Adventist Pioneer
Library
aplib.orgBiblioteca
Índice
14 / 30
14 / 30

Capítulo 12 — O Desapontamento e o Livrinho Amargo

John Norton Loughborough

GMA 149.1“E tomei o livrinho da mão do anjo e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo. E ele disse-me: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis. E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo e disse: Levanta-te e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram” (Apocalipse 10:10, 11; 11:1, ARC).

GMA 149.2Na linguagem bíblica, “comer” um livro representa aceitar a verdade a fim de comunicá-la a outros, como se vê em Ezequiel, onde se mostrou ao profeta “o rolo de um livro”, e foi-lhe dito: “Come este rolo, vai e fala à casa de Israel”. Depois de comer o rolo, ele diz: “Eu o comi, e na boca me era doce como mel” (Ezequiel 3:1-3).

GMA 149.3O profeta Jeremias usa a mesma ilustração: “Achadas as Tuas palavras, logo as comi; as Tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração” (Jeremias 15:16). Por meio dessa linguagem, aprendemos que a “doçura” do livro, enquanto é comido, representa a alegria e a satisfação experimentada por aqueles que se alimentam da palavra do Senhor.

GMA 149O livrinho doce que ficou amargo

GMA 149.4O livro mencionado em Apocalipse 10 era doce como o mel para quem o comia, porém “amargo” após ser comido. Outras traduções dizem: “logo que eu o digeri, no meu estômago ele se tornou pícrico”1. Este era o livro pelo qual o anjo anunciou, com a autoridade dAquele que fez o céu, a terra e o mar, que “já não haverá mais tempo” (trad. lit. KJV). Assim, comer desse livro deve representar a alegre aceitação da proclamação de tempo profético. A repentina amargura experimentada pelos que o haviam comido deve representar o triste contraste que sentiram quando o tempo, mencionado no livro, expirou, e eles se acharam extremamente decepcionados em suas expectativas.

GMA 150A proclamação de tempo: doce como o mel

GMA 150.1A proclamação do tempo, em 1844, realmente representou boas novas para os que creram. Estes certamente esperavam para aquele momento um eterno livramento de todos os males, desgraças e sofrimentos deste mundo pecaminoso. O pensamento de que, em poucas semanas, seriam glorificados, imortalizados e estariam na cidade de ouro de Deus, em presença de seu Rei, era, de fato, inspirador. Como expresso por alguém que passou por essa experiência:

GMA 150.2Os que sinceramente amam a Jesus podem apreciar os sentimentos das pessoas que aguardaram com intenso interesse a vinda de seu Salvador. […] Nós nos aproximamos dessa hora com calma solenidade. Os verdadeiros crentes descansavam numa doce comunhão com Deus — uma garantia da paz que desfrutariam na brilhante vida futura. Aqueles que experimentaram tal esperança e confiança jamais se esquecerão daquelas preciosas horas de espera.

GMA 150.3A probante situação dos que ainda se viram neste negro mundo de lutas e tentações no décimo primeiro dia do sétimo mês [23 de outubro] — dia em que teriam de enfrentar o desprezo, escárnio e zombaria, daqueles que, poucas horas antes, haviam exortado para se prepararem para o encontro com o Senhor — possui notável semelhança com o caso de Maria quando “permanecia junto à entrada do túmulo, chorando”. Após ser abordada pelos anjos com a pergunta: “Mulher, por que choras?”, Maria lhes disse: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (João 20:13).

GMA 150Desapontados, porém não desencorajados

GMA 150.4Os que passaram por esta probante cena a relataram assim:

GMA 150.5Ficamos perplexos e decepcionados, porém não renunciamos a nossa fé. Sentimos que havíamos cumprido nosso dever; tínhamos vivido de acordo com nossa preciosa fé; estávamos desapontados, mas não desencorajados. Tivemos necessidade de uma infindável paciência, pois os escarnecedores eram muitos. Éramos frequentemente saudados por insinuações maldosas acerca de nosso desapontamento passado. “Vocês ainda não subiram; quando acham que vão?” Esses e outros sarcasmos semelhantes eram frequentemente despejados sobre nós por nossos conhecidos mundanos e mesmo por alguns professos cristãos que aceitavam a Bíblia mas não haviam aprendido suas grandes e importantes verdades. A mortalidade ainda se nos apegava; os efeitos da maldição estavam ao nosso redor. Foi difícil retomar os enfadonhos cuidados da vida, que imaginávamos haver deposto para sempre.

GMA 151Desapontados como os discípulos

GMA 151.1Os sentimentos dessas pessoas, se comparados com a alegria e regozijo que haviam experimentado poucas horas antes, devem ter parecido a eles como a dolorosa amargura da mistura pícrica. Assim como as massas certamente pensaram após a crucifixão de Cristo, o mundo agora supunha que os crentes renunciariam a sua fé e se juntariam em escárnio por sua suposta insensatez. Para seu espanto, porém, rapidamente perceberam que o amor pela vinda do Senhor não seria facilmente erradicado da afeição dos que verdadeiramente haviam se consagrado a Deus.

GMA 151“Nunca me assentei na roda dos que se alegram”

GMA 151.2O curso seguido e os sentimentos desses zelosos servos são bem definidos nas palavras do profeta Jeremias. Ele escreve:

GMA 151.3Achadas as Tuas palavras, logo as comi; as Tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo Teu nome sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos. Nunca me assentei na roda dos que se alegram, nem me regozijei; oprimido por Tua mão, eu me assentei solitário, pois já estou de posse das Tuas ameaças. Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias Tu para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam? (Jeremias 15:16-18).

GMA 151Tiago White falando sobre o Desapontamento

GMA 151.4Uns poucos trechos escritos pelos que passaram pelo desapontamento, sem renunciarem, contudo, a suas esperanças, nos darão uma boa noção da situação. O primeiro é do irmão Tiago White, que trabalhou com muito sucesso em 1843 e 1844. Ele diz:

GMA 151.5O desapontamento, após a passagem do tempo, foi amargo. Crentes verdadeiros haviam abandonado tudo por Cristo, e haviam sentido Sua presença como nunca dantes. Supunham ter dado o último aviso ao mundo, e haviam se separado, em certa medida, da multidão incrédula e escarnecedora. Tendo sobre si a benção divina, sentiam-se mais ligados a seu tão esperado Mestre e a Seus santos anjos do que àqueles de quem haviam se separado. O amor de Jesus enchera-lhes a alma e irradiara de cada face. Com desejos inexprimíveis haviam orado: “Vem, Senhor Jesus, e vem logo”, mas Ele não veio.
GMA 152.1Contudo, Deus não abandonou Seu povo. […] Com um excepcional poder de conforto, passagens como as seguintes feitas aos hebreus vieram à mente e coração daqueles provados expectantes: “Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá, e não tardará; todavia, o Meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a Minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hebreus 10:35-39). Os pontos especiais nesse trecho das Escrituras são os seguintes:
GMA 152.21. Os destinatários estão em perigo de perder sua confiança em algo que fizeram acertadamente.
GMA 152.32. Haviam feito a vontade de Deus, e foram postos numa situação de provação que exigia paciência.
GMA 152.43. Nesse momento, os justos precisavam viver pela fé; não por ficarem questionando se haviam ou não cumprido a vontade de Deus, mas pela fé nAquele, por meio de quem, haviam cumprido a vontade de Deus.
GMA 152.54. Aqueles que não suportassem a prova da fé, mas abandonassem sua confiança na obra pela qual fizeram a vontade de Deus, assim retrocedendo, tomariam o caminho expresso para a perdição (Life Sketches, p. 107-109).

GMA 152Comentário de N. Southard, editor do Midnight Cry

GMA 152.6No Midnight Cry de 31 de outubro de 1844, cerca de dez dias após o encerramento dos 2.300 dias, o seguinte trecho foi publicado pelo editor:

GMA 152.7Tendo em vista todas as circunstâncias envolvidas neste movimento, os benditos resultados que produziu na mente dos filhos de Deus e o ódio e maldade exibidos por seus inimigos, devemos considerá-lo como o verdadeiro “clamor da meia-noite”. E se tivermos alguns dias para testar nossa fé, ainda estará em harmonia com a parábola das dez virgens, pois, quando todas se levantaram e prepararam suas lâmpadas, haveria ainda um tempo em que as lâmpadas das virgens loucas estariam se extinguindo. Isso somente poderia acontecer depois da passagem do dia décimo, pois até aquele momento suas lâmpadas ainda brilhariam. Portanto, era necessário que este dia passasse para que as loucas abandonassem sua fé, assim como foi necessário ocorrer em 1843 para o tempo de tardança. Um pequeno atraso, portanto, não é motivo de desapontamento, mas mostra como Deus é preciso no cumprimento de Sua palavra. Apeguemo-nos, portanto, firmemente à profissão de nossa fé, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.

GMA 153Comentário de Joseph Marsh, editor da Voz da Verdade

GMA 153.1Na Voz da Verdade de 7 de novembro de 1844, lemos:

GMA 153.2Alegremente admitimos estar equivocados quanto à natureza do evento que esperávamos ocorrer no décimo dia do sétimo mês; mas ainda não podemos admitir que nosso grande Sumo Sacerdote, nesse dia, não tenha realizado tudo aquilo que o tipo [o ritual típico] justificava que esperássemos. Agora cremos que Ele o realizou.

GMA 153.3Em 1844, os adventistas esperavam que, no décimo dia do sétimo mês, os 2.300 dias se encerrariam, e Cristo completaria, nesse dia, Sua obra sacerdotal, e voltaria à Terra para abençoar Seu povo. Em estudo posterior, porém, demonstrou-se que o que ocorreu, de fato, nesse dia, foi o início de Sua obra de purificação do santuário celestial e não a conclusão de seu ofício como Sacerdote [Naquela época, ninguém sequer suspeitava da existência de um santuário no Céu]. Em vez de considerarem a purificação do santuário como parte da obra sacerdotal de Cristo, haviam alegado que a purificação do santuário representava a purificação da Terra pelo fogo por ocasião da vinda de Cristo. Se tal purificação não englobasse naquele momento a terra toda, envolveria pelo menos a purificação da terra de Canaã.

GMA 153Entendia-se que o santuário representasse a Terra

GMA 153.4Essa ideia foi apresentada num artigo de George Storrs no Midnight Cry de 25 de abril de 1844. Ele pergunta:

GMA 153.5Qual é o santuário a ser purificado? No passado, eu imaginava que envolvesse a terra toda; e ainda creio que seja parte dela. Mas que parte? Vou me esforçar para responder a essa pergunta.

GMA 153.6Após referir-se à promessa feita a Abraão, à confirmação da mesma a Isaque e a sua renovação a Jacó, Storrs, então, menciona o cântico de Moisés, composto por Miriam após a travessia do Mar Vermelho. Nesse cântico, encontram-se as seguintes palavras:

GMA 153.7Tu o introduzirás e o plantarás no monte da Tua herança, no lugar que aparelhaste, ó Senhor, para a Tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as Tuas mãos estabeleceram (Êxodo 15:17).

GMA 153.8Se o leitor comparar cuidadosamente o texto acima com o registro de seu cumprimento feito pelo salmista, vai perceber que nem a terra da Palestina é declarada ser o santuário. Referindo-se ao modo pelo qual o Senhor guiou os filhos de Israel, Davi declara: “E conduziu-os até ao limite do Seu santuário, até este monte que a Sua destra adquiriu” (Salmo 78:54, ARC). No cântico junto ao Mar Vermelho, lemos que a terra de Canaã era o lugar que Ele havia preparado para “habitar, no santuário”. Portanto, nessa citação de Salmos, o Monte Moriá, onde o santuário foi construído, é chamado apenas de “o limite do Seu santuário”. Mas neste mesmo salmo é dito:

GMA 154.1Escolheu, antes, a tribo de Judá, o monte Sião, que Ele amava. E construiu o Seu santuário durável como os céus e firme como a terra que fundou para sempre (Salmo 78:68, 69).

GMA 154A purificação do santuário foi interpretada como sendo a purificação da Terra

GMA 154.2No artigo acima referido, após citar a suposta prova de que a Terra, ou pelo menos a região da Palestina, fosse o santuário, o irmão faz então a pergunta: “Como se dará a purificação do santuário?” Ele responde com as palavras do profeta Miquéias:

GMA 154.3Porque eis que o Senhor sai do Seu lugar, e desce, e anda sobre os altos da terra. Os montes debaixo dEle se derretem, e os vales se fendem; são como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo (Miqueias 1:3, 4).

GMA 154.4Com a ideia comumente aceita na época de que a terra era o santuário, o leitor pode facilmente perceber a razão por que os adventistas supunham, com absoluta certeza, que ao fim dos 2.300 dias o Senhor viria e purificaria a terra da maneira descrita por Miquéias. Em toda a oposição levantada contra os adventistas, nenhum de seus adversários sequer insinuou que a purificação da Terra pelo fogo não fosse o evento que representaria a purificação do santuário ao fim dos 2.300 dias.

GMA 154Os discípulos se desapontaram, mas cumpriram a profecia

GMA 154.5Esta não é a única situação em que pessoas fizeram a vontade de Deus, cumpriram as Escrituras, e, contudo, ficaram desapontadas em suas expectativas simplesmente por não compreenderem o caráter do evento a ocorrer. Foi assim com os discípulos de Cristo. Estando Ele montado sobre o jumentinho, por ocasião da entrada triunfal em Jerusalém, seus discípulos clamaram, fazendo eco às palavras do profeta:

GMA 154.6Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis ai te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta (Zacarias 9:9) [ver João 12:16].

GMA 154.7Era tão necessário que houvesse então tal aclamação que, caso calassem, as pedras clamariam [Lucas 19:40]. Os discípulos supunham que Cristo iria imediatamente subir ao trono de Davi como rei temporal [“Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel” — Lucas 24:21]. Foi por essa razão que clamavam: “Bendito o Reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor” [Marcos 11:10, ARC]. Quanta aclamação haveria nessa ocasião se houvessem entendido que, em menos de uma semana, Cristo estaria morto no sepulcro de José e rodeado pela guarda romana? Quanta “glória” a Deus seria dada e quanta consagração haveria entre os adventistas em 1844 se tivessem entendido que a purificação do santuário, ao fim do tempo profético, duraria por uma sucessão de anos antes que o Senhor viesse?

GMA 155Nenhum erro na contagem dos 2.300 dias

GMA 155.1Ao revisarem cuidadosamente a contagem do período, os adventistas não encontraram nenhum erro; porém, o Senhor não veio e a Terra não foi purificada por fogo. Qual era o significado? Tinham certeza de que o Senhor estivera com eles naquele grande movimento, mas agora estavam perplexos. Sua confiança em Deus permanecia inabalável. Sabiam que Ele não iria abandoná-los. De alguma maneira, a luz seria enviada. A probante questão perante eles aparece nas palavras de Jeremias, já citadas: “Serias para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam?” Sua fé não acalentava essa dúvida, pois se lembravam das palavras do Senhor, por meio do profeta Habacuque, acerca da visão, que diziam: “ao fim falará, e não mentirá” (Habacuque 2:3, ARC). A declaração escrita pelo editor do periódico A Voz da Verdade, mencionada anteriormente, esclarece sua posição:

GMA 155.2Mas ainda não podemos admitir que nosso grande Sumo Sacerdote, nesse dia, não tenha realizado tudo aquilo que o tipo justificava que esperássemos.

GMA 155Descobre-se luz acerca do santuário

GMA 155.3Hiram Edson, de Port Gibson, Nova Iorque, disse-me que, no dia seguinte à passagem do tempo, em 1844, enquanto orava atrás das pilhas de cereais amontoadas num campo, o Espírito de Deus se apossou dele de maneira tão poderosa que quase foi lançado ao chão. Com isso, veio a seguinte impressão: “o santuário a ser purificado está no Céu”. Ele comunicou esse pensamento a O. R. L. Crosier, e ambos investigaram cuidadosamente o tema. No início de 1846, uma elaborada exposição, segundo uma perspectiva bíblica, sobre o assunto do santuário foi escrita pelo Sr. Crosier e impressa no Day Star, um periódico então publicado em Canandaigua, Nova Iorque. Esse extenso manuscrito deu a entender que o trabalho de purificação do santuário consistia na finalizadora obra de Cristo como nosso Sumo Sacerdote, começando em 1844 e terminando pouco antes de Ele voltar sobre as nuvens do céu como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

GMA 156Igrejas em busca de seus antigos membros

GMA 156.1O décimo dia do sétimo mês havia passado e as igrejas pensaram que, facilmente, recuperariam seus perdidos membros que haviam se separado delas durante o “clamor da meia-noite” e a mensagem do segundo anjo. Mas se decepcionaram grandemente nesse ponto, como se pode ver na seguinte resposta a suas importunações para que seus ex-membros retornassem a suas antigas organizações. Essa resposta foi publicada no Midnight Cry [Clamor da Meia-noite] de 26 de dezembro de 1844:

GMA 156.2Mas onde estão os fatos? Eles bem sabem que, na grande maioria dessas igrejas, os temas predominantes são “a conversão do mundo”, “o milênio” e “o retorno dos judeus à Palestina”, antes do advento pessoal do Salvador. Os que voltam atrás para escutar as canções de ninar de doutrinas tão antibíblicas e ilógicas como essas, o fazem de olhos abertos; tal atitude de sua parte será um verdadeiro “voltar atrás”.
GMA 156.3Tendo-se tornado “livres”, no sentido bíblico, é muito mais seguro “avançar” do que “voltar” ou “retroceder”, especialmente num momento como este, quando a coroa de glória está tão perto de ser entregue aos fiéis em Cristo Jesus.

GMA 156.4A atitude adotada pelas igrejas de adiar a vinda do Senhor, defendendo doutrinas não bíblicas como as mencionadas acima, fez os adventistas lembrarem das seguintes palavras do profeta Ezequiel: “Filho do homem, eis que os da casa de Israel dizem: A visão que tem este é para muitos dias, e ele profetiza de tempos que estão mui longe”. Ligada a esse verso encontra-se a resposta usada pelos adventistas: “Portanto dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Não será retardada nenhuma das minhas palavras; e a palavra que falei se cumprirá, diz o Senhor Deus” (Ezequiel 12:27, 28).

GMA 156“É necessário que ainda profetizes”

GMA 156.5Os que “comeram” o livro e anunciaram o “tempo” julgavam ter concluído sua obra em favor do mundo. Por essa razão, chegou até eles a declaração de que necessitavam, novamente, profetizar a nações, línguas e reis. Outra parte dessa obra, até então desconhecida, devia ser realizada agora. Precisavam apresentar ao povo a verdadeira natureza do santuário de Deus no Céu e do serviço em seu altar. A ordem para medir o santuário2 se fez necessária a fim de que os irmãos despontados pudessem conhecer o tipo de evento que deveria ocorrer ao fim do tempo profético, provendo, assim, uma explicação às palavras: “e o santuário será purificado”.

GMA 157.1Note que o anjo dessa proclamação de tempo vem do Céu, e, antes que sua obra seja concluída, ordena novamente que o povo seja ensinado. Assim, a mensagem que devia explicar a questão do santuário, levar confiança aos desapontados e fornecer-lhes ao mesmo tempo uma espécie de “vara” ou “cajado”, ou seja, uma norma pela qual o povo pudesse testar sua postura moral perante Deus, precisava apresentar fortes evidências de sua origem celestial e não humana.

GMA 157O preconceito barrou o acesso ao povo

GMA 157.2O preconceito que existia contra a doutrina adventista representou uma barreira quase intransponível no acesso da mensagem ao povo. Seria inútil tentarmos ensiná-los novamente sem a apresentação clara e positiva da luz quanto à causa do desapontamento. Os próprios crentes adventistas necessitavam ser inspirados novamente por uma incumbência celestial antes de estarem em condições de ensinar o povo de forma apropriada. Mas como seria isso feito? Poderia acontecer por mera sabedoria humana? Ficariam satisfeitos, por simples lógica humana, os que haviam experimentado a profunda obra do Espírito de Deus nesse recente movimento? Nada menos que uma obra tal como a da “mensagem do terceiro anjo” (Apocalipse 14:9-12) poderia livrá-los de suas perplexidades. Essa obra gradativa devia ser transmitida à medida que os irmãos pudessem receber. No entanto, foi devidamente iniciada, sendo acompanhada das mais convincentes provas de sua origem celeste.

GMA 157Como ovelhas sem pastor

GMA 157.3O grande grupo adventista se encontrava, de certo modo, como ovelhas sem pastor. Poucas semanas antes, milhares deles haviam se separado de todas as igrejas e credos; agora, viam-se sem qualquer organização humana que se responsabilizasse por seu bem-estar espiritual. Não possuíam conselheiros terrenos em quem pudessem confiar. Haviam posto sua confiança unicamente em Deus.

GMA 158.1Estavam, porém, seguros de uma coisa — e isso para eles era como firme âncora: a proclamação do tempo estava correta.3 No entanto, como povo, encontravam-se numa posição em que, a menos que Deus os guiasse e mantivesse, estariam suscetíveis a aceitar explicações falsas, ou perder a “paciência” e abandonar a fé em sua experiência passada. Alguns assim fizeram, enquanto outros, com os olhos da fé fixos no Amado de suas almas, perguntaram sinceramente:

GMA 158.2Guarda, a que hora estamos da noite? Guarda, a que horas? Respondeu o guarda: Vem a manhã, e também a noite; se quereis perguntar, perguntai; voltai, vinde (Isaías 21:11, 12).

GMA 158J. N. Andrews falando sobre o Desapontamento

GMA 158.3O irmão J. N. Andrews, um dos que passaram por essa experiência em 1844, fala do desapontamento da seguinte forma:

GMA 158.4Os que esperavam o Senhor em 1843 e 1844 ficaram desapontados. Para muitos, esse fato é razão suficiente para rejeitar todas as evidências da questão. Reconhecemos que nos desapontamos, mas não podemos aceitar que esse desapontamento forneça razão suficiente para negar a mão de Deus nessa obra. A igreja judaica se desapontou quando, ao fim do ministério de João Batista, Jesus Se apresentou como o Messias prometido. Os discípulos que haviam crido foram mais tristemente desapontados quando Aquele em quem esperavam para a libertação de Israel foi preso e assassinado por mãos ímpias. E após Sua ressurreição, quando os discípulos esperavam que Ele restaurasse o reino a Israel, não puderam evitar o desapontamento ao perceberem que Ele voltaria para o Pai e que seriam deixados a enfrentar tribulações e angústias por um longo tempo. Mas o desapontamento não é evidência de que a mão de Deus não estivesse guiando Seu povo. O desapontamento devia levá-los a corrigir seus erros, e não a abandonar sua confiança em Deus. Foi por causa do desapontamento no deserto que os filhos de Israel negaram, tantas vezes, a direção divina. Eles nos servem como advertência, a fim de que não caiamos, seguindo o mesmo exemplo de incredulidade (The Three Angels of Revelation 14:6-12, p. 36).

GMA 158A verdade é de caráter impopular

GMA 158.5Parece ser o plano de Deus colocar importantes verdades num canal impopular, de maneira que aceitá-las e obedecer a elas constitui uma cruz [Mateus 16:24]. Isso é verdade especialmente nestes últimos dias. Pedro, referindo-se ao tempo em que o fim de todas as coisas estaria “às portas”, quando o “julgamento” estivesse “começando pela casa de Deus”, declara:

GMA 159.1Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de Sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus. Da parte deles, Ele é blasfemado, mas da vossa, glorificado (1 Pedro 4:7, 17, 12-14, adaptado da KJV).

GMA 159.2Quando a verdade passa a se caracterizar pela impopularidade, aceitá-la exige mais graça do que simplesmente seguir a fé das massas. Os hipócritas e fingidos não veem grande incentivo na aceitação de uma verdade que exige ação, como a de remar rio acima “contra o vento e maré”. Assim, a verdade torna-se um teste para os fiéis verdadeiramente honestos, sinceros e conscienciosos.

GMA 159.3Já mostramos anteriormente que a profecia do movimento adventista exigia desapontamento. Este veio de fato. Como resultado, pela providência de Deus, a aceitação dessa mensagem teve a sua cruz.

Notes

  1. Nota do tradutor: O ácido pícrico consiste de uma preparação muito desagradável e amarga de álcool, aloés e resina de mirra. ↩
  2. No caso de medidas em que números não são apresentados como resultado da medição, é o caráter, e não as dimensões, que está sendo medido. ↩
  3. Mesmo sob a mais minuciosa análise quanto ao cálculo dos 2.300 dias, não puderam encontrar qualquer erro, nem foi algum encontrado até hoje. ↩

Nota

Voltar