Capítulo 19 — “Pelos Seus Frutos os Conhecereis”
GMA 253.1“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:11, 13).
GMA 253.2Quando o Salvador concedeu à igreja os dons do Espírito, para que pudesse realizar, “como Lhe aprouve”, a obra do Senhor até que chegasse o dia perfeito, não deixou Seu povo às cegas, sem saber se uma manifestação espiritual era de origem celeste ou de espíritos malignos. Ao contrário, Ele deu regras que serviriam para identificar se o espírito é de Deus ou não. Mesmo nestes últimos dias, em que, conforme predito pelo profeta Joel, o Senhor derramaria Seu Espírito sobre toda a carne, e filhos e filhas profetizariam (Joel 2:28, 29), Paulo declara que o povo não deveria desprezar as profecias, mas julgar “todas as coisas” e reter “o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:20, 21).
GMA 253.3Que outra forma haveria para testar tais manifestações, senão comparando-as com as regras apresentadas nas Escrituras a fim de discernirmos a obra do Espírito de Deus? Nem tudo o que está acima da compreensão de mentes finitas é, necessariamente, de origem divina, pois a Bíblia declara que, nos últimos dias, Satanás operaria milagres para enganar o mundo e congregá-lo para a batalha daquele grande dia do Deus Todo-Poderoso (Apocalipse 16:14). Portanto, o verdadeiro dom espiritual só pode ser reconhecido mediante cuidadosa comparação de sua manifestação com as regras bíblicas. Exige-se nisso o mesmo cuidado que os homens utilizam na detecção de dinheiro falsificado.
GMA 254Detectando dinheiro falsificado
GMA 254.1No Bank Note Reporter de Detroit, de abril de 1863, o Sr. Preston apresentou cinco regras para a detecção de falsificações, declarando que qualquer pessoa que utilizasse essas regras para fazer uma inspeção minuciosa de cada nota recebida jamais precisaria temer ser enganada.
GMA 254.2Não há melhor maneira de provar um dom profético do que compará-lo com a descrição dos dons conforme manifestados nos tempos bíblicos, e testá-lo pelas regras apresentadas na Bíblia. As Escrituras nos habilitam completamente para toda boa obra (2 Timóteo 3:16, 17), e fornecem um registro autêntico das manifestações do dom profético, e de como a verdadeira obra do Espírito de Deus pode ser distinguida das operações de Satanás mediante seus dons espúrios.
GMA 254Regras para discernir os dons verdadeiros
GMA 254.3O Senhor forneceu em Sua Palavra pelo menos sete regras distintas pelas quais as manifestações genuínas do Espírito de Deus podem ser distinguidas das manifestações de Satanás.
GMA 254Regra número um — instrução especial
GMA 254.4O profeta Isaías, falando sobre a situação nos últimos dias, declara:
GMA 254.5Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos Meus discípulos. Esperarei no Senhor, que esconde o Seu rosto da casa de Jacó, e a Ele aguardarei. […] Quando vos disserem: consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva (Isaías 8:16-20).
GMA 254.6Nesses versos, chama-se a atenção para um povo comprometido em restaurar o selo à lei de Deus — um povo que está à espera do Senhor, ativo em Seu serviço. Eles o estão aguardando, isto é, estão aguardando Sua vinda num momento em que espíritos, que professam ser os espíritos dos mortos, estão convidando o povo a consultá-los. Alguns atendem ao convite e vão após os mortos a fim de obter conhecimento. Deus, porém, convida Seu povo a buscá-Lo. Isso significa que, se O buscarem, Ele lhes dará instruções especiais. Não precisam procurar os mortos, que não podem dar informação alguma, pois “os mortos não sabem coisa nenhuma”, e “para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9:5-6).
GMA 255.1Nos versos acima, apresenta-se uma regra pela qual todas as comunicações devem ser testadas: “Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” [Isaías 8:20, ACF]. Todas as comunicações do Senhor falarão em harmonia com Sua palavra e Sua lei.
GMA 255.2Aplicando esta regra aos escritos de Ellen White, eu diria que, durante os últimos 52 anos, tenho lido cuidadosamente seus testemunhos, comparando-os com a lei de Deus e o testemunho da Bíblia, e tenho encontrado a mais perfeita harmonia entre ambos. Suas instruções não têm o propósito de trazer qualquer nova revelação para tomar o lugar das Escrituras, mas sim para mostrar onde e como, em tempos como estes, as pessoas estão susceptíveis a serem desviadas e afastadas da Palavra. A posição ocupada pelos testemunhos de Ellen White pode ser mais bem descrita do modo como ela mesma se referiu a eles:
GMA 255.3A Palavra de Deus é suficiente para iluminar o espírito mais obscurecido, e pode ser compreendida por todo aquele que sinceramente deseja entendê-la. Apesar disso, alguns que dizem fazer da Palavra de Deus o objeto de seus estudos vivem em oposição direta a alguns de seus mais claros ensinos. Então, para que tanto homens como mulheres ficassem sem desculpa, Deus deu testemunhos claros e decisivos a fim de reconduzi-los à Sua Palavra, que eles negligenciaram seguir.
GMA 255.4A Palavra de Deus tem abundância de princípios gerais para a formação de corretos hábitos de vida, e os testemunhos, gerais e pessoais, têm sido planejados para lhes chamar a atenção de modo mais especial para esses princípios. […] Vocês não estão familiarizados com as Escrituras. Se tivessem feito da Bíblia o objeto de seus estudos, com o propósito de atingir o padrão bíblico e a perfeição cristã, não necessitariam dos Testemunhos. […]
GMA 255.5Por meio dos testemunhos dados, o Senhor Se propõe advertir, repreender e aconselhar vocês, e impressionar-lhes a mente com a importância da verdade de Sua Palavra. Os testemunhos escritos não estão destinados a comunicar nova luz; mas a imprimir fortemente no coração as verdades da inspiração que já foram reveladas. […] Não se traz verdade adicional; mas pelos Testemunhos Deus tem facilitado a compreensão de importantes verdades já reveladas, e posto estas diante de Seu povo pelo meio que Ele próprio escolheu, a fim de despertar e impressionar com elas a mente de vocês, para que todos fiquem sem desculpa. […]
GMA 255.6Os Testemunhos não têm por finalidade diminuir o valor da Palavra de Deus, e sim exaltá-la e atrair para ela as mentes, para que a bela singeleza da verdade possa impressionar a todos. […] Se o povo que agora professa ser a propriedade peculiar de Deus obedecesse a Seus requisitos especificados em Sua Palavra, não haveria necessidade de testemunhos especiais para despertar neles o sentimento do dever e impressioná-los acerca de sua pecaminosidade e do temível risco que correm ao negligenciar obedecer à Palavra de Deus (Testemunhos para a Igreja, vol. 5, No. 33, p. 663-667).
GMA 256Regra número dois — profetas verdadeiros
GMA 256.1Já vimos que todos os profetas verdadeiros falarão em harmonia com a lei de Deus e com o testemunho de Sua Palavra. O apóstolo João apresenta outra regra que define os ensinamentos dos profetas verdadeiros. Ele diz:
GMA 256.2Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo (1 João 4:1-3).
GMA 256.3Observe com atenção os versos citados. De acordo com a King James Version, o texto não diz todo aquele que confessa que Jesus Cristo “veio em carne”, mas “é vindo em carne”, isto é, Ele vem, por meio de Seu Espírito e habita em nós em resposta a nossa fé. De fato, esta é a verdade central do evangelho: “Cristo em vós, a esperança da glória” (Efésios 3:17; Colossenses 1:27).
GMA 256.4O tema prático encontrado em todos os escritos de Ellen White é a necessidade de termos a Cristo como um Salvador que habite no íntimo do ser, se quisermos fazer qualquer progresso na caminhada celestial. Seus escritos ensinam sobre a necessidade de termos a Cristo em primeiro, em último e em todo o tempo. Como ilustração desse fato, chamamos a atenção para o livro “Caminho a Cristo”, escrito por ela, do qual mais de 100 mil cópias já foram vendidas no idioma Inglês, sem mencionar os milhares de cópias nas 18 línguas estrangeiras em que agora é publicado. Um pastor presbiteriano, após ler o livro, encomendou mais de 300 exemplares para seus membros e amigos, e disse: “Este livro foi escrito por alguém que conhece muito bem o Senhor Jesus Cristo”.
GMA 256Regra número três — falsos profetas
GMA 256.5João apresenta uma regra para identificar os falsos profetas: “Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve” (1 João 4:5). O ensinamento dos falsos profetas vai querer satisfazer os desejos do coração carnal em vez de exaltar a vida de abnegação e de levar a cruz. Os falsos profetas vão ensinar “coisas aprazíveis” em vez de exaltar o “Santo de Israel” (Isaías 30:10, 11). Qualquer pessoa que leia, mesmo poucas páginas dos escritos de Ellen White, vai perceber que eles seguem na linha da abnegação e de levar a cruz, e não numa linha que agrade o coração mundano e carnal.
GMA 257Regra número quatro — sofrimento e paciência
GMA 257.1Avançando um pouco mais no assunto, tomemos, como quarta regra, as palavras do apóstolo Tiago: “Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor” (Tiago 5:10). Quando lemos sobre a experiência dos antigos profetas, aprendemos que uma de suas maiores angústias era ver Israel rejeitar ou ir contra o claro testemunho a eles enviado. Um breve estudo daquela época revelará, prontamente, o caráter tanto dos profetas verdadeiros como dos falsos.
GMA 257.2Assim diz o Senhor dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor (Jeremias 23:16).
GMA 257.3Não há nada nos escritos de Ellen White que tornem o leitor uma pessoa presunçosa; na realidade, como alguém expressou, “inúmeras vezes recebi grande benefício espiritual dos testemunhos. Na verdade, nunca os li sem me sentir repreendido pela minha falta de fé em Deus, falta de devoção e falta de zelo em salvar almas”. Certamente, portanto, a influência dos testemunhos de Ellen White é muito diferente daquela dos falsos profetas descrita por Jeremias.
GMA 257.4O profeta também nos informa como os falsos profetas ensinam:
GMA 257.5Dizem continuamente aos que me desprezam: O Senhor disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração dizem: Não virá mal sobre vós (Jeremias 23:17).
GMA 257.6Tratando-se da essência do ensino de Ellen White em seus testemunhos, cito as palavras de um atento leitor:
GMA 257.7Li todos os seus testemunhos por completo, a maioria deles várias vezes, e nunca fui capaz de encontrar uma frase imoral em qualquer um deles, ou algo que não seja estritamente puro e cristão; ou algo que conduza para longe da Bíblia ou de Cristo; ao contrário, encontrei ali os mais fervorosos apelos para obedecer a Deus, amar a Jesus, ter fé nas Escrituras e estudá-las constantemente. Tal proximidade com Deus, tal fervorosa devoção, tais solenes apelos para se viver uma vida santa só podem ser inspirados pelo Espírito de Deus.
GMA 258.1Um atento observador, que desde o início lia seus testemunhos, escreve:
GMA 258.2Com respeito a agir de modo franco e fidedigno, sem medo ou favor, quero testemunhar que nada disso faltou. Se o poder controlador dessa obra fosse uma motivação baixa e maligna, haveria palavras de bajulação em lugar de testemunhos perscrutadores e fiéis reprovações. Clareza de expressão, fiéis reprovações do erro, palavras de compaixão e incentivo a almas temerosas que sentem necessidade do Salvador, e a errantes que buscam humildemente abandonar suas faltas — essas são as coisas que compõem grande parte de sua obra. O testemunho de Ellen White, reprovando os erros no caso de muitas pessoas a quem havia visto em visão, tem sido apresentado com grande fidelidade e excelentes resultados (J. N. Andrews, Review de dezembro de 1867).
GMA 258Regra número cinco — profecias verdadeiras se cumprem
GMA 258.3Moisés, em Deuteronômio 18, faz a seguinte declaração a respeito dos verdadeiros e falsos profetas:
GMA 258.4Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que, quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele não se cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é a palavra que o Senhor não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele (Deuteronômio 18:21, 22).
GMA 258.5Vemos essa mesma ideia na seguinte passagem: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor não o mande?” (Lamentações 3:37). É dito do profeta Samuel: “Tudo quanto ele diz sucede” (1 Samuel 9:6). “O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do Senhor” (Jeremias 28:9).
GMA 258.6A primeira vez que vi Ellen White em visão profética foi 53 anos atrás. Ao longo desses anos, muitas declarações proféticas foram feitas por ela em relação a eventos que iriam ocorrer. Algumas dessas previsões se referem a eventos já cumpridos, outras estão em processo de cumprimento, enquanto outras ainda estão no futuro. No que diz respeito a predições referentes a eventos passados ou presentes, não sei de um caso sequer em que a predição falhou. Já mencionamos algumas de suas previsões. Outras serão introduzidas nos capítulos a seguir, à medida que prosseguimos em nossa narrativa.
GMA 259Regra número seis — milagres não são um teste de um verdadeiro profeta
GMA 259.1Tem-se afirmado por muitos escritores de teologia, e declarado em comentários sobre as Escrituras, que o sinal de um profeta verdadeiro é fazer milagres. Ainda não encontramos, nas Escrituras, uma regra assim.
GMA 259.2Se a operação de milagres é prova de um verdadeiro profeta, o “falso profeta”, mencionado em Apocalipse 19:20, poderia ser chamado de profeta verdadeiro, pois é dito a seu respeito: “mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta”. O mesmo poder é novamente descrito, em Apocalipse 13:14, como enganando “os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta”. Pela mesma aplicação dessa regra, deveríamos concluir que até mesmo Satanás é um profeta verdadeiro. Alguns espíritos que realizarão um trabalho específico sob a sexta praga são chamados de “espíritos de demônios, operadores de sinais [ou operadores de milagres, segundo a KJV], e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso” (Apocalipse 16:14).
GMA 259.3Se a prova de um verdadeiro profeta consiste nos milagres que ele realiza quando não está em visão, deveríamos encontrar poucos profetas bíblicos que passariam no teste, principalmente se a decisão depender do registro existente de suas obras. É verdade que há registros de milagres operados por alguns dos profetas, como Elias, Eliseu e Paulo. Mas quem já encontrou registro bíblico dos milagres de Isaías, Jeremias, Daniel, Oséias, Joel, Amos, etc.? No entanto, eles eram verdadeiros profetas de Deus, e podemos provar esse fato pelo uso das regras que o Senhor deixou como testes do verdadeiro profeta.
GMA 259.4O relato bíblico sobre João Batista mostra claramente que a operação de milagres não é o teste de um profeta verdadeiro. Que ele seria um profeta se demonstra pela predição de seu pai, Zacarias, ao relatar a visão que recebeu de Deus a respeito do filho que teria: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-Lhe os caminhos” (Lucas 1:76). O próprio Salvador reconheceu João como o profeta que prepararia o caminho diante dEle. Acerca de João, Jesus declarou:
GMA 259.5Que saístes a ver? Um profeta? Sim, Eu vos digo, e muito mais que profeta. Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio diante da Tua face o Meu mensageiro, o qual preparará o Teu caminho diante de Ti. E Eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João (Lucas 7:26-28).
GMA 260.1Aqui encontramos uma declaração clara, da parte do Salvador, de que João era profeta. Vamos aplicar o teste da operação de milagres e ver o resultado. No evangelho de João, o evangelista, encontramos as seguintes palavras: “E iam muitos ter com ele [Cristo] e diziam: Realmente, João não fez nenhum milagre, porém tudo quanto disse a respeito deste era verdade” (João 10:41). Essa declaração, por si só, refuta completamente a ideia de que a operação de milagres é característica do profeta verdadeiro.
GMA 260.2A regra dada em Deuteronômio 13:1-3, a regra número seis de nossa lista, indica que, antes de corrermos atrás de maravilhas ou milagres de algum profeta, deveríamos, acima de tudo, observar se sua influência promove maior proximidade de Deus ou um afastamento dEle. Esse texto praticamente nos insta a aplicarmos todas as regras, verificando, principalmente, se existe harmonia com Deus e Sua lei.
GMA 260.3A sexta regra ensina que, em conexão com um milagre operado por um impostor, quando testado cuidadosamente, haverá um afastamento das sagradas verdades da Palavra de Deus e um rebaixamento do padrão a fim de satisfazer um coração inclinado a evitar o caminho da abnegação. Deus permite que tal impostor se levante, e seu procedimento é um teste para os verdadeiros filhos de Deus, pois lhes dá uma oportunidade de pesar cuidadosamente a tendência ou os motivos de tal operador de milagres. Os que se apegam à Palavra de Deus, em vez de serem cativados pelo falso operador de milagres, saem fortalecidos em Deus como resultado dessa experiência.
GMA 260.4Nestes dias maus, quando muitos alegam operar a “cura pela fé”, “cura divina”, “cura pela Ciência Cristã”, etc., bom seria aplicar atentamente as regras bíblicas. A obra de alguns desses “curandeiros” é tão sutil que precisamos das regras divinas e da iluminação do Espírito Santo para discernirmos claramente a intenção e o propósito deles. Por outro lado, há aqueles que abertamente desrespeitam a lei de Deus e Sua verdade para este tempo. Em alguns casos, esses pretensos “curandeiros” se iraram como homens cheios de loucura à simples menção da lei de Deus. Tão certo como o Senhor tem uma mensagem que proclama Sua sagrada lei, é certo que tais homens são destituídos da unção do Espírito Santo, pois fazem afronta à Sua lei e expulsam de sua presença até mesmo aqueles que a mencionam.
GMA 261Regra número sete — seus frutos
GMA 261.1Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7:15-20).
GMA 261.2Essas palavras do Salvador reconhecem o fato de que o dom de profecia iria existir na era cristã. Se não fossem existir profetas verdadeiros conectados com a obra de Deus, e toda manifestação profética procedesse de fonte maligna, será que Ele não teria dito: “Acautelai-vos de todos os profetas”? O fato de Cristo nos informar tão detalhadamente como podemos distinguir o genuíno do falso é a maior evidência de que o verdadeiro dom de profecia seria parte da obra do Consolador, o Espírito Santo, que revelaria as “coisas que hão de vir” (João 16:13). Essa regra, a de número sete em nossa lista, é infalível. Cristo não disse que poderíamos conhecê-los, mas, categoricamente, “pelos seus frutos os conhecereis”.
GMA 261.3Perguntamos então: Que fruto deve ser visto como resultado dos genuínos dons do Espírito de Deus? A resposta se encontra no que Paulo declara sobre o propósito de Deus em conceder os dons à igreja:
GMA 261.4Por isso, diz: Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. […] E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4:8-13).
GMA 261.5Se aplicarmos essa regra ao dom profético ligado à mensagem do terceiro anjo, desde sua origem, que resultado teremos? Constatamos que a contínua instrução dada por meio de Ellen White visa a promover a unidade e harmonia. Ela tem exortado a “tomarmos conselho uns com os outros” e a “nos unirmos”, a estarmos em sintonia com Cristo, garantindo assim verdadeira comunhão e união uns com os outros.
GMA 261.6Alguns dos inimigos desta obra afirmam com sarcasmo: “Se não fosse pelas visões de Ellen White que vocês possuem, este movimento de vocês já teria entrado em frangalhos há muito tempo”. A isso respondemos: “É verdade, pois, por este meio, o Senhor tem enviado conselhos, advertências e iluminação, e assim as dissensões têm sido removidas e a obra prosperado”. Portanto, o que nossos inimigos planejavam ser um golpe contra o dom de profecia constitui, na realidade, um testemunho de que seu fruto nasce do verdadeiro dom de profecia.
GMA 262.1Por mais de 60 anos, as manifestações do dom de profecia, reveladas em Ellen White, têm sido provadas por estas sete regras, e, em cada detalhe, têm cumprido as especificações exigidas de um verdadeiro profeta.