Capítulo 24 — Outras Previsões Cumpridas
GMA 319.1“Considerai, eu vos rogo, desde este dia em diante, desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor, considerai nestas coisas. Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado os seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei” (Ageu 2:18, 19).
GMA 319.2O avanço seguro e firme da mensagem do terceiro anjo, desde seu estabelecimento inicial, pode muito bem ser comparada com à prosperidade experimentada por Zorobabel desde o dia que lançou a pedra fundamental do templo.
GMA 319Perspectiva não promissora
GMA 319.3Quando o povo judeu, com bolsas e celeiros vazios, foi chamado a construir o templo do Senhor, aos olhos humanos a perspectiva não parecia muito promissora. Quando, pela fé, obedeceram ao chamado e fizeram o trabalho de boa vontade, a mão prosperadora de Deus se manifestou a eles. À medida que delineamos os eventos na ascensão da terceira mensagem, discernimos a mão de Deus dirigindo os que escolhem Seu caminho. Apesar de estarem destinados a passar por aflições, o cuidado de Deus por Seu povo e Sua obra é sempre evidente para os que nEle confiam.
GMA 319Testemunho revelando o caráter dos ouvintes
GMA 319.4Em 24 de novembro de 1862, foram realizadas duas reuniões simultâneas na casa de William Wilson, de Greenville, Michigan, com a finalidade de organizar duas igrejas para os que aceitaram a verdade do sábado naquela vizinhança. A reunião da igreja de Greenville foi conduzida pelo irmão White e sua esposa em uma das salas, enquanto o irmão Byington e eu ficamos encarregados da reunião da igreja de West Plains numa outra sala. Ao procedermos com os passos preliminares numa sala, podíamos ouvir a voz de Ellen White dando seu testemunho na outra sala. Estávamos enfrentando certas dificuldades em nossa reunião quando, no momento certo, Ellen abriu a porta e disse:
GMA 320.1Irmão Loughborough, olhando para este grupo, vejo que tenho testemunhos para algumas das pessoas presentes. Quando você estiver pronto, entrarei e falarei.
GMA 320.2Sendo este o tempo exato em que precisávamos de ajuda, ela entrou. Além de mim e do irmão Byington, ela conhecia o nome de apenas três pessoas que ali estavam. Os outros eram desconhecidos, e nunca os vira antes, exceto em visão.
GMA 320Descrição da vida do Sr. Pratt
GMA 320.3Levantando-se para falar, ela disse:
GMA 320.4Vocês vão precisar me desculpar se, ao relatar o que tenho a dizer, eu descrever a pessoa de vocês, pois não sei seus nomes. Ao ver o semblante de vocês, surge perante mim aquilo que foi do agrado do Senhor me revelar a seu respeito. Aquele homem no canto, com um olho [alguém se manifestou e disse: “Ele se chama Pratt”], faz altas profissões de fé e grandes pretensões quanto à religião, mas nunca foi convertido. Não o recebam na igreja em sua condição atual, pois ele não é um cristão. Gasta ociosamente grande parte de seu tempo em lojas e em vendas, discutindo a teoria da verdade, enquanto sua esposa, em casa, tem que cortar lenha, cuidar do jardim, etc. Em seus negócios, ele promete coisas que não cumpre. Seus vizinhos não têm confiança em sua profissão de religião. Seria melhor para a causa da religião que, em sua condição atual, ele nada dissesse dela.
GMA 320A alegria do irmão Barr
GMA 320.5Continuando, ela disse:
GMA 320.6Este idoso irmão [ao ela apontar para ele, alguém disse: “Irmão Barr”] foi-me mostrado em marcante contraste com o outro homem. Ele é muito exemplar em sua vida, cuidadoso em manter todas as suas promessas e cuida bem de sua família. Mal ousa falar da verdade a seus vizinhos, por medo de arruinar a obra e causar dano. Não consegue enxergar como o Senhor pode ser tão misericordioso para lhe perdoar os pecados, e julga-se indigno até mesmo de pertencer à igreja.
GMA 320.7Então, ela lhe disse:
GMA 320.8Irmão Barr, o Senhor me ordenou dizer-lhe que você já confessou todos os pecados que conhecia e que Ele perdoou seus pecados há muito tempo, se você apenas acreditar.
GMA 321.1O olhar de tristeza no semblante do irmão rapidamente se dissipou. Ele olhou com um sorriso e disse, em sua simplicidade: “Perdoou?” “Sim”, respondeu Ellen White, “e foi-me dito que lhe dissesse: ‘Venha e una-se à igreja, e quando tiver oportunidade, fale uma palavra em favor da verdade. Ela terá um bom efeito, pois seus vizinhos têm confiança em você’”. Ele respondeu: “Eu o farei”.
GMA 321.2Então, ela disse: “Se o Sr. Pratt pudesse, por algum tempo, assumir uma posição semelhante à que o irmão Barr vinha ocupando, isso lhe faria bem”.
GMA 321.3Assim, foi removida uma das causas de nossa dificuldade em nos organizar. Antes de seu testemunho, não conseguíamos fazer com que o Sr. Barr consentisse em se unir à igreja. Por outro lado, observou-se que todos se opunham a receber o Sr. Pratt; entretanto, ninguém se sentiu livre para explicar o motivo de sua oposição.
GMA 321Curado um ciúme de família
GMA 321.4Em seguida, ela se dirigiu a um homem de pele amarelada, assentado num lado da sala e apontou então para uma mulher de feições finas, no lado extremo oposto, referindo-se a eles como marido e mulher. Delineou algumas coisas que aconteceram anteriormente em sua vida, antes que fizessem qualquer profissão quanto a crer na verdade. Disse que essas coisas haviam sido ampliadas por Satanás na mente da mulher até que esta se tornou insana. Ellen White declarou:
GMA 321.5Vi que esta mulher passou um ano no hospício; mas, após recuperar sua razão, permitiu que estes mesmos sentimentos de ciúmes lhe atormentassem a mente, provocando grande tristeza a seu marido, o qual fez tudo o que podia para mostrar-lhe que ele lhe era fiel e que ela não tinha razão alguma para afastá-lo como anda fazendo.
GMA 321.6Num instante a mulher correu para o outro lado da sala e, de joelhos, implorou ao marido que a perdoasse. Eles eram quase desconhecidos naquela parte do país; o grupo não tinha noção de sua história passada. No entanto, aqueles que estavam mais familiarizados com essa família, percebiam que havia um distanciamento entre eles, mas desconheciam a razão.
GMA 321Semelhante a Eliseu e Hazael
GMA 321.7Após Ellen White dar seu testemunho, o trabalho de organização da igreja foi logo concluído. O Sr. Barr entrou para a organização animadamente, ao passo que o Sr. Pratt foi deixado de fora. Quando a reunião terminou, ele disse com bastante veemência: “Deixem-me dizer uma coisa: não adianta tentar fazer parte desse povo e agir como hipócrita; isso não é possível”.
GMA 322.1A descrição do caráter das pessoas, como no exemplo acima, forçosamente nos relembra um caso semelhante, registrado nos dias do profeta Eliseu (2 Reis 8:7-15). Ben-Hadade, rei da Síria, enviou seu servo Hazael a Eliseu a fim de saber se iria se recuperar de sua doença. Eliseu tinha visto o caso de Hazael em visão e, assim que o homem chegou perante ele, vendo sua fisionomia, tudo lhe veio à mente de maneira vívida.
GMA 322O irmão White é acometido por paralisia
GMA 322.2Na quarta-feira, 16 agosto de 1865, como resultado de trabalho excessivo e perda do sono, o irmão White teve um súbito ataque de paralisia. Como as instituições de saúde entre o nosso povo ainda não haviam sido estabelecidas, ele foi levado a Dansville, Nova Iorque, para uma instituição de saúde chamada: “Nosso Lar na Encosta” [Our Home on the Hillside]. Sua esposa e este escritor ficaram com ele ali de 14 de setembro a 7 de dezembro. Visto que os tratamentos fornecidos pela instituição lhe trouxeram pouco alívio, fomos para uma casa muito hospitaleira, de Bradly Lamson, em Lake View, Rochester, Nova Iorque, onde permanecemos cerca de três semanas. Ficamos felizes por encontrar ali o irmão J. N. Andrews, que acabava de retornar à cidade, após passar vários meses no Maine.
GMA 322Orações pelo irmão White
GMA 322.3Diariamente, na parte da tarde, as famílias do irmão Andrews e do Sr. Orton uniram-se a nós em momentos de oração com o irmão White e em favor dele. Isso continuou até 25 de dezembro. Enquanto o mundo exterior se alegrava e festejava naquele Natal, a igreja de Rochester o comemorava como um dia de jejum e oração em favor do irmão White. Tivemos reuniões, de manhã e à tarde, na casa do irmão Andrews, na rua New Main e, à noite, os que antes estiveram orando com o irmão White, reuniram-se com ele novamente na casa do Sr. Lamson.
GMA 322Visão recebida na noite de Natal
GMA 322.4A reunião naquela noite foi poderosa. O irmão White foi muito abençoado e Ellen White recebeu uma visão maravilhosa, na qual muitas coisas lhe foram mostradas. Entre estas estavam instruções ao irmão White de como proceder, de modo a exercer sua fé em Deus, que tão evidentemente estendera Sua mão para operar em seu favor a fim de que recuperasse a saúde.
GMA 323Predição do ataque de Satanás
GMA 323.1Aos que estiveram orando pelo irmão White, Ellen White declarou:
GMA 323.2O propósito de Satanás era destruir meu marido e lançá-lo na sepultura. Por intermédio dessas fervorosas orações, seu poder foi quebrado. Foi-me mostrado que Satanás está irado com este grupo que, por três semanas, perseverou em fervorosa oração em favor desse servo de Deus. E, agora, Satanás está determinado a fazer um forte ataque ao grupo. Foi-me ordenado dizer a vocês: “Vivam muito próximo de Deus, a fim de estarem preparados para o que possa vir sobre vocês”.
GMA 323Premonições de J. T. Orton
GMA 323.3No primeiro dia de janeiro de 1866, o irmão White e sua família partiram de trem para Battle Creek, Michigan. Eu permaneci no oeste de Nova Iorque o restante do inverno. Desde a noite em que a visão foi dada, o Sr. J. T. Orton teve a impressão de que sua vida estava em perigo, porém não sabia de que forma. Ele relatou essa sensação para várias pessoas. No domingo à noite, dia 4 de março, ele retornou a Rochester vindo de Parma, onde comparecera a uma reunião que durou dois dias, em companhia do Sr. E. B. Sanders (que hoje, em 1905, vive em São José, Califórnia). O Sr. Orton pediu então ao irmão Sanders que caminhassem na rua mais iluminada enquanto andavam pela cidade, “pois”, disse ele, “tenho, constantemente, a impressão de que alguém vai tentar me matar”. No entanto, não parecia ter qualquer noção de quem desejava tirar sua vida.
GMA 323.4Retornei a Rochester, vindo de Parma, no dia 7 de março e me hospedei com o Sr. Lamson, genro do Sr. Orton. No dia 8, ele e a Sra. Orton nos visitaram. Fizemos então arranjos para ir de trem, na manhã seguinte, para Lancaster, Condado de Erie, onde eu realizaria a cerimônia de casamento de seu único filho. Passamos o dia de modo agradável; contudo, foi um dia solene.
GMA 323Assassinato de J. T. Orton
GMA 323.5Eles saíram da residência do Sr. Lamson às 5 da tarde e, às 7:30 da tarde, chegou um mensageiro informando-nos de que o Sr. Orton tinha sido brutalmente atacado por um desconhecido, em seu próprio celeiro, enquanto cuidava de seus cavalos. Fomos apressadamente ao local e descobrimos que ele tinha sido cruelmente espancado na cabeça com uma estaca de carroça acorrentada, e estava inconsciente. Ele faleceu às 12:35 daquela noite. Até hoje não se sabe quem cometeu tal ato cruel. Certamente não foi feito por dinheiro, pois seu bolso estava intacto, assim como sua carteira, que continha 45 dólares. Este foi um grande choque para a Sra. Orton, de cujos efeitos ela jamais se recuperou. Sua saúde física rapidamente se deteriorou e ela não viveu muito tempo após a morte de seu marido.
GMA 324Cumprimento da predição feita naquele Natal
GMA 324.1Poucos meses após essa memorável noite de Natal, das nove pessoas que se envolveram naquelas três semanas de oração, seis delas estavam em seus túmulos. E, assim, de modo surpreendente, foi cumprida outra predição.
GMA 324Alívio aos desesperados
GMA 324.2Na madrugada de 12 de dezembro de 1866, Elias Stiles, de North Liberty, Indiana, veio à minha casa, pedindo-me para voltar com ele e ajudar a aliviar, se possível, a James Harvey, que estava desesperado, crendo que não havia esperança para o seu caso. Sabendo que Ellen recebera ampla instrução em sua última visão, e que muitos casos lhe haviam sido mostrados profeticamente, respondi ao irmão: “É possível que a irmã White tenha visto algo sobre este caso e, em caso afirmativo, se ela puder escrever, isso será mais convincente do que qualquer coisa que eu possa dizer-lhe”.
GMA 324.3Imediatamente fomos buscá-la e, sem que eu mencionasse qualquer palavra sobre a condição do Sr. Harvey, perguntei-lhe: “Irmã White, você teve alguma luz, em qualquer das visões que recebeu, acerca do caso do irmão James Harvey?” “Sim”, disse ela, “eu tive; e tenho sido impressionada, por alguns dias, de que preciso escrevê-la e lhe enviar”. Ela, então, passou a contar-nos o que tinha visto. Eu disse: “Eu o verei pela manhã e, se você puder escrever o que lhe foi mostrado, posso entregar-lhe”. Com esse combinado, fomos embora e, à noite, voltamos novamente. Ela havia terminado de escrever e nos fez o favor de ler o testemunho em voz alta.
GMA 324Testemunho ao desesperado James Harvey
GMA 324.4O testemunho afirmava claramente que o Sr. Harvey seria levado a um estado de saúde fragilizado e que Satanás procuraria lançá-lo em desespero, tentando persuadi-lo de que já não havia misericórdia para ele, nem qualquer esperança em seu caso. Entretanto, ela viu que ele tinha feito tudo ao seu alcance para corrigir os erros de sua vida passada e que Deus lhe havia perdoado; e, além disso, quando fosse tentado a tirar sua vida, ela viu que anjos de Deus estavam voando em torno dele, dirigindo sua atenção para a esperança em Deus e no Céu. No testemunho, havia muitas palavras semelhantes de conforto e encorajamento.
GMA 325.1Com esse documento em minha posse, fomos pela manhã a North Liberty. No caminho, o Sr. Stiles me disse que o Sr. Harvey queria me ver, mas que havia dito que eu não teria nenhuma palavra de esperança para ele, e que, quando o encontrasse, eu concordaria com ele de que seu caso era sem esperança, que ele era um homem perdido, e, então, como o [sacerdote] Eli, do antigo [Israel], ao lhe ser dito que a arca de Deus fora tomada, ele deveria cair para trás e morrer.
GMA 325.2Chegamos à casa do Sr. Harvey por volta das três da tarde. Quando o encontrei, disse-lhe: “Irmão Harvey, como vai você?” Da maneira mais lamentável, ele respondeu: “Perdido! Perdido! PERDIDO!!!” Então eu disse: “Não, você não está perdido. Há esperança em seu caso!” Ao ouvir minha resposta, expressou-se, num tom diferente: “Por três semanas tenho pensado que não havia esperança para mim e que estava perdido, e hoje, enquanto ia da fazenda para a cidade, ao passar sobre a ponte na lagoa do moinho, algo parecia me dizer: ‘Você está perdido! Não há esperança para você! Pule na represa e se afogue!’ Pensei que fazer uma coisa dessas traria vergonha à causa de Cristo, e, assim, fui impedido de me suicidar”.
GMA 325Rápido livramento
GMA 325.3“Bem, irmão Harvey, você não está perdido!” disse eu. “Tenho aqui um testemunho direto do Céu, declarando que você não está perdido!” Ele respondeu: “Então, vou ouvi-lo”. Assim, li o testemunho perante ele, declarando, primeiramente, que nenhuma palavra me havia sido informada. Ao completar a leitura, sua face se iluminou com um sorriso, e disse: “Então, há esperança no meu caso. Eu acredito em Deus”.
GMA 325.4Após a leitura, tivemos um momento de oração, de onde ele saiu um homem transformado e feliz. Ele nos disse que aquela carta descrevia o funcionamento de sua mente nas últimas três semanas, melhor do que ele seria capaz de fazê-lo. Assim, por esse intermédio, o amor de Deus foi demonstrado ao livrar do desespero esse irmão.
GMA 326Campo de trabalho ampliado
GMA 326.1Até 1868, o campo de trabalho dos adventistas do sétimo dia tinha sido confinado aos Estados Unidos, na parte ao norte da fronteira sul do Estado do Missouri e ao leste do rio Missouri. Numa reunião em que se discutia os campos e a distribuição do trabalho, durante a assembleia da Associação Geral realizada em Battle Creek, Michigan, em 28 de maio, foi decidido enviar dois obreiros e uma tenda de 18 metros para a Califórnia. O irmão D. T. Bourdeau e o escritor chegaram a São Francisco em 18 de julho do mesmo ano.
GMA 326Abertura da Missão da Califórnia
GMA 326.2Gostaria de destacar algo em conexão com a abertura da missão da Califórnia, que ilustra bem a utilidade prática do dom de profecia. Paulo, ao falar dos dons espirituais, incluindo o dom de profecia, declara que eles são para “o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:12). Certamente o caminho mais viável para aperfeiçoar os santos é apontar-lhes seus erros, de modo que possam abandoná-los e serem lavados de seus pecados no precioso sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Para esse fim, por meio do dom de profecia, tem-se proporcionado auxílio no desempenho do serviço ministerial em todos os movimentos da causa da verdade presente, apontando aos servos do Senhor os defeitos em seu modo de trabalho, e como, usando outros métodos, poderiam ser mais eficientes na conversão de almas.
GMA 326Testemunho sobre como trabalhar na Califórnia
GMA 326.3Pouco depois de chegarmos à Califórnia, recebemos uma carta de Ellen White, na qual relatava uma visão que lhe fora dada em Battle Creek, sexta-feira à noite, dia 12 de junho, um dia que havíamos passado em Lancaster, Nova Iorque, antes de partirmos para a Califórnia. Ela nunca tinha visitado a Califórnia e não tinha conhecimento pessoal dos hábitos do povo. Na verdade, até então, ela nunca tinha passado a oeste do rio Missouri. Qualquer conhecimento que possuísse sobre o que lá se passava era proveniente do que o Senhor Se agradou em lhe revelar.
GMA 326.4Na instrução em sua carta, ela delineou as maneiras liberais do povo da Califórnia e qual seria o efeito de trabalhar entre eles num plano restrito e mesquinho. Ao pregar para o povo da Califórnia, eles deveriam ser abordados levando-se em conta o espírito liberal com que trabalham, sem, contudo, agir de maneira esbanjadora.
GMA 327Predito o plano de vitória
GMA 327.1Olhando, agora, em retrospectiva, penso nos últimos 37 anos desde que a obra foi iniciada na Califórnia, na situação daquele momento, na condição das pessoas e na maneira pela qual teríamos conduzido nosso trabalho se não tivéssemos recebido aquele testemunho. Ao testemunhar os resultados de seguir as instruções dadas, posso afirmar que nossa causa avançou mais em três meses do que teria avançado em um ano graças à ajuda “no desempenho do serviço” pela instrução recebida através do dom de profecia. Até a primavera de 1871, como resultado dos esforços no condado de Sonoma, surgiram cinco igrejas de observadores do sábado.
GMA 327A primeira tenda de reuniões em São Francisco
GMA 327.2Em junho do mesmo ano, erguemos nossa primeira tenda pela primeira vez em São Francisco. Como o irmão Bourdeau havia retornado para o Leste, outro obreiro de Michigan foi enviado a fim de tomar seu lugar. Chegou dia 17 de junho e uniu-se imediatamente a mim no trabalho na cidade. Após algumas semanas de empenho na tenda, continuamos nossas reuniões em salões alugados até 1° de dezembro de 1871. Como resultado desse trabalho, mais de 50 pessoas aceitaram a mensagem em São Francisco.
GMA 327Problemas internos na Califórnia
GMA 327.3Até essa data, nossas provações na Califórnia vinham mais de oposição externa; agora, porém, um teste de fé inesperado, de caráter diferente, surgira para nosso povo. Certo companheiro de obra insistiu em seguir um curso de ação que eu tinha certeza que traria vergonha a ele mesmo e também à causa. Tínhamos inimigos implacáveis na cidade que vigiavam cada passo que dávamos e estavam prontos a usar qualquer ação imprudente para nos prejudicar. Tornou-se, portanto, extremamente necessário atender à admoestação do apóstolo de evitar “toda a aparência do mal” [ACF].
GMA 327Independência perigosa
GMA 327.4Eu não afirmei que aquele irmão tinha, de fato, pecado em sua forma de agir, mas concluí que nossos inimigos tirariam proveito do que ele alegava ser inocente. Ele assumiu a posição de que tinha o direito de “agir como quisesse” no assunto, especialmente quando se admitiu que não havia nenhum pecado na sua forma de agir. Assim continuaram as coisas até 23 de janeiro de 1872, quando parti do condado de Sonoma para São Francisco a fim de verificar o que poderia ser feito para acalmar a situação.
GMA 328.1A essa altura, como eu temia, nossos inimigos estavam fazendo uso da conduta desse irmão, e ele estava assumindo a posição de que isso “não era da conta deles”, que iria mostrar-lhes que possuía uma mente própria e poderia andar nas ruas como lhe aprouvesse e com quem quisesse, sem se sujeitar aos comentários que faziam. Por meio de trabalho pessoal, tentei mostrar-lhe que aquele modo de agir não daria resultado e que esse espírito independente resultaria em mal. Ele tinha amigos que simpatizavam fortemente com ele, e alguns deles começaram a adotar uma posição que o submeteria a uma censura ainda maior. Grande parte da igreja viu o perigo de sua teimosia e estava pronta a me apoiar nos esforços que eu fazia para impedir que a causa sofresse desonra.
GMA 328Marcada uma reunião de investigação
GMA 328.2Assim permaneceram as coisas até o sábado, dia 27 de janeiro, quando foi decidido que seria feita uma investigação do caso e tomadas algumas medidas decisivas pela igreja a fim de salvá-la do estigma que esse espírito desafiador provavelmente produziria. Uma reunião foi marcada para o domingo, dia 28 de janeiro, às 9 horas da manhã, na qual iríamos analisar a situação e considerar nosso dever, como igreja, em referência à mesma. Ao que tudo indicava, uma divisão naquela igreja seria inevitável. Passei grande parte daquela noite em oração a Deus, pedindo que Ele operasse em nosso favor.
GMA 328Uma confissão escrita
GMA 328.3Na manhã do dia 28, ao sair para a reunião, encontrei aquele obreiro na calçada, perto de onde me hospedara, chorando. Disse ele: “Irmão Loughborough, não irei à reunião de hoje”.
GMA 328.4“Você não vai à reunião?” disse eu; “ela vai tratar do seu caso”.
GMA 328.5“Sei disso”, respondeu ele, “mas estou completamente errado. Você está certo na posição que tomou com relação a meu caso. Aqui está uma carta de confissão que escrevi à igreja. Quero que você leve a carta e leia para eles. Será melhor para você e para os que possam estar inclinados a simpatizar comigo que eu não esteja lá”.
GMA 328.6 “O que causou essa grande mudança em você desde ontem?”, perguntei.
GMA 329O recebimento de uma maravilhosa visão
GMA 329.1Ele respondeu: “Fui ao correio ontem à noite, após o sábado, e recebi uma carta da irmã White, vinda de Battle Creek, Michigan. É um testemunho que ela escreveu para mim”. Entregando-me o testemunho, ele disse: “Leia isto, e você verá como Deus considera o meu caso”.
GMA 329.2Ele pediu que eu contasse à igreja que ele havia recebido um testemunho da irmã White reprovando-o por sua conduta, e que ele havia aceito o testemunho, pois era verdadeiro.
GMA 329A convincente natureza da visão
GMA 329.3O testemunho era parte de uma visão dada a Ellen White em Bordoville, Vermont, dia 10 de dezembro de 1871. Ela começou a escrever a parte relativa ao caso deste irmão em 27 de dezembro de 1871, mas por algum motivo, a conclusão do documento foi adiada até 18 de janeiro de 1872, momento em que foi concluído e enviado pelo correio de Battle Creek. Naquela época, demorava cerca de nove dias para que as cartas chegassem por terra de Michigan à Califórnia.
GMA 329.4Na visão, muitas coisas são reveladas a Ellen White de maneira profética [ou seja, fatos ainda por acontecer]. Foi assim nesse caso. No momento da visão, a situação aparentava apenas uma vaga ideia do que realmente se desenvolveu quando o testemunho chegou a São Francisco. Comparando as datas, podemos ver que o auge do problema em São Francisco ocorreu após o testemunho ter sido enviado de Michigan. Nossos irmãos em São Francisco prontamente perceberam que ninguém poderia ter escrito para Battle Creek, contando o problema a Ellen White, em tempo suficiente de ela escrever essa carta, pois tal situação ainda não existia.
GMA 329.5Esse fato teve grande influência sobre os irmãos daquele lugar, convencendo-os de que havia um poder divino em conexão com a visão. Eu não tinha escrito uma palavra sequer, sobre o problema em São Francisco, ao irmão White ou a sua esposa, e o obreiro declarou não ter escrito nada. Os irmãos comentaram: “Se o obreiro tivesse escrito, não teria contado sobre si as coisas que foram apresentadas”.
GMA 329Como a visão foi escrita
GMA 329.6Posteriormente, quando ficamos sabendo sobre a escrita e o envio do testemunho, tornou-se ainda mais evidente que o Senhor, o autor da visão, tinha um plano quanto ao momento da escrita e envio do testemunho, de modo que chegasse apenas no momento certo.
GMA 330.1Bem cedo, na madrugada do dia 18 de janeiro de 1872, Ellen White foi despertada com o testemunho acima vividamente impresso em sua mente. A impressão lhe era tão distinta como se alguém tivesse dito: “Escreva imediatamente aquele testemunho para a Califórnia e envie no próximo correio; ele é necessário”. Ao repetir-se pela segunda vez, ela se levantou, vestiu-se apressadamente e terminou de escrever. Pouco antes do desjejum, entregou a carta a seu filho Willie, dizendo: “Leve esta carta ao correio, mas não a coloque na caixa de correio. Entregue-a ao agente de correio, e certifique-se de que ele a coloque na mala de correspondências que sai nesta manhã”. Ele posteriormente mencionou ter pensado que as instruções pareciam um tanto peculiares, porém não questionou, mas fez como lhe fora ordenado e “pôde ver a carta ser posta dentro da mala de correspondências”.
GMA 330Prova de que Deus estava dirigindo
GMA 330.2Conhecendo, então, nossa situação em São Francisco, você prontamente verá a importância de que a carta fosse enviada exatamente naquela remessa. Havia, na época, apenas uma remessa terrestre de correio por dia. Se a carta tivesse chegado no domingo à noite, dia 28, em vez de sábado à noite, dia 27, haveria, sem dúvida, uma triste ruptura na igreja. Se ela tivesse vindo várias semanas antes, mesmo logo após a visão ter sido dada, a igreja não perceberia tão facilmente sua importância.
GMA 330.3Esse testemunho apresentava evidentes sinais da mão do Senhor, não apenas pela carta haver chegado no momento adequado para corrigir efetivamente os erros existentes, mas, ao ser humildemente aceita e posta em prática pelo irmão, exerceu poderosa influência em trazer unidade e estabilidade para aquela jovem igreja.
GMA 330Escrevendo as visões
GMA 330.4Esse exemplo também ilustra algo que a própria Ellen White havia dito quanto a escrever o que lhe era mostrado. Ela diz:
GMA 330.5Tenho sido despertada do meu sono com uma vívida sensação de assuntos previamente apresentados à minha mente; e tenho escrito, à meia-noite, cartas que têm atravessado o continente e, ao chegar em um momento de crise, têm salvado a causa de um grande desastre (Testemunhos para a Igreja, vol. 5, n.° 33, página 671).