Adventist Pioneer
Library
aplib.orgBiblioteca
Índice
12 / 30
12 / 30

Capítulo 10 — O Clamor da Meia-Noite

John Norton Loughborough

GMA 127.1“À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas” (Mateus 25:6, 7).

GMA 127.2Já falamos do tempo de tardança trazido à tona nesta parábola das “dez virgens”. Daremos agora atenção especial à parte introduzida pelo texto acima, designada pelo povo adventista como o “clamor da meia-noite”. Um escritor proeminente sobre o assunto, num periódico chamado Midnight Cry [Clamor da Meia-noite], de 3 de outubro de 1844, disse o seguinte:

GMA 127.3Mas como chegamos a esta noite de tardança? Foi porque iniciamos a contagem da visão [dos 2.300 dias] na primavera, em vez de no outono, de 457 a.C. Faltaram seis meses e alguns dias para que pudéssemos atingir o porto destinado. Isso nos lançou, durante seis meses, na noite de tardança.

GMA 127.4Outro escritor, Samuel Snow, no Midnight Cry de 22 de agosto de 1844, falando dos 2.300 dias, afirmou:

GMA 127.5A contagem começou com a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém. O decreto foi feito primeiramente por Ciro, renovado por Dario, e finalizado por Artaxerxes Longímano no sétimo ano do seu reinado. Foi promulgado e entrou em vigor no outono do ano 457 a.C., quando Esdras, tendo chegado a Jerusalém pela boa mão do Senhor, restabeleceu a nação judaica, nomeou magistrados e juízes e iniciou a construção do muro (ver Daniel 9:25; Esdras 7:21-26; 9:9; Neemias 1:3; 2:12-17).

GMA 127.6Como o tempo da visão era de 2.300 anos completos, era necessária a totalidade do ano 457 e a totalidade do ano 1843 para se completarem os 2.300 anos. Como o decreto não saiu até o sétimo mês do ano 457 a.C., consequentemente o período não terminaria até o sétimo mês do ano de 1844. Como a observância do décimo dia do sétimo mês parecia ser o evento que marcava o início do período, demonstrou-se, portanto, de forma conclusiva, que, no décimo dia do sétimo mês (no calendário judaico) — o nosso 22 de outubro de 1844 — terminariam os 2.300 dias, chegando o tempo de ser purificado o santuário. Todas as evidências usadas para defender o término do período em 1843 aplicavam-se com igual força ao cálculo que levava à data de 1844. Essa convicção era acompanhada da certeza de que haviam descoberto o que parecia ser uma infalível solução para a causa de seu desapontamento. A maneira pela qual os adventistas proclamaram o “verdadeiro clamor da meia-noite”, como era então chamado, não pode ser mais bem ilustrada do que citando os escritos daqueles que, na época, destacadamente se empenharam nessa obra.

GMA 128“Saí ao seu encontro”

GMA 128.1No Midnight Cry de 3 de outubro de 1844, houve um artigo escrito por George Storrs, intitulado “Saí ao seu encontro”, no qual ele disse:

GMA 128.2Com sentimentos tais como nunca antes experimentei, pego minha caneta para escrever. Sem dúvida alguma, em minha mente, o décimo dia do sétimo mês irá testemunhar a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo nas nuvens do céu. Estamos a poucos dias desse evento — um momento terrível para os despreparados, mas glorioso para os que estão prontos.
GMA 128.3“Eis que vem o noivo” neste ano; “saí ao seu encontro”. Já fizemos tudo o que podíamos em favor das igrejas nominais e de todos os ímpios, exceto naquilo em que este clamor os possa afetar. Agora, nossa obra é despertar as “virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo”. Onde nos encontramos agora? “Se a visão tardar, espera-a”. Porventura não tem sido essa a nossa resposta desde março ou abril passados? — Sim. O que aconteceu, tardando o noivo? — As virgens foram tomadas de sono e adormeceram, não é mesmo? As palavras de Cristo não falharam; e “a Escritura não pode falhar”. Será inútil fingir que estivemos despertos; temos estado dormindo, não quanto ao fato da vinda de Cristo, mas quanto ao tempo. Entramos no tempo de tardança; não sabíamos por “quanto tempo” tardaria, e foi nesse ponto que adormecemos. Alguns de nós, em nosso sono, já declaramos: “Não fixem outra data!”, e assim seguimos dormindo. Agora, o problema está em como nos despertar. Senhor, socorre-nos, pois vão é o socorro do homem. Fala, Tu, Senhor. Tomara que o “Pai” possa agora “tornar conhecido” o tempo.

GMA 128A meia-noite da mensagem

GMA 128.4Qual a duração do tempo de tardança? — Meio ano. Como você sabe? — Porque nosso Senhor afirmou: “à meia-noite”, enquanto tardava o noivo. A visão era de “duas mil e trezentas tardes e manhãs”, ou dias. Uma “tarde”, ou noite, é a metade de um daqueles dias proféticos; representa, portanto, seis meses. Essa é a extensão total do tempo de tardança. O forte clamor quanto ao tempo, ora anunciado, começou por volta de meados de julho e espalhou-se com grande velocidade e poder, sendo seguido de uma manifestação do Espírito tal qual eu nunca havia testemunhado quando o clamor era referente a “1843”. Agora é literalmente: “Saí ao seu encontro”. Há um abandonar de tudo tal qual eu nunca sonhei poder ver. Quando este clamor se apodera do coração, agricultores abandonam suas fazendas com suas colheitas. Há forte pranto com lágrimas e um consagrar de tudo a Deus tal qual nunca testemunhei. Há uma confiança nesta verdade, como nunca foi vista em tamanho grau no clamor anterior, e uma glória que leva aos prantos, tocante, que excede todo o entendimento, exceto para aqueles que a experimentaram.
GMA 129.1Nessa verdade presente, eu, mediante a graça, me atrevo a arriscar tudo, e imagino que ceder à dúvida, nesse ponto, seria ofender a Deus e trazer sobre mim mesmo “repentina destruição”. Estou convencido de que, agora, “quem quer que procure salvar a sua vida”, onde este clamor tenha sido claramente anunciado, cedendo à ideia “e se não vier?”, ou por medo de aventurar-se nessa verdade, “perderá sua vida”. Ela requer a mesma fé que levou Abraão a oferecer Isaque, Noé a construir a arca, Ló a sair de Sodoma, os filhos de Israel a aguardar durante a noite toda por sua saída do Egito, Daniel a ir para a cova dos leões, ou os três hebreus para a fornalha de fogo. Temos nos iludido com a ideia de que chegaríamos ao reino sem um teste de fé, mas estou convencido de que não será assim. Esta mais recente verdade provê esse tipo de teste, e ninguém vai se aventurar nela, exceto os que se atrevem a ser contados como tolos, loucos, ou qualquer outra classificação que sodomitas antediluvianos, uma igreja morna, ou virgens adormecidas estejam dispostos a lançar sobre eles. Clamo mais uma vez: “Fuja por sua vida”, “Não olhe para trás”; “Lembre-se da mulher de Ló”.

GMA 129A rocha plana de Storrs

GMA 129.2No Midnight Cry de 10 de outubro de 1844, houve um artigo, escrito por George Storrs, intitulado “A Conclusão”, chamado, contudo, pelos adventistas de “A Rocha Plana de Storrs”:

GMA 129.3Como estaremos prontos para aquele dia? — Creia na verdade de Deus, aventure-se nela com uma fé sólida, que dá glória a Deus. Devemos viver no mesmo estado de espírito, na mesma consagração total a Deus, na mesma morte para o mundo que viveríamos se soubéssemos que iríamos morrer naquele dia.
GMA 129.4Não consigo ilustrar melhor o que quero dizer do que imaginando uma grande rocha plana no meio do oceano. Um príncipe glorioso e muito poderoso promete que, em determinado momento, enviará um esplêndido navio a fim de conduzir a um país glorioso todas as pessoas que ali se encontrarem e demonstrarem haver crido totalmente em Sua palavra. Muitos se aventuram a ir até à rocha. Alguns, quando estão seguros na rocha, cortam a corda, e os barquinhos com que ali chegaram são levados pela correnteza para longe deles, e não mais mantêm em vista esses barquinhos, mas aguardam a chegada do navio. Eles não têm qualquer dúvida quanto à confiabilidade da promessa, e arriscam tudo por ela. Outros creem ser suficiente o fato de haverem alcançado a rocha. Mas veem a necessidade de serem “precavidos” e não correrem um risco tão elevado.
GMA 130.1Antes do momento em que se esperava a chegada do navio, soaram as seguintes palavras: “Seja-vos feito segundo a vossa fé”. Chegou o dia. Os prudentes, possivelmente, têm a intenção de cortar a corda de seus barcos e deixar-se flutuar para longe, se tão somente virem o navio se aproximando. Ele é visto. Agora, porém, é tarde demais para soltar os barcos sem serem notados. Além disso, a mesma prudência de antes lhes ordena agora que não deixem seus barcos à deriva sem antes estarem certos de que não estão equivocados quanto ao navio que se aproxima. O navio, porém, está agora tão próximo que não podem nem mesmo cortar as cordas sem serem vistos.
GMA 130.2O navio chega à rocha. “Que prova existe de que vocês confiaram totalmente na promessa de que o navio viria?” — “Soltamos nossos barcos e eles flutuaram para longe de nós. Isso tornou impossível nossa volta à terra. E realmente teríamos perecido se o navio não tivesse vindo, pois nenhum outro navio jamais passa por esta rocha”. “Isso é suficiente”, clama o comandante do navio; “subam a bordo. Essa confiança não será desapontada”.
GMA 130.3Aqueles que mantiveram seus barcos amarrados à rocha, agora se aglomeram ao redor, tentando embarcar no navio. O comandante pergunta: “Que significam esses barcos que vejo amarrados à rocha, ou cujas cordas só foram cortadas quando apareci à vista?” Eles respondem: “Achamos que deveríamos ser prudentes, de modo que, caso o navio não viesse, teríamos algo com que retornar à terra”. “Então, será que vocês não fizeram provisão para a carne”, clama o comandante, “e assim duvidaram das minhas palavras? Seja-vos feito segundo vossa fé. As evidências estão contra vocês. Fizeram provisão para voltar, e agora, devem colher os frutos de sua incredulidade”. “Assim, eles não puderam entrar por causa da incredulidade”. Oh, terrível situação de desespero!
GMA 130.4Cortem suas cordas já, irmãos; deixem seus barcos se perderem de vista; sim, apressem-se, antes que “apareça o sinal do Filho do homem”. Então, será tarde demais. Arrisquem-se agora, e arrisquem tudo. Oh, meu coração sofre por vocês; não se demorem, empurrem esse barco ou vocês estarão perdidos; “todo aquele que procurar salvar a sua vida perdê-la-á”, declarou Jesus Cristo, nosso Senhor e Juiz. Apressem-se, então, mais uma vez eu lhes rogo, apressem-se! Abandonem cada barco pelo qual vocês planejam escapar e voltar à terra “caso ele não venha”. Esse “caso” vai arruinar vocês. Esta é a última prova e tentação. Façam assim como fez nosso Senhor com a última tentação do diabo. Ele disse: “Retira-te, Satanás”, e, então, o diabo O deixou, e “eis que vieram anjos e O serviram”. Assim será com vocês quando alcançarem esta vitória.

GMA 131Rápida obra do clamor da meia-noite

GMA 131.1Podemos ter uma noção correta quanto à rapidez, poder e efeito da mensagem do “clamor da meia-noite” nas seguintes palavras de N. Southard, editor do jornal já anteriormente mencionado, o Midnight Cry. Na edição de 31 de outubro de 1844, ele declara:

GMA 131.2A princípio, a ideia de tempo definido encontrou oposição geral, mas parecia haver um poder irresistível acompanhando sua proclamação e submetendo-lhe tudo que estivesse à frente. Esse poder varreu a terra com a velocidade de um furacão, atingiu corações em lugares diversos e distantes quase simultaneamente, e de um modo que só pode ser explicado pela suposição de que Deus estava nele. Produziu em toda parte o mais profundo exame de coração e humilhação de alma perante os altos Céus. Causou um desprendimento das afeições das coisas deste mundo, uma cura de contendas e ressentimentos, uma confissão de faltas, um quebrantamento diante de Deus com súplicas por perdão e aceitação, vindas de corações penitentes e quebrantados. Causou humilhação própria e prostração da alma, como nunca antes vista. Ocorreu exatamente como Deus, por intermédio do profeta Joel, determinou que sucederia, quando estivesse às portas o grande dia do Senhor — produziu um rasgar do coração e não das vestes, um retorno ao Senhor com jejuns, lágrimas e lamentações. Como Deus declarou através de Zacarias, um espírito de graça e de súplicas foi derramado sobre seus filhos; olharam para Aquele a quem haviam traspassado, e houve um grande pranto na terra, cada família à parte, e suas mulheres à parte; e os que buscaram ao Senhor afligiram suas almas perante Ele.

GMA 131Movidos por um poder sobrenatural

GMA 131.3Ainda acerca dessa comovente proclamação, o autor continua:

GMA 131.4Ela nos pareceu ter sido tão independente do agente humano que éramos levados a considerá-la como cumprimento tanto do “clamor da meia-noite”, após a tardança do noivo, quanto do sono das virgens adormecidas quando estas deviam levantar-se e acender suas lâmpadas. A última obra parece ter sido realizada, pois nunca houve um momento em que os respectivos grupos adventistas estivessem num estado tão bom de preparação para a vinda do Senhor.

GMA 132Abandono das posses mundanas

GMA 132.1Sob a comovente proclamação da doutrina do advento, muitos venderam suas posses, utilizando seus recursos para sustentar a obra dos oradores públicos, disseminando artigos e folhetos impressos, ou providenciando suprimentos aos necessitados. Com essa atitude, davam ao mundo a melhor prova de sua sinceridade e zelo, ao passo que os que se agarravam a seus bens terrestres, e deixavam de fazer qualquer sacrifício especial em favor da causa, foram julgados pelos mundanos como pessoas que, em realidade, não criam no que professavam. A título de ilustração, dou aqui dois exemplos, um de cada lado da questão.

GMA 132Uma plantação de batatas

GMA 132.2O primeiro exemplo é de um dos fiéis que vivia em New Ipswich, New Hampshire, chamado Hastings. Esse irmão tinha um enorme campo de batatas excelentes, que não foram colhidas. Seus vizinhos estavam preocupados com elas e se ofereceram para colhê-las e colocá-las no celeiro gratuitamente, se ele o permitisse, “pois”, disseram eles, “você pode precisar delas”. “Não!” disse o Sr. Hastings, “eu vou deixar que essa plantação de batatas pregue sobre minha fé no breve aparecimento do Senhor”.

GMA 132.3Naquele outono, como registrado no Eagle de Claremont, New Hampshire, no True Sun de Nova Iorque e em vários outros jornais públicos, a safra de batatas foi quase totalmente perdida devido a uma “peste nas batatas”. A história foi relatada assim no Sun:

GMA 132.4Como é doloroso saber que toda a safra dessa valiosa raiz foi destruída pela peste. Um correspondente de um jornal da Filadélfia diz que a safra da batata daquele Estado está arruinada. O único local de onde se ouve pouca queixa é o Maine, mas, mesmo ali, a safra não pôde escapar da doença.

GMA 132.5Como a estação outonal foi branda e as batatas do Sr. Hastings permaneceram enterradas até novembro, nenhuma delas apodreceu. Consequentemente, restou-lhe um abundante suprimento para si e para seus desafortunados vizinhos, que haviam sido tão solícitos com ele no outubro anterior; e com a chegada da primavera, foram obrigados a comprar suas sementes, alegrando-se por pagar por elas um preço bom. O que parecia ter sido uma calamidade para o Sr. Hastings foi transformado por Deus em bênção terrena, não apenas para ele, mas também para seus vizinhos.

GMA 133O homem que negou sua fé

GMA 133.1O segundo exemplo aconteceu onde eu morava. Havia certo membro que sempre falava muito nas reuniões acerca da vinda do Senhor no outono de 1844. Possuía um patrimônio considerável. Entre outras coisas, tinha uma manada de porcos na idade certa para serem vendidos no mercado durante a primavera. Um tio meu, sem pretensões religiosas, e cujo negócio era a compra e venda de gado, dirigiu-se a esse professo adventista para comprar seus porcos, mas descobriu que ele não queria vendê-los, pois os estava guardando até a “feira de porcos”, que ocorreria na primavera seguinte. Meu tio veio falar com meu avô, um crente adventista, e disse: “Aquele homem não acredita no que professa”. “Por quê?” perguntou meu avô. Meu tio respondeu: “Porque ele diz que Jesus está voltando, e que o mundo chegará ao fim neste outono, mas quer guardar seus porcos para a próxima primavera. Ele não precisa dizer nada, pois não acredita numa palavra sequer de tudo isso”.

GMA 133Recursos oferecidos tarde demais

GMA 133.2Houve alguns que retiveram seus recursos e resistiram continuamente à convicção de que deveriam usá-los no avanço da obra até que foi tarde demais para investi-los. Então, essas pessoas procuraram os envolvidos em publicar a mensagem, insistindo, mesmo com lágrimas, para que aceitassem o dinheiro. A resposta, porém, foi: “Tarde demais! Já pagamos por todo o material impresso que seremos capazes de circular antes do fim. Contratamos várias máquinas de impressão para funcionarem dia e noite; não queremos mais dinheiro”. Uma testemunha ocular me relatou haver visto algumas pessoas depositarem milhares de dólares sobre a mesa do editor da Voz da Verdade, e, em angústia de espírito, implorarem que ele tomasse o dinheiro e o usasse. A resposta foi: “Tarde demais! Não queremos seu dinheiro agora! Não podemos usá-lo!” Então, perguntaram: “Será que ele não pode ser doado aos pobres?” A resposta foi a mesma: “Já fizemos provisão para o suprimento imediato de todos quantos poderíamos alcançar”. Em angústia de espírito, essas pessoas levaram embora seu dinheiro, e declararam que haviam trazido sobre si mesmos a desaprovação de Deus pela falta de fé e pela cobiça que os levou a negar seus recursos à causa de Deus quando esses eram necessários e poderiam ter sido usados com prazer.

GMA 134Guardiões nomeados

GMA 134.1O caráter e os princípios daqueles que deixaram seus campos por colher e abandonaram suas oficinas, a fim de fazer circular a página impressa ou conversar e orar com o povo, deram evidência de que esses homens e mulheres acreditavam, de fato, em cada palavra que diziam. Além disso, o poder que os acompanhava era tal que os sinceros de coração não podiam resistir a suas palavras nem contradizê-las. Dessa forma, milhares creram na verdade, buscaram a Deus e obtiveram misericórdia.

GMA 134.2Contudo, os escarnecedores e mundanos declarados decidiram que essa obra de espalhar as publicações adventistas devia ser interrompida. Declararam que esses adventistas, que escolhiam uma pequena cidade, ou todo um condado, indo de casa em casa com essa doutrina do advento e negligenciando seus negócios e famílias, deviam estar fora de si, e, portanto, deviam ser cuidados por guardiões. As evidências alegadas de que os fiéis não estivessem em seu estado normal, mentalmente falando, representaram provas insuficientes de insanidade, pois a obra que realizavam era simplesmente uma obra em favor da salvação do próximo. Além disso, não havia provas de que suas famílias estivessem sofrendo devido ao abandono de seus negócios. Consequentemente, apenas poucas pessoas foram colocadas sob a tutela de guardiões. No entanto, a julgar pelo alvoroço que os oponentes fazem ao se referirem a esse fato, poder-se-ia imaginar que houve muitos casos. Em toda minha obra, porém, como pastor adventista, cobrindo um período de mais de 56 anos, encontrei apenas dois casos de “mileritas” que foram colocados sob tutores. Uma breve referência a esses casos pode ser apropriada a essa altura.

GMA 134Seu próprio guardião

GMA 134.3O primeiro desses casos ocorreu no Estado de Nova Iorque, a menos de 30 quilômetros de onde eu morava. Certo homem aceitou a doutrina adventista. Seu patrimônio chegava a 100 mil dólares. Ele doou cerca da metade desse montante para a esposa e filhos, que não compartilhavam da mesma fé. O restante considerou como seu para ser usado como melhor entendesse. Por ele haver aplicado uma parte na causa adventista, seus filhos levantaram objeções e buscaram aconselhamento com um juiz, solicitando que nomeasse um guardião para seu pai. Após o juiz lhes inteirar quanto aos deveres e direitos de um guardião no gerenciamento da propriedade, pediu-lhes que escolhessem o guardião desejado. Depois de discutirem entre si por alguns instantes, concluíram que não conheciam nenhum homem a quem poderiam atrever-se a confiar a propriedade. Relataram então ao juiz que haviam escolhido o pai como seu próprio guardião. O juiz virou-se para o homem e disse: “Sr. X, seus filhos escolheram o senhor como a pessoa adequada para gerenciar sua própria propriedade. Suas ocupações continuam exatamente as mesmas que antes de você ser trazido ao tribunal”. Embora eu esteja bem familiarizado com essa pessoa e com os fatos envolvidos, não tenho a liberdade de revelar seu nome.

GMA 135Uma situação ridícula

GMA 135.1O outro caso foi o do Sr. Stockbridge Howland, de Topsham, Maine. Este era um dos melhores mecânicos em toda aquela região do país e um trabalhador perito na construção de moinhos e pontes. No movimento do “clamor da meia-noite”, o Sr. Howland percorreu, a cavalo, vários municípios, espalhando de casa em casa impressos e folhetos do advento para o grande desgosto de seus opositores e zombadores. Estes se queixavam de que ele, nessa distribuição de folhetos, negligenciava seus negócios. Portanto, prontamente asseguraram a nomeação de um guardião, que encontrou mais serviço a fazer do que esperava. Na verdade, o Sr. Howland enviou-lhe todos os cobradores de impostos; e não somente esses mas quem quer que lhe trouxesse contas a ser pagas. O motivo, dizia ele, é que “não sou considerado competente para fazer qualquer negócio”. Pouco tempo depois, o município decidiu construir uma ponte sobre o rio Kennebec — uma ponte que suportasse a furiosa torrente das águas e do gelo flutuante na época das cheias da primavera. Os comissários do condado e os membros da Câmara Municipal decidiram que Stockbridge Howland era o homem certo para o trabalho. Quando vieram com as especificações e um contrato para que construísse a ponte, ele respondeu ironicamente: “Senhores, vocês terão que consultar meu guardião. Vocês sabem que não sou considerado competente para cuidar de meu próprio negócio, e vocês me vêm pedir para construir uma ponte!” A situação acabou ficando ridícula demais para homens sensatos, de sorte que a tutela rapidamente foi encerrada. Basta mencionar que, tempos depois, seus perseguidores fizeram o mais humilde pedido de desculpas pelo curso injusto e inoportuno que haviam tomado.

Nota

Voltar