel 12:9). O aspecto que deixou a mente de Daniel intrigada foi “quando?” ou “quanto tempo?” e “qual será o fim?”. Esses foram os pontos que deixaram o profeta perplexo e preocupado, e somente esses pontos é que deveriam permanecer cerrados e selados até o “tempo do fim”, e não o livro todo de Daniel, como alguns imaginavam. Antes de 1798, houve estudiosos das profecias que receberam luz sobre as 70 semanas e entenderam que seu início ocorreu em 457 a.C., e que o ministério público de Cristo, Sua morte, etc., estavam contemplados nessa profecia. Foi o cumprimento exato dessas profecias referentes à missão do Salvador que lhes serviu de grande prova de que Ele era o verdadeiro Messias e de que a data do início das 70 semanas estava inalteravelmente determinada. No entanto, foi a falta de compreensão de que as 70 semanas constituíam a primeira parte dos 2.300 que deixou o assunto selado até depois de 1798, conforme predito.

GMA 63A chave para os 2.300 dias

GMA 63.3Analisemos, agora, alguns fatos. Até o ano 1798, os intérpretes das profecias não possuíam luz a respeito do fim do período dos 2.300 dias. Eles conseguiam entender os símbolos, a imagem e as bestas do livro de Daniel, mas não sabiam quando os 2.300 terminariam, justamente por não saberem a data de seu início. Como prova disso, lemos no Midnight Cry [Clamor da meia-noite], um periódico do início do movimento adventista, datado de 15 de junho de 1842:

GMA 63.4É muito interessante descobrir os vários escritores independentes que, desde 1798, perceberam o que antes era completamente imperceptível: que as 70 semanas eram a chave para os 2.300 dias.

GMA 63Muitos descobrem a luz

GMA 63.5Assim como esse conhecimento havia sido “selado” até a data determinada por Deus em que seria aberto à compreensão de Seu povo, da mesma forma, quando o “tempo do fim” chegou, muitos, em conformidade com a profecia de Daniel 12:4, passaram a investigar as Escrituras, “esquadrinhando-a” a fim de entender esse assunto. Comparando algumas traduções desse texto bíblico, a ideia ficará bem clara:

GMA 64.1O Dr. Adam Clarke diz: “Muitos buscarão pesquisar o sentido; e, desta maneira, o conhecimento aumentará”.

GMA 64.2Na Bíblia alemã de Lutero, versão revisada, lemos: “Assim muitos se porão sobre ele, e encontrarão grande entendimento”.

GMA 64.3A Bíblia Alemã Paralela diz: “Muitos o percorrerão por inteiro, e assim o conhecimento aumentará”.

GMA 64.4A Bíblia alemã de L. Van Ess, também aceita pelo papa para os leitores católicos, traduz assim: “Muitos o pesquisarão, e o conhecimento será grande”.

GMA 64.5A Bíblia sueca declara: “Muitos nele pesquisarão, e o conhecimento se tornará grande”.

GMA 64.6A versão dinamarco-norueguesa revisada afirma: “Muitos pesquisarão avidamente, e o conhecimento se tornará abundante”.

GMA 64.7No Midnight Cry de 15 de junho de 1842, lemos sobre essa busca e consequente compreensão do que estava selado antes de 1798: “Não é uma coincidência maravilhosa que tantos escritores, sem qualquer conhecimento uns dos outros, tenham chegado às mesmas conclusões, quase ao mesmo tempo?”

GMA 64.8A seguir, apresentamos uma lista com 20 pessoas distintas que descobriram a verdade sobre o fim dos 2.300 dias, não por se comunicarem entre si, mas por pesquisarem diligentemente as Escrituras, guiados pela influência do Espírito de Deus. Encabeçando a lista, está Guilherme Miller, do Estado de Nova Iorque; em seguida vem A. J. Krupp, de Filadélfia, na Pensilvânia; David McGregor, de Falmouth, Maine; Edward Irving, da Inglaterra; Archibald Mason, da Escócia; W. E. Davis, da Carolina do Sul; Joseph Wolff, que trabalhou em várias partes da Ásia; Alexander Campbell, em seu debate com Robert Dale Owen, em 1829; o capitão A. Landers, de Liverpool, Inglaterra; Leonard Heinrich Kelber, de Stuttgart, Alemanha; Lacunza, da Espanha; Hentzepeter, de The Hague, Holanda; Dr. Capadose, de Amsterdam, na Holanda; Rau, da Bavaria; sacerdotes da Tartária, em 1821; estudantes da Bíblia do Iêmen, em seu livro chamado Seera; Hengstenberg, em outra parte da Alemanha; russos no Mar Cáspio; Molokaners nas margens do Báltico, etc.

GMA 64.9A citação a seguir explica como esse assunto foi revelado, de tempo em tempo, a diferentes estudantes da profecia que não se conheciam.

GMA 65.1Lemos o seguinte no Midnight Cry de 15 de junho de 1842:

GMA 65.2Acabo de receber um livro com o título “Dois Artigos sobre os 2.300 Dias Proféticos de Daniel, e o Dever Cristão de Investigar Acerca do Livramento da Igreja, por Archibald Mason, ministro do evangelho, Wishawtown, Escócia, Newberg. Impresso a partir da edição de Glasgow, por M. Ward Gazeley, 1820”. Neste livro, Mason diz: “Recentemente, vi um pequeno panfleto, publicado pela primeira vez na América pelo Rev. William E. Davis, da Carolina do Sul, e republicado em 1818 em Warkington, no sul da Inglaterra. Esse autor afirma que os 2.300 dias tiveram início com as setenta semanas (Daniel 9:24). Sou obrigado a concordar com essa ideia”.

GMA 65Davis, da Carolina do Sul

GMA 65.3Nesse mesmo volume do Midnight Cry, o editor afirmou: “O livro de Davis deve ter sido escrito por volta de 1810”. Ao analisar o raciocínio seguido no livro, ele afirma:

GMA 65.4O leitor pode realmente se deleitar com as produções de Miller, Litch, Storrs ou Hale, mas cremos que ninguém dos atuais escritores sobre o segundo advento sabia da existência desse livro até semana passada. O editor desse jornal [Midnight Cry] nunca tinha ouvido falar dele. A posição de Davis quanto ao tempo, confirmada por Mason, era que os 2.300 dias terminariam no ano judaico de 1843, isto é, em 1844 de nossa era.

GMA 65Joseph Wolff e outros vinte escritores

GMA 65.5No Midnight Cry de 31 de agosto de 1843, lemos que “em 1822, Joseph Wolff (da Inglaterra), publicou um livro intitulado Ele Virá Outra Vez, O Filho do Homem nas Nuvens do Céu”. E mais:

GMA 65.6Em 1826, 20 pessoas, de todas as crenças ortodoxas, reuniram-se em Londres, com o Sr. Wolff, para estudar a Bíblia. Chegaram a essa mesma conclusão de forma unânime. Acrescentaram 45 anos aos 1.260.

GMA 65.7Se somarmos 45 anos aos 1.260 anos, chegaremos a 1843 (ano judaico), que em realidade é o ano 1844 de nossa era.

GMA 65A posição de Alexander Campbell

GMA 65.8No mesmo volume do periódico, afirma-se sobre Alexander Campbell:

GMA 65.9Em 1829, ele teve seu aclamado debate com o infiel Robert Owen, no qual sustentou que as visões de Daniel se estendem até o fim do tempo, que os 2.300 dias são anos, e que terminarão cerca de 1.847 anos após o nascimento de Cristo, que ocorreu, segundo seus cálculos, quatro anos antes da contagem comum.

GMA 66.1Assim, em seu cálculo, os 2.300 dias terminariam ao final do ano judaico inteiro de 1843 da era cristã — em realidade, nosso 1844.

GMA 66.2No Midnight Cry de 21 de setembro de 1843, encontramos uma declaração a respeito de um livro intitulado:

GMA 66.3Uma voz para a Bretanha e para a América, numa Declaração das Escrituras sobre a Segunda Vinda de Nosso Senhor e Salvador, pela qual diariamente oramos, dizendo: “Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu” [Mateus 6:10], escrito pelo capitão A. Landers, de Liverpool, e publicado por S. Kent and Co., em 1839.
GMA 66.4Ele, assim como os outros, fornece um cálculo do tempo, estabelecendo o fim dos 2.300 dias para 1.847 anos após o nascimento de Cristo.

GMA 66.5O cálculo chegaria até o nosso ano de 1844, já que Seu nascimento ocorreu quatro anos antes da contagem comum.

GMA 66Leonard Heinrich Kelber

GMA 66.6Na Review and Herald de 17 de maio de 1892, há um artigo do irmão L. R. Conradi, de Hamburgo, Alemanha, que diz:

GMA 66.7A maioria de nossos leitores provavelmente já ouviu falar do notável prelado Luterano Bengel, [de acordo com Schaff, Bengel morreu em 1751], que fixou, no século passado, a data do aparecimento de nosso Senhor para o ano de 1836, baseando seus cálculos no número 666 do Apocalipse. Contudo, muito tempo antes desse período expirar, outro estudioso, um diretor geral chamado Leonard Heinrich Kelber, começou a escrever sobre o assunto. Seu primeiro panfleto, O Fim está Próximo, surgiu em 1824, contendo uma explicação de Mateus 24 e 25. Foi impresso na Bavária. Em 1835, ele publicou em Stuttgart um panfleto maior, com o mesmo título, contendo 126 páginas. Este é de especial interesse. Para prover a nossos leitores uma ideia melhor sobre o material, incluo a tradução do título: O Fim Vem: está comprovado de forma detalhada e convincente a partir da Palavra de Deus e dos últimos acontecimentos; ficam totalmente invalidados todos os preconceitos contra aguardar a vinda de nosso Senhor, ou contra os cálculos de tempo, e mostrado claramente como o prelado Bengel equivocou-se em sete anos com referência ao grande ano decisivo, pois o término não é em 1836, mas no ano de 1843, quando a grande luta entre a luz e as trevas terminará, e começará na Terra o tão esperado reinado de paz de nosso Senhor Jesus.
GMA 66.8Uma segunda edição surgiu em 1841, também em Stuttgart, e, até onde sei, outra na Saxônia. Como indicado no título, após confrontar os preconceitos comuns, o panfleto mostra de forma clara e explícita a conexão existente entre os 2.300 dias de Daniel 8 e as 70 semanas de Daniel 9, levando-nos ao ano de 1843 (Ano Judaico de 1843, e ano de 1844 de nossa era). Ele mostra então no restante do livro, mediante os sinais dos tempos, que esse evento está próximo.
GMA 67.1Só o fato de ter surgido várias edições revela o interesse que esse panfleto despertou. O irmão Schache, residente agora na Austrália, viu uma propaganda acerca dele na distante província de Cilícia. Depois de solicitar uma cópia, leu-a com grande interesse, de portas trancadas. No livro, não existe nenhuma indicação de que o autor conhecesse qualquer movimento semelhante acontecendo no mundo. No entanto, pelo Espírito de Deus, ele chegou às mesmas conclusões que os demais.
GMA 67.2Em 1842, esse autor escreveu um panfleto ainda maior, de 286 páginas, também em Stuttgart, intitulado: Pensamentos Primordiais e Escriturísticos Referentes à Criação e à Duração do Mundo; ou uma resposta completa à pergunta: Por que Deus criou o mundo em seis dias sucessivos — a proximidade de nosso Senhor para julgar o anticristo — os grandes e alegres eventos do ano de 1843.

GMA 67“Ben Ezra” (Manuel Lacunza)

GMA 67.3Em 1812, Lacunza publicou na Espanha um livro intitulado La venida del Mesías en Gloria y Majestad [A Vinda do Messias em Glória e Majestade]. O escritor assumiu o pseudônimo “Ben Ezra”, e supõe-se que ele fosse um judeu convertido. Edward Irving, da Inglaterra, depois de começar a produzir sua obra sobre a segunda vinda, traduziu o livro de Ben Ezra para o Inglês. Desse modo, sua história é narrada em pelo menos dois idiomas.

GMA 67.4É realmente interessante empreender, anos depois, a tarefa de reunir as conclusões dos vários estudiosos que, desde o início do século passado até 1840, calcularam o período dos 2.300 dias e colocaram as 70 semanas como a primeira parte desse período, e descobrir que todos eram unânimes de que o término do período se daria em 1844.

GMA 671844 — o verdadeiro fim dos 2.300 dias

GMA 67.5Pode-se perguntar: podemos ter certeza de que 1844 é a data certa para o encerramento dos 2.300 dias? Sim! Tão certo como uma falsa profecia não pode se cumprir na hora certa, concluímos que o ano de 1844 é o verdadeiro fim para os 2.300 dias. Deus selou esse conhecimento até 1798 e prometeu que, a partir de então, brilharia luz a esse respeito. Ele guiou, por intermédio de Seu infalível Espírito, os que O buscavam com sinceridade visando obter uma correta compreensão quanto ao tempo. Havia chegado o momento de o “conhecimento” sobre o assunto “ser multiplicado”. Assim, Deus enviou a verdadeira luz sobre o assunto.

GMA 68.1Conscientes de que o término do tempo foi revelado no “tempo do fim”, é apropriado que indaguemos acerca da importância dessa descoberta. Com efeito, descobrimos que esse período, referente ao encerramento da obra do evangelho, revela um tempo definido para o início do juízo. Diz João:

GMA 68.2Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas (Apocalipse 14:6, 7).

GMA 68.3Não são anjos literais que pregam o evangelho aos homens. O homem é o agente escolhido pelo próprio Deus para pregar o evangelho até o fim. Portanto, esse anjo, mencionado no texto bíblico, simboliza a proclamação de que chegou a hora de começar o juízo “pela casa de Deus” (1 Pedro 4:17). Tal mensagem não poderia ser dada, biblicamente, antes que se descobrisse na Bíblia o tempo que conduz ao juízo. Como já foi sugerido, os 2.300 dias levam ao juízo investigativo do povo de Deus.

GMA 68O Dia da Expiação — um tempo de juízo

GMA 68.4O Dia da Expiação, ou seja, a purificação do santuário terrestre, era, e ainda é, entendido pelos judeus como um dia de juízo. E mesmo agora, estando dispersos pelo mundo, e embora não efetuem todo o ritual relacionado a esse dia solene, ainda o observam como um dia de julgamento. Como prova disso, citamos primeiramente um artigo publicado num periódico judaico, em São Francisco, Califórnia, intitulado The Jewish Exponent [O Intérprete Judeu], órgão dos judeus ortodoxos residentes no oeste das Montanhas Rochosas. Na edição de setembro de 1892, foi anunciado que, antes da impressão do volume seguinte, viria o sétimo mês e o Dia da Expiação. O nome do sétimo mês é Tishri, e o do sexto é Elul. Observem o que diz o documento:

GMA 68.5Estamos no mês de Elul, e os sons de advertência do Shofar [trombeta que soava do primeiro ao décimo dia do sétimo mês; Salmo 81:3, 4] serão ouvidos todas as manhãs nas sinagogas ortodoxas, anunciando a preparação para o dia de memorial e do juízo final de Yom Kippur.

GMA 69.1Como estavam no fim de Elul, o sexto mês, e Tishri, o sétimo mês, estava para iniciar-se, ouviriam, a cada manhã, por dez dias, a trombeta anunciando o julgamento final anual naquele sistema típico.

GMA 69O testemunho de um rabino judeu

GMA 69.2Em 1902, Isidore Myer, rabino de uma grande congregação de judeus em São Francisco, Califórnia, fez a seguinte declaração ao anunciar o Dia da Expiação:

GMA 69.3Ao cruzar o limite de tempo de um ano ao outro, o israelita é compelido a lembrar-se da criação e da soberania universal do Criador, e chamado a celebrar, ao soar da trombeta, o aniversário, por assim dizer, do nascimento do tempo e da coroação do grande Rei. Ele é, também, convocado pelo som da mesma trombeta, ou Shofar, a investigar retrospectivamente suas ações durante o ano que se passou, enquanto treme diante do olho do Eterno Juiz, que tudo vê, sentado no trono de julgamento.

GMA 69.4Como no serviço do templo judaico o santuário era purificado uma vez por ano, deve ter ficado evidente a Daniel que esta purificação do santuário ao final dos 2.300 dias fosse necessariamente ligada a algo mais do que apenas o serviço típico anual. O Senhor já havia instruído Seu povo quanto ao fato de que, ao se depararem com símbolos usados nas profecias, o tempo deveria ser contado “cada dia por um ano” (Números 14:34; Ezequiel 4:6-7). Assim, o período de 2.300 dias, como vimos, atinge o final da obra de Cristo como sumo sacerdote no santuário celestial — o juízo investigativo daqueles cujos casos foram trazidos, mediante confissão, a esse santuário.

GMA 69A mensagem do juízo — prevista para o ano de 1844

GMA 69.5A partir do momento em que se descobriu o período em que o julgamento dos santos teria início, na providência divina, e conforme delineado na profecia, um caminho foi aberto para que fosse proclamada a mensagem: “É chegada a hora do Seu juízo” (Apocalipse 14:7). Notem: não é dito que a mensagem seria proclamada imediatamente após a descoberta do tempo determinado [os 2.300 dias], mas que a luz, previamente “selada”, seria revelada. Temos evidências claras de que esse fato se cumpriu. Na realidade, veremos, nos capítulos seguintes, que, da mesma forma que Deus definiu o exato momento em que a mensagem do advento deveria ser proclamada, esse mesmo Deus dirigiu os eventos para que essa proclamação se cumprisse literalmente.

Nota

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