Capítulo 15 — Maior Luz e Maiores Maravilhas
GMA 195.1“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos coparticipantes com aqueles que desse modo foram tratados” (Hebreus 10:32, 33).
GMA 195.2O período desde o desapontamento em 1844 até o momento em que recebemos clara luz acerca do santuário e da mensagem do terceiro anjo foi de grande provação. Os adventistas que ainda perseveravam em sua crença de que sua compreensão profética no movimento milerita estava correta foram de fato “expostos como em espetáculo” perante os que supunham ser a mensagem um fracasso total. Por esse motivo, esses fiéis tornaram-se alvo de grande censura. Entretanto, podiam suportá-la alegremente, enquanto, pela fé, permanecessem firmes no Senhor e partilhassem da presença do Espírito Santo.
GMA 195Dois pontos especiais de ataque
GMA 195.3Satanás procurou tentar o povo adventista em dois pontos especiais. O primeiro deles era levar os que estavam firmes na crença de que o tempo profético terminara a adotar a doutrina de que a segunda vinda de Cristo era uma vinda espiritual, e que, de alguma forma, ela havia ocorrido ao fim dos 2.300 dias. O segundo ponto era levar os que acalentavam dúvidas acerca de sua experiência anterior a desistir de tudo. Portanto, à medida que a verdade a respeito do santuário e da mensagem do terceiro anjo era gradualmente desdobrada por meio do estudo das Escrituras, as mensagens dadas pelo Espírito de Deus, mediante o dom profético, confirmavam o movimento anterior e ratificavam ser este “uma luz brilhante” posta por Deus no início da jornada a fim de iluminar todo o caminho até a cidade. Além disso, apontavam para as evidências bíblicas de que o segundo advento de Cristo precisava ser literal e pessoal, razão por que não poderia ser o evento ocorrido ao fim dos “2.300 dias”.
GMA 196Manifestações maravilhosas
GMA 196.1Se for da vontade de Deus Se comunicar com Seu povo nestes últimos dias por intermédio de visões, será que não deveríamos esperar que, na própria manifestação da visão, haja claras indicações de sua procedência divina? Assim, nas visões que Ellen White recebeu, as indicações quanto a sua origem divina são bem evidentes. Como já mostramos no capítulo 13, o próprio fenômeno observado no decorrer da visão é simplesmente milagroso. Entretanto, existem muitas maravilhas adicionais, que você descobrirá nesta leitura, exibidas em conexão com as visões iniciais de Ellen White. Com efeito, como poderíamos esperar que um dom dessa natureza não fosse acompanhado dessas evidências? Tal dom foi concedido por Deus com o objetivo de atrair a atenção das pessoas e levá-las a exclamar como Moisés: “Irei ali e verei essa grande maravilha”. A simples declaração de uma menina pobre, frágil e doente, aparentemente à beira da sepultura, afirmando que o Senhor lhe concedera uma visão, teria sido insuficiente para produzir tamanho interesse. As maravilhosas manifestações que as acompanharam despertaram o interesse nessas visões, e essa jovem passou a receber convites para viajar de lugar em lugar e para anunciar o que Deus lhe ordenara comunicar a outros.
GMA 196Demonstrações notáveis na terceira visão
GMA 196.2Vou aqui mencionar alguns fatos a respeito da terceira visão de Ellen White, ocorrida na casa de seu pai (ver p. 172). Esses detalhes me foram relatados pelo próprio pai, mãe, e irmã de Ellen White, bem como pela Sra. Sarah Belden e outros.
GMA 196.3No aposento onde a visão foi dada, encontrava-se sobre a cômoda uma grande Bíblia de família. Era um exemplar de uma edição impressa em Boston por Joseph Teale em 1822. O livro media 45 x 28 centímetros, com 10 centímetros de espessura, e pesava pouco mais de 8 quilos. Enquanto em visão, ela se levantou, tomou essa pesada Bíblia, que estava aberta, em seu braço esquerdo e a segurou de forma perpendicular a seu corpo. Então, por mais de meia hora, virava com a mão direita de página em página, indicando várias passagens bíblicas. Ela repetia os textos enquanto olhava para o alto, em direção oposta à da Bíblia. Sua irmã Sarah (que posteriormente se casou com Stephen Belden), ou, às vezes, alguma outra pessoa presente, conferiu cada texto a que o dedo de Ellen apontava, e percebeu claramente que, em todos os casos, ela estava repetindo o texto sobre o qual seu dedo repousava. Sua mãe, a Sra. Harmon, disse que Ellen, em seu estado natural, “seria incapaz, devido à falta de força, de erguer da cômoda essa pesada Bíblia; mas durante a visão, segurou-a, aparentemente com a mesma facilidade com que seguraria uma Bíblia de bolso”.
GMA 197.1Aqui houve realmente um prodígio! Vejamos os pontos principais: uma menina delicada, com apenas 32 quilos, segurou uma Bíblia muito pesada por mais de meia hora numa posição em que um homem forte não poderia fazê-lo por dois minutos; ela passava de um texto a outro, olhando para cima e em direção oposta à Bíblia, e repetia cada texto assim que o apontava; os que ali estavam confirmaram que os textos repetidos correspondiam exatamente aos que ela apontava; por último, a voz emitida era a de uma pessoa que não movimentava os pulmões ou o corpo. Esses fenômenos certamente estão acima de qualquer acusação de terem sido produzidos por intervenção humana, ou de serem efeito de doença. Os que contemplaram essa maravilha consideraram o fato como clara manifestação do Espírito dAquele que falou do meio da sarça ardente. Manifestações como essas ocorridas na terceira visão de Ellen Harmon, onde quer que fossem anunciadas, traziam provas convincentes de que um poder mais do que finito estava presente nas visões.
GMA 197A visão em Topsham
GMA 197.2Logo após esse acontecimento, o grupo de adventistas de Topsham, situada a cerca de 50 quilômetros a nordeste de Portland, Maine, convidou Ellen Harmon para visitá-los, pois ouvira como Deus a estava usando. O convite foi aceito, e pela primeira vez ela fez uma visita àquela cidade. As reuniões adventistas naquele tempo eram realizadas na casa do Sr. Curtiss. A Sra. Frances Lunt (anteriormente chamada Srta. Frances Howland), de Oakland, Califórnia, deu-me o seguinte relato, datado de 19 de janeiro de 1890:
GMA 197.3Eu, juntamente com a família de meu pai, participamos das reuniões da irmã Harmon em Topsham, em 1845, e durante essas reuniões ela teve uma visão. Foi a primeira vez que a vimos em visão. Uma dessas Bíblias antigas [a Bíblia de família Teale, pesando 8 quilos] era de propriedade do irmão Curtiss. Essa grande Bíblia foi pega da cômoda pela irmã Harmon enquanto estava em visão, e textos das Escrituras foram apontados por ela ao virar folha por folha, enquanto seus olhos estavam olhando para cima, em direção oposta ao livro. Os textos por ela repetidos eram ou palavras de instrução, de encorajamento ou de reprovação. Outra peculiaridade ligada à manifestação naquele momento era a posição do livro. Com sua mão aberta, segurava o livro num ângulo de 45 graus. Nenhuma pessoa era capaz de segurar qualquer livro em ângulo semelhante sem que logo escorregasse das mãos; mas a irmã Harmon segurou essa Bíblia naquele ângulo por vários minutos, tão firmemente como se estivesse colada na mão, enquanto passava de um para outro no aposento.
GMA 198Depoimento da Sra. Truesdail
GMA 198.1Outro relato a respeito dessa mesma visão vem da Sra. M. C. Truesdail, de Trenton, Missouri, datado de 27 de janeiro de 1891. Ela declara:
GMA 198.2Eu tinha quinze anos de idade em 1845. Estive presente por ocasião da primeira visita da irmã Harmon a Topsham, onde recebeu uma visão na casa do irmão Curtiss. Nessa visão, ela pegou a grande Bíblia da família e a segurou numa posição que nenhum outro conseguiu segurar sem que o livro deslizasse.
GMA 198.3A irmã Harmon esteve em visão por mais de duas horas. Foi a mais maravilhosa manifestação do poder de Deus que já testemunhei; e já a vi em visão mais de doze vezes. Essas ocasiões eram sempre profundamente solenes e de autoexame; esta, porém, excedeu a todas. Oh! Como tremíamos enquanto a Majestade do Céu nos instruía por meio de Seu frágil instrumento; enquanto ela lia para nós passagens tão reconfortantes e apropriadas à difícil situação em que nos encontrávamos, como Hebreus 2:2, 3; Tiago 5:7, 8; Hebreus 10:35, 39; 1 Pedro 1:7; Lucas 12:32-37, além de muitas outras. Ela segurava a grande Bíblia de família tão alto que fui obrigada a subir numa cadeira para conseguir ler os textos aos quais apontava. Não imagino que a irmã Harmon tivesse mais que cinco centímetros de altura a mais do que eu.
GMA 198.4Manifestações como essas convenceram os que eram sinceros de coração de que algum poder sobrehumano controlava aquele humilde instrumento. A partir de então, chamados começaram a chegar das várias regiões da Nova Inglaterra para que ela os visitasse e desse seu testemunho.
GMA 198É pecado o trabalho manual?
GMA 198.5Pouco depois desse acontecimento, Ellen Harmon foi instruída em visão a visitar Paris, no Maine, onde alguns indivíduos acreditavam que era pecado efetuar trabalho manual. O pastor Stephens, de Woodstock, Maine, era o líder desse engano, e exercia forte influência sobre os outros. Anteriormente, ele havia sido um pregador metodista, e era considerado um cristão humilde e fiel. Havia conquistado a confiança de muitos pelo zelo que demonstrava em favor da verdade e pela vida aparentemente santa que levava. Tudo isso levou alguns a acreditar que ele era especialmente dirigido por Deus. O Senhor lhe enviou uma repreensão por meio de Ellen Harmon. Informou-o de que estava contrariando a Palavra de Deus ao abster-se do trabalho, impor seus erros a outros, e condenar todos que não os aceitassem. Esse pastor rejeitou todas as evidências dadas por Deus para convencê-lo de seu erro, recusando-se a reconhecer suas faltas. Seguia suas próprias impressões, fazia cansativas viagens e caminhava grandes distâncias, onde recebia apenas maus tratos. Em tudo isso, considerava que estava sofrendo por amor de Cristo. Havia deixado de lado sua própria razão e juízo.
GMA 199.1Com respeito ao testemunho dado por Ellen Harmon e o desfecho desse caso, quero mencionar uma carta recebida da Sra. M. C. Truesdail, que na época residia em Paris, Maine. Após apresentar alguns detalhes em harmonia com o que citamos acima, ela declara:
GMA 199.2Todos fizeram confissões, exceto seu líder, Jesse Stephens. A irmã Harmon alertou-o de que sua carreira em breve chegaria ao fim, a menos que se humilhasse e confessasse seus erros. Todos compreenderam que essa mensagem, de alguma forma, era uma predição de que ele cometeria suicídio.
GMA 199.3Eis o desfecho desse caso:
GMA 199.4Após seu pequeno rebanho deixá-lo, ficou deprimido, e logo depois perdeu a razão, recusando-se a comer qualquer coisa preparada pelos ímpios. Ele não tinha tomado conhecimento do meu retorno de Massachusetts quando levei seu jantar. Ele me perguntou, enquanto estendia sua mão esquelética através de uma pequena abertura na janela: “Foi Deus quem lhe enviou com isso, irmã Marion?” Percebendo minha hesitação em responder, recusou-se a provar a comida. Sua lastimável condição, confinado a um pequeno quarto em casa de seu irmão (que era descrente), me fez lembrar da advertência que, tão gentilmente, lhe havia sido enviada do Céu, que tão obstinadamente rejeitara. Dois dias após essa triste visita, ele foi levado de volta à sua família; ali, logo pôs fim a sua vida, cometendo suicídio com uma corda que fizera com seus lençóis (Carta da Sra. M. C. Truesdail, 27 de janeiro de 1891).
GMA 199O cumprimento de uma predição
GMA 199.5No verão de 1845, a convite de Otis Nichols, Ellen Harmon visitou Massachusetts, sendo acompanhada por sua irmã Sarah. Elas passaram a morar com a família do Sr. Nichols. Ele e sua esposa as conduziam de carruagem a diversos lugares a fim de realizarem reuniões em que Ellen Harmon dava seu testemunho. Dessa maneira, ela pôde visitar Boston, Roxbury e Carver. Por ocasião de sua segunda visita a Boston, Massachusetts, algo muito interessante aconteceu.
GMA 200.1Havia em Boston e seus arredores um grupo de fanáticos que também considerava o trabalho como pecado. A principal mensagem deles era: “Vendei os vossos bens e dai esmola”. Afirmavam estar no jubileu, tempo em que a terra deveria descansar e os pobres deveriam ser sustentados sem trabalho. Sargent, Robbins e algumas outras pessoas compunham a liderança do grupo. Denunciavam as visões como procedentes do diabo, pelo fato de elas revelarem seus próprios erros. Usavam de grande severidade para com todos os que não acreditassem como eles.
GMA 200.2Enquanto Ellen Harmon e sua irmã visitavam a casa do Sr. Nichols, os líderes Sargent e Robbins vieram de Boston a fim de pedir um favor dele, declarando que haviam vindo lhe fazer uma visita e passar ali a noite. O Sr. Nichols declarou estar feliz por terem vindo, pois as senhoritas Sarah e Ellen Harmon estavam ali, e queria que as conhecessem. Imediatamente os dois mudaram de ideia e não houve como persuadi-los a entrar na casa. O Sr. Nichols, então, lhes perguntou se Ellen poderia apresentar sua mensagem em Boston para que eles a ouvissem primeiro e depois fizessem um julgamento. “Sim”, responderam, “venham a Boston no próximo domingo [eles ainda não haviam recebido o verdadeiro sábado]. Queremos ter o privilégio de ouvi-la”.
GMA 200.3O Sr. Nichols me relatou esse acontecimento em 1858 enquanto nos encontrávamos em sua casa, em Dorchester. Afirmou que havia feito todo o cálculo para ir a Boston com sua carruagem, domingo de manhã, a fim de levar Ellen Harmon para a reunião proposta. Naquela noite, porém, durante o culto familiar, ela foi tomada em visão. Após voltar da visão, declarou: “Irmão Nichols, amanhã não irei a Boston; o Senhor me revelou que devo ir a Randolph. Ele tem uma obra para eu fazer ali”. O Sr. Nichols tinha grande cuidado quando dava sua palavra de honra. Havia prometido levá-la para Boston no dia seguinte e ansiosamente perguntou: “Que farei, pois dei minha palavra de honra a Sargent e Robbins?” “Não se preocupe com isso”, disse Ellen, “o Senhor me ordenou ir a outro lugar”. “Bem”, disse o Sr. Nichols, “não consigo entender”. “O Senhor me revelou que entenderemos quando chegarmos lá”, declarou Ellen. “Bem”, disse o Sr. Nichols, “não há como você chegar lá, a menos que a levemos; só não sei como vou explicar essa questão aos irmãos em Boston”. O Sr. Nichols também me informou que,
GMA 200.4durante a visão, a irmã Harmon pôde ver a hipocrisia daqueles irmãos. Foi-lhe revelado que não haveria reunião em Boston naquele domingo; que Sargent, Robbins, e outros opositores, iriam se reunir no domingo com um grande grupo em Randolph (a 20 quilômetros de Boston) e que teríamos de enfrentá-los ali naquela reunião; e que ali ela teria uma mensagem a dar-lhes, a qual convenceria os de coração honesto e sem preconceito quanto a serem suas visões provenientes de Deus ou de Satanás.
GMA 201.1Em vez de ir para Boston e, em seguida, Randolph, percorrendo uma distância de 35 quilômetros, eles foram direto para Randolph, chegando lá na hora da reunião. Ali, encontraram os mesmos que haviam concordado em encontrá-los em Boston. O Sr. Nichols disse então: “Agora eu entendo”.
GMA 201.2Essa tentativa de Sargent e Robbins de se esquivarem do testemunho de Ellen Harmon e a maneira pela qual ela foi direcionada a encontrá-los tiveram grande influência sobre a mente de alguns que ali estavam. Apresento aqui a descrição dada pelo Sr. Nichols acerca dessa reunião:
GMA 201Manifestações notáveis
GMA 201.3A irmã Ellen foi tomada em visão em meio a extraordinárias manifestações, e prosseguiu falando em visão até por volta do pôr do sol, com voz clara, que podia ser bem entendida por todos os presentes. Sargent, Robbins e French estavam muito irritados e agitados por ouvirem a irmã Ellen falar enquanto em visão. Eles declararam que a visão era do diabo, e gastaram toda sua influência e força física na tentativa de destruir o efeito da visão. Cantavam muito alto, e, em seguida, alternadamente falavam e liam a Bíblia em voz alta para impedir que Ellen fosse ouvida. Prosseguiram com isso até findarem suas forças. Suas mãos começaram a tremer de modo que não conseguiam ler a Bíblia. Mas em meio a toda essa confusão e barulho, a voz clara e penetrante de Ellen falando em visão foi distintamente ouvida por todos que ali estavam. Estes homens prosseguiram em sua oposição enquanto conseguiam falar e cantar, apesar da repreensão de alguns de seus próprios amigos, que lhes pediam para parar. Robbins, porém, declarou: “Vocês estão inclinados perante um ídolo. Estão adorando um bezerro de ouro”.
GMA 201.4O Sr. Thayer, em cuja casa haviam se reunido, não estava totalmente convencido de que a visão era do diabo, como Robbins afirmava. Queria testá-la de alguma forma. Ele ouvira que as visões dadas pelo poder satânico eram detidas ao se abrir a Bíblia e colocá-la sobre a pessoa em visão. Assim, perguntou a Sargent se este poderia testar a visão dessa maneira. Ele, porém, recusou-se a fazê-lo. Então, o Sr. Thayer tomou a Bíblia de família, grande e pesada (com páginas de 22 x 28 centímetros), que ficava sobre a mesa e era raramente utilizada. Ele a abriu e a colocou contra o tórax de Ellen, que estava em visão, sentada, com as costas inclinadas contra a parede no canto da sala. Logo que a Bíblia foi posta sobre Ellen, ela se levantou e se dirigiu ao meio da sala, segurando, com uma das mãos, a Bíblia aberta, e levantando-a tão alto quanto possível; e com o olhar voltado para cima, declarou solenemente: “O testemunho inspirado de Deus”, ou algo assim. E então, enquanto a Bíblia permanecia aberta em uma das mãos, e seus olhos direcionados para cima e não em direção à Bíblia, ela continuou por um longo período a virar as páginas com a outra mão. Ela colocava o dedo sobre certas passagens e recitava os textos corretamente e em tom solene. Muitos dos presentes conferiram essas passagens às quais seu dedo apontava para ver se ela as declarava corretamente, já que os olhos dela, nesse mesmo momento, olhavam para cima. Algumas das passagens mencionadas constituíam juízos contra os ímpios e blasfemadores, e outras eram admoestações e instruções com relação a nossa condição atual.
GMA 202A mais longa visão (superior a 6 horas)
GMA 202.1Ela continuou nesse estado a tarde toda, até o pôr do sol, quando saiu da visão. Quando Ellen se pôs de pé, segurando na mão a pesada Bíblia aberta, andando pela sala e declarando as passagens das Escrituras, Sargent, Robbins e French foram silenciados. Durante o resto da tarde, eles, e muitos outros, ficaram perturbados, mas fecharam os olhos e enfrentaram a situação sem fazer qualquer confissão quanto ao que sentiam (Spiritual Gifts, vol. 2, p. 77-79).
GMA 203O casamento de Ellen Harmon
GMA 203.1 Em 30 de agosto de 1846, Ellen Gould Harmon e o irmão Tiago Springer White uniram-se em matrimônio, e, juntos, trabalharam para o avanço da mensagem. Durante o ano de 1847, sua obra limitou-se principalmente ao Estado de Maine e de Massachusetts.
GMA 203.2No primeiro sábado de abril, Ellen White recebeu uma visão muito interessante na casa de Stockbridge Howland, de Topsham. Este era geralmente o local em que as reuniões eram realizadas naquela época. Esta é a visão mencionada no livro Primeiros Escritos [p. 32], em que lhe foi mostrado o santuário e seus utensílios, o tempo de angústia, os santos fugindo das cidades, os ímpios que os cercavam, o livramento trazido pela voz de Deus, o jubileu, a vinda do Senhor no carro de nuvens, etc. É interessante observar alguns de seus movimentos corporais durante essa visão.
GMA 203Muitas Bíblias usadas em uma visão
GMA 203.3A Sra. Frances Lunt (filha do Sr. Howland), no dia 19 de janeiro de 1890, relatou-me o seguinte:
GMA 203.4Na sala onde as reuniões eram realizadas, havia uma mesa sobre a qual havia diversos tipos de livros. Dentre eles, várias Bíblias de tamanho comum. Enquanto em visão, Ellen White ficou em pé, foi até a mesa, pegou uma das Bíblias sem tocar em qualquer outro livro. Ela então manteve essa Bíblia aberta com a mão esquerda, acima da cabeça, e apontava, com o dedo indicador da mão direita para o texto das Escrituras, que repetia, enquanto permanecia em frente da pessoa a quem o texto fora designado. Após colocar o livro aberto sobre o peito dessa pessoa, retornava à mesa, tomava outra Bíblia, repetia da mesma forma outro texto e colocava a Bíblia aberta sobre o peito da pessoa a quem se dirigia. Esse ato foi repetido com umas seis pessoas. Depois disso, ela graciosamente se assentou numa cadeira. Durante todo este tempo, ela olhava para cima e em direção oposta ao livro.
GMA 203.5Referindo-se a esta ocasião, a Sra. Truesdail declara:
GMA 203.6Estive presente [em abril de 1847] quando a irmã White foi até a mesa e pegou Bíblia após Bíblia dentre os livros que ali estavam. Ela colocava a Bíblia sobre o peito da pessoa para quem ela tinha um texto bíblico, e isso era feito enquanto seus olhos estavam voltados para o céu. Nessa ocasião, ela segurava a Bíblia acima de sua cabeça enquanto falava a mim; e então, colocou a Bíblia sobre meu peito. A passagem que me foi dada era: 2 Coríntios 6:17 (Carta da Sra. M. C. Truesdail, 27 de janeiro de 1891).
GMA 204.1A Sra. Frances Lunt, em uma carta que escreveu, fornece o nome de três pessoas que estavam presentes nessa ocasião, e sobre quem as Bíblias foram postas enquanto Ellen White lhes declarava o texto de cada um. Dentre esses nomes, está o da Sra. Truesdail.
GMA 204Os primeiros esforços entre os adventistas
GMA 204.2Sob a direção do dom de profecia, a obra de Ellen Harmon, desde janeiro de 1845 até a primavera de 1846 — totalizando quase 18 meses — concentrou-se nos “crentes” na iminente vinda de Cristo, aqueles com os quais estivera associada anteriormente. No período intermediário decorrido entre o término dos 2.300 dias (em 22 de outubro de 1844) e o momento em que compreenderam a razão do desapontamento bem como a natureza do evento ocorrido, houve perigo de que os crentes se deixassem levar por ideias errôneas ou desistissem completamente de sua experiência passada. A mensagem que ela lhes deu foi: “O movimento passado era de Deus. Mantenham-se firmes na fé. O Senhor ainda tem uma obra para Seu povo. Estudem a Bíblia. Examinem a palavra e encontrarão a luz”.
GMA 204.3Essa instrução está em harmonia com o propósito do Senhor. O propósito de Deus sempre foi que a mensagem especial para Seu povo viesse à luz, no momento certo, através de Sua Palavra; então, “em segundo lugar”, deveria entrar em cena o dom de profecia para confirmar e edificar os crentes.
GMA 204.4Encontramos um notável exemplo desse fato no caso de Cornélio, conforme registrado no livro de Atos. Um anjo de Deus lhe apareceu e lhe deu uma visão em sua própria casa. O anjo conhecia muito bem as verdades do evangelho e poderia tê-las ensinado a Cornélio. Contudo, ao dar-lhe a visão, ele havia sido enviado para servir alguém que era herdeiro da salvação. O anjo lhe assegurou que sua devoção e consagração haviam sido aceitas pelo Senhor. No entanto, não pregou o evangelho a Cornélio, mas simplesmente lhe instruiu a que chamasse Pedro, que estava hospedado com Simão, o curtidor, em Jope. Pedro veio, e anunciou a Cornélio o evangelho de Cristo a partir das Escrituras.
GMA 204A posição correta do dom de profecia
GMA 204.5Nesse ponto, vale a pena notar a ordem de desenvolvimento dos dons que foi estabelecida por Deus em Sua Palavra. Paulo fala dela na carta aos Coríntios. Ele diz: “A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas” (1 Coríntios 12:28).
GMA 205.1Ao considerar a declaração do apóstolo referente à relação desses dons na obra do evangelho, percebemos prontamente a razão pela qual esta sequência deve ser seguida. Ao comparar os dons, Paulo afirma: “De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que creem” (1 Coríntios 14:22). No plano de Deus, Sua mensagem especial para o mundo deve ser anunciada a partir de Sua Palavra. Assim, Ele leva as pessoas a examinar as Escrituras e a avançar como apóstolos, com a responsabilidade de transmitir as mensagens do Senhor e proclamá-las a partir da Bíblia, um livro que tem resistido ao teste do tempo. À medida que os crentes começam a surgir, o dom de profecia vem “em segundo lugar”, cumprindo sua parte “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:12).