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Capítulo 6 — A Mensagem e os Mensageiros

John Norton Loughborough

GMA 83.1“Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo. Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-O, porque certamente virá, não tardará” (Habacuque 2:2, 3, ACF).

GMA 83.2“E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo. Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-Lhe glória; porque é vinda a hora do Seu juízo. E adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:6-7, ACF).

GMA 83.3Aqueles que participaram na proclamação do advento reivindicaram que esta “visão” com tempo “determinado”, mencionada pelo profeta Habacuque, incluía as visões das profecias de Daniel e de João. Eles as representaram de forma tão clara em seus esboços dos quadros proféticos que todos que lessem a interpretação poderiam de fato “correr” e transmitir a informação a outros.

GMA 83Uma mensagem definida

GMA 83.4A proclamação dada pelo povo adventista não era meramente o anúncio feito por Paulo perante Félix, “Justiça, temperança e juízo por vir”. Tampouco era ela a declaração feita por Martinho Lutero, pouco antes de sua morte e após concluir sua tradução da Bíblia. Ele afirma: “Estou convencido de que o juízo não está muito longe; de fato, o Senhor mesmo não ficará ausente mais que 300 anos”. A proclamação adventista não era também a declaração feita por João Wesley, ao dizer que “achava que o milênio poderia começar em cerca de cem anos”. Os adventistas alegaram estar dando a mensagem simbolizada em Apocalipse 14:6, 7, que diz: “É chegada a hora do Seu juízo”; e também o clamor de Apocalipse 10:6, que afirma: “Não haverá mais tempo”. Uma profecia assim não poderia se cumprir por meio do anúncio de um evento “por vir”, ou previsto para “300 anos”, ou mesmo “100 anos”, mas num tempo definido e presente: “é chegado”. E foi exatamente esta a mensagem anunciada ao mundo inteiro pelo povo adventista, com uma definição tão precisa quanto a exigida pelas profecias mencionadas anteriormente.

GMA 84O Juízo na vinda de Cristo

GMA 84.1Na época em que essa mensagem foi anunciada pela primeira vez, todas as denominações cristãs criam que o juízo ocorreria na segunda vinda de Cristo. Portanto, sob essas circunstâncias, crendo que seria assim, qualquer um que anunciasse a mensagem de que a hora do Juízo havia chegado, iria necessariamente proclamar a segunda vinda de Cristo. Em realidade, o que deu força à mensagem, comovendo poderosamente o povo, foi a proclamação de tempo definido. Primeiro, eles alegaram que o fim do mundo viria em algum momento durante o “ano Judaico” de 1843, e que isso era delimitado pelo período de tempo entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. Passado esse tempo, encontramos no Midnight Cry do ano de 1844 que o dia definido para o término dos tempos proféticos havia sido fixado. Tratava-se do décimo dia do sétimo mês judaico, correspondendo a 22 de outubro de 1844.

GMA 84Calculando os 2.300 Dias

GMA 84.2A data de “1843” tinha como base os 2.300 dias de Daniel 8. Alegava-se que, como esses “dias” estavam ligados a profecias em que animais haviam sido escolhidos para representar reinos, os “dias” deveriam ser utilizados também simbolicamente para representar anos, segundo a interpretação de tempo simbólico dada por Deus em Números 14:34 e Ezequiel 4:5, 6 [e 7 na Almeida Revista e Atualizada]. Também se alegava que as 70 semanas, ou “490 dias”, de Daniel 9 constituíam a primeira parte dos 2.300 dias, e que os dois períodos começavam juntos. O evento dado em Daniel 9, que marcou o início das 70 semanas, foi a “saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém”. Esta ordem foi dada no sétimo ano de Artaxerxes Longímano, no ano 457 a.C., conforme registrado em Esdras 7.

GMA 84.3Que essa era a verdadeira data para o início das 70 semanas fica demonstrado pelo fato de que, exatamente após 69 semanas, isto é, “483 anos”, partindo de 457 a.C. e chegando a 27 d.C., Cristo foi batizado por João e iniciou Seu ministério. Neste ano, precisamente, Cristo disse: “O tempo está cumprido” (Marcos 1:14, 15, etc.). O início do ministério de Cristo no ano 27 d.C., sua crucificação três anos e meio a partir dessa data, “na metade da [septuagésima] semana”, o término da obra especial entre os judeus, no ano 34 d.C., e a rápida conversão de Saulo, o apóstolo para os gentios, provaram que as 70 semanas terminaram naquela data, e, por conseguinte, que elas começaram em 457 a.C. Os pioneiros da mensagem adventista fizeram o seguinte cálculo: 2.300 menos 457 é igual a 1.843. Como os 457 anos transcorreram antes de Cristo, o término dos 2.300 dias ocorre no fim de 1843.

GMA 85Confissões de opositores

GMA 85.1Tem-se afirmado acertadamente que “confissões em favor da verdade vindas das fileiras dos adversários fornecem evidências da mais alta ordem”. Nenhum dos adversários da mensagem do advento jamais insinuou que o juízo investigativo do povo do Senhor fosse um evento a ter lugar antes da vinda de Cristo, mas raciocinavam nesta questão em harmonia com os adventistas. Como prova disso, vamos citar dois oponentes proeminentes.

GMA 85.2Em oposição aos adventistas, pregando na Capela da Rua Marlboro, Boston, em 1842, o Sr. N. Colver disse:

GMA 85.3Se esses dias são anos, o mundo vai acabar em 1843. Qualquer criança de escola consegue ver isso, pois, se os 490 anos terminaram com a morte de Cristo, os 2.300 dias terminariam em 1843, e o mundo deve acabar, a menos que se possa demonstrar que algum outro evento deva ocorrer, e não consigo ver como isso pode ser feito.

GMA 85.4O Professor Stuart, na mesma época, disse:

GMA 85.5É um fato singular que por muitos anos a grande massa de intérpretes no mundo inglês e americano ficam a desejar quanto a entender que os dias designados em Daniel e no Apocalipse representam ou simbolizam anos. Tive dificuldades em rastrear a origem dessa tendência geral, ou quase universal, eu diria.

GMA 85Testemunho do professor Bush

GMA 85.6O professor Bush disse: “Quem ataca o Sr. Miller na questão de tempo, o está atacando em seu ponto mais forte. Ele está correto quanto ao tempo, mas equivocado quanto ao evento a ocorrer”. Bush era adepto da crença de que o mundo inteiro se converteria antes da vinda de Cristo. Sua teoria era que o milênio teria início em 1844.

GMA 85.7Os ministros da fé no advento ensinavam, em seus discursos públicos, que a história mundial demonstrava que as várias nações estavam exatamente na condição simbolizada pela imagem de Daniel 2, em que a pedra deveria ferir a imagem nos pés e o Deus do céu estabeleceria Seu reino, bem como na condição predita no capítulo 7, em que “o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados aos santos do Altíssimo”. Eles também chamavam a atenção para o fato de que os sinais — físicos, políticos e morais — correspondiam exatamente aos eventos preditos pela Bíblia a ocorrerem pouco antes do aparecimento de Cristo.

GMA 86Prodígios nos céus

GMA 86.1O Senhor, mediante o profeta Joel, diz: “Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Joel 2:30, 31). Os adventistas criam e ensinavam que a aurora boreal dos últimos séculos (comumente chamada de luzes do norte) era o “fogo e colunas de fumaça” que cumpre a especificação do profeta. Segundo a mais fiel informação histórica (nos referimos à Enciclopédia Edinburgh como testemunha), ela havia sido raramente vista antes desse período.

GMA 86.2Assim, enquanto a mensagem da iminente vinda do Senhor era levada às partes mais remotas da Terra, apareceram sinais nos céus que deram força à verdade e prenderam a atenção das pessoas.

GMA 86.3Em 25 de janeiro de 1837, houve uma das mais magníficas exibições da brilhante aurora boreal. O fenômeno pareceu conduzir imediatamente o pensamento de muitos à predição do profeta Joel quanto ao que havia de preceder o grande dia do Senhor. A seguinte descrição do acontecimento apareceu no Noticiário Comercial de Nova Iorque de 22 de outubro de 1839. Ela está plenamente de acordo com a cena que eu testemunhei em Victor, Condado de Ontário, em Nova Iorque:

GMA 86A brilhante aurora de 1837

GMA 86.4No entardecer de 25 de janeiro de 1837, houve uma notável exibição dos mesmos fenômenos [referindo-se à aurora boreal] em várias partes do país, conforme nossos leitores certamente poderão se lembrar. Onde quer que o chão estivesse coberto com neve, a cena se via grandiosa e “temerária” da maneira mais inédita. Em certo lugar, situado próximo a uma montanha, as pessoas que presenciaram a cena nos informaram que ela se assemelhava a “ondas de fogo rolando montanha abaixo”. De modo geral, até onde ficamos sabendo, a neve cobrindo o chão tinha a aparência de fogo misturado com sangue, ao passo que no alto (como diz o apóstolo), “os céus, incendiados”, lembravam tanto a descrição profética dos últimos dias que muitos ficaram extasiados. As crianças que o contemplavam ficaram atemorizadas, e perguntavam se isso era a vinda do juízo. Mesmo os animais tremiam, manifestando bastante agitação.

GMA 87.1Não foi somente na América em que se exibiu esse sinal do profeta Joel. Como a doutrina da vinda do Senhor estava também ganhando publicidade na Grã-Bretanha, o mesmo sinal se manifestou no céu daquele país. O Noticiário Comercial de Nova Iorque, de 22 de outubro de 1839, traz as seguintes citações, provenientes de jornais Londrinos, sobre um notável fenômeno testemunhado naquele país na noite de 3 de setembro:

GMA 87A aurora de 1839

GMA 87.2LONDRES, 5 de setembro [1839]. — Entre as dez horas da noite de quinta-feira e as três da madrugada de ontem, foi vista nos céus uma das mais fascinantes manifestações já observadas em muitos anos desses extraordinários fenômenos — as estrelas cadentes e as luzes do norte. A primeira indicação desse fenômeno singular aconteceu dez minutos antes das dez, quando uma luz avermelhada, aparentemente vapor, levantou-se da parte norte do hemisfério, e gradualmente se estendeu ao centro do céu; por volta das dez horas ou dez e quinze, o céu todo, de leste a oeste, era uma grande lâmina de luz. Tinha aparência incrivelmente alarmante e era exatamente como se fora ocasionada por um terrível incêndio. A luz variava consideravelmente. Por um momento ela pareceu decair, e imediatamente depois levantou-se com brilho intenso. Misturada com ela, via-se grande quantidade de fumaça que rolava mais e mais. Todo espectador parecia convencido de que isto era “um tremendo incêndio”.
GMA 87.3A confusão na metrópole era muito grande. Milhares de pessoas corriam em direção à terrível suposta catástrofe. Os carros das estações de bombeiros na Rua Baker, Rua Farringdon, Rua Watling, e Estrada de Waterloo, e também os das estações a oeste de Londres — de fato, todos os carros de bombeiros de Londres — foram arreliados e cavalgaram para a suposta cena “de destruição” com energia mais que normal, seguidos por carruagens, cavaleiros e grandes multidões. Alguns dos carros avançaram até a altura de High Gate e Halloway [cerca de 6,5 quilômetros] antes que o erro fosse descoberto. Esses prodígios duraram mais de duas horas, e ao se aproximar o amanhecer, o espetáculo se tornou magnífico.
GMA 87.4Às duas da manhã, o fenômeno apresentou uma cena extremamente bela e bem difícil de descrever. Londres inteira estava iluminada de forma tão clara quanto o meio-dia, e a atmosfera estava notavelmente clara. O hemisfério sul, nesse momento, embora sem nuvens, estava muito escuro; mas as estrelas, inúmeras, brilhavam com grande beleza. O lado oposto do céu apresentava um contraste curioso, porém magnífico. Ele estava extremamente claro, e a luz era muito brilhante. Havia uma sucessão contínua de meteoros que variavam em esplendor — pareciam formados no centro do céu e se difundiam até que pareciam estourar. A impressão foi vibrante. Um grande número de pequenas estrelas era atirado por sobre o horizonte. Estas se lançavam com tanto ímpeto em direção à Terra que os olhos mal podiam seguir-lhes o rastro. Elas também pareciam explodir, lançando um vapor vermelho escuro por todo o hemisfério. As cores eram extremamente magníficas.
GMA 88.1Às duas e meia, o espetáculo foi transformado em trevas. Quando se dispersaram, apresentaram um arco-íris luminoso no zênite dos céus e também em volta da borda de escuridão que pairava sobre a parte sul do país. Logo depois, colunas de luz prateada irradiavam partindo dele. Elas aumentaram maravilhosamente, intercalados com o vapor avermelhado que se formou ao mesmo tempo. Quando o espetáculo atingiu a altura total, a cena estava além de qualquer imaginação. Estrelas eram atiradas em todas as direções, continuando até as quatro, quando tudo se extinguiu.

GMA 88Estranhos aspectos no sol

GMA 88.2Enquanto os ativos pregadores estavam anunciando a verdade da vinda do Senhor, diversas maravilhas no céu foram vistas em várias partes do mundo. Por motivo de espaço, daremos apenas a descrição da aparência do sol em Norwich, na Inglaterra, em dezembro de 1843. Outra semelhante ocorreu em New Haven, Connecticut, em 9 de setembro de 1844, durante duas horas antes e após o meio-dia, sendo testemunhada por milhares de pessoas.

GMA 88.3Estranha aparência do sol — O pequeno círculo interior representa o sol. Tinha uma tonalidade laranja-clara. A parte exterior dos dois círculos, com distâncias desproporcionais do sol e em torno dele, se mostrava da mesma cor; mas, a parte interna desses círculos era de um amarelo vivo. O céu, na parte interna desses círculos, se mostrava de cor marrom-escura, e os três grandes círculos passando pelo sol e por baixo dele, exibiam uma luz distintamente brilhante.

GMA 89.1Sobre essa ocorrência na Inglaterra, lemos o seguinte numa carta de E. Lloyd, de Londres, datada de 3 de janeiro de 1844:

GMA 89.2Houve um notável “sinal no sol”, visto pelos principais cidadãos de Norwich e seus arredores, tal como nunca visto antes na Inglaterra. Foi visto em dezembro passado, cerca do meio-dia, e durou duas horas. Causou grande alarme entre os moradores. Ocorreu logo antes de os irmãos Winter, Burgess e Routon inaugurarem sua missão naquela cidade. Parece que isso preparou caminho para a verdade, pois tiveram bastante sucesso ali.

GMA 89.3A narrativa do fenômeno ocorrido em New Haven, Connecticut, é dada no Midnight Cry de 10 de outubro de 1844, sendo tomada do Palladium de New Haven de 10 de setembro de 1844. Na narrativa do Cry, o editor diz: “Nenhum filósofo foi capaz de apresentar uma explicação satisfatória para a causa desse fenômeno”.

GMA 89.4Um relato dessa manifestação ligada ao sol ocorrida em New Haven, Connecticut, em 9 de setembro de 1844, foi publicada também no Courant de Hartford de 12 de setembro de 1844. Lemos ali o seguinte:

GMA 89.5Os anéis ao redor do sol na segunda-feira, dia 9 de setembro de 1844, por duas horas antes e depois do meio-dia, parecem, de forma geral, ter sido observados por nossos cidadãos com bastante interesse, e despertaram uma curiosidade inteligente de saber mais a respeito de aparições desse tipo e de suas causas.
GMA 89.6O halo atual foi notável por sua duração e proporcionou oportunidades favoráveis à observação. Perto do meio-dia, ele consistia principalmente em dois anéis completos, um tendo cerca de 45 graus de largura, circundando o sol em seu centro, e o outro cerca de 72 graus de largura, tendo seu centro no zênite, enquanto sua circunferência passava pelo sol. O círculo menor era acompanhado por um eclipse do eixo maior, e de pequena excentricidade. Diretamente oposto ao sol, e 36 graus ao norte do zênite, o grande círculo foi interceptado por dois outros círculos de diâmetros semelhantes ou quase iguais, formando, no ponto de intersecção, um ponto brilhante, tal como naturalmente resultaria ao combinar-se a luz de três anéis luminosos. O anel que rodeava o sol exibiu as cores do arco-íris, frequentemente com muito brilho e beleza. Os outros anéis eram brancos e mais fracos, por estarem mais distantes do sol. Pequenas porções de círculos, no entanto, com matizes prismáticos [de arco-íris], apareceram em momentos variados, tanto no leste como no oeste. […] Tal uniformidade de estrutura deve depender de alguma lei que regula a formação de halos, mas a essência desta lei não está totalmente clara. […] Não houve muita dificuldade em conjecturar sobre a causa para a formação do anel que circunda o sol, uma vez que ela consiste em algo semelhante ao que produz o arco-íris. Contudo, tem sido mais difícil explicar a origem do anel cuja circunferência está no centro do sol.

GMA 90Maravilhas cumprindo as predições das Escrituras

GMA 90.1Podemos ler a respeito da aplicação feita na Inglaterra e na América dessas maravilhas vistas no céu no material intitulado Exposição do Capítulo Vinte e Quatro de Mateus, de Sylvester Bliss, publicado em Boston em 1843. Depois de citar alguns dos relatos que acabamos de mencionar, ele diz:

GMA 90.2Assim, os “grandes sinais” e “coisas espantosas” preditos nas Escrituras da verdade parecem estar todos cumpridos, bem como aqueles que o Salvador declarou que precederiam sua vinda.
GMA 90.3Tão certo como a queda das folhas das árvores é uma indicação do verão, assim, com a mesma certeza, pelo cumprimento desses sinais, os cristãos devem saber que a vinda de Cristo está próxima, mesmo às portas. Eles não têm simplesmente permissão para saber sobre essas coisas. Na verdade, nosso Salvador lhes ordena conhecê-las (Exposition of the Twenty-Fourth of Matthew, p. 49-60. Sylvester Bliss, Boston, Massachusetts, 1843).

GMA 90Os mensageiros

GMA 90.4Tendo chamado a atenção para algumas das características principais da mensagem do segundo advento, conforme foi inicialmente proclamada, pode ser de interesse considerar alguns que desempenharam destacado papel nessa grande proclamação. Já mencionamos os nomes de muitos dos mais talentosos ministros da época que anunciaram a mensagem em terras estrangeiras. Ao chamarmos a atenção para alguns que o Senhor encarregou de liderar a obra nos Estados Unidos, ficará ainda mais evidente que a mão de Deus estava de fato no movimento.

GMA 90Guilherme Miller

GMA 90.5Citaremos primeiramente a pessoa de Guilherme Miller, tão destacado nos Estados Unidos que, para muitos, o movimento adventista é conhecido apenas como “milerismo”.

GMA 90.6Guilherme Miller nasceu em Pittsfield, Massachusetts, em fevereiro de 1782. Em sua infância foram manifestadas evidências de capacidade e força intelectual descomunais. Uns poucos anos fizeram com que estas se tornassem mais e mais notáveis a todos que conviviam com ele. Possuía forte constituição física, e um intelecto ativo e naturalmente bem desenvolvido, aliado a um caráter moral irrepreensível. Chegou a desfrutar das limitadas vantagens da escola local por apenas poucos anos, pois logo se admitiu, de forma geral, que suas realizações superavam às dos professores comumente empregados.

GMA 91.1Miller casou-se em 1802, e se estabeleceu em Poultney, Vermont. Os homens com quem se associou após mudar para Poultney, a quem muito devia quanto a favores seculares, eram profundamente afetados por princípios céticos e teorias deístas. Não eram homens imorais. Como grupo, eram bons cidadãos, geralmente de postura séria, humanitária e caridosa. No entanto, rejeitavam a Bíblia como o padrão de verdade religiosa e se esforçavam por tornar plausível sua rejeição, procurando auxílio nos escritos de Voltaire, Hume, Volney, Paine, Ethan Allen e outros. Miller estudou essas obras cuidadosamente. Com o passar do tempo, declarou-se deísta. Ele próprio afirmou que sua vida no deísmo abrangeu um período de 12 anos, começando por volta de 1804.

GMA 91.2Recebendo um encargo de capitão, entrou para o exército em 1810. Ao dele regressar, mudou-se, com a família, para Low Hampton, Nova Iorque, a fim de começar ali a ocupação de fazendeiro em 1812. Nesse trabalho, possuía mais tempo livre para leitura. Descobriu que sua visão deísta não lhe dava qualquer garantia de felicidade após a vida presente. Para além do túmulo, tudo era escuro e sombrio. Cito aqui suas próprias palavras:

GMA 91.3Aniquilação era uma ideia desanimadora e depressiva, e prestar contas seria destruição certa para todos. Os céus eram como bronze sobre minha cabeça, e o chão como ferro sob meus pés. Eternidade! O que era? E a morte! Por que existia? Quanto mais raciocinava, mais longe me achava da explicação. Quanto mais pensava, mais difusas eram minhas conclusões. Tentei parar de pensar, mas meus pensamentos não queriam ser controlados. Era verdadeiramente um miserável, porém não entendia o porquê. […] Pouco depois, de forma repentina, o caráter do Salvador foi vividamente gravado em minha mente. Tive a impressão de que fosse possível existir um ser tão bom e compassivo, a ponto de, Ele próprio, expiar nossas transgressões, e, assim, nos salvar de sofrer a punição do pecado. Senti imediatamente quão amável seria um ser assim, e imaginei poder lançar-me em Seus braços e confiar em Sua misericórdia.

GMA 91Conversão de Guilherme Miller

GMA 91.4Ele disse ainda:

GMA 91.5Vi que a Bíblia revelava exatamente um Salvador como eu precisava, e fiquei perplexo em ver como um livro não inspirado poderia desenvolver princípios tão perfeitamente adaptados às necessidades de um mundo caído. Fui constrangido a admitir que as Escrituras eram necessariamente a revelação de Deus. Tornaram-se o meu prazer; e, em Jesus, encontrei um amigo. […] A Bíblia agora se tornou meu principal estudo e, sinceramente, posso afirmar: estudei-a com grande prazer. Descobri que metade nunca me foi contada. Perguntei-me porque não havia visto antes sua beleza e glória, e maravilhei-me de que a pudesse haver rejeitado.

GMA 92.1Miller descreveu sua maneira de estudar a Bíblia:

GMA 92.2Decidi deixar de lado todas as minhas ideias pré-concebidas, comparar cuidadosamente passagem com passagem, e avançar no estudo de maneira regular e metódica. […] Sempre que encontrava qualquer parte obscura, era minha prática compará-la com todas as passagens paralelas; e, com a ajuda de Cruden [uma Concordância bíblica], examinava todos os textos bíblicos em que fosse encontrada qualquer palavra relevante ao texto obscuro. […] Foi assim que prossegui com o estudo da Bíblia, pela primeira vez lendo-a de forma atenta, por um período de mais ou menos dois anos, e fiquei totalmente convencido de que ela é o seu próprio intérprete.
GMA 92.3Enquanto estudava assim, convenci-me de que, se as profecias que se cumpriram no passado fornecem algum critério pelo qual se possa julgar a maneira de cumprir-se das que ainda estão no futuro, a crença popular num reino espiritual de Cristo — um milênio temporal antes do fim do mundo, e o regresso dos judeus — não é apoiada pela Palavra de Deus. […] Percebi que era claro o ensino nas Escrituras de que Jesus Cristo vai novamente descer a este mundo, vindo nas nuvens do céu, em toda a glória de Seu Pai.
GMA 92.4Senti prazer em estudar passagens que traziam ensinamentos que antes não imaginava poder encontrar nas Escrituras. Comecei a estudá-las sem nenhuma expectativa de descobrir o tempo da vinda do Salvador. No início, mal pude acreditar no resultado a que havia chegado; mas a evidência me sobreveio com tal força que não pude resistir a minhas convicções. Fiquei quase estabelecido em minhas conclusões, e comecei a aguardar, vigiar e orar pela vinda do Salvador.

GMA 92.5Novamente ele diz:

GMA 92.6Acreditei nisso. E imediatamente ficou impresso em minha mente o dever de publicar essa doutrina a fim de que o mundo pudesse crer e se preparar para encontrar o Juiz e Noivo em Sua vinda. Não preciso contar aqui em detalhes minhas longas e penosas provações. Basta dizer que, depois de certo número de anos, fui compelido pelo Espírito de Deus, pelo poder da verdade e o amor às almas a tomar minha cruz e proclamar essas coisas a um mundo moribundo e a perecer.

GMA 92.7Miller, assim como os que foram comovidos por essa mensagem em outros países, pensou primeiro em cumprir sua missão escrevendo e publicando em gazetas populares e panfletos. Publicou primeiro seus pontos de vista no Telégrafo de Vermont, um periódico batista, impresso em Brandon, Vermont. Isso ocorreu em 1831. Apresentou o assunto em público pela primeira vez em 1832. Acerca dessa reunião, disse ele: “O Senhor derramou Sua graça sobre a congregação, e muitos creram para a salvação de suas almas”.

GMA 93.1Em 1836, suas palestras foram impressas em algumas gazetas populares da época. No inverno de 1837-1838, suas palestras foram publicadas em forma de panfleto. Em 1838, um segundo panfleto, de 204 páginas, foi impresso. Nele Miller declarou que o poder Otomano poderia cair no ano de 1839 ou 1840. Suas primeiras palestras em uma cidade grande se deram em 1836. Pregou, então, nas cidades de Randolph, Lowell, Gratton e Lynn, localizadas em Massachusetts.

GMA 93.2Até 1840, Miller estava praticamente sozinho, como orador público, no tema do iminente advento de Cristo. Naquele ano, repentinamente, centenas se uniram a ele na proclamação da mensagem. O que produziu essa grande mudança será mencionado no próximo capítulo. No inverno de 1839-1840, Miller pregou uma série de sermões em Exeter, New Hampshire. Ali conheceu o irmão Joshua V. Himes, que aceitou a fé naquela ocasião. A partir de então, permaneceu lado a lado com o irmão Miller como editor e ardente pregador da grande mensagem do segundo advento.

GMA 93Joshua V. Himes

GMA 93.3Sobre este zeloso trabalhador nesse grande movimento, o melhor resumo que podemos fazer é citar as palavras de seu biógrafo. Ele assim escreve:

GMA 93.4Joshua V. Himes nasceu em Wickford, Rhode Island, em 19 de maio de 1805. Seu pai era bem conhecido comerciante com a Índia Ocidental, e se destacava como membro da Igreja Episcopal de São Paulo em Wickford. Sua mãe tinha uma personalidade agradável e um amor pelo Salvador que foi transmitido ao filho, sempre disposto a ouvir.
GMA 93.5Tinha sido intenção do pai educar seu filho, Joshua, para o ministério da igreja da qual era membro, mas as circunstâncias o impediram. Deus tinha outra obra para aquele filho realizar, e estava dirigindo os acontecimentos para esse fim. Em 1817, o pai enviou um valioso carregamento a comando do Capitão Carter, com Alexander Stewart como comissário de bordo. Esses homens se mostraram infiéis, e ao chegarem a um porto da Índia Ocidental, venderam tanto o navio quanto a carga, e fugiram. Esse evento alterou todos os planos que o pai fizera para o futuro do jovem Joshua, que teria sido enviado à Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island. Em vez disso, em abril de 1821, foi levado para New Bedford, Massachusetts, e vinculado a William Knights para aprender o ofício de fabricar gabinetes.
GMA 94.1Chegando a sua nova casa, tomou com seriedade o trabalho do qual fora encarregado, com a determinação de se tornar um mestre em seu ofício. Logo, porém, descobriu que o ambiente religioso ali não era totalmente do seu agrado. Ele relata: “Meu mestre era unitariano, e levou-me para sua igreja. O Reverendo Orville Dewey era o pastor. Era um converso recente da ortodoxia. Minha formação, sob a tutela do Bispo Griswold e do Reverendo William Burge, sacerdote da Igreja de São Paulo, em Wickford, e o fato de ter ouvido diversas vezes o eloquente Dr. Crocker da Igreja de São João, em Providence, Rhode Island, tornaram-me bastante incapaz de aceitar as eloquentes negações dos ensinamentos de Cristo e seus apóstolos feitas pelo Sr. Dewey”.
GMA 94.2Não havendo, na época, nenhuma igreja Episcopal em New Bedford, ele decidiu participar da Primeira Igreja Cristã [não a dos Discípulos] e posteriormente se uniu àquele corpo de crentes. “Aqui”, diz ele, “achei a Bíblia aberta e a liberdade de pensamento, e fiz bom uso de ambas”. Esta igreja estava sob os cuidados pastorais do Reverendo Moisés Howe. O Reverendo Clough batizou Joshua V. Himes em 2 de fevereiro de 1823. Com um coração ardendo de zelo por seu Mestre, imediatamente começou, com 18 anos de idade, a contar a história da cruz e a exortar o povo a arrepender-se. Declara acerca de si mesmo:
GMA 94.3“Logo me tornei um exortador, e recebi uma licença para exercitar o meu dom. […] Trabalhei satisfatoriamente como aprendiz e fui aprovado. Mas, durante cinco ou seis anos, me habituei a trabalhar em excesso, e, assim, consegui um ou dois dias por semana para estudo e trabalho missionário em comunidades carentes, cujos frutos entreguei ao meu pastor”.
GMA 94.4Em 1825 ele foi comissionado como missionário da associação das Igrejas Cristãs ao sul de Massachusetts. “Não havia nenhum plano ou meios para o sustento de missionários”, diz o irmão Himes, “e resolvi entrar nos negócios para me sustentar, e pregar o quanto pudesse”.
GMA 94.5Em 1828, saiu de New Bedford, não com apreensões ou falta de energia, mas com vencedora determinação, indo para Plymouth, onde pregou a Palavra de Deus em escolas-caseiras, em espaços improvisados e onde quer que conseguisse uma audiência. Em 1829, deu seguimento a esse mesmo método de trabalho em Fall River até 1830, quando se mudou para Boston como pastor da Primeira e Segunda Igrejas Cristãs; e aqui permaneceu por 33 anos. Em 1839, converteu-se à causa do Advento, tal como explanada pelo famoso irmão Guilherme Miller. Entrou na nova causa com todo o entusiasmo que possuía, e seu ministério era cheio de fogo e poder. Em 1840, iniciou a publicação da revista Signs of the Times [Sinais dos Tempos], defendendo a causa em que se havia lançado de todo o coração. Todo o seu dinheiro, todo o seu trabalho, toda a sua energia foram devotados às necessidades da causa, e milhares de conversos foram ganhos.

GMA 95Trabalho unido de Miller e Himes

GMA 95.1De 1840 até o outono de 1844, a obra dos irmãos Miller e Himes foi, em grande medida, feita de maneira unida, ao irem de cidade em cidade no verão com sua gigantesca tenda e, no inverno, em igrejas e salões públicos. A grande força física do irmão Himes o preservou até adentrar os 92 anos de idade. Suas faculdades mentais foram vigorosas até o fim. Em 28 de setembro de 1894, ele fez um discurso muito comovente a uma congregação de mais de 3 mil adventistas do sétimo dia num acampamento realizado em Lansing, Michigan. Pareceu falar tendo muito de seu antigo zelo e vigor. Isso foi realmente surpreendente, uma vez que havia três meses que esse homem completara 91 anos de idade e, na época, estava sofrendo de uma doença incurável da qual veio a falecer no ano seguinte.

GMA 95.2Os irmãos Miller e Himes, estavam, por assim dizer, na “frente de batalha” nesse movimento do segundo advento na América, e eram apenas dois dentre dezenas de pessoas que trabalhavam com eles na proclamação da doutrina do advento de Cristo, cujas características principais eram firmeza de propósito e genuína integridade. Esses homens eram, em grande parte, daquela classe, reconhecida pelo mundo como “homens que venceram por esforço próprio” — homens que haviam se desenvolvido pelo contato com as duras realidades da vida e aprendido a decidir-se quanto ao mérito de uma questão partindo de princípios e não de interesses políticos. Faziam parte daquela classe de pessoas nas igrejas que, segundo o irmão Miller, geralmente aceitavam a mensagem: “os membros mais piedosos, devotados e ativos”. Esse fato foi confirmado pelos ministros das várias igrejas que declararam, após a separação final entre eles e os adventistas: “Ela [a doutrina] levou a nata do nosso rebanho”.

GMA 95Outros destacados pregadores adventistas

GMA 95.3Pode ser de interesse citar nominalmente alguns dos homens que exerceram no movimento, durante aqueles anos iniciais, um papel destacado juntamente com os irmãos Miller e Himes. O primeiro a encabeçar a lista é Charles Fitch, de Cleveland, Ohio, o qual, em 1842, sugeriu a ideia de usarem diagramas para ilustrar as visões de Daniel e Apocalipse. Essa originou-se com base em Habacuque 2:2, 3. Charles Fitch faleceu no dia 10 de outubro de 1844.

GMA 96.1Dr. Josiah Litch, da Filadélfia — como veremos no próximo capítulo, foi movido pelo Senhor para proclamar uma verdade que, por ocasião de seu cumprimento, causou um aumento de interesse, rápido e repentino, na mensagem do advento.

GMA 96.2Elon Galusha, de Lockport, Nova Iorque — notável ministro batista cujos escritos e pregações sobre o tema da breve vinda do Senhor causaram grande agitação naquela denominação.

GMA 96.3E. R. Pinney, de Seneca Falls, Nova Iorque — outro consagrado ministro da Igreja Batista, cujos ministério e escritos foram um poder na obra. Ele bem poderia ser chamado de “O sal da terra”.

GMA 96.4George Storrs, da cidade de Nova Iorque — antes de sua conversão à doutrina do advento, era um proeminente pregador de reavivamento. Seus escritos exerceram poderosa influência no sentido de levar o povo a uma maior consagração de si mesmo e de suas posses à obra. Isso ocorreu especialmente nas últimas semanas das 2.300 tardes e manhãs. Foi ele que, após o desapontamento, trouxe à atenção dos adventistas o estado dos mortos e a punição futura.

GMA 96.5O irmão Stockman, de Portland, Maine — mais um dedicado obreiro nos reavivamentos conduzidos por Guilherme Miller naquela cidade. Sua morte ocorreu algumas semanas antes do encerramento do ano judaico de 1843, época em que o povo adventista esperava e aguardava a vinda do Senhor naquela ocasião.1

GMA 96.6Houve outros homens de destaque que, por falta de espaço, vamos apenas mencionar, como N. N. Whiting (que fez uma tradução do Novo Testamento para o Inglês, conhecida como Tradução de Whiting), S. S. Snow, F. G. Brown, Apollos Hale, L. D. Mansfield, George Needham, O. U. Fassett; George, Wesley, e Edwin Burnham (três irmãos), todos obreiros eficientes na mensagem.

Notes

  1. É fácil entender, como descrito no livro Primeiros Escritos, p. 17, o motivo pelo qual os irmãos Fitch e Stockman estavam ansiosos para saber o que havia acontecido após sua morte. ↩

Nota

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