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Capítulo 1 — Introdução

John Norton Loughborough

GMA 11.1Quando falamos sobre o segundo advento de Cristo, estamos abordando um tema que tem sido a esperança do povo de Deus desde que nossos primeiros pais foram expulsos do jardim do Éden. Nas palavras proferidas à serpente de que a semente da mulher feriria sua cabeça, havia uma garantia de que, finalmente, um restaurador viria, anularia os enganos de Satanás e cumpriria o propósito de Deus na terra. Supõe-se que Adão e Eva imaginaram que esta obra seria prontamente realizada, e que um de seus descentes imediatos seria o Libertador. Contudo, no plano de Deus, a promessa de um Salvador que traria livramento da aparente ruína abarcava tudo o que, desde então, tem se desenvolvido na realização de “Sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 1:9).

GMA 11.2Se Adão e Eva houvessem, de uma só vez, tido noção da miséria e desgraça que sobreviriam ao mundo durante os longos séculos entre a ruína e a restauração, seu sofrimento teria sido insuportável. O Deus do Céu, em Sua terna misericórdia e compaixão, escondeu deles essa realidade, permitindo que acariciassem a doce esperança de logo receber a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Alimentando a esperança de que a redenção estava próxima, eles seriam naturalmente incentivados a preparar-se para tal evento com maior empenho.

GMA 11.3O mesmo tem acontecido com o povo de Deus em todas as gerações desde os dias de Adão. Tinham certeza de que um evento significativo estava para ocorrer no futuro — que Cristo finalmente viria e estabeleceria Seu reino. Assim como Adão e Eva, eles também acreditavam que o evento estava às portas, sem saber o que ainda estava para ocorrer entre a sua época e o esperado evento; do contrário, poderiam ter se desanimado de prosseguir em direção ao prêmio.

GMA 11.4Isso pode ser ilustrado nos acontecimentos ocorridos antes de grandes descobertas. As pessoas que as fizeram estavam, sem saber, cumprindo o propósito de Deus; mas foram motivadas por ideias que nem sempre estavam em harmonia com as próprias teorias que as levaram à ação.

GMA 12Efeitos de longo alcance das descobertas de Colombo

GMA 12.1Montgomery, em seu livro História Americana,1 comentando a respeito da teoria que levou Colombo a iniciar sua viagem e a executar seu plano de alcançar as Índias navegando para o oeste, relata:

GMA 12.2Colombo pensou que poderia aprimorar o projeto do Rei de Portugal. Ele tinha certeza de que havia um caminho melhor e mais curto, para se chegar às Índias, do que aquele traçado por Diaz. O plano do marinheiro genovês [Colombo] era tão ousado quanto original. Em vez de navegar para o leste, ou para o sul e depois para o leste, ele propôs que navegassem direto para o oeste. Acreditava possuir três boas e convincentes razões para um empreendimento dessa natureza: primeiro, de acordo com a melhor geografia de sua época, Colombo estava convencido de que a Terra não era plana, como a maioria supunha, mas redonda. Em segundo lugar, supunha ser o globo terrestre muito menor do que realmente é, sendo constituído, em sua maior parte, por terra, em vez de água. Em terceiro lugar, como não sabia ou sequer suspeitava da existência do continente americano ou do Oceano Pacífico, imaginou que a costa da Ásia ou as Índias eram diretamente opostas à Espanha e à costa ocidental da Europa. Estimou que a distância total até Cipango, ou o Japão, provavelmente não excederia os 6.400 quilômetros.
GMA 12.3Seu plano era o seguinte: começaria pela Europa; apontaria o navio para o oeste, na direção do Japão, e seguiria a curvatura do globo terrestre até chegar ao destino almejado. Para ele, o plano parecia tão seguro e simples quanto para uma mosca andar ao redor de uma maçã.
GMA 12.4Se fosse bem sucedido na expedição, teria uma imensa vantagem: entraria nas Índias diretamente pela porta de entrada, em vez de rodear por uma entrada lateral, como faziam os portugueses.
GMA 12.5Vemos que esse homem, que conhecia matemática prática, geografia e navegação tão bem quanto qualquer outro de sua época, estava certo quanto ao primeiro ponto — o formato da Terra — mas completamente errado quanto aos outros dois pontos.

GMA 12Um feliz equívoco

GMA 12.6Surpreendentemente, seus erros, de certa forma, o ajudaram. O equívoco com relação à distância foi o mais sortudo. Se Colombo tivesse calculado corretamente o tamanho da terra e a verdadeira duração da viagem, provavelmente não a empreenderia, pois logo veria que a rota proposta pelos portugueses era muito mais curta e econômica. Além disso, se imaginasse ou, de algum modo, previsse a existência do continente americano em seu trajeto, tal fato possivelmente o desanimaria quanto a iniciar uma viagem de descobrimento, já que seu objetivo não era encontrar um novo país, mas um novo caminho a um país já conhecido.

GMA 13A grande esperança dos séculos

GMA 13.1De modo semelhante, o povo de Deus tem mantido perante si, ao longo dos séculos, a esperança da vinda de Cristo como “âncora da alma, segura e firme” (Hebreus 6:19). Apesar de muitas vezes clamarem angustiados, em meio a tristezas e aflições, dizendo: “Quanto tempo haverá, Senhor, até que venha o livramento?”, todavia, continuam avançando, e, como Paulo, declaram: “Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em Sua vinda? Não sois vós?” (1 Tessalonicenses 2:19).

GMA 13Paulo foi confortado pela esperança

GMA 13.2Nesse contexto, será suficiente apresentarmos algumas ilustrações do conforto que essa esperança é capaz de proporcionar. Quando Paulo compareceu perante Félix, recebendo permissão para falar por si mesmo, afirmou:

GMA 13.3Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas, tendo esperança em Deus, como também estes a têm, de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos (Atos 24:14-15).

GMA 13.4Em seu hábil apelo, quando trazido perante Agripa, Paulo declarou:

GMA 13.5E, agora, estou sendo julgado por causa da esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais, a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente de noite e de dia, almejam alcançar; é no tocante a esta esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos judeus. Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? (Atos 26:6-8).

GMA 13.6Quando finalmente em Roma, para comparecer perante César, ele disse aos judeus: “Porque é pela esperança de Israel que estou preso com esta cadeia” (Atos 28:20).

GMA 13.7Ele falou abertamente dessa esperança em sua carta a Tito:

GMA 13.8Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo (Tito 2:11-13, ACF).

GMA 14Pedro se alegrou na esperança

GMA 14.1Pedro menciona a mesma esperança nas seguintes palavras:

GMA 14.2Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo (1 Pedro 1:3-7).

GMA 14O propósito de Deus na criação

GMA 14.3As Escrituras revelam o propósito de Deus ao criar o mundo. Mediante a palavra profética, aprendemos sobre Seus planos quanto ao futuro:

GMA 14.4Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada (Isaías 45:18).

GMA 14.5Deus criou a Terra e em seguida a entregou ao homem. Diz o salmista: “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” (Salmo 115:16). Mas no momento em que Deus entregou o planeta ao homem, este era fiel, conforme expressa o sábio Salomão: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Eclesiastes 7:29).

GMA 14.6Quanto ao modo de Deus lidar com a raça humana, lemos assim: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel”, ou seja, de acordo com o número do verdadeiro Israel que será finalmente ajuntado na terra, como súditos de Seu reino futuro. Paulo expressa o mesmo pensamento com as seguintes palavras:

GMA 14.7Deus […] de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, O possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nEle vivemos, e nos movemos, e existimos (Atos 17:26-28).

GMA 15.1Quando esse propósito original em relação à Terra for cumprido, “todos os do Teu povo serão justos” (Isaías 60:21). Novamente se afirma a respeito dos que estarão naquela condição: “Nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniquidade” (Isaías 33:24). Aquele será o tempo em que “os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Salmo 37:11).

GMA 15A segunda vinda de Cristo não é uma fábula

GMA 15.2Na segunda epístola de Pedro, lemos o seguinte:

GMA 15.3Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da Sua majestade, pois Ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa Lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com Ele no monte santo. Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração (2 Pedro 1:16-19).

GMA 15.4Nessa passagem, o apóstolo se refere à transfiguração no monte como prova da segunda vinda de Cristo. Antes daquela cena, nosso Salvador informou a seus apóstolos: “Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no Seu reino” (Mateus 16:28); e, conforme registrado por Lucas: “Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus” (Lucas 9:27).

GMA 15.5Essa promessa foi cumprida literalmente no próprio evento da transfiguração. Nessa “visão” no monte, viram a Jesus glorificado, da forma como Ele aparecerá quando vier em Seu Reino. Viram Elias, que foi levado ao Céu sem experimentar a morte, representando aqueles que serão trasladados — sendo transformados de mortais em imortais — “num momento, num abrir e fechar de olhos”, por ocasião da vinda do Senhor (1 Coríntios 15:52). Também viram Moisés, que havia passado pela morte, mas agora representava os que serão ressuscitados dentre os mortos para o encontro com o Senhor. Portanto, nessa “visão” os discípulos tiveram um vislumbre de Cristo vindo em Seu reino, conforme Sua promessa.

GMA 16Profecias: a palavra confirmada

GMA 16.1Embora os apóstolos tivessem presenciado essa gloriosa cena no monte da transfiguração, e ouvido a voz de aprovação de Deus, o apóstolo Pedro afirma: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética” (2 Pedro 1:19). Com esta afirmação, ele não está desconsiderando o que tinham visto e ouvido naquela memorável ocasião da transfiguração. Ali, tinham ouvido a voz de Deus uma vez; mas nas grandes profecias, que se estendem até a segunda vinda de Cristo, a voz de Deus é repetida. De fato, toda clara predição profética cumprida, ou registrada na história, representa a voz de Deus falando a nós. É nesse sentido que a palavra da profecia é “mais segura” [King James Version]. A Versão Revisada2 traduz como “confirmada”. A profecia é confirmada por cada especificação cumprida. Cada evento predito, ao cumprir-se, é uma garantia de que os eventos restantes certamente ocorrerão.

GMA 16Características da profecia

GMA 16.2Os seguintes testemunhos com relação às características da profecia, apresentados por notáveis estudiosos da Bíblia, são bem convincentes. Thomas Newton declara:

GMA 16.3Profecia é história antecipada e resumida; história é profecia cumprida e expandida. Tem havido oráculos mentirosos no mundo, mas toda a perspicácia e malícia de homens e demônios não podem produzir profecias como as que encontramos nas Sagradas Escrituras.

GMA 16.4Isaac Newton testificou que “dar ouvidos aos profetas é uma característica fundamental da igreja verdadeira”.

GMA 16.5O Dr. A. Keith afirma:

GMA 16.6Profecia é equivalente a qualquer milagre, e é em si mesma miraculosa. […] Somente a voz da Onipotência poderia chamar do túmulo os mortos, somente a voz da Onisciência poderia contar o que está escondido num obscuro futuro, que para o homem é tão impenetrável quanto as mansões dos mortos — ambos os casos constituem a voz de Deus.

GMA 16.7Matthew Henry comenta:

GMA 16.8No tempo de Deus, que é o melhor tempo, e à maneira de Deus, que é a melhor maneira, a profecia certamente se cumprirá. Cada palavra de Cristo é completamente pura e, portanto, totalmente confiável.

GMA 17O objetivo da profecia

GMA 17.1Nas palavras de Cristo a Seus apóstolos, podemos descobrir um dos objetivos de Deus em conceder as profecias. Falando profeticamente do que aconteceria a Judas, disse Jesus: “Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU” (João 13:19).

GMA 17.2O Senhor também declara mediante o profeta Isaías:

GMA 17.3[…] Eu sou Deus, e não há outro; Eu sou Deus, e não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a Minha vontade (Isaías 46:9-10).

GMA 17.4E ainda:

GMA 17.5As primeiras coisas, desde a antiguidade, as anunciei; sim, pronunciou-as a Minha boca, e Eu as fiz ouvir; de repente agi, e elas se cumpriram. […] Por isso to anunciei desde aquele tempo e to dei a conhecer antes que acontecesse, para que não dissesses: O meu ídolo fez estas coisas; ou: A minha imagem de escultura e a fundição as ordenaram. Já o tens ouvido; olha para tudo isto; porventura, não o admites? Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, que não conhecias. Apareceram agora e não há muito, e antes deste dia delas não ouviste, para que não digas: Eis que já o sabia (Isaías 48:3, 5-7).

GMA 17.6Nessas palavras, a força do cumprimento profético é apresentada como prova da origem divina das profecias, pois demonstra que o poder do Senhor é maior que todos os deuses pagãos. Esses versos também mostram que a profecia ocupa um lugar muito importante na Palavra da verdade. Sendo assim, é realmente estranho que tão pouca atenção seja dada ao estudo das porções proféticas das Escrituras Sagradas.

GMA 17A profecia não está selada

GMA 17.7Os incultos dizem que são ignorantes e que, portanto, não podem entender as profecias. Por outro lado, muitos dentre os instruídos, e mesmo alguns dentre os ministros, afirmam: “As profecias estão seladas e não podem ser compreendidas. Todos sabemos que o livro do Apocalipse é um livro selado”.

GMA 17.8No Apocalipse, o amado João recebeu uma ordem especial para não selar o livro (Apocalipse 22:10). Nesse mesmo livro, é também pronunciada uma benção sobre “aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas” (Apocalipse 1:3, grifo nosso). Como poderia o conteúdo de um livro selado ser guardado [ou observado] se não pudesse sequer ser compreendido? O Senhor, por intermédio de Moisés, declarou:

GMA 18.1As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei (Deuteronômio 29:29).

GMA 18.2Nas palavras de Cristo aos discípulos, fica evidente que o Senhor planejou que as profecias de Daniel fossem compreendidas. Está escrito assim: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda)” (Mateus 24:15). Isso significa literalmente: “Entendam as profecias de Daniel”.

GMA 18.3O Senhor expõe a falácia dos que afirmam que as profecias não podem ser entendidas nas seguintes palavras:

GMA 18.4Toda visão já se vos tornou como as palavras de um livro selado, que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde: Não posso, porque está selado; e dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde: Não sei ler. O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de Mim e com a sua boca e com os seus lábios Me honra, mas o seu coração está longe de Mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu, continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá (Isaías 29:11-14).

GMA 18.5Tivesse o povo, a quem o profeta se refere, seguido as seguras palavras da profecia, não precisaria ter se afastado da lei de Deus, substituindo-a por preceitos e mandamentos de homens.

GMA 18A profecia não é de interpretação pessoal

GMA 18.6Não é pelo fato de a profecia possuir significados profundos, ocultos e misteriosos que tantos falham em compreendê-la. A esse respeito, o apóstolo Pedro declarou:

GMA 18.7Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21, ACF).

GMA 18.8Desse verso, claramente se percebe que o item essencial para a compreensão da profecia é receber o Espírito que falou por meio dos profetas. Sobre esse Espírito, prometido a todos os que O buscam, está escrito: “Ele vos guiará a toda a verdade” (João 16:13).

GMA 19O cumprimento profético

GMA 19.1Ao estudarmos as profecias, precisamos manter em mente certos fatos: Deus, o Ser infalível, é o autor da profecia. Quando chegar o tempo para o cumprimento de uma predição, esse evento vai ocorrer. Em outras palavras, quando o Senhor determina o tempo em que algo irá acontecer, visto ter Ele o poder de prever tudo o que o homem faz, quando esse tempo chegar, o verdadeiro cumprimento da profecia acontece. Sendo assim, um falso cumprimento da profecia no tempo determinado para o verdadeiro cumprimento é uma impossibilidade. Em harmonia com essa suposição básica, podemos dizer que, quando chega o tempo de Deus para ser transmitida ao mundo a mensagem da verdade, tal mensagem sempre se propaga.

GMA 19.2Certa ocasião, após um sermão que preguei sobre o cumprimento das profecias, um senhor incrédulo, presente na plateia, veio à frente e disse: “Preciso parabenizar vocês, intérpretes das profecias, como pessoas realmente sortudas. Em seu estudo da história, vocês parecem facilmente encontrar algo que se encaixe perfeitamente com a profecia”. “Sim”, foi nossa resposta, “encaixa porque foi feito para encaixar. Se você fosse a uma loja de luvas para comprar um par, você esperaria encontrar alguma que se encaixasse em suas mãos?”. Ele respondeu “É claro que eu esperaria, porque elas foram feitas para encaixar”. “Então”, disse eu, “Deus, sabendo exatamente o que os homens fariam, fez predições a seu respeito, e quando esses homens entraram em cena, fazendo as coisas preditas, os verdadeiros historiadores registraram suas ações, que se encaixam perfeitamente com as predições feitas”.

GMA 19Profecia: uma luz na escuridão

GMA 19.3O apóstolo Pedro diz que deveríamos dar ouvidos à profecia como a uma luz brilhando em um lugar escuro. Sem a lâmpada da profecia, o futuro seria totalmente obscuro. O propósito da luz é dissipar as trevas quando se passa por lugares escuros, e revelar claramente o caminho para que o viajante possa, passo a passo, avistar o trajeto e ser capaz de escolher o caminho a seguir. Declara o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Salmo 119:105). O sábio diz: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18). Assim, ao avançarmos no tempo, vemos que a Palavra de Deus, especialmente em seus cumprimentos proféticos, se abrirá mais e mais, deixando cada vez mais claro, ao estudioso da Bíblia, que ele está no caminho que conduz à luz e ao dia eterno.

GMA 20Três eventos marcantes desde o Éden até o fim

GMA 20.1Se considerarmos, à luz das Escrituras, o caminho trilhado pelo povo de Deus desde o Éden até o fim, veremos três eventos que se destacam de modo especial. O primeiro deles é a primeira vinda de Cristo — a encarnação, a vinda de Emanuel, Deus manifesto na carne. O segundo evento é a grande Reforma Protestante, ocorrida após a Idade das Trevas — também conhecida como Idade Média, um período de 1.260 anos de opressão em que o povo quase não teve acesso à Palavra de Deus. Com a reforma, a igreja saiu de sua fase no deserto e a Bíblia se tornou acessível, o que permitiu que todos a lessem e conhecessem a vontade de Deus. O terceiro evento é a segunda vinda de Cristo, para introduzir a restauração de todas as coisas, da qual falaram Seus santos profetas desde o princípio do mundo. Este último evento encerrará o “conflito dos séculos”, conflito entre o pecado e a justiça, e dará início à era de glória para a qual todas as outras eras apontavam.

GMA 20A profecia demarca o caminho para o fim

GMA 20.2Ao darmos ouvidos à palavra profética, que revela o caminho certo como uma luz a guiar nossos passos em meio à escuridão, encontraremos claramente traçado em suas linhas o percurso que vem desde o princípio até a segunda vinda de Cristo. Assim, aqueles que seguem de perto a luz profética não apenas identificarão os sinais e símbolos que revelam que o grande dia está próximo, mas também reconhecerão a obra de Deus, que avança firmemente com verdades destinadas a preparar um povo para encontrá-Lo em paz em Sua vinda.

GMA 20.3Ao mesmo tempo em que as Escrituras declaram que o dia do Senhor virá sobre as multidões como “um ladrão à noite” (1 Tessalonicenses 5:2; 2 Pedro 3:10), elas também falam a respeito dos que permanecem no conselho do Senhor: “Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia” (1 Tessalonicenses 5:4-5).

GMA 20Lembrar da direção do Senhor

GMA 20.4Ao lembrarmos de como Deus dirigiu o movimento adventista, é importante notarmos que sempre foi Seu desígnio que o povo se lembrasse das manifestações de Sua providência e de Seu poder em favor deles. Descrevendo as razões da apostasia de Israel, o salmista declara: Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que, no Egito, fizera coisas portentosas, maravilhas na terra de Cam, tremendos feitos no mar Vermelho (Salmo 106:21-22).

GMA 21.1Se era essencial que o povo de Israel lembrasse de como Deus os dirigiu, não seria também para nós? Com grande ânimo o salmista afirmou novamente: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de Seus benefícios” (Salmo 103:2).

GMA 21.2Em todas as épocas, o Senhor, por Sua graça, tem enviado importantes verdades, planejadas para libertar um povo da escravidão do pecado, e prepará-lo para entrar na Canaã celestial. Será muito proveitoso considerar o procedimento de Deus para com aqueles que têm proclamado essas verdades.

GMA 21Grandes resultados decorrentes de pequenos instrumentos — O testemunho de D’Aubigné

GMA 21.3D’Aubigné, em seu livro História da Reforma, escreve:

GMA 21.4Deus, que prepara Sua obra ao longo das eras, em Seu próprio tempo a executa mediante os mais frágeis instrumentos. Alcançar grandes resultados por meio de pequenos instrumentos, esta é a lei de Deus. Essa lei, que prevalece em toda a natureza, também é encontrada na história (História da Reforma, livro 2, cap. 1, paragrafo 1).

GMA 21.5Em tempos antigos, Deus começou a separar um povo especial a fim de estabelecê-lo como nação peculiar para Si mesmo, ao chamar um homem — Abraão — que habitava entre os pagãos, em Ur dos Caldeus. Dele nasceu uma numerosa descendência. Quando esta foi exaltada à posição de nação, Deus declarou a seu respeito:

GMA 21.6Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos (Deuteronômio 7:7).

GMA 21.7Posteriormente, ao livrar Seu povo da escravidão do Egito, Deus escolheu como líder alguém que, em sua infância, fora escondido por três meses na casa de sua mãe, colocado em seguida num cesto rústico e humilde, feito de junco e coberto com piche, o qual foi entregue aos cuidados do Rio Nilo. Porém, este mesmo Moisés, chegando à maturidade, escolheu sofrer humildemente com o povo de Deus em vez de “por um pouco de tempo ter o gozo do pecado” (Hebreus 11:25, ACF).

GMA 22A vitória de Gideão

GMA 22.1Mais tarde, visando livrar Israel dos midianitas e amalequitas, que, “como gafanhotos” (Juízes 6:5), destruíam os frutos da terra “e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos” (Juízes 6:4), o Senhor enviou um anjo a Gideão. Esse filho de Joás empobreceu a tal ponto de debulhar um pouquinho de trigo e escondê-lo de seus inimigos. Quando o anjo o avisou de que deveria livrar Israel, Gideão perguntou espantado: “Ai, Senhor meu, com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Juízes 6:15). Esse mesmo homem, pobre e humilde, saiu com trezentos homens, com meros jarros e tochas — o que pareceria tolice aos olhos humanos —, e fazendo de Deus a sua força, alcançou grande vitória. Antes do livramento, é possível que Gideão tenha se lamentado como o profeta Amós, que questionou: “Como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno” (Amós 7:2).

GMA 22O Bebê na manjedoura

GMA 22.2No tempo determinado por Deus, nasceu o Salvador da humanidade. Os pastores O encontraram deitado em uma manjedoura. Sua família terrestre tinha ocupações humildes, porém honestas. O Salvador disse o seguinte a respeito de Sua pobreza aqui na Terra: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Ele escolheu Seus apóstolos “dentre uma classe social inferior, que não era a mais pobre, mas não chegava ao nível da classe média. Assim foi para que se manifestasse ao mundo que o trabalho não era de homens, mas de Deus”.

GMA 22Não foram chamados muitos sábios

GMA 22.3Falando da obra nos dias da igreja primitiva, Paulo declara:

GMA 22.4Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. E Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus (1 Coríntios 1:25-29).

GMA 23Homens humildes na Reforma protestante

GMA 23.1Encontramos esse mesmo princípio exemplificado na vida dos grandes reformadores do século 16. Diz o historiador:

GMA 23.2O reformador Zuínglio emergiu de uma choupana de pastores nos Alpes; Melanchton, o teólogo da Reforma, de uma loja de armeiro; e Lutero, da cabana de um pobre mineiro.

GMA 23.3Lutero disse a respeito de si mesmo:

GMA 23.4Meus pais eram muito pobres. Meu pai era um pobre lenhador (depois se tornou mineiro) e minha mãe frequentemente carregava madeira nas costas a fim de conseguir meios para criar os filhos. Eles suportaram os mais árduos trabalhos em nosso favor.

GMA 23.5Escrevendo sobre o chamado para servir ao Senhor, o apóstolo Tiago declarou:

GMA 23.6Ouvi, meus amados irmãos: Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que Ele prometeu aos que O amam? (Tiago 2:5).

GMA 23Os primeiros Metodistas

GMA 23.7Ao examinarmos o avanço da obra dos reformadores até chegar aos primeiros dias do metodismo, tempo em que a doutrina da livre graça era assiduamente pregada, percebemos que esta foi acompanhada pelo poder de Deus. Ao ser ela fielmente exposta ao povo, com a ternura e o amor de Cristo, e acolhida por viva fé, os crentes não somente encontravam remissão de pecados passados, mas um poder santificador para viver uma vida santa. O metodismo teve começo humilde e foi abençoado segundo a fé e sincera confiança tanto de ministros como de leigos.

GMA 23.8Ao recordar os incidentes e experiências ligadas ao movimento do advento, como se dá em toda obra do Senhor em que o homem é agente, descobrimos que esse movimento se originou entre os pobres e desconhecidos; no entanto, que ninguém se decida contra ele por esse motivo, sem examinar cuidadosamente as evidências que sustentaram essa grande obra, a não ser que queira ser encontrado entre aqueles a quem o Senhor perguntará: “Pois quem despreza o dia dos humildes começos?” (Zacarias 4:10).

GMA 23A réplica de Eck a Lutero

GMA 23.9Para beneficiar os que decidem se um ponto doutrinário é correto ou incorreto com base no número de pessoas que o aceitam, citamos, em parte, a controvérsia entre Lutero e Eck. Ao Lutero se posicionar a favor das Escrituras, ousando questionar o direito de as pessoas valorizarem as próprias opiniões acima da Palavra de Deus, Eck retrucou com ironia:

GMA 24.1Estou surpreso com a humildade e modéstia com as quais o respeitável Doutor se encarrega de se opor, sozinho, a tantos pais ilustres, e pretende saber mais que os soberanos pontífices, os concílios, os doutores e as universidades! […] Seria surpreendente, sem dúvida, que Deus tivesse escondido a verdade de tantos santos e mártires até que chegasse o reverendo Padre.

GMA 24.2Essa réplica poderia muito bem ser confrontada com a resposta apresentada por Zuínglio a John Faber, em Zurique. Após Faber expressar seu

GMA 24.3espanto diante da situação a que as coisas chegaram, quando costumes antigos, que duraram por 12 séculos, foram esquecidos, deduzindo-se claramente que a cristandade havia estado em erro por 14 séculos,

GMA 24.4Zuínglio rapidamente respondeu que

GMA 24.5o erro não era menos erro devido ao fato de nele se crer por 14 séculos; e que, na adoração a Deus, a antiguidade dos costumes não representava nada, a não ser que pudesse ser encontrado fundamento ou autorização para eles nas Escrituras Sagradas. 3

GMA 24Palavra de Deus X sabedoria humana

GMA 24.6O perigo de apoiar-se em opiniões de homens, em vez de determinar “O que é a verdade?” pela Palavra de Deus, é claramente descrito pelo profeta Oséias com as seguintes palavras: “Arastes a malícia, colhestes a perversidade; comestes o fruto da mentira, porque confiastes nos vossos carros e na multidão dos vossos valentes” (Oseias 10:13). A tendência do coração humano sempre foi confiar no homem. Contudo, ao nos aproximarmos do tempo em que o Senhor irá “se levantar para espantar a terra”, o profeta Isaías exorta: “Afastai-vos, pois, do homem cujo fôlego está no seu nariz. Pois em que é ele estimado?” (Isaías 2:21-22).

GMA 24.7Sendo assim advertidos nas Escrituras com relação ao risco que corremos, que ninguém condene precipitadamente o movimento do advento, como se fosse indigno de consideração devido a seu humilde começo, ou porque os chamados grandes aos olhos do mundo não abraçaram essa causa. Pelo contrário, que todos pesem cuidadosamente suas declarações. A verdade possui valor inestimável. Comparadas a ela, meras opiniões humanas não passam de palha, destituídas de qualquer valor.

Notes

  1. David Henry Montgomery, The Leading Facts of American History, edição de 1902, p. 8 e 9. ↩
  2. A Revised Version, publicada em 1885, é a versão revisada da Bíblia King James Version em inglês. ↩
  3. James Wylie, História do Protestantismo, cap. 12, par. 16, 17; Edição Cassel, p. 458. ↩

Nota

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