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Capítulo 7 — O Rápido Avanço da Mensagem

John Norton Loughborough

GMA 97.1“Vi outro anjo forte descendo do céu, envolto em nuvem, com o arco-íris por cima de sua cabeça; o rosto era como o sol, e as pernas, como colunas de fogo; e tinha na mão um livrinho aberto. Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a terra, e bradou em grande voz, como ruge um leão, e, quando bradou, desferiram os sete trovões as suas próprias vozes. […] Então, o anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por Aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá mais tempo, mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos Seus servos, os profetas” (Apocalipse 10:1-7, adaptado da KJV).

GMA 97Anjos: símbolos de mensageiros humanos

GMA 97.2Como já demonstramos, a obra de pregar o evangelho foi confiada a homens, e o Senhor prometeu abençoar este instrumento “até o fim do mundo” (Mateus 28:19-20). Por conseguinte, o “anjo” que dá essa mensagem deve simbolizar uma mensagem de tempo a ser pregada aos habitantes da terra. A mensagem é proclamada de um livro “aberto”, claramente indicando que ele antes estivera fechado. Esses mensageiros são muito estimados por Deus, pois o “arco-íris”, símbolo de Sua aliança, está sobre eles; e eles estão vestidos com a luz da glória de Deus, e proclamam a mensagem com a autoridade do Criador de todas as coisas. Então, aqui temos uma mensagem de tempo, que no passado estava “selada”, mas que agora está sendo proclamada a partir de um livro “aberto”.

GMA 97.3Nos capítulos anteriores, ficou evidente que Deus designou o momento exato de conceder luz quanto ao fim do grande período profético — os 2.300 dias — chegando ao juízo investigativo. Provamos também que a predição acerca da multiplicação do conhecimento foi precisamente cumprida ao se levantarem muitos que haviam recebido de Deus essa luz. Mostramos que Deus fixou também o momento em que a “parábola da figueira” deveria ser revelada, suscitando mestres, na hora exata, para a proclamarem ao mundo. Com essa precisão, Deus marcou o momento em que a mensagem de tempo deveria crescer em intensidade até seu alto clamor, e com a mesma precisão ela se cumpriu.

GMA 98O alto clamor da primeira mensagem

GMA 98.1O tempo exato em que o alto clamor desta proclamação deveria acontecer é uma questão interessante. Ele surge entre o soar da sexta e sétima trombetas, o que se evidencia, não apenas por sua localização no registro bíblico, mas pela própria mensagem, que diz: “nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos Seus servos, os profetas”. Isto constitui evidência conclusiva de que o tempo anunciado nesta mensagem se estende até o soar da sétima trombeta.

GMA 98O tempo do alto clamor

GMA 98.2Ao soar do sétimo anjo, lemos assim: “Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no Céu, e foi vista a arca da Aliança no Seu santuário” (Apocalipse 11:19). No serviço do santuário terrestre, o compartimento onde a arca ficava — o lugar santíssimo — abria-se apenas uma vez por ano. Isso acontecia no Dia da Expiação, e tinha por finalidade apagar os pecados — purificar o santuário. O tempo referido pelos profetas em que deveria ocorrer esta obra de purificação, a ser realizada por Cristo, é ao fim dos 2.300 dias (Daniel 8:14). Também é dito que, ao soar do sétimo anjo, vozes no Céu anunciam que é chegado o tempo de serem julgados os mortos (Apocalipse 11:18).

GMA 98.3Esse símbolo profético de Apocalipse 10 aponta para o momento em que essa mensagem deve avançar “com grande voz”, e por fim, “como quando ruge um leão” (Apocalipse 10:3). De acordo com essa profecia, o tempo em que a mensagem deveria crescer até seu “alto clamor” vai desde o fim da sexta trombeta até o fim dos 2.300 dias — o fim do período profético que termina na purificação do santuário. As quatro primeiras trombetas se cumpriram nas guerras dos godos, vândalos, hunos, etc., que dividiram Roma ocidental em dez partes ou reinos.

GMA 99A quinta trombeta

GMA 99.1A quinta trombeta revela a ascensão do islamismo, com sua gama de erros. Especialmente, porém, revela o período de “cinco meses”, ou 150 anos literais, a partir do momento que “tinham um rei” (NTLH). Em 27 de julho de 1299, Othman [também chamado Osman I], fundador do império otomano, invadiu o território da Nicomédia. A partir desse momento, os otomanos assediaram e “atormentaram” o império Romano Oriental até 27 de julho de 1449, ou seja, o exato período de 150 anos durante o qual soava a quinta trombeta. Nessa ocasião, os turcos vieram com seus exércitos contra a própria cidade de Constantinopla, fazendo uso de pólvora na batalha. Mediante um pesado canhão de artilharia, que o historiador Edward Gibbon disse requerer 60 bois de tração para transportá-lo, dispararam grandes pedras contra os muros dessa cidade.

GMA 99O término da sexta trombeta

GMA 99.2Por esse tempo, morreu João VIII Paleólogo, considerado pelos historiadores como o último imperador Bizantino. Constantino Decozes [Constantino XI Paleólogo] era o herdeiro legítimo do trono, mas relata-se que o medo que tinha de Amurath [Murad II], sultão turco que estava fazendo guerra contra ele, levou-o a pedir-lhe permissão para subir ao trono. Tal ato pareceria aos turcos quase uma renúncia ao trono. De fato, após breve tempo, os otomanos estavam de posse da cidade de Constantinopla e do império Romano Oriental. Assim, os turcos “mataram” (politicamente) o império que antes haviam “atormentado”. Deviam continuar a “matança” por “uma hora, um dia, um mês e um ano” (Apocalipse 9:15, trad. lit. KJV).

GMA 99.3Se considerarmos essa referência temporal como um período profético — cada dia por um ano — quanto tempo representaria? Muito simples: um ano é igual 360 dias, ou anos; um mês, 30 dias, ou anos; e um dia, um ano; no total 391 dias, ou, literalmente, 391 anos. Sendo que uma hora é a vigésima quarta parte de um dia [ou ano], simbolicamente seria a metade de um mês ou quinze dias [360÷24=15]. Portanto, o tempo total do reinado muçulmano independente, no território Romano Oriental, é de 391 anos e 15 dias. Somando esse total à data de 27 de julho de 1449, chegamos a 11 de agosto de 1840 como término do período de independência turca, conforme anunciado sob a sexta trombeta.

GMA 100O Dr. Josias Litch prevê a queda do Império Otomano

GMA 100.1Em 1838, o Dr. Josias Litch, da Filadélfia (Pensilvânia), havendo abraçado a verdade anunciada por Guilherme Miller, uniu-se à obra de dar ampla publicidade à mensagem. Preparou artigos para publicação sobre o tema das sete trombetas do Apocalipse. Posicionou-se, de forma incondicional, defendendo que o soar da sexta trombeta terminaria, e que o poder otomano iria cair no dia 11 de agosto de 1840. Ressaltou então que esse cumprimento demonstraria ao mundo que um dia profético representa um ano de tempo literal.

GMA 100.2Alguns dos irmãos, mesmo dentre os que criam nesse ponto como ele, temeram quanto ao que resultaria “caso o evento não ocorresse” como predito. Isso, porém, não o intimidou; pelo contrário, buscou fazer tudo o que podia para tornar pública sua compreensão acerca dos turcos. Os jornais circularam amplamente suas afirmações sobre o assunto. Clubes de céticos discutiam a questão em seus encontros, e declaravam: “Aqui está um homem que ousa alguma coisa. Se isso acontecer segundo ele afirma, será estabelecida, sem sombra de dúvida, sua alegação de que um dia em profecia simboliza um ano, e que os 2.300 dias são 2.300 anos, que terminarão em 1844”.

GMA 100.3A publicação da palestra do Dr. Litch provocou agitação geral, e assim, milhares tiveram sua atenção chamada para acompanhar a resolução do conflito que se levantara entre Mehemet Ali, o paxá do Egito, e o sultão turco. Centenas diziam: “Se esta questão se encerrar segundo afirmou o doutor, isto estabelecerá o princípio de interpretação de tempo profético ‘dia-ano’, e nós nos tornaremos adventistas”.

GMA 100O sultão turco faz guerra ao paxá do Egito

GMA 100.4Por vários anos antes de 1840, o sultão esteve enredado em guerra contra Mehemet Ali, paxá do Egito. Em 1838, o conflito entre o sultão e seu vassalo egípcio foi, por certo tempo, refreada por influência de embaixadores estrangeiros. Em 1839, no entanto, as hostilidades reiniciaram e prosseguiram até que, em uma das batalhas, o exército do sultão foi totalmente destruído e sua frota tomada por Mehemet e levada para o Egito. A derrota do sultão foi tão completa que, quando a guerra reiniciou em agosto, ele só tinha duas naus de linha [navios pesados] e três fragatas como dolorosas relíquias da outrora poderosa frota turca. Essa frota, Mehemet terminantemente recusou-se a ceder e devolvê-la ao sultão, e declarou que, se as forças aliadas se aventurassem a tomá-la, ele a queimaria. A questão permaneceu nesse pé até que, em 1840, a Inglaterra, Rússia, Áustria e Prússia se interpuseram e determinaram uma solução para o impasse. Era evidente que, se nada fosse feito, Mehemet logo se assenhoraria do trono do sultão.

GMA 101Intervenção das forças aliadas

GMA 101.1O sultão aceitou a intervenção das forças aliadas, e assim fez uma rendição voluntária da questão às mãos deles. Uma conferência desses poderes foi realizada em Londres, estando presente o sheik Effendi Bey Likgis como embaixador Otomano. Elaborou-se um ultimato para que fosse apresentado ao paxá do Egito, em que o sultão lhe oferecia o governo hereditário e vitalício do Egito e de toda a parte da Síria que se estende desde o Golfo de Suez até o lago de Tiberíades, juntamente com a província de Acre. De sua parte, ele devia evacuar todos os outros lugares pertencentes aos domínios do sultão, que ele mantinha ocupados, e devolvê-los à frota otomana. Caso recusasse a oferta do sultão, os quatro poderes tomariam o assunto em suas próprias mãos e usariam os meios que achassem necessários para levá-lo a termo.
GMA 101.2Era evidente que, tão logo esse ultimato chegasse às mãos de Mehemet Ali, o assunto estaria definitivamente fora do controle deste [do sultão], e a resolução de seu caso estaria nas mãos dos poderes estrangeiros.

GMA 101A profecia cumprida: o fim da independência turca

GMA 101.3Um escritor assim descreve a sequência dos acontecimentos:

GMA 101.4O sultão enviou Rifat Bey numa embarcação do governo a Alexandria para comunicar o ultimato ao paxá. Este foi posto em suas mãos, e dele se encarregou no dia 11 de agosto de 1840! No mesmo dia, uma notificação foi enviada pelo sultão aos embaixadores dos quatro poderes, indagando que plano seria adotado caso o paxá se recusasse a cumprir os termos do ultimato; eles responderam que já haviam feito os devidos preparativos, e que ele não devia se preocupar com qualquer eventualidade que pudesse surgir. Nesse dia, o período de 391 anos e 15 dias, previstos para a supremacia do poder otomano, terminou; e onde estava a independência do sultão? Desapareceu! (Thoughts on Daniel and the Revelation, p. 497, 498).

GMA 101.5Desde aquela época até agora, o sultão foi obrigado a agir sob as ordens dos poderes e observá-los se apoderando pouco a pouco do seu reino, que finalmente foi desmembrado.

GMA 102Despertado o interesse público na profecia

GMA 102.1Esse marcante cumprimento da profecia teve tremendo efeito sobre a opinião pública. Intensificou o interesse das pessoas de ouvir sobre profecias cumpridas e se cumprindo. O Dr. Litch afirmou que, no espaço de poucos meses após 11 agosto de 1840, havia recebido cartas de mais de mil notáveis infiéis, alguns deles líderes de clubes. Nessas cartas, eles afirmavam que tinham desistido da luta contra a Bíblia, e a aceitavam como revelação de Deus ao homem. Alguns deles se converteram totalmente a Deus, e vários se tornaram poderosos oradores no grande movimento do segundo advento. Alguns se expressaram da seguinte maneira ao Dr. Litch: “Dissemos que os expositores da profecia faziam menção das obsoletas páginas da história para fundamentar suas alegações de cumprimentos proféticos. Neste caso, porém, temos fatos reais diante de nossos olhos”.

GMA 102.2Para ilustrar a forma pela qual a mensagem do Advento começou a avançar “em alta voz” justamente ao final da sexta trombeta, observemos um caso que me foi relatado por um dos protagonistas desta mensagem.

GMA 102.3Em 1840, C. E. Williams, um grande fabricante de tendas e velas para navios, de Rochester (Nova Iorque), aceitou a mensagem e convidou os irmãos Miller e Himes para que viessem a Rochester a fim de pregar aos milhares de moradores daquela cidade. Eles, porém, responderam que não dispunham do valor necessário para conseguir um salão grande o suficiente para acomodar todas as pessoas. Ao que ele replicou: “Tenho uma tenda circular de 37 metros de diâmetro. Vou levantá-la, armá-la e tomar as devidas providências, gratuitamente. Venham e proclamem a mensagem”. “Eles vieram”, contou-me ele, “e a tenda não foi capaz de acomodar nem a metade dos que queriam ouvi-los. Coloquei então uma emenda de 12 metros, resultando numa tenda que media 49 x 37 metros. Ela ficava lotada diariamente; não obstante, centenas ficavam do lado de fora, todos muito ansiosos para ouvir a palavra”.

GMA 102Centenas proclamando a mensagem

GMA 102.4Para atender esse crescente interesse, fez-se uso de grandes tendas. Durante o verão, reuniões eram realizadas nos bosques. Algumas das maiores igrejas e salões públicos foram utilizadas durante o inverno e todas ficavam lotadas em sua capacidade máxima com ouvintes interessados. Em vez de o irmão Miller proclamar a mensagem “quase sozinho”, como havia sido antes de 1840, agora, cerca de 300 se juntaram a ele em proclamar publicamente o término do período de 2.300 dias, e em fazer soar o clamor: “Já não haverá mais tempo” e “é chegada a hora do Seu juízo”. Podemos ver que, ao chegar o tempo determinado por Deus para que a mensagem avançasse ao redor do mundo, Sua palavra se cumpriu e milhões foram movidos com o desejo de atender ao chamado.

GMA 103.1O que aconteceu no movimento nos Estados Unidos aconteceu também em outros países. A partir de 1840, em vez de haver uns poucos indivíduos espalhando suas publicações, dezenas saltaram à frente, por assim dizer, para proclamarem esse clamor. Na Inglaterra, apenas da Igreja Anglicana, havia 700 ministros proclamando a mensagem, sem contar outras dezenas de pessoas envolvidas na mesma obra. Em mais de 20 das principais nações da Terra, uma mensagem se espalhava com tamanho zelo que levou os observadores a dizer: “Este povo está verdadeiramente levando isso a sério!”

Nota

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