Capítulo 9 — O Tempo de Tardança
GMA 117.1“Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram sábias, e cinco, tolas. As tolas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; mas as prudentes levaram consigo azeite nas vasilhas, com suas lâmpadas. E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mateus 25:1-5).
GMA 117.2Cristo é o noivo nessa parábola (Marcos 2:18-20). Visto que o tema de Mateus 24 e 25 é a vinda do Senhor, essa ida ao encontro do noivo, portanto, precisa representar uma ação da parte do povo de Deus para encontrar-se com Cristo em Sua vinda. A Palavra de Deus é a lâmpada (Salmo 119:105). Todas as virgens haviam levado suas lâmpadas. A loucura de uma parte delas foi terem apenas a teoria da verdade, sem uma consagração sincera ao Senhor que desenvolveria as graças do Espírito no coração do crente. Essa obra é representada na parábola pelo “azeite nas vasilhas”. A tardança do noivo deve representar algum desapontamento por parte dos que saíram na expectativa de encontrar seu Senhor.
GMA 117A que tempo se aplica a parábola?
GMA 117.3A palavra “então”, que introduz a parábola, nos fornece uma pista quanto ao momento de seu cumprimento. A parábola aparece logo após o que havia sido declarado no capítulo anterior. Ela não ocorre após a segunda vinda do Senhor, porém após a proclamação da parábola da figueira que anuncia a vinda de Cristo “às portas”. Ela indica também a chegada da geração que não passaria antes que o próprio Cristo aparecesse nas nuvens do céu. Ela também se aplica a um momento em que alguns dos servos, a quem a mensagem fora confiada, diriam no coração: “Meu senhor tarda em vir” e começariam a “espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios” (Lucas 12:45).
GMA 118Espancando os seus companheiros
GMA 118.1Aqui é feita referência àqueles que têm sido “companheiros” de serviço, harmoniosamente proclamando a mesma mensagem. Agora, porém, parte deles abandona o que havia ensinado e passa a “espancar” seus companheiros, que estão dando o “sustento a seu tempo” (Mateus 24:45), ou seja, anunciando a preparação necessária para o iminente encontro com o Senhor. Eles “ferem” da mesma maneira que intencionavam ferir Jeremias. O povo disse: “vinde e firamo-lo com a língua, e não atendamos a nenhuma das suas palavras” (Jeremias 18:18). Assim, esses servos começaram a ensinar de modo a impedir a obra dos servos “fiéis”. A essa classe também é dito:
GMA 118.2Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti (Apocalipse 3:3).
GMA 118.3A parábola das virgens aplica-se a um tempo em que os conservos estão se desviando da mensagem da iminente vinda do Senhor e começam a “espancar”. Além disso, eles também começam a “comer e beber com ébrios”, ou seja, unem-se em festejar com os que desejam satisfazer seus apetites. A respeito destes, Salomão diz:
GMA 118.4Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem (Provérbios 23:20, 21).
GMA 118A primeiro desapontamento
GMA 118.5Pode-se então questionar: “O que correspondeu a essas declarações na experiência do movimento adventista?” Houve acontecimentos que se harmonizaram plenamente com a profecia. Os que proclamavam a mensagem, até abril de 1844, trabalharam em meio às igrejas, e os ministros das várias denominações se uniram a eles em seus esforços. Assim, todos eram “conservos” ou “companheiros”.
GMA 118.6Os que anunciavam a mensagem ensinavam que os 2.300 dias de Daniel 8:14 terminariam no ano judaico de 1843 — nosso ano de 1844. Proclamavam que a hora do juízo divino viria ao fim desse período. Naquela época, todas as denominações do país acreditavam que o dia do juízo teria início por ocasião da segunda vinda de nosso Senhor. Assim, facilmente vemos que os adventistas criam que o Senhor viria no fim daquele período profético, previsto para encerrar-se próximo a 21 de março de 1844, o último dia do ano natural judaico de 1843. Eles consideravam o último dia de março, ou dia primeiro de abril de 1844, como o momento em que o Salvador poderia vir.
GMA 119O surgimento dos servos maus
GMA 119.1Quando o último dia de março chegou e passou sem que Senhor viesse, os que haviam trabalhado com os mensageiros do Senhor, cujo coração não havia se consagrado totalmente à mensagem, voltaram-se contra ela, e começaram a opor-se à obra, fazendo tudo ao seu alcance para dificultar o caminho dos que continuavam a ensinar a doutrina da iminente vinda do Senhor e a mensagem da hora do Seu juízo. Disseram em seus corações: “Meu senhor tarda em vir” (Lucas 12:45). Com seus lábios passaram a ensinar que o mundo inteiro deveria ser convertido antes que o Senhor viesse, e que todos os judeus deveriam retornar à Palestina e estabelecer o serviço do templo em Jerusalém antes que viesse o Messias. Alguns chegaram a ensinar que a vinda de Cristo era uma “vinda espiritual”, que ocorria por ocasião da conversão ou no momento da morte do crente.
GMA 119Dando o “sustento a seu tempo” (Mateus 24:45)
GMA 119.2Enquanto esses maus servos assim se voltavam contra seus companheiros de trabalho, os servos que ainda permaneciam firmes na fé congregavam os fiéis em salões e bosques, dando-lhes o “sustento a seu tempo”, isto é, mostrando-lhes que os sinais dos tempos e as profecias cumpridas declaravam que a vinda de Cristo estava próxima, “às portas” (Mateus 24:33), do mesmo modo que antes do desapontamento.
GMA 119Festas nas igrejas
GMA 119.3Enquanto assim procediam, iniciou-se nas igrejas protestantes algo que elas antes desconheciam — eventos na igreja com o propósito de banquetear e divertir. Todos que quisessem eram convidados a participar com eles das suas guloseimas.
GMA 119.4A primeira vez que tivemos notícia de algo assim na América foi no mês de maio de 1844, logo após o desapontamento. O que ocorreu foi o seguinte: Guilherme Miller instruía e exortava várias centenas de adventistas num salão em Rochester, Nova Iorque. Ele lhes dizia: “Estamos no tempo de tardança de Mateus 25. Mantenham-se firmes na fé, pois em breve teremos mais luz sobre esse assunto”. Nesse mesmo dia, foi convocado um “festival” no porão de uma das maiores casas de reunião em Rochester. Uma multidão compareceu tanto de membros de igreja quanto de incrédulos, e enquanto o diretor de uma certa faculdade de Teologia divertia a multidão, ridicularizando Guilherme Miller, ostras, sorvetes e doces eram vendidos ao povo. Além disso, um pequeno panfleto, preparado por essa pessoa, era vendido por 25 centavos. O livreto foi chamado de Uma Exposição do Milerismo.
GMA 120.1Menos de duas semanas depois, outra denominação convocou, na mesma cidade, uma “festa” num salão público. A entrada custava 25 centavos, e todos que quisessem foram convidados para vir e participar das ostras, sorvetes, bolos e doces ali servidos. Foi assim que tiveram início essas festas modernas das igrejas, que se tornaram, posteriormente, em “sociais da maluquice”, “sacos surpresa”, “pescaria de brindes”, “abelhas beijantes” [estande onde se pagava para beijar as meninas] e assim por diante. Essa moda de ter festas na igreja cresceu de tal modo que, na atualidade, uma igreja que não tiver ao menos sua própria cozinha, despensa e salão de refeições é considerada fora do padrão. Esse estado de coisas teve início no “tempo de tardança”, conforme indicado na parábola.
GMA 120.2O próprio Miller conta o que se passou em Rochester, nas seguintes palavras:
GMA 120.3Um dos doutores em Divindade em Rochester, o senhor X, da igreja Y, escreveu um panfleto contra o milerismo, chamou os senhores e as senhoras à casa de Deus, fez um grande banquete de ostras e outros “piqueniques”, à moda Belsazar, beberam café e chá, comeram finas iguarias e venderam sorvetes e doces, e seu panfleto que se opunha à segunda vinda do querido Salvador.
GMA 120.4Na noite anterior à minha partida, outro reverendo deu uma festa de piquenique numa casa ou salão público, e vendeu, como o outro, ingressos, sorvetes e doces. Fiquei feliz ao saber que algumas das igrejas de diferentes seitas não aprovaram essas festas babilônicas, e espero, de coração, não se dê que todas essas igrejas separadas sejam encontradas “a comer e beber com ébrios” quando Cristo vier. Surpreende-me que esses senhores reverendos não se vejam no espelho da Palavra de Deus; e recomendo-lhes a leitura de Lucas 14:12-14; Mateus 24:48-51; Lucas 13:25-28; 2 Pedro 2:13; Judas 1:10-21. Estes são, certamente, os últimos tempos.
GMA 120.5Se Miller tivesse visto o que as igrejas têm se tornado desde então, com suas festas de arrecadação, “bolos de anel surpresa, abelhas-beijantes por 10 centavos, shows de jumentos, sociais da maluquice, loterias santas” e outros jogos de azar, etc., ele teria recuado em santo horror.
GMA 121O tempo de tardança
GMA 121.1Os adventistas encontraram consolo no fato bíblico de que, quando fosse feito o anúncio da iminente vinda do Senhor, haveria, em conexão com ele, um “tempo de tardança”. Entendiam assim com base nas palavras de nosso Salvador encontradas em Mateus 25:5, 6 e Habacuque 2:1-3.
GMA 121.2Quanto à atitude demonstrada na primavera de 1844, citamos o Midnight Cry de 9 de maio de 1844:
GMA 121.3Tendo passado o ponto do aparente término dos períodos proféticos, encontramo-nos no tempo previsto por Deus em que Seus filhos se encontrariam ao fim da visão, tempo este para o qual provisões já haviam sido feitas por intermédio do profeta Habacuque. Disse o profeta: “Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Ele me dirá e o que responderei quando for reprovado”, ou, como diz na margem da KJV, “quando debaterem comigo”. “Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo. Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas ao fim [dos períodos proféticos] falará, e não mentirá; mesmo se ela tardar [além do aparente final], espera-a, porque certamente virá [na plenitude dos tempos proféticos, e além deles], não tardará” (Habacuque 2:1-3, adaptado).
GMA 121.4Pela referência de Paulo a esse texto em Hebreus 10:36-39, fica evidente que essa admoestação se refere ao tempo presente: “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um pouquinho de tempo, e o que há de vir, virá, e não tardará. Ora, o justo viverá pela fé; e, se alguém recuar, Minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que retrocedem para a perdição, mas daqueles que creem para a salvação da alma”.
GMA 121.5Cremos estar nesse período de tardança do noivo — ao qual o reino dos Céus é comparado — predito pelo Salvador em Mateus 25:5. Nesse tempo, “aquele servo mau [tendo havido uma aparente falha quanto ao tempo] di[rá] em seu coração: Meu senhor tarda em vir; e começar[á] a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se” (Lucas 12:45). Cristo conclui: “Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera” (Lucas 12:46).
GMA 121.6Cremos estar agora no período de tempo referido por Pedro, durante o qual “introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras” (2 Pedro 2:1, 3). Para esses é feita a advertência: “o juízo lavrado [para eles] há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme”. Pedro afirma ainda que esses haveriam de existir assim como houve falsos profetas quando as Escrituras estavam sendo escritas. Portanto, assim como os da casa de Israel afirmaram: “Os dias se prolongam e perece toda a visão” (Ezequiel 12:22), assim deve haver uma época de aparente demora em que os escarnecedores de 2 Pedro 3:4 perguntariam: “Onde está a promessa da Sua vinda?”, e se vangloriariam de que “todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”.
GMA 122.1Cremos que foi em referência a essa tardança da visão que o apóstolo Tiago declarou: “Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor”; “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; pois a vinda do Senhor está próxima”. Também: “Eis que o juiz está às portas” (Tiago 5:7-9).
GMA 122.2Além disso, cremos no capítulo 12 de Lucas, que antecipa a passagem do tempo esperado, e sobre a qual nos advertiu nosso Salvador: “Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas lâmpadas. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar Ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo Lha abram” (Lucas 12:35, 36). Esperar implica que o tempo excedeu, pois, durante ele, não necessitamos esperar. Portanto, nosso Senhor acrescenta: “Bem-aventurados aqueles servos a quem o Senhor, quando vier, os achar vigiando”.
GMA 122.3Se Deus quiser, continuaremos a proclamar: “Eis que vem o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mateus 25:6); e também: “É chegada a hora do Seu juízo” (Apocalipse 14:7). Cremos que não falharemos em clamar em alta voz, para o mundo e para a igreja, a fim de que despertem de suas canções de “paz” e ouçam as gloriosas melodias da misericórdia divina. É nosso desígnio continuar esperando e vigiando pela vinda do Senhor, crendo que está iminente.
GMA 122Vindicando a obra dos adventistas
GMA 122.4Podemos ter uma boa ideia de como os adventistas viam sua obra antes e logo após a data de 21 de março de 1844 ao lermos a seguinte citação retirada de um artigo intitulado “Vindicação”, no Advent Herald de 13 de novembro de 1844, publicado por Joshua V. Himes, Sylvester Bliss e Apollos Hale:
GMA 122.5Não fomos precipitados em adotar nossas posições. Temos certeza de haver buscado a verdade de forma honesta e sincera. Obedecemos à ordem de nosso Salvador de examinar as Escrituras. Não confiamos em nossa própria sabedoria, mas nos dirigimos a Deus em busca de instrução e orientação, nos esforçando para nos colocar sobre Seu altar, confiando que Ele iria dirigir nossos passos no caminho certo. Examinamos todos os argumentos apresentados contra nós com desejo sincero de conhecer a verdade e ser guardados do erro, mas temos de confessar que as diversas e variadas posições de nossos adversários apenas nos confirmaram em nossa compreensão. Vimos que, quer estivéssemos certos ou errados, nossos adversários não podiam estar certos, pois nem sequer concordavam entre si. Seus argumentos eram tão frágeis e infantis que tinham necessidade de continuamente desfazer o que eles mesmos haviam construído. Além disso, por seus pontos de vista opostos e contraditórios, demonstraram que, independente de como considerassem nossas opiniões, não confiavam nas opiniões uns dos outros. Além disso, não houve um só ponto, dentre os mais fundamentais de toda a nossa posição, que não fosse apoiado por um ou mais dos que tentavam refutar a vinda imediata do Senhor. Embora a tradução literal das Escrituras sustentasse nossa posição, nossos adversários se esforçaram em vão para provar que as Escrituras não devem ser compreendidas literalmente — apesar de todas as profecias cumpridas revelarem que seu cumprimento se deu literalmente e nos mínimos detalhes.
GMA 123A explicação do desapontamento
GMA 123.1Mas o tempo determinado — o ano judaico de 1843 — passou, e ficamos desapontados por não vermos o rei na Sua formosura. Todos os nossos opositores honestamente supunham que cada ponto distintivo de nossa crença havia sido refutado, e que deveríamos, como pessoas honestas, abandonar toda a nossa posição. Foi, portanto, com surpresa que nos viram ainda agarrados à nossa esperança, e ainda esperando nosso Rei.
GMA 123.2Nós, porém, em nosso desapontamento, não vimos nenhuma razão para o desânimo. Percebemos que as Escrituras indicavam que haveria um tempo de tardança, e que, enquanto a visão tardasse, devíamos esperar. Também vimos que o período não podia estar totalmente terminado com o fim do ano, mesmo diante do pressuposto de que nossa cronologia estava correta. Críamos, portanto, que ele só poderia se cumprir em algum momento no ano em curso. Mesmo assim, admitimos franca e plenamente perante o mundo que havíamos nos equivocado quanto ao ponto definido para o qual olhávamos com tanta confiança. Contudo, mesmo com nosso equívoco, podemos ver a mão de Deus na questão. Podemos ver que Deus usou essa proclamação como um alarme para o mundo, e também como um teste para a igreja a fim de colocar Seu povo numa atitude de expectativa. Chamou os que estavam dispostos a sofrer por amor do Seu nome. Revelou a quem o anúncio da vinda do Senhor representava novas de grande alegria, e a quem era ela como desagradável ruído aos ouvidos. Revelou ao universo quem receberia com alegria a vinda do Senhor, e quem O rejeitaria em Seu segundo advento, como os judeus o rejeitaram no primeiro. Consideramos tudo isso como um passo na realização do propósito de Deus, neste “dia de Sua preparação”, de modo a levar avante um povo que busque somente a vontade do Senhor para que possa estar preparado para Sua vinda.
GMA 124HISTÓRIA DO MOVIMENTO APÓS MARÇO DE 1844
GMA 124.1Expomos a seguir um breve histórico do movimento adventista após 21 de março de 1844, conforme encontrado na revista Signs of the Times de 31 de outubro de 1844:
GMA 124.2Após haver expirado o ano judaico de 1843, a grande massa de adventistas adotou a crença de que, doravante, não mais era possível calcular tempos específicos com qualquer grau de certeza. Eles criam que nos encontrávamos onde nossa cronologia apontava — o fim de todos os períodos proféticos, ao término dos quais se esperava o advento. Criam também que, embora tivéssemos de esperar durante uma possível variação cronológica entre nosso tempo e o tempo de Deus, não tínhamos qualquer pista adicional quanto ao momento exato. Todos haviam tomado suas lâmpadas e saído ao encontro do noivo, mas este havia demorado além do tempo (1843) em que era esperado. Durante essa tardança da visão, parecia ser a determinação de todos esperar o seu cumprimento, crendo que não era possível que ela se atrasasse, e que poderia ocorrer a qualquer momento. No entanto, logo ficou muito evidente que multidões estavam fazendo planos para o futuro que não fariam se acreditassem que o Senhor viria ainda nesse ano. Ficou evidente que haviam adormecido quanto ao senso de percepção do aparecimento imediato do Senhor. Em outras palavras, pensaram que Ele poderia vir a qualquer dia, ou que poderia demorar um pouco, e que, durante esse tempo, poderiam desfrutar de um descanso reparador. Ora, aconteceu exatamente como o Salvador declarou que aconteceria: “tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mateus 25:5).
GMA 124Chamada a atenção para o outono de 1844
GMA 124.3Desde maio de 1843, o irmão Miller já havia chamado nossa atenção para o sétimo mês do sagrado ano judaico como a ocasião da observância [cerimonial] dos tipos que apontam para o segundo advento. No outono passado, antecipamos essa circunstância com muito interesse. Após a passagem do tempo, o irmão Samuel Snow adotou plenamente a opinião de que, segundo os tipos [cerimoniais], o advento do Senhor, quando ocorresse, precisava ocorrer no décimo dia do sétimo mês. Contudo, ele não estava seguro quanto ao ano. Mais tarde, percebeu que os períodos proféticos, na verdade, somente terminariam neste ano (1844). Ele, então, se firmou na posição de que, por volta do dia 22 de outubro (dia em que cairia o décimo dia do sétimo mês judaico em 1844), testemunharíamos o advento do Senhor da glória. Pregou sobre isso em Nova Iorque, Filadélfia e outros lugares durante a primavera e verão passados. Embora muitos adotassem seus pontos de vista, nenhuma manifestação extraordinária de seus efeitos foi vista até por volta de Julho.
GMA 125Colheitas abandonadas nos campos
GMA 125.1No início da estação, alguns de nossos irmãos do norte de New Hampshire tinham ficado tão impressionados com a convicção de que o Senhor viria antes do próximo inverno que não cultivaram seus campos. Em meados de Julho — que era o entardecer da meia-noite do dia-ano judaico (dia profético de tarde e manhã, contando a partir da lua nova de abril, o início desse ano judaico) — outros que haviam semeado seus campos e plantado suas lavouras ficaram tão impressionados com a sensação de que o Senhor viria de imediato que não poderiam, de forma coerente com sua fé, colher o que haviam plantado. Alguns, indo a seus campos para cortar o mato, não puderam prosseguir e, atendendo ao senso do dever, deixaram a safra no campo sem colher no intuito de mostrarem sua fé por suas obras, e, assim, condenar o mundo. Isso rapidamente se estendeu pelo norte da Nova Inglaterra.
GMA 125O Juízo que acontece antes do Advento
GMA 125.2Ao mesmo tempo, nossos irmãos em Maine haviam adotado a ideia de que o juízo deveria ocorrer antes do advento. Criam tratar-se de um tempo em conexão com a colheita, que não ocorreria apenas por ocasião do fim do mundo, mas que envolvia um período imediatamente anterior a esse fim. De acordo com esse pensamento, chegaram à conclusão de que nos encontrávamos no período do juízo, de que a linha divisória estava sendo traçada, e que os servos de Deus estavam sendo selados em suas frontes. Criam também que o cumprimento desse selamento representaria o sinal para que os quatro anjos soltassem os quatro ventos da terra, que eles mantêm seguros (Apocalipse 7:1).
GMA 125Despertamento à meia-noite
GMA 125.3Em meados de Julho, a bênção de Deus na recuperação dos que se haviam apostatado começou a acompanhar a proclamação de tempo. Nessa época, os que haviam adotado qualquer das duas ideias mencionadas acima manifestaram marcante mudança de comportamento e um súbito despertar do sono, como estava previsto: “à meia-noite ouviu-se um clamor: Eis que vem o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas”. A partir de julho, esses movimentos tiveram lugar em diversas partes da Nova Inglaterra, distintos uns dos outros. Todos, contudo, foram acompanhados da bênção de Deus na recuperação de muitos cujas lâmpadas tinham quase se apagado, bem como na santificação de seus santos. Na reunião campal de Exeter, todas essas influências se reuniram num grande movimento que rapidamente se espalhou por todos os grupos adventistas do país.